Arquivo do mês: março 2011

Pecado e restauração

O projeto de Deus é um projeto de vida. A vida se traduz, entre outras coisas, na justiça que gera a paz. Nesse caso, a serpente representa a tentação humana de se desviar do que é reto e bom e se deixar levar por interesses fugazes, que são agradáveis somente na aparência.

Jesus realiza a justiça do Reino vencendo a tentação da abundância, prestígio e poder. Podemos nós também vencer a tentação do acúmulo e do poder. Pode- mos realizar a justiça do Reino. Deus nos deu discernimento, sabedoria e fortaleza, só que, às vezes nos deixamos levar por nosso lado fraco.

O Apóstolo Paulo afirma que o Batismo é o nascimento para uma vida nova, pois é participação na morte e ressurreição de Jesus. Com isso, desapare- ce o “Adão”, marcado pela ganância e autossuficiência, para dar lugar à nova maneira de ver e sentir a vida humana, baseada na fraternidade e na justiça, que geram a paz.

O tempo da graça é infinitamente superior ao regime da escravidão e da morte, pois “não acontece com a graça o mesmo que acontece com a falta. Portanto, se pela falta de um só, todos morreram, com maior razão se espalhou sobre todos com abundância, a graça de Deus e o dom concedido em um só homem, Jesus Cristo”.

Cada um de nós traz Adão na sua carne. Ele é nosso pai, irmão e filho ao mesmo tempo, pois também nos deixamos submeter pela autossuficiência e ganância. Contudo, o Batismo, que é participação na morte e ressurreição de Jesus, fez de nós gente nova. Isso não é mérito nosso, é fruto da solidariedade de Jesus, que, com sua morte, justificou-nos, fazendo-nos passar da morte à vida.

A solidariedade de Jesus para conosco e a nossa para com Ele abriu o caminho para a fraternidade universal. Fraternidade sem justiça é mentira e paz sem justiça é impossível.

Podemos restaurar as nossas faltas, abandonando o velho homem, o “Adão” que existe em nós e seguindo o exemplo de Cristo, Nosso Redentor.

Escrito por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
(ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG)

Ter piedade do próximo, como Deus teve de nós

Oração de Santo Efrém, o Sírio


Senhor e Mestre da minha vida,
não me abandones ao espírito de preguiça, de desencorajamento
de dominação e de vã tagarelice.

(Prostramo-nos)

Concede-me a graça de um espírito de castidade, de humildade,
de paciência e de caridade, a mim, Teu servo.

(Prostramo-nos)

Sim, meu Senhor e meu Rei, que eu veja as minhas faltas
e não condene o meu irmão.
Tu, que és bendito pelos séculos dos séculos. Amén.

(Prostramo-nos e, seguidamente, inclinamo-nos até ao chão e
dizemos três vezes)

Ó Deus, tem piedade de mim, pecador.
Ó Deus, purifica-me que sou pecador.
Ó Deus, meu Criador, salva-me.
Perdoa-me os meus numerosos pecados!

O tempo precioso

No final de um dia muito cansativo, Pedro chega em casa, e depois do jantar sen- ta no sofá para ver o noticiário. Sua filhinha de 5 anos, Patrícia,pergunta o quan- to ele ganha por hora.

Indignado com a pergunta e de modo grosseiro ele responde: “Que isso tem a ver com você menina, se nem sua mãe sabe quanto eu ganho?”.

Triste, ela sai de perto de seu pai, que arrependido lhe chama de volta e respon- de: “Papai está cansado hoje, me desculpe querida, eu devo receber uns dez re- ais por hora“. Em seguida, a menina pede: “Papai, o senhor me empresta um
real?”.

Pedro fica muito bravo com o pedido: “Trabalhei o dia todo, estou cansado, e a- gora você vem me pedir um real? Por isso queria saber o quanto eu ganho por hora. Vá para sua cama agora, você está de castigo“.

Chorando, Patrícia vai para seu quarto. Pedro fica com a consciência pesada, e antes de dormir passa no quarto de Patrícia para ver se ela está dormindo. Como ela ainda estava acordada, Pedro pede desculpas e tirando cinco reais do bolso, dá para a menina.

Patrícia contente, pega uma caixa que contém nove reais e diz para o papai:
Aqui estão nove reais e mais cinco, o senhor pode me vender uma hora do seu tempo? Eu pago mais.”

Pais, a que ponto chegamos, não é verdade?

Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor“.

A Igreja Militante que espera no Senhor

Nós te adoramos, Ô Pai!

Nous T’adorons, Ô Père


Nous T’adorons, Ô Père,

Nós Te adoramos, Ô Pai,

dans Ton temple,

em Seu templo

nous T’adorons

nós Te adoramos

en esprit et en vérité.

em espírito e em verdade.

