Arquivo do mês: fevereiro 2012

Poema da Paz

Madre Teresa de Calcutá
(Madre Teresa de Calcutá)

O dia mais belo? Hoje
A coisa mais fácil? Equivocar-se
O obstáculo maior? O medo
O erro maior? Abandonar-se
A raiz de todos os males? O egoísmo
A distração mais bela? O trabalho
A pior derrota? O desalento
Os melhores professores? As crianças
A primeira necessidade? Comunicar-se
O que mais faz feliz? Ser útil aos demais
O mistério maior? A morte
O pior defeito? O mau humor
A coisa mais perigosa? A mentira
O sentimento pior? O rancor
O presente mais belo? O perdão
O mais imprescindível? O lar
A estrada mais rápida? O caminho correto
A sensação mais grata? A paz interior
O resguardo mais eficaz? O sorriso
O melhor remédio? O otimismo
A maior satisfação? O dever cumprido
A força mais potente do mundo? A fé
As pessoas mais necessárias? Os pais
A coisa mais bela de todas? O amor

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Ser Cristão – Parte I

Arrependei-vos e crede no Evangelho” disse Jesus (Mc 1, 15). Esta é a mensagem da Quaresma, a mais concisa e simples. Converter-se e crer no evangelho são, de fato, dois elementos inseparáveis. É na adesão à Boa Nova que nós é anunciada que conseguimos a força para nos converter. O Evangelho não nos chama a viver de privações e a corrigir nossa vida moral para modelar, para nós mesmos, uma forma mais admirável de existência. O Evangelho nos propõe outra coisa: crer que Jesus é o Filho de Deus e que Ele veio trazer o cumprimento do plano de Deus. É para participar nesta nova criação e a este novo mundo que desejamos de todo o nosso ser entrar em uma purificação semelhante ao dilúvio de Noé : apagar tudo o que nos impede de viver com Cristo, para que deixe existir apenas o que pode servir de ponto de apoio para a nova vida com Ele. Nós purificamos nossas vidas e mudamos nosso estilo de vida, para que nossa fé seja verdadeiramente a coluna vertebral de nossa existência.

Para que se dizer cristão, se isso não muda a nossa maneira de ser? Gostaria de salientar dois aspectos desta conversão para o qual o Cristo nos convida.

A primeira é a dimensão pessoal da conversão. Ninguém pode se converter em seu lugar, e Deus não lhe pedi para fazer o programa de conversão dos outros. Isto é o que por vezes os fariseus fizeram no Evangelho, e sabemos como Jesus os tratou. Deus não nos pede para dizer o que os outros devem fazer. Ele quer que mudemos as vidas de nós mesmos. Nós não podemos mudar tudo, nem mudar tudo de uma vez. No entanto, se mudarmos alguma coisinha, ano após ano, e nos atermos a isto, terminaremos por ter uma nova vida. Cada um de nós se encontra diante da pergunta: o que faço para mudar este ano? Onde será este mundo novo em minha vida?

E o segundo aspecto é que esta conversão pessoal que ninguém pode fazer em meu lugar (e que eu não posso fazer em lugar de ninguém), não pode ser desvinculada da Igreja, Corpo de Cristo. E é a isto que nos convida o Papa Bento XVI, em sua mensagem de Quaresma, quando cita a carta aos hebreus: «Façamos atenção uns aos outros para nos estimularmos na caridade e nas boas obras» (10, 24).  Se eu não posso formular os critérios da conversão para meu irmão, eu devo no entanto o olhar e tentar compreender qual mensagem me é enviada através dele. Humildemente eu devo reconhecer que minha maneira de viver pode também o ajudar a se converter. Sejamos atentos uns aos outros, não vivamos nossa conversão como uma obra completamente particular que não vê ninguém. Somos convidados a converter cada uma de nossas vidas neste povo renovado.

Que Deus nos dê de contemplar Jesus Cristo o homem novo, que pode fazer todas as coisas novas, em sua Igreja, no mundo e em cada uma de nossas vidas.

