Arquivo do mês: setembro 2012

Diante de nosso Deus

Exclamei, então: “Ai de mim, estou perdido! Sou um homem de lábios impuros, vivo entre um povo de lábios impuros, e, no entanto, meus olhos viram o rei, o SENHOR dos exércitos”.”
(Isaías 6:5)

Quando Isaías, um dos maiores profetas de Deus, teve uma visão do Senhor com seus anjos a adorá-lo ao redor do trono, ele compreendeu sua indignidade e seu pecado: “estou perdido!”. Ao confessar o pecado, Deus o tocou e purificou. A santidade de Deus permitiu que Isaías percebesse sua falta de santidade. Isso também o tornou íntegro.

O pecado arrebata pedaços da alma. Quando numeroso, nos torna uma pilha de peças quebradas. A santidade de Deus, no entanto, purifica-nos e ajuda a separar-nos do que não é santo. Existe uma correlação entre a santidade de Deus e nossa integridade. Portanto, quando estamos em sua presença, tornamo-nos mais íntegros. A santidade de Deus nos faz mais íntegros. Sempre que os grandes homens de fé, como Jó, Abraão e Moisés, tiveram um encontro próximo com Deus, viram as próprias faltas. Isso também acontece conosco.

Você talvez esteja pensando: “Por que preciso tomar mais consciência de minhas faltas? Já as conheço muito bem. Pensar sobre elas apenas me fará sentir ainda pior a respeito de mim mesmo”. Compreender a santidade de Deus, no entanto, não o fara sentir-se mal sobre si mesmo a ponto de levá-lo à depressão. Pelo contrário, o levará a sentir-se atraído pela santidade Dele; e, consequentemente, o levará à restauração. Vai convencê-lo em vez de condená-lo. Consiste na verdade; em  libertação.

A Bíblia nos diz: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4:16). Devemos ser certamente humildes ao levar nossa indignidade até o trono divino. Entretanto, podemos ter confiança porque sabemos que somos chamados e amados. Podemos ir a Deus em qualquer tempo, sabendo que ele nos quer ali e que nos limpará o coração e nos assemelhará mais a Ele.

Peça ao Senhor que o ajude a compreender a santidade divina. Reconheça depois sua própria falta dela e ore para que a essência de Deus entre em seu coração.

Fonte: A Bíblia da Mulher que Ora

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O Combate Espiritual – Capítulo II

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação;
na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca
.”
(Mt 26:41)

A desconfiança de nós mesmos

A desconfiança de nós mesmos, nos é necessária neste combate de tal maneira, que sem ela devemos ter por certo que não só não poderíamos conseguir a desejada vitória, como não venceríamos a menor das paixões. (Mt 26:41)

Importa que desta verdade fiquemos bem persuadidos, porque nossa natureza corrompida nos empurra a ter uma vã e errada estimação de nós mesmos. Apesar de sermos um nada verdadeiramente, nem por isso deixamos de nos persuadir de que prestamos para alguma coisa, e que sem fundamento algum presumimos poder alcançar por nossas forças. (cf. Lc 17:10 ; Ro 6:16-23)

Este defeito se conhece dificultosamente, e desagrada muito aos olhos de Deus, que deseja e quer em nós um fiel conhecimento desta certíssima verdade na qual toda graça e toda virtude vem Dele, que é fonte de todo o bem, e que nós mesmos somos absolutamente incapazes de ter ao menos um pensamento bom, que lhe seja agradável. (cf. 1Co 2:12 ; 2Co 4:7 ; Ef 2:8)

E sendo também esta tão importante desconfiança uma obra do seu poder divino, um dom que ele dá aos seus amados servos, às vezes através de santas inspirações, outras vezes  com amargas provações, por tentações violentas e quase insuperáveis, ou com outros meios, que não podemos chegar a entender; apesar disto, querendo Ele que juntamente façamos de nossa parte o que convém, eu vos proponho quatro meios, que com a graça de Deus, podereis conseguir esta desconfiança. (1Pe 1:6 ; At 14:22 ; Ro 5:2-5 ; 1Co 2:5)

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar,
segundo a sua boa vontade
.”
(Filipenses 2:13)

O primeiro é que vos considereis e conheçais a vossa vileza, e limitado ser, e que não sois capazes de obrar bem algum por vós mesmos, por onde mereçais entrar no Reino dos Céus. (Lc 17:10 ; 2Co 9:8 ; Mc 8:34)

O segundo, é que com fervorosas e humildes orações peçais esta importante virtude ao Senhor, aquele que é o único que nos a pode dar. Confessemos primeiro que, não somente não a temos, mas que por nós mesmos estamos numa plena impotência de obtê-la. Desta maneira nós nos apresentamos aos pés do Senhor com uma confiança firme em Sua bondade, e perseveremos na oração, até quando sua Divina Providência julgue conveniente conceder nosso pedido. (Ef 3:20 ; Ro 15:13)

