Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Nesta semana (de 18 a 25 de janeiro) acontece, no hemisfério norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico. No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente preferem outras datas para celebrar a Semana de Oração como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja.

Logotipo do Conselho Mundial de Igrejas, uma comunidade mundial de 349 igrejas que buscam a unidade, o testemunho comum e o serviço.

Este ano, o chamado à unidade, para as Igrejas do mundo inteiro, vem de Jerusalém, a Igreja mãe. Conscientes de suas próprias divisões e de sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva em Jerusalém, quando os “cristãos se uniam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações” (At 2,42). Esse é o desafio que está diante de nós. Os cristãos de Jerusalém convocam seus irmãos e irmãs para fazer desta Semana de Oração uma ocasião de renovar o compromisso de trabalho por um genuíno ecumenismo, enraizado na experiência da Igreja dos primórdios.

Dentro desse tema, são apresentados quatro elementos que eram marcos da primeira comunidade cristã e que são essenciais à vida da comunidade cristã, onde quer que ela exista. Primeiramente, temos a palavra que era comunicada pelos apóstolos. Em segundo lugar, a comunhão fraterna (koinonia) era um sinal importante entre os primeiros fiéis sempre que se reuniam. Uma terceira marca da Igreja primitiva era a celebração da Eucaristia (a fração do pão), lembrando a Nova Aliança que Jesus realizou através de seu sofrimento, morte e ressurreição. O quarto aspecto é a atitude constante de oração. Esses quatro elementos são os pilares da vida da Igreja e de sua unidade.

Levando em conta essa flexibilidade no que diz respeito à data,estimulo vocês a compreender o material aqui apresentado como um convite para achar oportunidades ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tenham atingido e para orar juntos por aquela unidade plena que é desejo de Cristo.

Caminhada de fé nos temas dos oito dias:

1° Dia) A Igreja em Jerusalém

Apresenta-se as bases da Igreja mãe de Jerusalém, deixando clara sua continuidade com a Igreja de hoje pelo mundo inteiro. Relembramos a coragem da Igreja primitiva, que bravamente dava testemunho da verdade, assim como hoje necessitamos trabalhar pela justiça em Jerusalém e no resto do mundo.
Leituras propostas:
Joel 2, 21-22.28-29 (Derramarei meu Espírito sobre toda a carne.)
Salmo 46 (Deus está no meio da cidade)
Atos 2, 1-12 (Quando chegou a dia de Pentecostes)
João 14, 15-21 (É ele o Espírito da verdade)

2° Dia) Muitos membros de um só corpo

Recorda que a primeira comunidade unida em Pentecostes tinha em seu interior pessoas de origens diversas, assim como a Igreja em Jerusalém hoje representa uma rica diversidade de tradições cristãs. Nosso desafio hoje é conseguir uma unidade visível maior, capaz de acolher nossas diferenças e tradições.
Leituras propostas:
Isaías 55, 1-4 (Vinde para as águas)
Salmo 85, 8-13 (Sua salvação está bem próxima)
1Coríntios 12, 12-27 (Fomos batizados em um só Espírito para formarmos um só corpo)
João 15, 1-13 (Eu sou a verdadeira videira)

3° Dia) A fidelidade aos ensinamentos dos apóstolos nos une

Contemplamos o primeiro elemento essencial de unidade: a Palavra de Deus apresentada através do ensinamento dos apóstolos. A Igreja de Jerusalém nos recorda que, sejam quais forem as nossas divisões, esses ensinamentos nos impelem a nos envolver em amor mútuo e em fidelidade ao corpo único que é a Igreja.
Leituras propostas:
Isaías 51, 4-8 (Dai-me atenção, meu povo)
Salmo 119, 105-112 (Tua Palavra é lâmpada para os meus passos)
Romanos 1, 15-17 (Desejo vos anunciar o Evangelho)
João 17, 6-19 (Eu manifestei o teu nome)

4° Dia) Partilha, uma expressão de nossa unidade

Enfatiza-se a partilha como segunda expressão de unidade. Assim como os primeiros cristãos punham tudo em comum, a Igreja de Jerusalém chama todos os irmãos e irmãs da Igreja a partilhar bens e tarefas, com coração alegre e generoso, para que ninguém passe necessidade.
Leituas propostas:
Isaías 58, 6-10 (Não é partilhar o teu pão com o faminto?)
Salmo 37, 1-11 (Confia no Senhor e faze o bem)
Atos 4, 32-37 (Punham tudo em comum)
Mateus 6, 25-34 (Procurai primeiro o Reino de Deus)

