Arquivo do mês: março 2012

Semana Santa com as crianças

Para que as crianças bem pequenas possam aos poucos compreenderem o significado que tem o Domingo de Ramos, a Semana Santa e a Páscoa, nada melhor que colocá-las em atividades conectadas ao contexto como: colorir desenhos, cantar, assistir desenhos, entre outras atividades. Segue abaixo algumas opções! 🙂

Para colorir:

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Jogo dos 10 erros:

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Sempre é bom cantar!

Hosana hei hosana ha
Hosana hei hosana hei
Hosana ha (2x)

Ele é o santo é o filho de Maria
Ele é o Deus de Israel
Ele é o filho de Davi
Santo é o seu nome é o senhor Deus do universo
Gloria Deus de Israel
Nosso Rei e Salvador

Vamos a ele com as flores dos pinhais
Com os ramos de oliveira
Alegria e muita paz
Santo é o seu nome é o senhor Deus do universo
Gloria Deus de Israel
Nosso Rei e Salvador

Ele é o Cristo é o unificador
É hosana nas alturas
É hosana no amor
Santo é o seu nome é o senhor Deus do universo
Gloria Deus de Israel
Nosso Rei e Salvador

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Busque filmes relacionados, como esse:

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E não esqueça, reze junto com ela uma oração bem simples como a seguinte, para que ela já comece um relacionamento mais íntimo com Deus! 😉

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém

Papai do céu, dai-nos uma boa noite. Menino Jesus dai saúde à mamãe, ao papai, aos meus irmãozinhos, aos meus avós e a todos nós. Dai lugar no céu a … (dizer o nome de algum parente mais próximo que tenha falecido).

Com Deus me deito, com Deus me levanto,

Com a graça de Deus e o Espírito Santo.

Muito obrigado pelo dia de hoje Papai do Céu!

Amém!

Veja também aqui uma oração muito bonitinha! 🙂

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São Francisco de Assis – Obediência, Pobreza e Castidade

Apresento abaixo o filme completo contando a história de São Francisco de Assis, e logo depois uma das orações do santo que consta no livro “Toutes les Prières de François de Assise” da editora Salvator.

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Oração para melhor realizar a vontade de Deus

Deus todo poderoso, eterno, justo e misericordioso, dai-nos, à nós miseráveis, em causa de Ti mesmo, de realizar o que sabemos que Vós quereis, e sempre querer o que for de Sua Vontade, a fim de que interiormente purificado, interiormente iluminado e abrasado pelo fogo do Espírito Santo, possamos seguir os traços de seu Filho Bem-Amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e, somente pela tua Graça, chegar a Ti, Altíssimo, que em Trinidade perfeita e em simples Unidade, vive e reina e és glorificado, Deus todo-poderoso, agora e sempre. Amém!


Subir até Jerusalém com Jesus

Pueri Hebraeorum, portantes ramos olivarum,
Os jovens hebreus, levando ramos de oliveira,
obviaverunt Domino, clamantes et dicentes:
foram ao encontro do Senhor, clamando e dizendo:
Hosanna in excelsis!
Hosana nas alturas!

Canta assim a Antifona que acompanha a solene procissão com os ramos de oliveira e de palmeira neste Domingo, chamado precisamente dos Ramos e da Paixão do Senhor. Revivemos o que aconteceu naquele dia: eram muitos na multidão que exultava à volta de Jesus, que montado num jumento entrava em Jerusalém. Alguns fariseus gostariam que Jesus os fizesse calar, mas Ele respondeu-lhes que se eles se calassem, gritariam as pedras (cf. Lc 19, 39-40).

A Cruz está no centro da liturgia de hoje. Vós, com a vossa atenta e entusiasta participação nesta solene celebração, demonstrais que não vos envergonhais da Cruz. Não temeis a Cruz de Cristo. Ao contrário, sentis por ela amor e veneração, porque é o sinal do Redentor morto e ressuscitado por nós. Quem crê em Jesus crucificado e ressuscitado leva a Cruz como um triunfo, como prova evidente de que Deus é amor. Com a doação total de si, precisamente com a Cruz, o nosso Salvador venceu definitivamente o pecado e a morte. Por isso aclamamos com júbilo; “Glória e louvor a ti, ó Cristo, que com a tua Cruz redimiste o mundo!“.

