Arquivo do mês: julho 2011

Conhecimento X Ignorância

O conhecimento das letras é bom para a instrução, mas o conhecimento da própria fraqueza é mais útil para a salvação.”
(São Bernardo de Claraval)

Apresento abaixo o SERMÃO SOBRE O CONHECIMENTO E A IGNORÂNCIA (Sermão 36 sobre o Cântico dos Cânti- cos – trad. Jean Lauand) de São Bernar- do de Claraval, onde é esclarecido o tema: a ignorância. E é discutido se toda ignorância é condenável.

Toda ignorância é condenável? Parece-me que não, pois nem toda ignorância produz perdição: há muitas e mesmo inúmeras coisas que se podem ignorar sem problema algum para a salvação. Se alguém, por exemplo, desconhece artes mecânicas, como a carpintaria, a arte de edificação e outras que são exercidas para a utilidade da vida neste mundo, acaso tal ignorância constitui obstáculo para a salvação?

Também são muitos são os que se salvaram e agradaram a Deus pela sua conduta e com seus atos sem as artes liberais (e, certamente, são úteis e moralmente bons esses estudos). Quantos não enumera a Epístola aos Hebreus(cap. XI), que se tornaram agradáveis a Deus não com erudição, “mas com consciência pura e fé sincera” (I Tim 1,5). E agradaram a Deus com os méritos de sua vida e não com os de seu saber. Cristo não foi buscar Pedro, André, os filhos de Zebedeu e todos os outros discípulos, entre filósofos; nem em escola de retórica e, no entanto, valeu-se deles para realizar a salvação na terra.

Não é porque fossem mais sábios do que todos os homens – como diz de si mesmo o Eclesiastes (1, 16) -, mas, por causa de sua fé e de sua benignidade, o Senhor os salvou e fez deles santos e mestres. Pois os Apóstolos mostraram ao mundo o caminho da vida, não com sublimidade de discurso, nem com palavras eloqüentes de sabedoria humana, mas pelo modo como aprouve a Deus: pela estultícia de sua pregação, aprouve a Deus salvar os que crêem, porquanto o mundo com sua sabedoria não O conheceu (I Cor 2, 1; 1, 17-21).

Posso estar dando a impressão de querer lançar em descrédito o saber, de repreender os doutos, de proibir o estudo das letras. Longe de mim, tal atitude! Conheço muito bem o inestimável serviço que os homens doutos têm prestado à Igreja: seja refutando os adversários dela, seja na instrução dos simples.

Com efeito, o que li na Sagrada Escritura foi: “Como rejeitaste o saber, também Eu te rejeitarei, para que não exerças Meu sacerdócio” (Os 4, 6). E mais: “Os doutos resplandecerão com o brilho do firmamento, e os que tiverem ensinado a muitos a justiça, brilharão como estrelas em perpétuo resplendor” (Dn 12, 3).

Mas, por outro lado, li também: “O saber incha” (I Cor 8, 1).

E, finalmente: “No acúmulo de saber, acumula-se a dor” (Ecl 1, 18).

Vede que há saberes e saberes: há um saber que produz o inchaço e há um saber que contrista. Quero que sejais capazes de distinguir qual deles é útil e necessário para a salvação: o que incha ou o que dói? E não duvido que prefiras o que aflige ao que incha, porque, se a saúde pela inchação é aparentada, pela aflição é procurada.

Ora, quem procura, acaba encontrando, pois “quem pede, recebe” (Lc 11,10). E é certo que Aquele que cura os que têm o coração contrito abomina o inchaço dos orgulhosos, pois a Sabedoria diz: “Deus resiste aos soberbos e dá Sua graça aos humildes” (Tg 4,6) (e também I Pe 5, 5 e Pr 3, 34). E o Apóstolo diz: “Exorto-vos, em virtude do ministério que pela graça me foi dado, a não pretender saber mais do que convém, mas saber com sobriedade” (Rom 12,3).

O Apóstolo não proíbe saber, mas sim saber mais do que convém. E o que é saber com sobriedade? É cuidar de aplicar-se prioritariamente ao que mais interessa saber, pois o tempo é breve (ICor 7,29). Ora, ainda que todo saber, desde que submetido à verdade, seja bom, tu, que buscas com temor e tremor (IICor 7,15 e Fil 2,12) a salvação e a buscas apressadamente, dada a brevidade do tempo, deves aplicar-te a saber, antes e acima de tudo, o que conduz mais diretamente à salvação.

Acaso não dizem os médicos do corpo que parte da medicina é precisamente determinar a ordem dos alimentos: qual deve ser ingerido antes, qual depois e o modo de os ingerir? Ora, mesmo sendo bons os alimentos que Deus criou, tu os tornas nocivos se não observas o modo e a ordem ao ingeri-los. Aplica, pois, aos saberes, o que dissemos dos alimentos.

Mas o melhor é encaminhar-vos ao Mestre. Não é nossa esta sentença, mas dEle; ou antes, é nossa porque a aprendemos dAquele que é a Verdade. E diz: “Se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não sabe como deveria saber” (ICor 8,2).