O terceiro meio é que nos acostumemos pouco a pouco a recear de nós mesmos e de nosso próprio julgamento, temendo a violenta inclinação de nossa natureza ao pecado, os inúmeros inimigos e a incomparável superioridade de suas forças, sua longa experiência de combate, suas astúcias e suas ilusões que os transformam a nossos olhos em anjos de luz, as armadilhas que eles nos pregam por todas as partes do caminho da virtude. (cf  Ef 6:10-18 ;  2Co 11:14)

O quarto meio é de entrarmos em nós mesmos  sempre que acontecer de cairmos em alguma falta, e então considerarmos vivamente até onde vai nossa fraqueza. Se Deus permite que tenhamos algumas quedas, é afim de que pela claridade desta luz, possamos nos conhecer melhor, desprezam-nos a nós mesmos como criaturas vis, e a desejar ser desprezado pelos outros (cf Lc 17:3). Sem esta vontade não pode haver desconfiança virtuosa, a qual tem todo o seu fundamento na verdadeira humildade e no conhecimento, que traz consigo a experiência (cf Ro 5:2-5). Porque bem claro se pode ver que quem deseja unir-se com a Luz Suprema e com a Verdade incriada, necessita do conhecimento de si mesmo, o qual a divina Piedade dá frequentemente aos soberbos e aos presunçosos através da experiência, deixando-os justamente cair em alguma falta da qual imaginam que poderão se livrar; assim desta forma acabam por se conhecer e por aprender a desconfiar em tudo de si mesmos. (2Co 11:30)

Mas não costuma valer-se o Senhor deste meio tão miserável, se não quando os outros meios mais piedosos  não obtiveram o efeito que esperava Sua misericórdia.  Esta permite que caia o homem com mais ou menos frequência, se ele tem mais ou menos orgulho e própria estimação, de modo que  onde não se acha sombra de presunção, como foi na Bem-aventurada Virgem Maria, da mesma maneira não haverá sinal algum de queda.

Assim, quando cairmos, corramos imediatamente com o pensamento ao humilde conhecimento de nós mesmos, e com oração pedir ao Senhor que nos dê a verdadeira luz para nos conhecermos e desconfiarmos inteiramente de nós mesmos, se não queiramos cair de novo nas mesmas faltas ou em faltas ainda mais prejudiciais à salvação de nossa alma.

O Combate Espiritual – Capítulo I

Então, meu filho, fortalece-te na graça do Cristo Jesus. O que ouviste de mim na presença de numerosas testemunhas, transmite-o a pessoas de confiança, que sejam capazes de ensinar a outros. Como bom soldado do Cristo Jesus, assume a tua parte de sofrimento. Ninguém que esteja engajado
no serviço das armas se embaraça nos negócios da vida civil,
se deseja agradar a quem o alistou. Igualmente o atleta, na luta esportiva,
só recebe a coroa, se lutar segundo as regras
.”

(II Tm 2 : 1-5)

Em que consiste a perfeição cristã; o que é necessário combater para adquiri-la; e       as quatro coisas necessárias neste combate

Se quereis, ô alma cristã, atingir o auge  da perfeição, vos unir estreitamente a Deus, e vir a ser um mesmo espírito com Ele, é necessário para a conclusão bem sucedida desse projeto (o maior e mais nobre que se possa imaginar) que saibamos antes em que consiste a verdadeira e perfeita espiritualidade. Porque muitos, sem cuidar de outra coisa, a fazem consistir no rigor da vida, na mortificação da carne, nos cilícios, nos jejuns e outras asperezas semelhantes e trabalhos corporais. Outros, em particular as mulheres, entendem que já tem muito adiantado o caminho para perfeição quando rezam muitas orações, participam de muitas missas e longos Ofícios Divinos, e frequentemente visitam às igrejas e se aproximam do santo Altar para comungar. Muitos outros (entre os quais talvez alguns, que revestidos de hábito religioso) imaginam que a perfeição depende plenamente de frequentar o Coro, do silêncio, da solidão e da observância da disciplina regular.

E assim todos creem que ou nestas ou em outras semelhantes ações é fundada a Perfeição da vida espiritual; mas é certo que eles se enganam. De fato,  as obras exteriores são, algumas vezes, meios de adquirir o espírito, outras vezes são fruto do mesmo espírito, mas não podemos dizer que nelas só consiste a perfeição cristã e a verdadeira espiritualidade.

Não ha dúvida que são meios muito poderosos para adquirir a santidade; aplicados com sabedoria e discrição, eles servem maravilhosamente para nos fortificar contra a malícia e a fragilidade de nossa natureza, para se armar contra os ataques e enganos de nossos comuns inimigos e para obter de Deus os socorros espirituais necessários aos justos, principalmente àqueles que começam.