Por nós, Cristo fez-Se obediente até à morte,  e morte de cruz.
Por isso Deus o exaltou  e lhe deu o nome que está acima de qualquer outro

(Fp 2 : 8-9).

Estas palavras do apóstolo Paulo exprimem a nossa fé: a fé da Igreja. Mas a fé em Cristo não é previsível. A leitura da sua Paixão põe-nos diante de Cristo, vivo na Igreja. O mistério pascal, que reviveremos nos dias da Semana Santa, é sempre atual. Nós somos hoje os contemporâneos do Senhor e, como o povo de Jerusalém, como os discípulos e as mulheres, somos chamados a decidir se queremos estar com Ele, se queremos fugir ou permanecer simples espectadores da sua morte.

Deparamos todos os anos, na Semana Santa, com o grande cenário no qual se decide o drama definitivo não só para uma geração, mas para toda a humanidade e para cada pessoa individualmente.

A narração da Paixão põe em relevo a fidelidade de Cristo, em contraste com a infidelidade humana. No momento da prova, enquanto todos, também os discípulos e até Pedro, abandonam Jesus (cf. Mt 26, 56), Ele permanece fiel, disposto a derramar o sangue para cumprir plenamente a missão que o Pai lhe confiou. Permanece Maria ao seu lado, silenciosa e sofredora.

Caríssimos! Aprendei de Jesus e da sua e nossa Mãe. A verdadeira força do homem vê-se na fidelidade com que ele é capaz de dar testemunho da verdade, resistindo a lisonjas e ameaças, a incompreensões e chantagens, e até à perseguição dura e desumana. Eis o caminho pelo qual o nosso Redentor nos chama a segui-Lo.

Só se estiverdes dispostos a fazer isto, vos tornareis o que Jesus espera de vós, isto é, “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5, 13-14). A imagem do sal “recorda-nos que, mediante o batismo, toda a nossa existência foi profundamente transformada, porque foi “temperada” com a vida nova que vem de Cristo [cf Rm 6, 4]”.

Queridos, não percais o vosso sabor de cristãos, o sabor do Evangelho! Mantende-o vivo, meditando constantemente o mistério pascal: a Cruz seja a vossa escola de sabedoria. Não vos orgulheis de mais nada, a não ser desta sublime cátedra de verdade e de amor.

A liturgia convida-nos a subir até Jerusalém com Jesus aclamado pelos jovens hebreus. Daqui a pouco Ele “deverá sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia” (Lc 24, 46). São Paulo recordou-nos que Jesus “se despojou a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fil 2, 7) para nos obter a graça da filiação divina. É daqui que brota a verdadeira fonte da paz e da alegria para cada um de nós! Encontra-se aqui o segredo da alegria pascal, que nasce do sofrimento da Paixão.

Faço votos para que cada um de vós, queridos amigos, participe desta alegria. Aquele que escolhestes como Mestre não é um comerciante de ilusões, não é um poderoso deste mundo, nem um astuto e hábil pensador. Vós sabeis quem escolhestes seguir: é o Crucificado ressuscitado! Cristo morto por vós, Cristo ressuscitado por vós.

E a Igreja garante-vos que não ficareis desiludidos. De fato, mais ninguém a não ser Ele, vos pode dar aquele amor, aquela paz e aquela vida eterna pela qual o vosso coração aspira profundamente. Bem-aventurados sois vós, se fordes fiéis discípulos de Cristo! Bem-aventurados sereis vós se, em todas as ocasiões, estiverdes dispostos a testemunhar que este homem é verdadeiramente Filho de Deus! (cf. Mt 27, 54).

Maria, Mãe do Verbo encarnado, sempre pronta para interceder por todos os homens que vivem sobre a face da terra, vos oriente e vos acompanhe.

Trechos da Homilia do Bem-aventurado João Paulo II em 24 março de 2002.

Via Crúcis, Via Sacra ou Caminho da Cruz

Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.”
(Mt 16, 24)

Há mais de vinte séculos que a Igreja se reúne na noite de Sexta-feira Santa para recordar e reviver os acontecimentos da última etapa do caminho terreno do Filho de Deus. Hoje, como nos demais anos, a Igreja que está em Roma reuni-se, para seguir os passos de Jesus que, “carregando às costas a cruz, saiu para o lugar chamado Crânio, que em hebraico se diz Gólgota” (Jo 19, 17).