Cardeal André XXIII – Arcebispo de Paris

Venha a Nós o Vosso Reino

Como foi dito nos posts anteriores referentes ao Pai Nosso (veja os links ao fim deste), o Espírito Santo nos faz amar, desejar e pedir retamente o que nos convém amar, desejar e pedir. Este Espírito produz em nós, primeiro, o temor que nos leva a procurar a santificação do nome de Deus, para, em seguida, nos dar o dom da piedade. A piedade é, propriamente, uma afeição terna e devotada por um pai e também por um homem caído na miséria.

Como Deus é nosso Pai, devemos não somente venerá-lo e temê-lo, mas também alimentarmos uma terna e delicada afeição por Ele. É esta afeição que nos faz pedir a vinda do reino de Deus. São Paulo declara em Tito, 2, 11-13: A graça de Deus apareceu a todos os homens, ensinando-nos que vivamos neste mundo sóbria, justa e piamente, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa de nosso grande Deus.

Mas podemos perguntar: Se o reino de Deus sempre existiu, porque pedimos a sua vinda?

Devemos responder a esta pergunta de três maneiras:

Primeiro: o reino de Deus, em sua forma acabada, supõe a perfeita submissão de todas as coisas a Deus. Um rei não será rei, efetivamente, antes de que todos os seus súditos lhe obedeçam.

Sem dúvida, Deus pelo que é e por sua natureza, é o Senhor do universo; e o Cristo, sendo Deus e sendo homem, tem, como Deus, o senhorio sobre todas as coisas. Diz Daniel (7, 14): No mais antigo dos dias foi lhe dado o poder, a honra e a realeza. É preciso que tudo lhe seja submetido. Mas isto ainda não é assim e se realizará no fim do mundo. Está escrito (1 Cor 15, 25): É necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. Eis porque pedimos: venha a nós o vosso reino.

Assim fazendo, pedimos três coisas, a saber:

— que os justos se convertam;
— que os pecadores sejam punidos;
— que a morte seja destruída.

Os homens são submetidos ao Cristo de duas maneiras: ou voluntariamente ou contra a vontade. A vontade de Deus, com efeito, possui tal eficácia, que não pode deixar de se realizar totalmente. E já que Deus quer que todas as coisas sejam submissas ao Cristo, é preciso necessariamente ou que o homem cumpra a vontade de Deus, submetendo-se a seus mandamentos — o que fazem os justos — ou que Deus realize sua vontade naqueles que lhe desobedecem, isto é, nos pecadores e nos seus inimigos, punindo-os. O que acontecerá, no fim do mundo, quando Ele colocará seus inimigos debaixo de seus pés (cf., Sl 110, 1). Por isso é dado aos santos pedirem a Deus a vinda de seu reino, com a total submissão de todos à sua realeza. Mas esse pedido faz tremer os pecadores, pois assim terão de se submeter aos suplícios requeridos pela vontade divina. Infelizes aqueles (pecadores) que desejam o dia do Senhor (Am 5, 18).

A vinda do reino de Deus, no fim dos tempos, será também a destruição da morte. O Cristo é a vida; ora, a morte — que é contrária à vida — não pode existir em seu reino, segundo a palavra (1 Cor 15,26): O último inimigo a ser destruído será a morte, o que quer dizer que na ressurreição, segundo São Paulo (Fp 3, 21), o Salvador transformará nosso corpo de miséria, e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso.

Segundo: o reino dos céus designa a glória do paraíso. Não há nisto nada de espantoso, pois o reino quer dizer, simplesmente, governo. Um governo atinge seu mais alto grau de excelência, quando nada se opõe à vontade de quem governa.

Ora, a vontade de Deus é a salvação dos homens, pois Deus quer que todos os homens se salvem (cf. 1 Tm 2, 4). Esta vontade divina se realizara principalmente no paraíso, onde nada é contrário à salvação dos homens, pois o Senhor diz (Mt 13, 41): Os anjos lançarão fora de seu reino todos os escândalos. Neste mundo, ao contrário, abundam os obstáculos, para a salvação dos homens.