Vede como não é aprovado o saber muitas coisas se se ignora o modo de saber. Vede como o fruto e a utilidade do saber consiste no modo de saber.

Mas o que é este modo de saber? O que, senão saber segundo a ordem, o amor e o fim devidos?

Segundo a ordem, isto é, priorizando o que é mais necessário para a salvação; segundo o amor, isto é, voltando-nos mais ardentemente para o que mais nos impele a amar; segundo o fim: não por vaidade ou curiosidade ou objetivos semelhantes, mas somente pela tua própria edificação e pela de teu próximo.

Há quem busque o saber por si mesmo, conhecer por conhecer: é uma indigna curiosidade.

Há quem busque o saber só para poder exibir-se: é uma indigna vaidade. Estes não escapam à mordaz sátira que diz: “Teu saber nada é, se não há outro que saiba que sabes” (Persius, Satyra 1, 27).

Há quem busque o saber para vendê-lo por dinheiro ou por honras: é um indigno tráfico.

Mas há quem busque o saber para edificar, e isto é amor. E há quem busque o saber para se edificar, e isto é prudência.

De todos estes que buscam o Continuar lendo

Preparando-me para me confessar

A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más ações que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça.

O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo (Ez, 36, 26-27). A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos converti- dos» (Lm 5, 21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo. É ao descobrir a grandeza do amor de Deus que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado, e começa a ter receio de ofender a Deus pelo pecado e de estar separado d’Ele. O coração humano converte-se, ao olhar para Aquele a quem os nossos pecados trespassaram (Jo 19: 37, Zc 12: 10).

«Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo e compreendamos quanto Ele é precioso para o seu Pai, pois que, derramado para nossa salvação, proporcionou ao mundo inteiro a graça do arrependimento»
(São Clemente de Roma, Epistula ad Corinthios 7, 4: SC 167, 110)

O que fazer para receber o Sacramento do Perdão?

1. Preparar-me para a confissão

Para nos preparar para o sacramento da penitência, em geral começamos pelo exame de consciência, mas há algo a fazer antes. A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II enfatiza esse ponto. Devemos primeiro nos colocar diante da Pala- vra de Deus, lendo  passagens da Bíblia. A escuta da Palavra nos revela o amor de Deus e sua misericórdia como também quais são nossos pecados.  Infelizmen- te essa leitura é feita raramente fora das celebrações da comunidade.

Vejamos algumas leituras essenciais:

Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio. . . Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos.
(João 20:21-23)

Mesmo que os teus pecados sejam como escarlate,
ficarão brancos como neve.

(Isaías 1:18)

Não vim chamar os justos, mas os pecadores.
(Mateus 9:13)

Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes, ‘O que ligardes e desligardes na terra será ligado e desligado no céu’. Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo.
(S. João Crisóstomo, Tratado sobre os Sacerdotes, Liv. 3)

2. Fazer meu exame de consciência

É muito proveitoso fazer exame de consciência diário e também, com toda humildade, abrir-nos a que pessoas próximas de nós nos corrijam. “Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos condenados.” (1 Cor. 11, 31)

O exame se faz diante de Deus, escutando minha voz na consciência.

Há muitas maneiras diferentes para examinar minha consciência. Posso partir do texto das bem-aventuranças ou do texto do Evangelho. Nas celebrações pe- nitenciais, por vezes, os líderes oferecem um auto-exame centrado em um as- pecto da vida, nos relacionamentos com os outros e com Deus. Podemos ajudar as crianças a fazer o seu exame de consciência de suas vidas.

Em uma abordagem tradicional, é possível encontrar Continuar lendo

Fé e liberdade conforme São Paulo

 não é a aceitação intelectual de verdades, dizer “amém” às fórmulas do catecismo, mas significa adesão pessoal e incondicional. Se Paulo apregoa a salvação pela fé, não se trata de um cristianismo que se contente em professar um “Credo”, mas de um cristianismo prático, mediante o qual a pessoa mostre que adere a Jesus Cristo e o segue. Essa adesão se manifesta na imitação da prática de Jesus e só é possível porque o Espírito de Jesus vem para o coração de quem a ele adere (Gal 4,6) e produz os seus frutos (Gal 5,22-23a).

Por outro lado, se Paulo diz que as obras não salvam, ele não rejeita a prática das obras, pois a fé “atua pela caridade” (Gal 5,6). Ele rejeita, sim, a capacidade salvífica das observâncias religiosas. Isso com base, primeiro, na sua experiência: no caminho da Damasco, Jesus Cristo Crucificado irrompeu na sua vida. Depois, pelo fato de esse Cristo Ressuscitado ter sido condenado em nome da Lei de Moisés (Gl 3,13; Dt 21,23). Portanto, essa Lei está superada, ainda que tenha servido de “educadora” (3,24), conduzindo-nos até Cristo.

