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O Sacrifício Eucarístico

Os homens sempre, desde o início do mundo, para reconhecerem que Deus é o Senhor de todas as coisas, e de que tudo recebemos d’Ele, sempre sacrificaram, destruíram, uma parte de suas colheitas ou de seus rebanhos, isto é, de seus bens, ofertando-os a Deus.

Foi isto que fizeram Abel, corretamente, e Caim, com má vontade.

Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.”
(Hebreus 11:4)

abraao

Abraão, também, sacrificou uma ovelha, no Monte Moriá. Os judeus, sendo pastores, sacrificavam parte de seus bens, isto é, suas ovelhas, para reconhecerem Deus como Senhor de tudo, e para mostrar confiança de que Deus lhes daria ainda mais bens, no lugar daquele que eles sacrificavam.

Não é verdade que Deus não exigiu sacrifícios. Mesmo ao saírem os judeus do Egito foi o próprio Deus que os mandou sacrificarem um cordeiro, e passarem o seu sangue nas portas de suas casas como sinal para que o anjo não matasse os primogênitos judeus.

E logo no capitulo 10 do Êxodo está escrito:

O Senhor disse a Moisés: Dirás estas coisas aos filhos de Israel: Vós vistes que vos falei do céu. Não fareis para vós deuses de prata, nem deuses de ouro. Far-me-eis um altar de terra, e oferecereis sobre ele os vossos holocaustos e as vossas hóstias pacificas, as vossas ovelhas e bois em todo o lugar onde se fizer a memória de meu nome; Eu virei a ti e te abençoarei. Se, porém, me edificares algum altar de pedra, não o edificarás de pedras lavradas; porque se levantares sobre ele o cinzel, ficará poluto. Não subirás por degraus ao meu altar, para que não se descubra a vergonha de tua nudez
(Êxodo 10, 22-26).

E também não é verdade que os sacrifícios praticados pelos judeus eram simplesmente costumes deles, mas foram ordenados pelo próprio Criador.

Cada dia imolarás um novilho em sacrifício expiatório pelo pecado; por esse sacrifício expiatório tirarás o pecado do altar, e far-lhe-ás uma unção para consagrá-lo. A expiação do altar se fará durante sete dias; e consagrarás esse altar, que se tornará coisa santíssima, e tudo o que o tocar será consagrado.”
(Êxodo 29:36-37)

Quanto ao texto de Jeremias:

Em matéria de sacrifícios e holocaustos, eu nada disse e nada ordenei aos vossos pais ao tirá-los do Egito; dei-lhes somente esta ordem: – Escutai a minha voz; eu serei vosso Deus e vós sereis o meu povo.”
(Jeremias 7,22-23)

nós devemos situá-lo no contexto em que Deus o colocou. Deus estava recriminando os judeus por fazerem sacrifícios aos ídolos (Cfr. Jeremias 7, 16-20). Daí, Ele afirmar que, mais importante que os sacrifícios de animais, era a obediência à sua palavra. Por isso, também, foi escrito: “Quero a obediência, e não o sacrifício“.

Estes sacrifícios eram prenúncios e símbolos proféticos do sacrifício do Novo Testamento, a Missa. Assim, o Cordeiro que os judeus sacrificavam para comemorar a Páscoa — sacrifício que o próprio Cristo cumpriu na Quinta-Feira Santa anterior à sua morte — era símbolo da morte de Cristo, o cordeiro de Deus sem mancha, que como o cordeiro pascal, sem mancha, morreu na Cruz sem que nenhum osso lhe fosse partido.

Cordeiro de Deus

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (João 1:29)
“Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor.” (Apocalipse 5:12)

Todos os sacrifícios que eram simbólicos e puramente cerimoniais foram tornados inúteis quando o que eles representavam se realizou verdadeiramente. Estabelecido o sacrifício da Missa por Cristo todos os sacrifícios que o simbolizavam ficaram superados e abolidos. A realidade supera o símbolo.

Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso também JESUS, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura. Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome. E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada.”
(Hebreus 13:9-16)

Ultima-Ceia

Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós…
(Lucas 22, 14-20)

Nosso Senhor Jesus Cristo, ao instituir o Mistério Eucarístico, sancionou com o seu sangue o Novo Testamento de que é Mediador, do mesmo modo que Moisés sancionara o Velho com o sangue dos vitelos. Segundo contam os Evangelistas, na última Ceia, “tomou um pão, deu graças, partiu e distribui-o a eles, dizendo, ‘isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória‘. E, depois de comer, fez o mesmo com o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós“‘. E mandando aos Apóstolos que fizessem isto em sua memória, mostrou a vontade de que este Mistério se renovasse. Na realidade, foi o que a Igreja primitiva realizou fielmente, perseverando na doutrina dos Apóstolos e reunindo-se para celebrar o Sacrifício Eucarístico. Como testemunha São Lucas, “eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (Atos 2, 42). E assim, chegavam a tal fervor, que deles se podia dizer: “A multidão dos que haviam crido era um só o coração e uma só a alma” (Atos 4, 32).