5° Dia) Partindo o pão na esperança

Destaca-se o terceiro elemento da unidade: a fração do pão, que nos une em esperança. Nossa unidade vai além do momento da Santa Comunhão: ela precisa incluir a atitude correta a respeito da vida ética, da pessoa humana e de toda a comunidade. A Igreja de Jerusalém conclama os cristãos a se unirem na “fração do pão” hoje, porque uma Igreja dividida não pode falar com autoridade sobre temas de justiça e paz.
Leituras propostas:
Êxodo 16, 13b- 21a (É o pão que o Senhor vos dá para comer)
Salmo 116, 12-14.16-18 (Eu te oferecerei um sacrifício de louvor)
1 Coríntios 11, 17-18.23-26 (Fazei isto em memória de mim)
João 6, 53-58 (Este é o pão que desceu do céu)

6° Dia) Fortalecidos para a ação na oração

Apresenta o quarto elemento de unidade: com a Igreja em Jerusalém ganhamos força pelo tempo que nos dedicamos à oração. Especificamente, a Oração do Senhor chama todos nós, em Jerusalém e no mundo inteiro, os fracos e os poderosos, a um trabalho conjunto pela justiça, paz e unidade, para que venha a nós o Reino de Deus.
Leituras propostas:
Jonas 2, 1-9(Ao Senhor é que pertence a salvação)
Salmo 67, 1-7 (Que os povos te rendam graças, ó Deus!)
1Timóteo 2, 1-8 (Façam-se preces por todos os homens, pelos reis e todos os
que detêm autoridade)
Mateus 6, 5-15 (Que venha o teu Reino, que se realize a tua vontade)

7° Dia) Vivendo a fé da ressurreição

Leva-nos além dos quatro elementos da unidade, com a Igreja em Jerusalém alegremente proclamando a Ressurreição, mesmo quando ela carrega a dor da cruz. A Ressurreição de Jesus é hoje para os cristãos em Jerusalém a força que lhes permite a permanência constante no seu testemunho, no trabalho para a liberdade e a paz na Cidade da Paz.
Leituras propostas:
Isaías 60,1-3.18-22 (Chamarás as tuas muralhas de Salvação e as tuas portas de Louvor)
Salmo 118, 1.5-17 (Não, não morrerei, viverei)
Romanos 6, 3-11 (Pelo batismo nós fomos sepultados com ele em sua morte…a fim de que também nós levemos uma vida nova)
Mateus 28, 1-10 (Então Jesus lhes disse: não temais)

8° Dia) Chamados ao ministério da reconciliação

Conclui a caminhada com um chamado das Igrejas de Jerusalém para um trabalho mais amplo de reconciliação. Mesmo se os cristãos conseguirem unidade entre eles, sua tarefa não estará completa, porque eles precisam se reconciliar com outros. No contexto de Jerusalém, isso significa relacionamento entre palestinos e israelitas; em outras comunidades, os cristãos são desafiados a buscar justiça e reconciliação em seu próprio contexto.
Leituras propostas:
Gênesis 33, 1-4 (Esaú correu ao encontro de Jacó, apertou-o ao peito… eles choraram
Salmo 96, 1-13 (Dizei entre as nações: o Senhor é rei)
2 Coríntios 5, 17-21 (Deus nos reconciliou consigo pelo Cristo e nos confiou
o ministério da reconciliação)
Mateus 5, 21-26 (Deixa a tua oferenda ali, diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão)

Obs: Para obter comentários e orações para cada dia acesse aqui! Além disso é dado um Roteiro da Celebração e uma oração pelas lideranças das Igrejas em Jerusalém.

Durante esta caminhada de oito dias, os cristãos de Jerusalém nos convidam a proclamar e dar testemunho de que a Unidade – em seu sentido pleno de fidelidade ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações – nos dará a possibilidade de, juntos, superarmos o mal, não só em Jerusalém, mas no mundo inteiro.

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