A Lei de Moisés é entendida por Paulo como todo o complexo sistema legal em que devia enquadrar-se o judeu praticamente. Esse sistema, longe de libertar, aprisionava. É esclarecedor ver que Tiago usa esse conceito complexivo da Lei no sentido oposto de Paulo. Note-se que Tiago se dirige a uma comunidade judeu-cristã, em território onde a Lei judaica vigorava. Por exemplo, quem observa a Lei integralmente será julgado pela “lei da liberdade”, segundo Tiago, que não deixa de destacar o amor ao próximo como a Lei Régia da Escritura (Tg 2,8-13). Paulo preconiza o mesmo mandamento da caridade como resumo e substitutivo da Lei (Gl 5,13) e coincide com Tiago quando afirma que o amor ao próximo “é a plenitude da Lei” (Rm 13,10). E ele se dirige não a judeus, mas a gentios.

Liberdade

Muitos vêem uma oposição entre Paulo e Tiago. Talvez seja mais correto ver uma acentuada diferença de Ênfase. Escrevendo para ambiente judaico, Tiago vê na lei um instrumento da liberdade (Tg 1,25; 2,12). Escrevendo para um ambiente gentio, Paulo opõe a liberdade à Lei considerada como instrumento de salvação em si mesma (Gl 4,21-31). Qual será essa liberdade que, conforme Tiago, se encarna na Lei e, conforme Paulo, deve superá-la?

A solução talvez venha de um outro teólogo da jovem Igreja: João, ao afirmar que “a verdade nos torna livres” (Jo 8,32). A verdade em João é a adesão e fidelidade ao Deus  que se revela em Jesus Cristo (Jo 3,21; 1 Jo 1,6). Essa adesão e fidelidade – não muito diferentes da “fé que atua na caridade” (Gl 5,6) – nos tornam livres: assemelham-nos ao Filho que, em comunhão com o Pai, dispõe da casa e, por direito, nela permanece, em oposição ao escravo que pode ser despedido, vendido. No seu estilo alegórico, Paulo explica que ser livre é ser filho da mulher livre, isto é, a comunidade da Nova Aliança (4,21-30).

A liberdade, nestes textos, não é a liberdade Continuar lendo

Nosso querido Cristo Redentor

Povo reza Pai Nosso aos pés do Cristo Redentor

Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, purificai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó, bom Jesus, escutai-me. Dentro das Vossas chagas, escondei-me. Não permitais que eu me separe de Vós. Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da morte, chamai-me e mandai-me ir para Vós, para que com os Vossos santos Vos louve por todos os séculos dos séculos. Amém

O tempo de Deus

Durante a vida, aprendemos que é preciso dar nomes às coisas, seja a um objeto, seja a uma pessoa ou a uma franqueza e até mesmo aos nossos sonhos.

O seu sonho pode ser uma cura, a realização de um desejo ou até mesmo um sonho vivido por outra pessoa. Assim como uma mãe que pede pela conversão do seu filho, aquele filho entregue às drogas e a outros vícios, muitas vezes, passamos uma vida sonhando com a realização desse sonho. Assim como Abraão, que esperou 99 anos para realizar o sonho de ter um filho, o filho da promessa, como Deus havia predito.

Deus nos oferece um relacionamento de fidelidade, tudo o que Ele diz é cumprido. E isso é parte essencial para que nossos sonhos sejam realizados, pois se eles tocam o Senhor e Ele nos responde, com certeza, seremos atendidos.

Devemos nos prender à sabedoria do Senhor e não à nossa “achologia”. Ele é muito concreto em Suas palavras e seguro em Seus atos. É preciso abrir nossos corações para ouvir as palavras do Senhor, pois todas as respostas que precisamos estão nelas [palavras do Senhor]. No entanto, muitas vezes, não somos capazes de ouvi-Lo naquele momento.

As coisas acontecem em nossa vida no seu devido tempo. Não devemos apressá-las, porque talvez não estejamos preparados para receber a graça que tanto pedimos. Muitas vezes, pensamos: “Mas eu peço tanto essa graça a Deus e até hoje Ele não me atendeu. Por quê?” Estamos fazendo a pergunta errada. Deveríamos perguntar a Ele se estamos prontos para recebê-la.

Deus vai nos testando, nos desafiando, tudo isso para sermos mais fortes e capazes de suportar todo o fardo. Ele quer ter certeza de que o filho amado será capaz de receber Suas graças e crescer nelas. Porque tudo o que Deus Pai faz é para nos fazer filhos melhores.

Abra-se para Deus, não tenha medo de deixá-Lo entrar em sua vida. Tudo o que Ele quer e deseja é ser parte fundamental em todas suas realizações. Deus é esperança de algo muito maior, assim como a promessa de um tempo rico de Suas graças.

Escrito por: Alexandre Oliveira (Missionário da Comunidade Canção Nova)

Qual o valor da oração?

Todos nós já nos questionamos, em algum momento, o seguinte: Será que minha oração vai ter algum efeito? Será que ajudo na conversão do meu irmão quando oro por ele?

Respondendo a isso e muito mais, o abençoado Padre Paulo Ricardo apresenta o vídeo abaixo:

Eu sei, pela fé, que quando eu oro e a minha vontade se torna mais próxima da vontade de Deus, eu sei pela fé, que isso afeta o meu irmão cuja vontade está distante …