O Apóstolo São Paulo, que com toda a fidelidade nos transmitiu aquilo que recebera do Senhor, (1 Cor 11, 23) fala claramente do sacrifício eucarístico, ao mostrar que os cristãos não podem tomar parte nos sacrifícios dos pagãos, exatamente porque já participavam da mesa do Senhor. Assim se exprime: “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o Sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo?Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1Cor 10, 16).

Sempre a Igreja Católica conservou religiosamente, como tesouro preciosíssimo, o mistério inefável da fé que é o dom da Eucaristia, recebido do seu Esposo, Cristo, como penhor de amor imenso. Exortando os fiés a participarem ativamente, com fé íntegra e com a maior piedade, na celebração deste sacrossanto Mistério, oferecendo-o a Deus como sacrifício, juntamente com o sacerdote, pela salvação própria e de todo o mundo, recorrendo a ele para encontrarem o alimento da alma.

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão,
viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne,
que eu darei pela vida do mundo
.”
(João 6:51)

Eucaristia

Na verdade, ó Pai, vós sois santo e fonte de toda santidade. Santificai, pois, estas oferendas, derramando sobre elas o vosso Espírito, a fim de que se tornem para nós o Corpo e † o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso.

Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.”
(João 6:53-56)

Como nos diz São Cirilo: “Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, mas aceita com fé as palavras do Salvador; sendo Ele a Verdade, não mente” (Summa Theol. III, q. 75, a. I.).

Isso também nos fala o Evangelho ao contar que muitos discípulos de Cristo, ao ouvirem falar de comer carne e beber sangue, voltaram as costas e abandonaram o Senhor, dizendo: Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las? Perguntando então Jesus se também os Doze se queriam retirar, Pedro afirmou, com decisão e firmeza, a fé sua e a dos Apóstolos, com esta resposta admirável: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna!” (João 6,61-69)

A presença de Jesus, antes com as palavras, depois com o gesto do partir o pão, torna possível aos discípulos de reconhecê-lo, e eles podem sentir em modo novo quanto havia já sentido caminhando com Ele: “Não ardia o nosso coração enquanto ele conversava conosco ao longo do caminho, quando nos explicava as escrituras? (Lucas 24, 32). Este episódio nos indica dois lugares privilegiados onde podemos encontrar o Ressuscitado que transforma a nossa vida: a escuta da palavra, em comunhão com Cristo, e o partir o Pão; ‘dois lugares’ profundamente unidos entre eles porque “Palavra e Eucaristia se pertencem tão intimamente ao ponto de não poderem ser compreendidas uma sem a outra: A Palavra de Deus se faz carne sacramental no evento eucarístico” .

Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.”
(1 Coríntios 11:26-29)

FONTE:

Para mais detalhes:

TRECHO: “E esta nossa adoração eucarística encerra ainda uma outra característica particular. Ela é compenetrada pela grandeza desta Morte Humana, na qual o mundo, isto é cada um de nós, foi amado “até ao extremo”. Assim, tal adoração é também uma resposta que intenta retribuir aquele Amor imolado até à morte na Cruz: é a nossa “Eucaristia”, quer dizer, o nosso dar-Lhe graças e o louvá-l’O por nos ter redimido com a Sua morte e tornado participantes da vida imortal por meio da Sua ressurreição.”

TRECHO: “O Filho de Deus fez-Se homem para, num supremo acto de louvor, devolver toda a criação Àquele que a fez surgir do nada. Assim, Ele, o sumo e eterno Sacerdote, entrando com o sangue da sua cruz no santuário eterno, devolve ao Criador e Pai toda a criação redimida. Fá-lo através do ministério sacerdotal da Igreja, para glória da Santíssima Trindade. Verdadeiramente este é o mysterium fidei que se realiza na Eucaristia: o mundo saído das mãos de Deus criador volta a Ele redimido por Cristo.”