Encontramo-nos aqui animados pela convicção de que a via-sacra do Filho de Deus não foi um simples caminhar para o lugar do suplício. Acreditamos que cada passo do Condenado, cada gesto e palavra d’Ele, e tudo o mais que foi vivido e realizado por quantos tomaram parte neste drama, continua incessantemente a falar-nos. Cristo, mesmo no seu sofrimento e na sua morte, desvenda-nos a verdade acerca de Deus e do homem.

Queremos refletir intensamente no conteúdo daquele acontecimento, para que fique gravado, com uma força nova, nas nossas mentes e nos nossos corações e daí brote a graça duma autêntica participação.

Participar significa ter uma parte. E que significa ter uma parte na cruz de Cristo?

– Significa experimentar, no Espírito Santo, o amor que a cruz de Cristo encerra. Significa reconhecer, à luz desse amor, a própria cruz. Significa retomá-la aos próprios ombros e, por força sempre daquele amor, caminhar…

Caminhar pela vida fora, imitando Aquele que “suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está agora sentado à direita do trono de Deus” (Heb 12, 2).

Oremos:

Senhor Jesus Cristo,
enchei os nossos corações com a luz do vosso Espírito,
para que, acompanhando-Vos no vosso último caminho,
conheçamos o preço da nossa redenção
e nos tornemos dignos de participar
nos frutos da vossa paixão, morte e ressurreição.
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amen.

PRIMEIRA ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE

Tu és o rei dos judeus?” (Jo 18, 33).

– “A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas a minha realeza não é daqui” (Jo 18, 36).

Pilatos acrescentou:
Logo Tu és rei?

Jesus respondeu:
– “Tu o dizes! Eu sou rei! Para isso nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz“.

Pilatos replicou: “Que é a verdade?

Dito isto, o Procurador romano considerou encerrado o interrogatório. Foi ter com os judeus e comunicou-lhes: “Não acho n’Ele culpa alguma” (cf. Jo 18, 37-38). O drama de Pilatos está contido na pergunta: Que é a verdade? Não era uma pergunta filosófica sobre a natureza da verdade, mas uma pergunta existencial que dizia respeito à relação da própria pessoa com a verdade. Era uma tentativa de fugir à voz da consciência, que instava para que reconhecesse a verdade e a seguisse. O homem, que não se deixa guiar pela verdade, é capaz de sentenciar inclusivamente a condenação dum inocente.

Os acusadores intuem esta fragilidade de Pilatos e por isso não cedem. Com determinação, reclamam a morte de cruz. As meias-medidas, a que recorre Pilatos, não o ajudam. Não é suficiente a pena cruel da flagelação, infligida ao Acusado. Quando o Procurador apresenta à multidão Jesus flagelado e coroado de espinhos, usa uma frase que, no seu modo de ver, deveria quebrar a intransigência da praça. Apontando para Jesus, diz: “Ecce homo! Eis o homem!” Mas, a resposta foi: “Crucifica-O, crucifica-O!

Pilatos procura então fazê-los raciocinar: “Tomai-O vós e crucificai-O; eu não encontro n’Ele culpa alguma” (cf. Jo 19, 5-7).

Está cada vez mais convencido de que o Réu é inocente, mas isto não lhe basta para proferir uma sentença de absolvição. Os acusadores recorrem ao último argumento: “Se O libertares, não és amigo de César; todo aquele que se faz rei, é contra César” (Jo 19, 12).

A ameaça é clara. Pilatos, intuindo o perigo, cede definitivamente e profere a sentença, acompanhada do gesto teatral de lavar-se as mãos: “Estou inocente do sangue deste justo. Isso é convosco” (Mt 27, 24). E assim Jesus, o Filho de Deus vivo, o Redentor do mundo, foi condenado à morte de cruz.

Ao longo dos séculos, a negação da verdade gerou sofrimento e morte. São os inocentes que pagam o preço da hipocrisia humana. As meias-medidas não são suficientes. Nem basta lavar as mãos. A responsabilidade pelo sangue do justo permanece. Foi por isso que Jesus rezou, tão ardentemente, pelos seus discípulos de todos os tempos: “Pai, santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17, 17).