Tu habites nos louanges,

Tu habitas nossos louvores,

nous T’adorons

nós Te adoramos

en esprit et en vérité.

em espírito e em verdade.

Car un jour près de Toi

Pois um dia perto de Ti

vaut mieux que mille ailleurs,

é melhor que milhares de outros lugares,

je désire habiter dans Ton Temple.

eu desejo habitar em Seu Templo.

Car un jour près de Toi

Pois um dia perto de Ti

vaut mieux que mille ailleurs,

é melhor que milhares de outros lugares,

je désire habiter

eu desejo habitar

dans Ta maison, Seigneur !

em Sua Casa, Senhor!

Letra e música: Corinne Lafitte, 1991.

Todo homem pode ir a Cristo?

Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer;
e eu o ressuscitarei no último dia

(João 6:44)

E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim,
se por meu Pai não lhe for concedido

(João 6:65)

Estas palavras do Senhor Jesus cristo se opõem diretamente à expressão popu- lar de que cada pessoa ou aceita ou rejeita Jesus Cristo como Salvador. E estas palavras  simples  de  Cristo  são  tão ofensivas  aos homens hoje como o foram quando Ele as falou pela primeira vez. Para que não houvesse nenhum mal en- tendimento sobre o que queria dizer, repetiu tudo outra vez, mudando as pala- vras só o bastante para tornar claro o significado, e  enfatizar  a  escravidão  da vontade humana nas coisas espirituais. É verdade que cada homem pode rejeitar a Cristo, mas ninguém, a não ser aqueles que recebem fé po- dem aceitá-lO. E quem quiser olhar na língua original (grego) esperando que a expressão seja de algum modo mais suave vai ficar desapontado. O texto grego diz: “Ninguém é capaz de vir a mim, a não ser que o Pai que enviou o atraia”.

É triste ver crentes professos negando estas palavras tão claras de Jesus e se o- pondo e difamando homens por pregarem o que Jesus falou. Parece com o espí- rito daqueles que, ao ouvirem Jesus pronunciar estas palavras há tempos atrás, deram-lhe as costas e não andaram mais com Ele. Por outro lado aqueles que, como Pedro, apegaram à autoridade de Cristo e se apegaram a Ele, não devem abusar de Suas palavras nem tirar conclusões erradas delas. Que possamos pen- sar nelas hoje, de tal maneira que produzam humildade e gratidão de coração.

Já se fez um esforço para explicar estas palavras dizendo-se que Deus atrai todo mundo, mas que alguns não cedem nem vêm, ao passo que outros cedem e vêm. Se isto for verdade, então Deus realmente não atrai ninguém a Cristo, mas tenta simplesmente atrair. Não seria a atração do Pai a causa de alguém vir a Cristo, mas sim a própria boa vontade de alguém em vir. E, se os homens estão dispos- tos a vir a Cristo, não necessitam ser atraídos. O texto significa que ninguém está disposto a vir, a menos que seja atraído. O pecador fica longe por sua própria vontade: ele só vem através do poder do Pai de o atrair. Se Deus não pode atrair o pecador a Cristo, então quem pode? O pecador? O próprio pregador? Se dis- sermos isto é o mesmo que dizer que uma pessoa pode ficar suspendido no ar se- gurando os próprios cardarços.

A ESCRAVIDÃO DA VONTADE HUMANA NAS COISAS ESPIRITUAIS

A vontade humana é a capacidade ou órgão de ação e tem competência em as- suntos morais e naturais, mas está sujeita e presa a uma natureza corrupta e de- pravada nas coisas santas e espirituais. Negar isto e dizer que o homem é tão capaz de escolher a santidade quanto é de escolher o pecado, é negar a queda do homem e colocá-lo onde Adão estava antes de pecar e ca- ir. Vamos tentar entender este texto em atitude de oração e com muito cuidado. Jesus disse que nenhum homem podia vir a Ele, a menos que fosse atraído (trazi- do) pelo Pai.

1. Vir a Cristo é o mesmo que crer nEle. É o ato de vontade pelo qual o pe- cador depende de Cristo para a salvação. A ação física não é envolvida ! O pro- cesso é mental e espiritual. No versículo 35, “Vir a Cristo” é “crer em Cristo” são usados num mesmo sentido. Vir a Cristo envolve renunciar toda a confi- ança em si, confiando unicamente em Cristo como Salvador e Se- nhor.