TRECHO: “Originalmente a Sagrada Eucaristia era a oração de ação de graças da Igreja primitiva, precedia a consagração do pão e do vinho, posteriormente a palavra foi conferida a toda a celebração da Santa Missa. A Sagrada Eucaristia é o sacramento em que Jesus entrega o Seu Corpo e o Seu Sangue – Ele próprio, por nós, para que também nos entreguemos a Ele em amor e nos unamos a Ele na Sagrada Comunhão. É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até o Seu regresso, confiando assim à Sua Igreja o memorial da Sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna.”

TRECHO: “A minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida‘ (Jo 6, 55). Com efeito, diante destas palavras do Senhor, narra o Evangelho de São João, “muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele” (Jo 6, 66). O sacramento sequer tinha sido instituído, mas apenas os seus fundamentos já eram pedra de escândalo para os primeiros seguidores de Cristo.

Só a leitura desta passagem evangélica é suficiente para eliminar a hipótese de que Jesus estivesse “falando em parábolas”, como insinuam os protestantes, para sustentar sua heresia. Se Ele tivesse querido usar estas palavras somente em um sentido metafórico, falando do “pão da vida” apenas como um símbolo ou uma representação, Jesus, que conhece os corações humanos, teria se explicado. Vendo que muitos saíam e abandonavam-No, Ele com certeza teria dado outro sentido à sua pregação, explicando que as coisas não eram da forma como eles tinham entendido.

Alguns links sobre os milagres eucarísticos:

 

Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.” (Didaqué)

Fazeis isto em memória de mim

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei:
que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue;
fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim
.
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice
anunciais a morte do Senhor, até que venha
.”
(1 Coríntios 11:23-26)

 

Celebrando a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a Igreja entende manifestar o próprio agradecimento a Deus Pai pelo dom do Seu Filho Jesus para a nossa salvação. Além do mais, através desta solenidade, os mesmos fiéis são convidados a refletir sobre o mistério da Eucaristia, mistério do qual participamos no Domingo, dia do Senhor, quando fazemos o memorial da sua morte e ressurreição.

A Igreja desde a antigüidade nos ensina que o nosso Batismo é finalizado na Eucaristia, isso quer dizer que a nossa vida cristã se realiza e, ao mesmo tempo se fortalece, só através da Eucaristia, pois é naquela circunstância que nos alimentamos do mesmo Cristo que recebemos no Espírito no dia do Batismo. A vida cristã é vida em Cristo, pois a humanidade gloriosa de Cristo deve resplandecer na sua Igreja. As leituras que ouvimos nos apresentam o sentido da vida de Jesus que deve ser também o nosso. Aquilo que Jesus é por natureza, nós conseguimos alcançá-lo no sacramento e pela graça de Deus. Por essa razão é importante aproveitar da solenidade para pararmos um momento e refletir sobre o mistério da Eucaristia no qual é contido também o mistério da nossa mesma existência.

Na noite em que foi entregue, O Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isso em memória de mim. Do mesmo modo depois da ceia tomou o cálice…” (1 Cor 11, 23s). O problema que devemos enfrentar é este: o que Jesus quis dizer com este gesto? O que significa este rito? Porque Jesus pediu de repeti-lo?

Aquilo que Jesus realizou, se olhado bem de perto, purificado de qualquer pré-compreensão, é um ato extremamente humano, carregado de humanidade, pois com este gesto do pão e do vinho Jesus desvenda de uma vez para todas o sentido da sua vida. Outro dado importante é que este gesto, esta revelação, Jesus realizou perante os seus discípulos, ou seja, os únicos que o tinham acompanhado desde o começo. Isso quer dizer que, para desvendarmos o mistério deste rito, precisamos ser discípulos de Jesus, ou seja, precisamos querer conhecê-lo, amá-lo, segui-lo. O mistério da Eucaristia se desvenda ao longo do caminho do discipulado: não é algo que se aprende com os instrumentos da pura razão, mas se desenrola ao longo da vida cristã. E esta necessidade de sermos discípulos também é percebida quando Ele diz: “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor“, pois mostra que somente aqueles que discernem o corpo do Senhor comem e bebem dignamente.

