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A nossa Fé

Caros irmãos e irmãs, hoje gostaria de refletir com vocês sobre uma questão fundamental: o que é a fé? Há ainda um sentido para a fé em um mundo em que a ciência e a técnica abriram horizontes até pouco tempo impensáveis? O que significa crer hoje? De fato, no nosso tempo é necessária uma renovada educação para a fé, que inclua um certo conhecimento das suas verdades e dos eventos da salvação, mas que sobretudo nasça de um verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo, de amá-lo, de confiar Nele, de modo que toda a vida seja envolvida.

Hoje, junto a tantos sinais do bem, cresce ao nosso redor também um certo deserto espiritual. Às vezes, tem-se a sensação, a partir de certos acontecimentos dos quais temos notícia todos os dias, que o mundo não vai para a construção de uma comunidade mais fraterna e mais pacífica; as mesmas ideias de progresso e de bem estar mostram também as suas sombras. Não obstante a grandeza das descobertas da ciência e dos sucessos da técnica, hoje o homem não parece tornar-se verdadeiramente livre, mais humano; permanecem tantas formas de exploração, de manipulação, de violência, de abusos, de injustiça…Um certo tipo de cultura, então, educou a mover-se somente no horizonte das coisas, do factível, a crer somente no que se vê e se toca com as próprias mãos. Por outro lado, porém, cresce também o número daqueles que se sentem desorientados e, na tentativa de ir além de uma visão somente horizontal da realidade, estão dispostos a crer em tudo e no seu contrário. Neste contexto, surgem algumas perguntas fundamentais, que são muito mais concretas do que parecem à primeira vista: que sentido tem viver? Há um futuro para o homem, para nós e para as novas gerações? Em que direção orientar as escolhas da nossa liberdade para um êxito bom e feliz da vida? O que nos espera além do limiar da morte?

Destas perguntas insuprimíveis, aparece como o mundo do planejamento, do cálculo exato e do experimento, em uma palavra o saber da ciência, embora importante para a vida do homem, sozinho não basta. Nós precisamos não somente do pão material, precisamos de amor, de significado e de esperança, de um fundamento seguro, de um terreno sólido que nos ajuda a viver com um senso autêntico também nas crises, na escuridão, nas dificuldades e nos problemas cotidianos. A nos dá propriamente isto: é um confiante confiar em um “Tu”, que é Deus, o qual me dá uma certeza diversa, mas não menos sólida daquela que me vem do cálculo exato ou da ciência. A fé não é um simples consentimento intelectual do homem e da verdade particular sobre Deus; é um ato com o qual confio livremente em um Deus que é Pai e me ama; é adesão a um “Tu” que me dá esperança e confiança. Certamente esta adesão a Deus não é privada de conteúdo: com essa sabemos que Deus mesmo se mostrou a nós em Cristo, fez ver a sua face e se fez realmente próximo a cada um de nós. Mais, Deus revelou que o seu amor pelo homem, por cada um de nós, é sem medida: na Cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem, nos mostra do modo mais luminoso a que ponto chega este amor, até a doação de si mesmo, até o sacrifício total. Com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até o fundo na nossa humanidade para trazê-la de volta a Ele, para elevá-la à sua altura.

  A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, diante do mal e da morte, mas é capaz de transformar cada forma de escravidão, dando a possibilidade da salvação.Ter fé é encontrar este “Tu”, Deus, que me apoia e me concede a promessa de um amor indestrutível que não só aspira à eternidade, mas a doa; é confiar em Deus com a atitude de uma criança, que sabe bem que todas as suas dificuldades, todos os seus problemas estão seguros no “Tu” da mãe. E esta possibilidade de salvação através da fé é um dom que Deus oferece a todos os homens. Penso que deveríamos meditar mais vezes – na nossa vida cotidiana, caracterizada por problemas e situações às vezes dramáticas – sobre o fato de que crer de forma cristã significa este abandonar-me com confiança ao sentido profundo que apoia a mim e ao mundo, aquele sentido que nós não somos capazes de dar, mas somente de receber como dom, e que é o fundamento sobre o qual podemos viver sem medo. E esta certeza libertadora e tranquilizante da fé, devemos ser capazes de anunciá-la com a palavra e de mostrá-la com a nossa vida de cristãos.