ORAÇÃO

Cristo, que aceitais uma condenação injusta,
concedei-nos, a nós e a todos os nossos contemporâneos,
a graça de sermos fiéis à verdade e não permitais que caia sobre nós
e sobre quantos hão-de vir depois de nós
o peso da responsabilidade pelo sofrimento dos inocentes.
Jesus, justo Juiz, a Vós a honra e a glória pelos séculos sem fim.
 Amen.

SEGUNDA ESTAÇÃO: JESUS RECEBE A CRUZ AOS OMBROS

Não era lícito condenar um cidadão romano à morte de cruz: era humilhante demais. No momento em que Jesus de Nazaré pegou na cruz para levá-la ao Calvário, a história da cruz conheceu uma inversão do seu valor: De sinal de morte infame e reservada à classe inferior dos homens, a cruz passa a ser uma chave; doravante, com a ajuda desta chave, o homem abrirá a porta das profundezas do mistério de Deus.

Por obra de Cristo, que aceita a cruz como instrumento do seu despojamento, os homens saberão que Deus é amor.

Amor sem limites: “Amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Esta verdade sobre Deus foi revelada por meio da cruz. E não podia revelar-se de outro modo? Continuar lendo

Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores

Encontramos homens de grande sabedoria e força, mas quem confia em sua própria força não trabalha com sabedoria nem conduz até o final aquilo que se propusera fazer. Parecem ignorar que os conselhos dão força às reflexões. Como ensinam os Provérbios (20, 18).

Mas notemos que o Espírito Santo que dá a força, dá também o conselho; pois qualquer bom conselho relativo à salvação do homem só pode vir do Espírito Santo.

O conselho é necessário ao homem, quando este sofre tribulações, assim como o conselho do médico, quando se está doente. Quando um homem está espiritualmente doente pelo pecado, deve pedir conselho. E Daniel mostra que o conselho é necessário ao pecador, quando diz ao rei Nabucodonosor (Dn 4, 27): Segue, ó rei, o conselho que te dou, redime os teus pecados com esmolas.

O conselho de dar esmolas e ser misericordioso é excelente para apagar os pecados. Por isso o Espírito Santo ensina aos pecadores esta oração pedindo: Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.

Além disso devemos verdadeiramente a Deus aquilo a que Ele tem direito e que nós lhe recusamos. Ora, o direito de Deus exige que façamos Sua vontade, preferindo-a à nossa vontade. Ofendemos, portanto, seu direito, quando preferimos nossa vontade à sua, e isto é o pecado. Assim os pecados são nossas dívidas para com Deus. E o Espírito Santo nos aconselha que peçamos a Deus o perdão de nossos pecados e por isso dizemos: Perdoai as nossas dívidas.

Sobre estas palavras podemos fazer três considerações:

a) Primeiro, por que fazemos este pedido?
b) Segundo, quando será realizado?
c) Terceiro, que devemos fazer para que Deus realize nosso pedido?

a) Da primeira, tiramos dois ensinamentos necessários ao homem, nesta vida.

Um, que o homem deve sempre temer a Deus e ser humilde. Há quem seja bastante presunçoso para dizer que podemos viver neste mundo de modo a evitar o pecado. Mas isto a ninguém foi dado, a não ser ao Cristo que possui o Espírito em toda a plenitude; e à Bem-aventurada Virgem, cheia de graça e imaculada, da qual dizia Santo Agostinho: «Desta (Virgem) não quero fazer a menor menção, quando falo do pecado». Mas a nenhum outro santo foi concedido não cair em pecado ou, ao menos, não incorrer em algum pecado venial. Diz, em sua Epístola, São João: Se dissermos que estamos sem pecado, nós mesmos nos enganamos, e não há verdade em nós. (I, 1,8).

E isto tudo é provado pelo próprio pedido. Firmamos, pois, que a todos, santos ou não, convém dizer o Pai Nosso, com o pedido: Perdoai as nossas dívidas. Portanto, cada homem se reconhece e se confessa pecador e indubitavelmente devedor. Se, pois, sois pecador, deveis temer e vos humilhar.