2. Minha compreensão deste texto não contradiz ao ensinamento bíblico que diz que “todo aquele que crê” pode ser salvo. Quem me ouve pregar agora ou já me ouviu pregar antes, sabe que tenho enfatizado, e ainda faço, sobre a disposição e capacidade de Cristo de salvar cada alma que vem a Ele. As palavras de Jesus: “E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37), talvez se- jam mais citadas do que qualquer outra passagem na Bíblia.  O que fizemos no passado, fazemos no presente e ainda faremos no futuro é afirmar que ninguém virá a Cristo, a menos que seja atraído (trazido) pelo Pai, e que todos aqueles que forem atraídos pelo Pai virão.

Eis uma ilustração simples, análoga à que o próprio Cristo deu em Lucas 14:16- 23. Ofereço um jantar ás 20 horas e faço um convite geral a todos na comunida- de para que compareçam. Digo: “Quem quiser, pode vir”. Mas suponha que não tenha amigo nenhum na comunidade. Todos me odeiam, e portanto, o convite é completamente desprezado e rejeitado. Ninguém virá. Mas há pessoas educadas nessa rejeição, que dão várias desculpas. Um diz que tem que trabalhar na lavou- ra, outro diz que tem que fazer um teste com o carro novo que comprou e outro diz que acabou de casar e quer ficar em casa com a esposa. Será que não dá para eu entender que não vieram simplesmente porque não quiseram? Ninguém tra- balha na lavoura à noite; o do carro podia ir nele e o recém-casado podia trazer a esposa ! todos estavam convidados. Meu convite para “quem quiser? trouxe al- guém? Não! Ninguém apareceu, pois me odeiam e não tem comunhão comigo. É a mesma coisa com o convite de Deus para “quem quiser”. Ninguém virá. Na pa- rábola, representando a grande festa do Evangelho de Deus, cada um dá uma desculpa e ninguém aceita o convite. Em João 5:40. Cristo diz:”E não quereis vir a mim para terdes vida“. Esta passagem explica o “não pode” do meu texto. Não podem porque não querem. É a incapacidade da vontade do homem que por na- tureza é inimigo de Deus (Romanos 8:7), e a quem as coisas do Espírito de Deus são loucura (I Coríntios 2:14).

3. Todo homem tem a permissão de vir a Cristo, mas nenhum homem tem o po- der para vir a Cristo, se não for atraído pelo Pai. As palavras ter a permissão e ter o poder não são a mesma coisa. O dicionário explica: “Poder expressa capa- cidade quer física ou mental; permissão expressa a autorização ou aprovação. Quando um rapaz pergunta a uma moça se permite que a acompanha até a casa e ela responde “sim”, ela está simplesmente lhe dando permissão e não a capaci- dade ou força de andar ao lado dela. Se ele perguntar se tem a capacidade (força ou poder) de acompanhá-la até sua casa, provavelmente responderá: “Parece bastante forte para chegar até lá”. Eu posso perguntar; “Tenho a sua permissão para levantar este carro”? Você pode responder; “Sim tem a minha permissão”. Mas se eu perguntar; “Eu tenho o poder (força) para levantar este carro”? Você pode estar com dúvida que é possível que eu possa fazer isso.Um expressa a per- missão, outro a força (poder). Nosso texto não nega a permissão para que os ho- mens venham a Cristo, mas nega o poder deles de virem. Cada pecador que ouve o Evangelho tem permissão de vir a Cristo. De fato, tem até uma ordem para vir. Porém, sua incapacidade não é física nem na- tural,  é mental e espiritual. É a disposição arruinada e pecaminosa da mente e do coração que o torna incapaz.

4. As Escrituras fazem distinção entre Continuar lendo

A questão decisiva do Pai Nosso

Mesmo se nós realmente queremos que o reino de Deus venha sobre a terra, sa- bemos que somos incapazes de fazer isso acontecer. O único que fez o reino de Deus na terra, fazendo verdadeiramente a vontade do Pai , foi Jesus. No momen- to no qual pedimos: “Seja feita vossa vontade assim na terra como no céu” , de- vemos então contemplar Jesus e pedi-lo que nos faça ouvi-lo.  “Diga-me  como você fez, como você disse ‘sim’ a seu Pai. Diga-me como você conseguiu isto na terra quando você era um homem de carne e sangue no meio de contradições e dificuldades , de oposições e de todos os obstáculos” . Para descobrir como ele fez isso, percorremos o Evangelho, olhemos os momentos em que disse ‘sim’ ao seu Pai, este ‘sim’ não temos somente que dizer a Deus, mas realizar concreta- mente. Temos de encontrar o ‘sim’  de  Jesus, para que façamos igual, para que o reino de Deus venha sobre terra como no céu, para que Sua vontade seja feita. É a exigência proposta a cada um de nós.Queremos fazer a vontade do Pai? Se sim, sejamos verdadeiros cristãos! Liguemo-nos a Ele, apoiemo-nos Nele, en- tão podemos fazer a vontade do Pai. Aqui está a questão crucial do Pai Nosso.