Ao nosso redor, porém, vemos cada dia que muitos permanecem indiferentes ou recusam-se a acolher este anúncio. No final do Evangelho de Marcos, hoje temos palavras duras do Ressuscitado que diz: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 16), perde a si mesmo. Gostaria de convidá-los a refletir sobre isso. A confiança na ação do Espírito Santo nos deve impulsionar sempre a ir e anunciar o Evangelho, ao corajoso testemunho da fé; mas para além da possibilidade de uma resposta positiva ao dom da fé, há também o risco de rejeição ao Evangelho, do não acolhimento ao nosso encontro vital com Cristo. Santo Agostinho já colocava este problema em seu comentário da parábola do semeador: “Nós falamos – dizia – lançamos a semente, espalhamos a semente. Existem aqueles que desprezam, aqueles que reprovarão, aquelas que zombam. Se nós temos medo deles, não temos mais nada a semear e no dia da ceifa ficaremos sem colheita. Por isso venha a semente da terra boa” (Discurso sobre a disciplina cristã, 13, 14: PL 40, 677-678). A recusa, portanto, não pode nos desencorajar. Como cristãos, somos testemunhas deste terreno fértil: a nossa fé, mesmo nas nossas limitações, mostra que existe a terra boa, onde a semente da Palavra de Deus produz frutos abundantes de justiça, de paz e de amor, de nova humanidade, de salvação. E toda a história da Igreja, com todos os problemas, demonstra também que existe a terra boa, existe a semente boa, e dá fruto.

Mas perguntamos: onde atinge o homem aquela abertura do coração e da mente para crer no Deus que se fez visível em Jesus Cristo morto e ressuscitado, para acolher a sua salvação, de forma que Ele e seu Evangelho sejam o guia e a luz da existência? Resposta: nós podemos crer em Deus porque Ele se aproxima de nós e nos toca, porque o Espírito Santo, dom do Ressuscitado, nos torna capazes de acolher o Deus vivo. A fé então é primeiramente um dom sobrenatural, um dom de Deus. O Concílio Vaticano II afirma: “Para que se possa fazer este ato de fé, é necessária a graça de Deus que previne e socorre, e são necessários os auxílios interiores do Espírito Santo, o qual mova o coração e o volte a Deus, abra os olhos da mente, e doe ‘a todos doçura para aceitar e acreditar na verdade’” (Cost. dogm. Dei Verbum, 5). Na base do nosso caminho de fé existe o Batismo, o Sacramento que nos doa o Espírito Santo, fazendo-nos tornar filhos de Deus em Cristo, e marca o ingresso na comunidade de fé, na Igreja: não se crê por si próprio, sem a vinda da graça do Espírito; e não se crê sozinho, mas junto aos irmãos. A partir do Batismo, então, cada crente é chamado a re-viver e fazer própria esta confissão de fé, junto aos irmãos.

A fé é dom de Deus, mas é também ato profundamente livre e humano. O Catecismo da Igreja Católica o diz com clareza: “É impossível crer sem a graça e os auxílios interiores do Espírito Santo. Não é, portanto, menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade e nem à inteligência do homem” (n. 154). Na verdade, as implica e as exalta, em uma aposta de vida que é como um êxodo, isso é, uma saída de si mesmo, de suas próprias seguranças, de seus próprios pensamentos, para confiar na ação de Deus que nos indica o seu caminho para conseguir a verdadeira liberdade, a nossa identidade humana, a alegria verdadeira do coração, a paz com todos. Crer é confiar com toda a liberdade e com alegria no plano providencial de Deus na história, como fez o patriarca Abramo, como fez Maria de Nazaré.

A fé, então, é um consentimento com o qual a nossa mente e o nosso coração dizem o seu “sim” a Deus, confessando que Jesus é o Senhor.

E este “sim” transforma a vida, a abre ao caminho para uma plenitude de significado, a torna então nova, rica de alegria e de esperança confiável.

Caros amigos, o nosso tempo requer cristãos que foram apreendidos por Cristo, que cresçam na fé graças à familiaridade com a Sagrada Escritura e os Sacramentos. Pessoas que sejam quase um livro aberto que narra a experiência da vida nova no Espírito, a presença daquele Deus que nos sustenta no caminho e nos abre à vida que nunca terá fim. Obrigado.

Papa Bento XVI

Via Crúcis, Via Sacra ou Caminho da Cruz

Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.”
(Mt 16, 24)

Há mais de vinte séculos que a Igreja se reúne na noite de Sexta-feira Santa para recordar e reviver os acontecimentos da última etapa do caminho terreno do Filho de Deus. Hoje, como nos demais anos, a Igreja que está em Roma reuni-se, para seguir os passos de Jesus que, “carregando às costas a cruz, saiu para o lugar chamado Crânio, que em hebraico se diz Gólgota” (Jo 19, 17).