Quando, pois, pedimos a Deus: «venha a nós o vosso reino», rezamos para que, triunfando sobre esses obstáculos, sejamos participantes de seu reino e da glória do paraíso.

Três motivos tornam este reino extremamente desejável.

Primeiro, pela soberana justiça deste reino. Falando de seus habitantes, o Senhor diz a Isaías (60, 21) que todos são justos. Aqui, os maus estão misturados com os bons, mas lá não haverá nem maus nem pecadores.

Segundo, pela Continuar lendo

Quão poucos os que amam a Cruz de Cristo

Tem Jesus agora muitos que amam o seu reino, mas poucos que levam a sua Cruz. Tem muitos que desejam a consolação, mas poucos que desejam a tribulação. Acha muitos companheiros para a mesa, poucos para abstinência. Todos querem gozar com Ele, poucos sofrer por Ele alguma coisa. Muitos seguem a Jesus até o partir do pão; poucos até o beber do cálice da sua Paixão. Muitos veneram os seus milagres; poucos seguem as ignomínias da Cruz. Muitos amam a Jesus enquanto lhes não tocam as adversidades. Muitos O louvam e bendizem, enquanto recebem d’Ele alguma consolação; se, porém, Jesus se oculta e por um pouco os deixa, logo ou sentidamente se queixam, ou demasiadamente desanimam.

Aqueles, porém, que amam a Jesus por causa de Jesus, e não por sua própria satisfação, tanto O louvam nas tribulações e angústias, como na maior consolação. E posto que nunca lhes fosse dada a consolação, sempre O louvariam e Lhe dariam graças.

Oh! Quanto pode o amor puro de Jesus, quando é sem mistura de interesse e amor-próprio! Não são porventura mercenários os que andam sempre em busca de consolações? Não se amam mais a si do que a Cristo os que estão sempre cuidando de seus cômodos e interesses? Onde se achará quem queira servir desinteressadamente a Deus?

É raro achar um homem tão espiritual que esteja desapegado de tudo. Pois o verdadeiro pobre em espírito e desprendido de toda criatura – quem o descobrirá? Tesouro precioso que é necessário buscar nos confins do mundo (Prov 31,10). Se o homem der toda a fortuna, não é nada. E se fizer grande penitência, ainda é pouco. Compreenda embora todas as ciências, ainda estão muito longe. E se tiver grande virtude de devoção ardente, muito ainda lhe falta, a saber: uma coisa que lhe é sumamente necessária. Que coisa será esta? Que, deixado tudo, se deixa a si mesmo e saia totalmente de si, sem reservar amor-próprio algum, e, depois de feito tudo que  soube fazer, reconheça que nada fez.

Não tenha em grande conta o pouco que nele possa ser avaliado por grande: antes, confesse sinceramente que é um servo inútil, como nos ensina a Verdade. Quando tiverdes cumprido tudo que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis (Lc 17,10). Então, sim, o homem poderá chamar-se verdadeiramente pobre de espírito e dizer com o profeta: Sou pobre e só neste mundo (Sl 25,16). Entretanto, ninguém é mais poderoso, ninguém mais livre que aquele que sabe deixar-se a si e a todas as coisas e colocar-se no último lugar.

Fonte: Livro Imitação de Cristo.

Quaresma

  • O que é a Quaresma?

A Quaresma é o tempo que precede e dispõe à celebração da Páscoa. Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do Batismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais freqüente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola (ver Mateus 6,1-6 ; 16-18).

  • Por que 40 dias?

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. A prática da Quaresma data do século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

  • Como viver esse tempo de Quaresma?

Durante este tempo especial de purificação, contamos com uma série de meios concretos que a Igreja nos propõe e que nos ajudam a viver a dinâmica quaresmal. Antes de tudo, a vida de oração, condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, se o cristão inicia um diálogo íntimo com o Senhor, deixa que a graça divina penetre em seu coração e, a semelhança de Santa Maria, se abra à ação do Espírito cooperando com ela com sua resposta livre e generosa (ver Lucas 1,38).