O outro ensinamento é que vivamos sempre na esperança. Ainda que sejamos pecadores, não devemos desesperar. O desespero nos leva a outros e mais graves pecados, como nos diz o Apóstolo (Ef 4, 19): Desesperando, entregaram-se à dissolução e a toda sorte de impurezas.

É, pois, muito útil que sempre esperemos. O homem, por mais pecador que seja, deve esperar sempre o perdão de Deus, se seu arrependimento é verdadeiro, se se converteu perfeitamente.

Ora, esta esperança se fortifica em nós, quando pedimos: Pai nosso, perdoai as nossas dívidas.

Os hereges Navatini negavam essa esperança, dizendo que aquele que peca, depois do batismo, não alcança a misericórdia. Ora, isto não é verdade, se é verdade o que Cristo diz (Mt 18,32): Perdoei-te a dívida toda, porque me pediste.

Assim, em qualquer dia em que pedirdes, podereis obter a misericórdia, se rogardes arrependidos por terdes pecado.

Se, portanto, por esse pedido, nasce o temor e a esperança e todo pecador contrito alcança a misericórdia, concluímos o quanto é necessário fazê-lo.

b) Quanto à segunda consideração, é preciso lembrar que, no pecado, são dois os elementos presentes: a culpa, pela qual se ofende a Deus, e o castigo devido pela ofensa.

Ora, a falta é remida pela contrição, se esta é acompanhada do propósito de se confessar e de satisfazê-la. Declara o Salmista (Sl 32, 5): Eu disse: confessarei ao Senhor contra minha injustiça; e tu me perdoaste a impiedade de meu pecado.

Como dissemos, se a contrição dos pecados, com o propósito de confessá-los, basta para obter sua remissão, o pecador não deve desesperar.

Mas alguém pode objetar: se a contrição do pecado redime a culpa, porque é necessário a confissão ao sacerdote?

A esta pergunta responderemos: Deus, pela contrição, redime o pecado, mudando o castigo eterno em castigo temporal; o pecador, contrito, fica submetido à pena temporal. Assim, se o pecador morre sem confissão, não por tê-la desprezado, mas porque a morte o surpreendeu, irá para o purgatório onde, segundo Santo Agostinho, sofrerá muitíssimo. No entanto, ao vos confessar, o sacerdote vos absolve da pena temporal pelo poder das chaves, ao qual vos submeteis na confissão; pois disse Cristo aos Apóstolos (Jo, 20:22-23): Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados e aos que os retiverdes, serão retidos. Assim, quando se confessa uma vez, alguma parte da pena é perdoada e do mesmo modo, quando se repete a confissão ou se confessa, tantas vezes, quanto necessário, será totalmente perdoada.

Os sucessores dos Apóstolos acharam um outro modo  Continuar lendo

Quando as Trevas querem ser Luz

As trevas parecem querer fechar o nosso mundo na escuridão e na cegueira.

O que designamos como “crise” econômica ou financeira, é sem dúvida fruto dum sistema econômico assente na ausência de valores morais e éticos, substituídos pela ganância, pelo egoísmo, pela perda do sentido do “social”. O ser humano como pessoa não conta, é olhado como indivíduo, como número para as estatísticas.

O sentido do bem comum é substituído pelos interesses ideológicos. E o nosso país (no caso, Portugal, mas se aplica muito bem ao Brasil) vive acorrentado aos interesses ideológicos dos “iluminados”, dos senhores da “verdade”, dos que se julgam “critério último”, daqueles a quem o poder subiu à cabeça, dos que da democracia fazem “ditadura”. Julgam-se deuses, perante os quais os seus adoradores cegos se ajoelham em cerimônias devidamente ritualizadas e orquestradas.

Jesus diz no Evangelho de S. João:

A Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz,
porque as suas obras eram más

(Jo 3,19)

E esta situação de cegueira repete-se constantemente, não só na vida coletiva, como na nossa vida pessoal.