Encontramo-nos aqui animados pela convicção de que a via-sacra do Filho de Deus não foi um simples caminhar para o lugar do suplício. Acreditamos que cada passo do Condenado, cada gesto e palavra d’Ele, e tudo o mais que foi vivido e realizado por quantos tomaram parte neste drama, continua incessantemente a falar-nos. Cristo, mesmo no seu sofrimento e na sua morte, desvenda-nos a verdade acerca de Deus e do homem.

Queremos refletir intensamente no conteúdo daquele acontecimento, para que fique gravado, com uma força nova, nas nossas mentes e nos nossos corações e daí brote a graça duma autêntica participação.

Participar significa ter uma parte. E que significa ter uma parte na cruz de Cristo?

- Significa experimentar, no Espírito Santo, o amor que a cruz de Cristo encerra. Significa reconhecer, à luz desse amor, a própria cruz. Significa retomá-la aos próprios ombros e, por força sempre daquele amor, caminhar…

Caminhar pela vida fora, imitando Aquele que “suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está agora sentado à direita do trono de Deus” (Heb 12, 2).

Oremos:

Senhor Jesus Cristo,
enchei os nossos corações com a luz do vosso Espírito,
para que, acompanhando-Vos no vosso último caminho,
conheçamos o preço da nossa redenção
e nos tornemos dignos de participar
nos frutos da vossa paixão, morte e ressurreição.
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amen.

PRIMEIRA ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE

Tu és o rei dos judeus?” (Jo 18, 33).

- “A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas a minha realeza não é daqui” (Jo 18, 36).

Pilatos acrescentou:
Logo Tu és rei?

Jesus respondeu:
– “Tu o dizes! Eu sou rei! Para isso nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz“.

Pilatos replicou: “Que é a verdade?

Dito isto, o Procurador romano considerou encerrado o interrogatório. Foi ter com os judeus e comunicou-lhes: “Não acho n’Ele culpa alguma” (cf. Jo 18, 37-38). O drama de Pilatos está contido na pergunta: Que é a verdade? Não era uma pergunta filosófica sobre a natureza da verdade, mas uma pergunta existencial que dizia respeito à relação da própria pessoa com a verdade. Era uma tentativa de fugir à voz da consciência, que instava para que reconhecesse a verdade e a seguisse. O homem, que não se deixa guiar pela verdade, é capaz de sentenciar inclusivamente a condenação dum inocente.

Os acusadores intuem esta fragilidade de Pilatos e por isso não cedem. Com determinação, reclamam a morte de cruz. As meias-medidas, a que recorre Pilatos, não o ajudam. Não é suficiente a pena cruel da flagelação, infligida ao Acusado. Quando o Procurador apresenta à multidão Jesus flagelado e coroado de espinhos, usa uma frase que, no seu modo de ver, deveria quebrar a intransigência da praça. Apontando para Jesus, diz: “Ecce homo! Eis o homem!” Mas, a resposta foi: “Crucifica-O, crucifica-O!

Pilatos procura então fazê-los raciocinar: “Tomai-O vós e crucificai-O; eu não encontro n’Ele culpa alguma” (cf. Jo 19, 5-7).

Está cada vez mais convencido de que o Réu é inocente, mas isto não lhe basta para proferir uma sentença de absolvição. Os acusadores recorrem ao último argumento: “Se O libertares, não és amigo de César; todo aquele que se faz rei, é contra César” (Jo 19, 12).

A ameaça é clara. Pilatos, intuindo o perigo, cede definitivamente e profere a sentença, acompanhada do gesto teatral de lavar-se as mãos: “Estou inocente do sangue deste justo. Isso é convosco” (Mt 27, 24). E assim Jesus, o Filho de Deus vivo, o Redentor do mundo, foi condenado à morte de cruz.

Ao longo dos séculos, a negação da verdade gerou sofrimento e morte. São os inocentes que pagam o preço da hipocrisia humana. As meias-medidas não são suficientes. Nem basta lavar as mãos. A responsabilidade pelo sangue do justo permanece. Foi por isso que Jesus rezou, tão ardentemente, pelos seus discípulos de todos os tempos: “Pai, santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17, 17).