Como também devemos intensificar a escuta e a meditação atenta à Palavra de Deus, a assistência freqüente ao Sacramento da Reconciliação e a Eucaristia, e mesmo a prática do jejum, segundo as possibilidades de cada um.

A mortificação e a renúncia nas circunstâncias ordinárias de nossa vida também constituem um meio concreto para viver o espírito de Quaresma. Não se trata tanto de criar ocasiões extraordinárias, mas bem, de saber oferecer aquelas circunstâncias cotidianas que nos são incômodas, de aceitar com alegria os diferentes contratempos que nos apresenta o dia a dia. Da mesma maneira, o saber renunciar a certas coisas legítimas nos ajuda a viver o desapego e o desprendimento. Dentre as diversas práticas quaresmais que a Igreja nos propõe, a vivência da caridade ocupa um lugar especial. Assim nos recorda São Leão Magno: “estes dias de quaresma nos convidam de maneira apremiante ao exercício da caridade; se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos por um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão de pecados“. Esta vivência da caridade deve ser vivida de maneira especial com aqueles a quem temos mais próximos, no ambiente concreto em que nos movemos. Assim, vamos construindo no outro “o bem mais precioso e efetivo, que é o da coerência com a própria vocação cristã” (João Paulo II).

  • Por que fazer sacrifícios?
A palavra sacrifício vem do latim sacrum-facere, significa “fazer sagrado”. Então, fazer um sacrifício é fazer alguma coisa sagrada, quer dizer, oferecê-la por amor a Deus, porque o ama. Por exemplo, ser amável com um vizinho com quem você tem um relacionamento difícil ou ajudar alguém em seu trabalho. A cada um de nós há algo que nos custa fazer na vida de todos os dias. Se oferecemos isto a Deus por amor, estamo fazendo sacrifício.
  • Videos e textos relacionados

O que é a Quaresma? –  Pe. Paulo Ricardo

Por que fazer penitência na Quaresma –  Denis Duarte

Formas de Penitência e suas razões – Pe. Paulo Ricardo

O que é  a Quarta-feira de Cinzas – Pe. Paulo Ricardo

Mensagem do Papa para Quaresma 2012

Ensinamentos sobre a Quaresma –  Canção Nova

Músicas para a Liturgia da QuaresmaCanção Nova

Seis passos para viver bem a Quaresma – Padre Paulo Ricardo

  • Qual é a Liturgia para a Quaresma de 2012?
Neste ano de 2012, os textos que nos serão apresentados ao longo destas cinco semana, mostram-nos um percurso claro e definido: Deus mostra-nos que é possível alcançar a verdadeira felicidade (1º domingo) e a sua Palavra ensina-nos o caminho (2º domingo), Palavra que nos chama à conversão e à renovação (3º domingo). Aceitar esta Palavra implica, pois, mudar de vida. Fiquemos, contudo, certos do amor de Deus, gratuito e incondicional (4º domingo). Quanto a nós, temos de estar atentos ao seu plano de salvação e ir ao encontro dos outros, no amor e no serviço (5º domingo).

A “nova evangelização” a que a Igreja nos convida a todos nesta Quaresma impele-nos a não guardarmos este segredo do amor misericordioso de Deus e a partilhá-lo à nossa volta.

  • Oração 

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer a sua aliança.

“Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer”

E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa? E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu? Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.”
(Lucas 17 : 7-10)

Com esta frase, Jesus não aprova esse tratamento arbitrário do patrão, mas se serve de uma realidade muito cotidiana para as pessoas que O escutavam, de forma a ilustrar qual deve ser a disposição da criatura humana diante do seu Criador: de nossa existência à bem-aventurança eterna, que nos é prometida, tudo procede de Deus como um imenso presente. Daí que o homem sempre esteja em dívida com o Senhor, e por mais que faça no serviço ao Senhor as suas ações estas não passam de ser uma pobre correspondência aos dons divinos. O orgulho diante de Deus não tem sentido numa criatura. O que aqui nos pede Jesus, melhor do que ninguém fez a Virgem Maria, que respondeu diante do anúncio divino: ‘Eis a escrava do Senhor’ (Lc 1, 38). Ela se reconhece na expressão: Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer.