Em segundo lugar, é bom salientar que o gesto que Cristo realizou na ceia derradeira resume o sentido da sua vida. De fato, Jesus veio ao mundo para manifestar à humanidade toda, perdida no egoísmo, o sentido de uma vida no amor, uma vida que realiza aquela vocação originária, que Deus tinha entregue ao homem antes do pecado. Neste sentido, qualquer pecado é sempre algo que afeta a vocação ao amor. Jesus realizou a sua vida de amor entregando-se totalmente, doando-se sem poupar nada de si. O pensamento dele era só para as pessoas que estavam ao seu redor: nada para si, tudo para eles. A vida de Jesus foi uma vida totalmente partida, por assim dizer, para os seus. É isso que impressiona, folheando com amor as páginas do Evangelho. Quanto mais se doa, tanto mais Jesus cresce: nunca se esgota. Multidões de pessoas se aproximam a Ele cada uma querendo tirar o próprio proveito, e Jesus nunca fica vazio, mas sempre tem de sobra de tudo, de amor, de atenção. Jesus nunca se cansa de amar. O amor que Ele doa não depende do amor dos outros, daquilo que recebe em troca. A maneira de Jesus amar, que é o sentido autêntico do amor, é uma crítica radical e profunda da nossa maneira egoística de amar. Nós amamos com a pretensão humana de sermos correspondidos, pois a fonte do nosso amor está no outro.

Em Jesus a fonte do amor está em Deus, no Pai que Ele busca dia e noite. É este amor divino que Jesus derrama de mãos cheias na humanidade que encontra. Por isso não se machuca se não for correspondido, pois não é isso que procura, mas somente que alguém receba um pouco do amor divino, que alguém participe daquela superabundância de amor do qual Cristo mesmo vive e participa. Este amor desinteressado, cuja fonte está em Deus, critica na raíz os nossos amores demasiadamente interessados que, na realidade, são formas disfarçadas de egoísmo. Por isso ficamos machucados se não formos correspondidos; ficamos tristes e até deprimidos toda vez que o nosso amor, por assim dizer, é desatendido. Nessa altura poderíamos nos perguntar: como é possível viver no mundo amando a todos e a todas sem nos esgotar? Como é possível vivermos como se fossemos também nós como Cristo, uma fonte inesgotável de amor (cf. Jo 7:37-39)?

Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice estareis proclamando a morte do Senhor até que ele venha” (1 Cor 11, 26).

Parece impossível viver a nossa vocação ao amor, que é a forma como Jesus nos amou, sem nos esgotarmos. Precisamos de algo que possa derreter o egoísmo que está enraizado em nós. Precisamos de algo que possa preencher o nosso vazio, pois toda vez que amamos e não somos correspondidos, ficamos com um vazio terrível dentro de nós. Toda vez que percebemos que alguém está se aproximando de nós por puro interesse, isso provoca sentimentos extremamente negativos. Para que a nossa fonte de amor nunca se esgote  precisamos do Corpo de Cristo, do corpo do Filho de Deus que veio ao mundo esbanjando amor sem nunca se esgotar.

Na ceia derradeira Jesus não apenas nos convidou para celebrarmos um rito, mas para imitarmos a sua vida. “Fazeis isto em memória de mim”, não é apenas um comando que se refere à forma externa dos gestos que Ele realizou naquela circunstância, mas sobretudo ao sentido que aqueles gestos tinham. Jesus na ceia derradeira convidou os discípulos a continuar na história o mesmo jeito dele amar, ofereceu para eles o alimento que os sustentariam. Sem a Eucaristia ninguém consegue amar do jeito que Jesus amou. Por isso no domingo, quando nos aproximamos da mesa Eucarística, não estamos cumprindo um preceito ou uma obrigação, mas estamos tomando o único alimento que nos permite realizar a nossa vocação. Jesus nos convidou para comer, ou seja, num sentido espiritual, a interiorizar o seu corpo, ou seja, a sua pessoa, o seu jeito de ser, de viver, de amar. Jesus nos convidou a internalizar a sua mesma vida para que a pudéssemos doar aos outros.

Agradecemos a Deus de ter nos oferecido o Seu Filho Jesus, alimento espiritual da nossa vida, motivo da nossa alegria plena.

Escrito por: Pe. Paolo Cugini em Bíblia Interpretada.

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;”
(2 Coríntios 4:5-10)

O que se deve fazer antes da Comunhão?

Inicialmente vamos refletir sobre a Comunhão através das palavras do Papa Bento XVI :

Depois de o ter abençoado, o Senhor parte o pão e distribui-o aos discípulos. Partir o pão é o gesto do pai de família que se preocupa dos seus e lhes dá aquilo de que têm necessidade para a vida. Mas é também o gesto da hospitalidade com que o estrangeiro, o hóspede é acolhido na família sendo-lhe concedido tomar parte na sua vida. Partir-partilhar é unir. Através da partilha, cria-se comunhão. No pão repartido, o Senhor distribui-Se a Si próprio. O gesto de partir alude misteriosamente também à sua morte, ao amor até à morte. Ele distribui-Se a Si mesmo, verdadeiro «pão para a vida do mundo» (cf. Jo 6, 51). O alimento de que o homem, no mais fundo de si mesmo, tem necessidade é a comunhão com o próprio Deus. Dando graças e abençoando, Jesus transforma o pão: já não dá pão terreno, mas a comunhão consigo mesmo. Esta transformação, porém, quer ser o início da transformação do mundo, para que se torne um mundo de ressurreição, um mundo de Deus. Sim, trata-se de transformação: do homem novo e do mundo novo que têm início no pão consagrado, transformado, transubstanciado.