A nossa sociedade é constantemente matraqueada, qual “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, a querer convencer da “bondade”:

do “casamento” dos homossexuais. Todos têm direito de viver a vida como quiserem. A dar-lhe o sentido que entenderem. Mas não deitem poeira para cima dos outros: Casamento, implica “acasalar”, e isto supõe diferenciação de gênero, possibilidade de abertura à vida. Se há o casamento entre o homem e a mulher, se há as chamadas “uniões de fato”, porque não enfrentar a verdade, e arranjar outro nome mais apropriado para o dito “casamento”.

da eutanásia. “As questões morais são claras: ninguém tem direito a pôr fim à sua própria vida, ninguém tem direito a colaborar com alguém que queira pôr fim à sua própria vida” (D. José Policarpo). “Na realidade ninguém é proprietário da sua vida (…) O homem é somente «usufrutuário», não lhe pertence a ele decidir quanto ao fim dos seus dias ? Ao seu ou de outra pessoa mediante a eutanásia, que é vista como uma forma de acabar com o sofrimento, por vezes muito vivo. Porém hoje é possível aliviar a dor. Os «cuidados paliativos» são hoje uma conquista que é preciso desenvolver.” (Cf. Catecismo para adultos, Gráfica de Coimbra)

Convém não esquecer que para o cristão o sofrimento tem um sentido, faz parte do seu crescimento humano e espiritual. O sofrimento tem em Cristo um valor redentor supremo. Cristo deixou-nos esse testemunho de sofrer por amor. Cristo crucificado é «força e sabedoria de Deus» (CIC 272). Verificamos também um desinteresse generalizado por tudo aquilo que culturalmente nos possa identificar: a história, a cultura, tudo o que foi e é vida dum povo.

Há um ataque discreto mas cerrado a tudo o que é Igreja e se refere à Igreja. Será medo?

 

quem pratica o mal odeia a Luz
e não se aproxima da Luz
para que as suas ações
não sejam desmascaradas
.”
(Jo 3,20)

Àcerca dos “iluminados” deste mundo, assentam bem as palavras de Cristo «Deixai-os: são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão nalguma cova» (Mt 15,14) e o resultado está à vista e é sentido por todos, sobretudo os mais pobres: a instabilidade em que todos vivem, é a situação de condenação, para não dizer de inferno generalizado na sociedade.

E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo,
e os homens preferiram as trevas à Luz,
porque as suas obras eram más.

(Jo 3,19)

Ser cristão, hoje, é um ato de grande coragem. É sujeitar-se a ser perseguido, triturado, no emprego/desemprego, na cidade, qual Roma antiga, em que os cristãos que não prestassem culto, ao divino imperador com o simples e aparentemente inofensivo gesto, de queimar um pouco de incenso, seriam condenados à morte.

O cristão foi e será sempre aquele que segue Cristo. Que caminha com Cristo, mas Cristo Ressuscitado. Sem Cristo, Luz do mundo, o homem caminha nas trevas do vazio da vida.

Escrito por: Pe. Jaime

Fonte: Paróquia Senhor Jesus dos Navegantes

Com São José aprender a servir a Deus com humildade e sabedoria

Chamado a proteger o Redentor, «José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa» (Mt 1, 24).

Inspirando-se no Evangelho, os Padres da Igreja, desde os primeiros séculos, puseram em relevo que São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo.

João Paulo II apresenta em sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos algumas reflexões sobre aquele a quem Deus «confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos», no intuito de que cresça em todos a devoção ao Patrono da Igreja universal e o amor ao Redentor, que ele serviu de maneira exemplar.

Segue abaixo trechos da Exortação Apostólica:

Desta forma, todo o povo cristão não só recorrerá a São José com maior fervor e invocará confiadamente o seu patrocínio, mas também terá sempre diante dos olhos o seu modo humilde e amadurecido de servir e de «participar» na economia da salvação.  Tenho para mim, efetivamente, que o fato de se considerar novamente a participação do Esposo de Maria no mistério divino permitirá à Igreja, na sua caminhada para o futuro juntamente com toda a humanidade, reencontrar continuamente a própria identidade, no âmbito deste desígnio redentor, que tem o seu fundamento no mistério da Incarnação.

Foi precisamente neste mistério que José de Nazaré «participou» como nenhuma outra pessoa humana, à excepção de Maria, a Mãe do Verbo Incarnado. Ele participou em tal mistério simultaneamente com Maria, envolvido na realidade do mesmo evento salvífico, e foi depositário do mesmo amor, em virtude do qual o eterno Pai «nos predestinou a sermos adoptados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo» (Ef 1, 5).