O que fazemos, reconhecendo afetuosa e alegremente o nosso nada e o nosso pecado, ditosos de assim proclamar a plenitude e santidade do ser divino. Daqui nascem aqueles sentimentos de adoração, louvor, temor filial e amor; daqui, aquele grito de coração: Tu és Santo, tu é o Senhor, tu és o Altíssimo. Estes sentimentos brotam do coração, não somente quando estamos em oração, mas ainda quando contemplamos as obras de Deus, obras naturais, em que se refletem as perfeições do Criador, obras sobrenaturais, em que os olhos da fé nos descobrem uma verdadeira semelhança, uma participação da vida divina.

Temos só um dever na terra: cumprir bem nossa obrigação. Apesar de ser uma simplificação muito fácil, esse modo de dizer ensina que temos de ser responsáveis por aquilo que fazemos. E aquilo que fazemos dirá aos outros quem somos.

Assim como o empregado que sabe o que tem de fazer e faz. Faz porque tem de fazer e pronto. A cozinheira responsável faz bem a comida e não precisa ficar esperando elogios. Se os elogios vierem, graça a Deus! Mas se não vieram ela já cumpriu sua obrigação.

Os elogios, quando sinceros, têm a vantagem de mostrar que acertamos. Podem ser elogios diretos ou indiretos. Elogio direto vem com palavras de aprovação; e os elogios indiretos podem vir com gestos de aprovação, como é o caso da comida da cozinheira: se todos comem e repetem é um sinal de que a comida estava saborosa. Como nossa vida é bastante complexa, como somos seres superiores, temos também, por natureza, muitas obrigações; não apenas obrigações de trabalho.

Temos obrigações de religião; por isso se somos cristãos precisamos respeitar as exigências inerentes à nossa fé. Temos obrigações sociais; por isso se queremos conviver bem com as pessoas, precisamos descobrir quais são nossas obrigações para com elas e tentar uma convivência responsável e amigável. Temos obrigação para com mesmos; por isso precisamos cuidar de nossa saúde, da saúde do corpo e da saúde da alma e assim por diante.

Mesmo se estivéssemos sozinhos no mundo, ainda assim não estaríamos livres de obrigações. Mas quem entende a si mesmo e percebe suas relações com o mundo e com as pessoas, não encara as obrigações como um peso e sim como uma realidade de vida, que pode lhe fazer feliz.

Convido-o a rezar comigo:

Deus, meu Pai, uma coisa que eu gostaria de ouvir de Vós, quando eu chegar ao céu, é este elogio: tu cumpriste a tua obrigação, entre na alegria do Teu Senhor. Mas para eu receber esse elogio preciso muito da vossa ajuda; preciso saber distinguir a vossa vontade, para não cair no engano de só fazer a minha. Jesus de Nazaré tinha um único objetivo: fazer a vossa vontade. Assim Ele disse, e assim Ele cumpriu até ao fim de Sua vida, quando, pregado na cruz e já sem forças reclamou: TUDO ESTÁ CONSUMADO. Depois, porém, num último esforço, entregou Seu espírito em vossas mãos, num gesto de submissão total. Ele fez tudo bem feito. Ele cumpriu Sua obrigação. Pai Santo dê-me a graça de cumprir, como Ele, bem a minha missão para que, alegremente, eu mereça receber o grande elogio: Vinde, bendito do meu Pai, pelo dever cumprido. Amém.

Escrito por: Padre Bantu Mendonça

Você cuida da vida alheia? Como Jesus nos ensinou? ;)

Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras
.”
(Heb 10, 24)

 Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da » (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.

  • «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão

O  elemento que nos atentaremos neste post é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e, todavia, são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12: 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6: 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bemO grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o fato de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que Continuar lendo