ORAÇÃO

Cristo, que aceitais uma condenação injusta,
concedei-nos, a nós e a todos os nossos contemporâneos,
a graça de sermos fiéis à verdade e não permitais que caia sobre nós
e sobre quantos hão-de vir depois de nós
o peso da responsabilidade pelo sofrimento dos inocentes.
Jesus, justo Juiz, a Vós a honra e a glória pelos séculos sem fim.
 Amen.

SEGUNDA ESTAÇÃO: JESUS RECEBE A CRUZ AOS OMBROS

Não era lícito condenar um cidadão romano à morte de cruz: era humilhante demais. No momento em que Jesus de Nazaré pegou na cruz para levá-la ao Calvário, a história da cruz conheceu uma inversão do seu valor: De sinal de morte infame e reservada à classe inferior dos homens, a cruz passa a ser uma chave; doravante, com a ajuda desta chave, o homem abrirá a porta das profundezas do mistério de Deus.

Por obra de Cristo, que aceita a cruz como instrumento do seu despojamento, os homens saberão que Deus é amor.

Amor sem limites: “Amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Esta verdade sobre Deus foi revelada por meio da cruz. E não podia revelar-se de outro modo? Continuar lendo

Está Cristo dividido?

Parece-me que no mundo de hoje, mais e mais cristãos (católicos, evangélicos, anglicanos, …) não se atentam a um certo trecho da carta de São Paulo aos coríntios, no qual  ele repreende a divisão da Igreja. Percebe-se que ainda vivemos como era em Corinto: divididos em pensamento e parecer. Leiamos o trecho respectivo na carta para que possamos refletir sobre:

“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor. Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?

Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?

Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele.

Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor.”

(1 Coríntios 1: 9-31)

Hoje teríamos uma outra formulação do que disse São Paulo: “Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou católico, e eu sou evangélico, e eu sou protestante, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi seu padre ou pastor crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome deles?“.

Na Carta aos Romanos (Romanos 12, 3-8), Paulo nos relembra que os diversos dons nos são dados para o serviço: profecia, ministério, ensino, exortação, doação,  liderança e compaixão. Em nossa diversidade somos sempre um único corpo de Cristo, e membros uns dos outros. O uso de nossos diversos dons no serviço comum à humanidade torna visível a nossa unidade em Cristo. A ação conjunta dos cristãos para o benefício da humanidade, para combater a pobreza e a ignorância, para defender os oprimidos, para se ocupar com a paz e a preservação da vida, para desenvolver a ciência, a cultura, a arte são uma expressão da prática do ecumenismo, de que a Igreja e o mundo tanto necessitam. A imitação do Cristo Servidor propicia eloqüente testemunho do evangelho, atingindo não só as mentes mas também os corações. Tal serviço comum é um sinal do Reino de Deus que vem chegando – o Reino do Cristo Servidor.

Como São Paulo é claro em Continuar lendo

Somente com Jesus seremos plenamente felizes

A Palavra meditada hoje:

Assim como acolhestes o Cristo Jesus, o Senhor, assim continuai caminhando com ele. Continuai enraizados nele, edificados sobre ele, firmes na fé tal qual vos foi ensinada, transbordando em ação de graças.”
(Colossenses 2 : 6-7)

A Palavra meditada hoje foi escrita por nosso Papa Bento XVI aos jovens e à Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Ela dá uma ordem para todos que aco- lheram e aceitaram Jesus Cristo. A ordem permanente é para nós caminharmos, nos enraizarmos e nos edificarmos em Cristo, assim como nos foi ensinado, de maneira que transbordemos essa bênção em ação de graças.

Somos convidamos a refletir sobre as nossas raízes, sobre a nossa formação espiritual e pessoal, sobre as nossas essências e nos questionar sobre quais são as raízes da nossa fé.

Somente uma pessoa que se enraizou em Cristo está fortalecida para enfrentar as diversidades do dia a dia, pois as raízes possuem o papel principal de nutrir a árvore com os alimentos necessários para que esta cresça e se torne frutífera.

O amor, a força e a graça de Cristo nos revigoram e alimentam a nossa alma. E esses alimentos nos impulsionam a seguir, mesmo diante das dificuldades. Assim como nosso Papa Bento XVI disse, ao ser entrevistado quando sucedeu o pontificado de João Paulo II, que suas raízes estavam lançadas em Cristo, nós também devemos assumir isso como uma ordem a fim de nutrir nossa alma com os alimentos necessários.

Sempre precisamos deixar algo para buscar algo maior ainda. Cada passo que você dá, o ajuda a tomar consciência de que somente Aquele que o chamou vai capacitá-lo.