diálogo com o senhor

A voz do Discípulo:

Senhor, quando considero a vossa dignidade e a minha vileza tenho grande temor e acho-me confuso. Porque se não me chego a vós, fujo da vida e, se indignamente vos recebo, caio em nova ofensa. Pois que farei, Deus meu, meu auxílio e conselheiro nas necessidades?

Ensina-me vós o caminho direito, mostrai-me algum exercício conveniente para a Sagrada Comunhão. Porque é necessário e útil saber de que modo devo preparar o meu coração com devoção e reverência, para receber saudavelmente ou para celebrar tão soberano e divino Sacramento.

O Amado nos responde:

Sobre todas as coisas é necessário que o sacerdote de Deus chegue a celebrar, tocar e receber este Sacramento com grandíssima humildade de coração, com devoto respeito, com viva fé, piedosa e pura intenção de honrar a Deus.

Examina diligentemente a tua consciência, e segundo as tuas forças purifica-a e aclara-a, com contrição verdadeira, e confissão humilde; de sorte que não sintas coisa grave que te remorda e estorve de chegar livremente ao Sacramento.

Destesta em geral todos os pecados que cometeste, e mais em particular dói-te e arrepende-te das faltas de cada dia. E se a ocasião o permitir, no recôndito do teu coração confessa a Deus todas as misérias de tuas paixões.

Geme e sente que ainda sejas tão carnal, e mundano; tão pouco mortificado nas paixões; tão cheio de movimentos de conscupiscência; tão pouco recatado nos sentidos exteriores.

Tão embaraçado em vãos pensamentos.

Tão inclinado às coisas exteriores; tão negligente nas interiores.

Tão fácil para o riso e dissipação; tão duro para as lágrimas e para o arrependimento.

Tão pronto para a recreação e regalo da carne; tão preguiçoso para o rigor e fervor.

Tão curioso para ouvir novidades e ver coisas agradáveis aos sentidos; tão remisso em abraçar as coisas humildes e baixas.

Tão cobiçoso de ter muito; tão acanhado em dar, tão avarento em guardar.

Tão indiscreto em falar; tão mal sofrido em calar.

Tão descomposto nos costumes; tão indiscreto nas ações.

Tão desordenado no comer; tão surdo às palavras de Deus.

Tão ligeiro para o descanso; tão vagaroso para o trabalho.

Tão esperto para discursos fúteis; tão sonolento para as sagradas vigílias.

Tão apressado em as acabar; tão minguado de atenção, tão negligente em rezar  o ofício divino; tão tíbio em celebrar; tão seco em comungar.

Tão fácil em te distraires; tão difícil em te recolheres.

Tão fácil em te deixares levar da ira; tão inclinado a desgostar os outros.

Tão fácil em julgar; tão rigoroso em repreender.

Tão alegre no próspero; tão decaído no adverso, propondo de contínuo muitas coisas boas, e pondo mui poucas por obra.

Confessados e chorados este e outros defeitos, com dor e desgosto da tua própria fraqueza, propõe firmemente emendar a tua vida e melhorá-la daqui em diante.

Depois, com plena resignação e inteira vontade, oferece-te a ti mesmo em honra do meu nome, no altar do teu coração, como holocausto perpétuo, entregando-me fielmente o teu coração e a tua alma, para que assim mereças dignamente oferecer o sacrifício de Deus e receber com  fruto o Sacramento do meu corpo.

Não há sacrifício mais digno, nem maior satisfação para expiar pecados, que oferecer-se a si mesmo a Deus, pura e inteiramente com o oferecimento do Corpo de Cristo na missa ou na comunhão.

Se o homem fizer o que esta em si, e verdadeiramente se arrepender, quantas vezes me vier pedir perdão e graça – vivo eu diz o Senhor, e não quero a morte do pecador mas que se converta e viva (Ez 33:11) – não me lembrarei mais dos seus pecados, todos lhe serão perdoados.

Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.
Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão,
viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne,
que eu darei pela vida do mundo
.”
(João 6:50-51)

O diálogo foi extraído do Livro Imitação de Cristo.

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