As fontes de oração

A oração não se reduz ao brotar espontâneo dum impulso interior: para orar, é preciso querer. Tão-pouco basta saber o que a Escritura revela sobre a oração: é preciso também aprender a rezar. Ora, é através duma transmissão viva, que o Espírito Santo, na «Igreja crente e orante», ensina os filhos de Deus a orar.

A tradição da oração cristã é uma das formas de crescimento da Tradição da fé, particularmente pela contemplação e pelo estudo dos crentes, que guardam no seu coração os acontecimentos e as palavras da economia da salvação, e pela pe- netração profunda das realidades espirituais que eles experimentam.

NAS FONTES DA ORAÇÃO

O Espírito Santo é a «água viva» que, no coração orante, «jorra para a vida e- terna» (Cf. Jo 4, 14).É Ele quem nos ensina a recolhê-la na própria Fonte: Jesus Cristo. Ora, há na vida cristã mananciais onde Cristo nos espera para nos dar a beber o Espírito Santo.

  • A PALAVRA DE DEUS

A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis […] a que aprendam “a su- blime ciência de Jesus Cristo” (Fl 3, 8) pela leitura frequente das divinas Escritu- ras . Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acom- panhada de oração, para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem, por- que “a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”».

Os Padres espirituais, parafraseando Mt 7, 7, resumem assim as disposições do coração, alimentado pela Palavra de Deus na oração: «Procurai na leitura e a- chareis na meditação; batei à porta na oração e ela abrir-se-vos-á na contempla- ção».

  • A LITURGIA DA IGREJA

A missão de Cristo e do Espírito Santo que, na liturgia sacramental da Igreja a- nuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação, prossegue no coração de quem ora. Os Padres espirituais comparam, por vezes, o coração a um altar. A oração interioriza e assimila a liturgia, durante e depois da sua celebração. Mes- mo quando vivida «no segredo» (Mt 6, 6), a oração é sempre oração da Igreja; é comunhão com a Santíssima Trindade.

  • AS VIRTUDES TEOLOGAIS

Entra-se na oração como se entra na liturgia: pela porta estreita da . A- través dos sinais da sua presença, é a face do Senhor que nós buscamos e dese- jamos, é a sua Palavra que nós queremos escutar e guardar.

O Espírito Santo, que nos ensina a celebrar a liturgia na expectativa do regresso de Cristo, educa-nos para orar na esperança. E vice-versa, a oração da Igreja e a prece pessoal nutrem em nós a esperança. Particularmente os salmos, com a sua linguagem concreta e variada, ensinam-nos a fixar em Deus a nossa esperança:

«Esperei no Senhor com toda a confiança, e Ele atendeu-me.
Ouviu o meu clamor
»
(Sl 40, 2).

«Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança pela força do Espírito Santo»
(Rm 15, 13).

«A esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado»
(Rm 5, 5).

A oração, formada pela vida litúrgica, vai haurir tudo no amor com que fomos amados em Cristo e que nos dá a graça de Lhe corresponder, amando como Ele amou. O amor é a fonte da oração; quem bebe dessa fonte atinge os cumes da oração:

«Eu Vos amo, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até ao último suspiro da minha vida. Amo-Vos, ó meu Deus infinitamente amável, e antes quero morrer a amar-Vos do que viver sem Vos amar. Amo-Vos, Senhor, e a única graça que Vos peço é a de Vos amar eternamente […] Meu Deus: Se a minha língua não pode dizer a todo o momento que Vos amo, quero que o meu coração o repita tantas vezes quantas eu respiro»
(São João Maria Baptista Vianney, Oração).

  • «HOJE»

Aprendemos a orar em certos momentos, escutando a Palavra do Senhor e parti- cipando no seu mistério pascal. Mas a cada momento, nos acontecimentos de ca- da dia, o seu Espírito é-nos oferecido para fazer brotar a oração.O ensi- namento de Jesus sobre a oração ao nosso Pai está na mesma linha que o ensino sobre a providência (Cf. Mt 6, 11.34): o tempo está nas mãos do Pai; é no presen- te que nós O encontramos; não ontem nem amanhã, mas hoje: – «Quem dera ou- vísseis hoje a sua voz; não endureçais os vossos corações» (Sl 95, 7-8).

Orar nos  acontecimentos  de  cada  dia e  de  cada  instante é um dos segredos do Reino, revelados aos «pequeninos», aos servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. É justo e bom orar para que a vinda do Reino da justiça e da paz influencie a marcha da história; mas também é importante levedar pela oração a massa das humildes situações quotidianas. Todas as formas de oração podem ser esse fermento a que o Senhor compara o Reino (Cf. Lc 13, 20-21).

Fonte: Catecismo da Igreja

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