Enquanto o mundo nega Cristo e tenta nos fazer acreditar nessa inverdade, nós devemos, neste momento, dizer que nossas raízes estão em Cristo e que nenhu- ma tribulação vai nos arrancar do solo, pois estamos fortalecidos n’Ele para su- perar essas dificuldades.

Reconheça as suas fraquezas e peça ajuda Àquele a quem nada é impossível, Jesus Cristo. Queira caminhar junto do Senhor, aceite-O como o alimento necessário para a sua alma, entregue a sua felicidade a Ele, pois somente com Ele você será plenamente feliz.

Mensagem de Adriano Gonçalves no programa “Sorrindo pra Vida“, da TV Canção Nova, desta terça-feira, dia 9 de agosto de 2011.

Deixa tuas redes, deixa teu lar.
Deixa teus campos, deixa por mim.
Meu operário eu te farei, irmão e amigo eu te serei.
Eis-me Senhor, tudo deixei por Ti Senhor.
Senhor meu amigo, assim lado a lado
eu caminho, confiante onde fores eu vou.
Senhor não pergunto pra onde me levas,
se Tu queres eu quero, se Tu fores eu vou. (2x)

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

O Evangelho de hoje é sensacional ! Lendo ele, dentro de mim, sinto uma alegria enorme , e com o sensacional comentário de São Boaventura…fico sem palavras! Nosso Deus é um deus maravilhoso, que muuuito nos ama!

Quando Santo Agostinho questionou Santo Ambrósio: “Como encontrar a ver- dade em um homem?” A resposta de Santo Ambrósio foi: “Nenhuma pessoa encontra a verdade, mas é a verdade que encontra a pessoa; e a verdade é o encontro com Deus. E isso só é possível por Jesus!”.

Evangelho de hoje:

“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.”

(João 14:1-6)

Comentário ao Evangelho do dia feito por  São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja (Itinerário da mente para Deus, VII, 1-2, 4, 6 ):

Aquele que volta propositada e completamente os olhos para Cristo ao vê-Lo pregado na cruz, com fé, esperança e caridade, devoção, admiração, regozijo, reconhecimento, elogio e júbilo, esse celebra a Páscoa com Ele, ou seja, põe-se a caminho para atravessar o Mar Vermelho graças à bengala da cruz (cf Ex 14,16). Ao deixar o Egipto, entra no deserto para aí provar o «maná escondido» (Ap 2, 17) e repousar com Cristo no túmulo, exteriormente como morto, mas experi- mentando – na medida em que os seus progressos lho permitem – o que foi dito na cruz ao malfeitor companheiro de Cristo: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (Lc 23,43). [...]

Nesta travessia, se queremos ser perfeitos, importa abandonar toda a especula- ção intelectual. Qualquer ponta de desejo deve ser transportada e transformada em Deus. Eis o segredo dos segredos, que «ninguém conhece excepto aquele que o recebe» (Ap 2,17). [...] Se procuras saber como é que isto se produz, interroga a graça e não o saber, a tua aspiração profunda e não o teu intelecto, o gemido da tua prece e não a tua paixão pela leitura. Interroga o Esposo e não o professor, Deus e não o homem.

Inteiramente Homem, Completamente Deus

Não é difícil, a partir do título, deduzir quem é o protagonista deste despretensi- oso ensaio… Ele mesmo, Jesus Cristo. Difícil talvez seja compreender a pro- fundidade do que é ser ao mesmo tempo homem e Deus. Em cada esquina encon- tramos religiões e seitas que tentam transformar homens em deuses, ou que ten- tam encontrar nos homens características que os aproximam de Deus. Jesus, po- rém, não é um destes homens que querem ser Deus, ele é Deus que quis ser ho- mem (para a concretização do plano divino de salvação).

O nosso mestre era inteiramente homem no que dizia respeito a si mesmo, nunca se aproveitava do fato de ser Deus quando o assunto dizia respeito a suas pró- prias dificuldades. Olhe por exemplo a tentação no deserto (Lucas 4.1-13). Fo- ram quarenta dias em que o diabo o tentou em todas as coisas. Ele poderia ter se livrado do diabo na primeira investida, porém a cada vez que o diabo colocava em xeque a identidade de Jesus como filho de Deus, ele o respondia, certo de que era o filho de Deus que viera como homem.

Diabo:  “Se és o filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão
Jesus:  “Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra de Deus”.

Era óbvio que Jesus poderia naquele momento transformar as pedras em pão (pouco tempo depois ele transformaria água em Continuar lendo