«José, filho de David, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados».
(Mt 1, 20-21)

O mensageiro dirige-se a José como «esposo de Maria»; dirige-se a quem, a seu tempo, deverá pôr tal nome ao Filho que vai nascer da Virgem de Nazaré, desposada com ele. Dirige-se a José, portanto, confiando-lhe os encargos de um pai terreno em relação ao Filho de Maria.

«Despertando do sono, José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa» (Mt 1, 24). Ele recebeu-a com todo o mistério da sua maternidade ; recebeu-a com o Filho que havia de vir ao mundo, por obra do Espírito Santo: demonstrou deste modo uma disponibilidade de vontade, semelhante à disponibilidade de Maria, em ordem àquilo que Deus lhe pedia por meio do seu mensageiro.

Se Isabel disse da Mãe do Redentor: «Feliz daquela que acreditou», esta bem-aventurança pode, em certo sentido, ser referida também a José, porque, de modo análogo, ele respondeu afirmativamente à Palavra de Deus, quando esta lhe foi transmitida naquele momento decisivo. A bem da verdade, José não respondeu ao «anúncio» do anjo como Maria; mas «fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa». Isto que ele fez é puríssima «obediência da fé» (cf. Rom 1, 5; 16, 26; 2 Cor 10, 5-6).

«Aprouve a Deus — ensina o Concílio — na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, através de Cristo, Verbo Incarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2, 18; 2 Pdr 1, 4)».

O Salvador deu início à obra da salvação com esta união virginal e santa entre José e Maria, na qual se manifesta a sua vontade omnipotente de purificar e santificar a família, que é santuário do amor humano e berço da vida».

Quantos ensinamentos promanam disto, ainda hoje, para a família! Uma vez que «a essência e as funções da família se definem, em última análise, pelo amor» e que à família «é confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja sua Esposa», é na Sagrada Família, nesta originária «Igreja doméstica», que todas as famílias devem espelhar-se. Nela, efetivamente, «por um misterioso desígnio divino, viveu escondido durante longos anos o Filho de Deus: ela constitui, portanto, o protótipo e o exemplo de todas as famílias cristãs».

São José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele «coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos», e é verdadeiramente «ministro da salvação». A sua paternidade expressou-se concretamente «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da Incarnação e à missão redentora com o mesmo inseparavelmente ligada; em ter usado da autoridade legal, que lhe competia em relação à Sagrada Família, para lhe fazer o dom total de si mesmo, da sua vida e do seu trabalho; e em ter convertido a sua vocação humana para o amor famíliar na sobre-humana oblação de si, do seu coração e de todas as capacidades, no amor que empregou ao serviço do Messias germinado na sua casa».

No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria, permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José – como já foi dito – não proferiu palavra alguma, aquando da sua «anunciação»: «fez como o anjo do Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da «caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram palavra alguma que ele tenha dito. Mas esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).

A aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.

Como se diz na constituição do Concílio Vaticano II sobre a Divina Revelação, a atitude fundamental de toda a Igreja deve ser de «religiosa escuta da palavra de Deus»;  ou seja, de absoluta disponibilidade para se pôr fielmente ao serviço da vontade salvífica de Deus, revelada em Jesus. Logo no princípio da Redenção humana, nós encontramos o modelo da obediência encarnado, depois de Maria, precisamente em José, aquele que, se distingue pela execução fiel das ordens de Deus.

Recordando que Deus confiou os inícios da nossa Redenção à guarda desvelada de São José, suplica-lhe: que lhe conceda colaborar fielmente na obra da salvação; e que lhe dê a mesma fidelidade e pureza de coração que animaram José no serviço do Verbo Incarnado; e, ainda, a graça de caminhar diante do mesmo Deus pelas vias da santidade e da justiça, amparados pelo exemplo e pela intercessão de São José.

«Afastai de nós, ó pai amantíssimo, esta peste de erros e de vícios…,
assisti-nos propício, do céu, nesta luta contra o poder das trevas …;
e assim como outrora livrastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim hoje defendei a santa Igreja de Deus das ciladas do inimigo
e de todas as adversidades»