Nas pessoas verdadeiramente espirituais, as quais castigam o corpo, esses atos são pois frutos do espírito, porque tendo ofendido o seu Criador, fazem-nos como punição de suas revoltas passadas e para terem os seus corpos sujeitos e humilhados ao seu santo serviço; e assim elas vivem solitárias  e no silêncio para evitar as menores faltas e não ter conversas além das que tem com os céus;  se ocupam ao culto divino e nas obras de piedade; elas oram, e meditam a Vida e a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, não por curiosidade nem por amor às consolações sensíveis, mas no desejo de melhor conhecer sua própria malícia e a infinita misericórdia de Deus, e para inflamar cada dia mais seus corações no amor divino; e no desprezo e ódio de si mesmos, vencem suas próprias paixões e seguem as pisadas do filho de Deus, levando também sua Cruz às costas; frequentam os santos sacramentos com o único propósito de honrar a Majestade de Deus, de se unir mais estreitamente a Ele e de se fortificar contra as tentações do inimigo.

Porém, estas obras exteriores podem ser talvez, ocasião de maior precipício que os pecados conhecidos, para aqueles que poem  todo o edifício de sua perfeição nestas ações exteriores. Pois apesar destas obras serem santas, o seu “mau uso” pode ser ocasião da sua própria ruína, ou seja, preocupados unicamente com as práticas da devoção, abandonam seu coração às inclinações da natureza e às armadilhas do demônio. O espírito maligno, vendo então que já estão descuidados do caminho direito, deixa-os não só continuar naqueles exercícios, mas ainda os deixa vaguear , segundo sua errada imaginação, entre as delícias do paraíso, onde acreditam desfrutar, na companhia dos anjos, da presença do próprio Deus; de modo que quando se acham absortos em  meditações cheias de pensamentos sublimes, curiosos e agradáveis, e esquecendo o mundo e as criaturas, imaginam terem sido transportados até o terceiro céu.

Mas se um pouco examinamos sua conduta, vemos imediatamente que em muitos erros estão envolvidos, e como estão longe da perfeição  que procuramos. Porque estes em qualquer coisa grande ou pequena querem ser preferidos aos outros; fascinados por seu mérito e obstinados em sua maneira de ver; cegos para suas próprias falhas, eles sempre têm seus olhos abertos para as ações dos outros para controlar e censurar.

Que se alguém os toca, ainda que levemente, na vã estimação que eles fazem de si e na opinião em que querem ser tidos pelos outros, ou os quer tirar daquelas devoções, nos quais de costume se ocupam, todos se alteram e se inquietam demasiadamente.

E se Deus, para os levar ao verdadeiro conhecimento de si mesmos e ao caminho da perfeição, lhes dá trabalhos, ou doenças, ou permite perseguições (as quais nunca vem sem sua Vontade, sem seu querer ou permitir, e são a verdadeira pedra de tocar da fidelidade de seus servos), isso tudo é para que descubram o mal que tem no fundo de seus corações e o interior corrupto tomado pela soberba, porque tanto nas provações como nos eventos felizes da vida, eles não sabem o que é se resignar a Vontade de Deus, se humilhar perante sua mão poderosa, se submeter a seus justos e impenetráveis julgamentos, e nem se sujeitar a todas as criaturas como ao exemplo de seu humilhado e atribulado Filho, que amou seus perseguidores. Estes são os instrumentos da Bondade Divina que cooperam à mortificação, perfeição e salvação deles mesmos. Dai vem que estes tais estão expostos à grande perigo de se perderem, porque tendo a vista interior ofuscada pelo amor-próprio e vendo nada de louvável além deles mesmos e suas ações, imaginam-se em estágio avançado no caminho da perfeição e cheios de soberba julgam aos outros, e assim não há quem os possa converter, somente um milagre da graça.

A experiência esta ai para provar que é mais fácil trazer ao bom caminho um pecador declarado que um pecador que se disfarça e se cobre com um manto de virtudes aparentes.

Compreendes agora, alma cristã, que a vida espiritual não consiste das práticas exteriores que acabamos de falar. E em que consiste então? Ela consiste no reconhecimento da  bondade e grandeza de Deus e do nada a que se reduz o nosso ser humano, do amor do Senhor e o ódio a nós mesmos, da submissão do espírito a Deus e às criaturas por amor de Deus, da abnegação completa de nossa vontade e nossa inteira resignação a seus decretos soberanos. E façamos tudo isto pura e simplesmente pela glória de Deus e por Ele pedir e merecer ser amado e servido.

Esta é a lei do amor impressa pela mão do mesmo Senhor no coração se seus servos fiéis. Esta é a abnegação que ele requer de nós. Este é o seu jugo suave e o fardo leve que ele nos convida a tomar sobre nossas costas. Esta é a obediência que ele nos ensina por sua palavra e seu exemplo. Se então desejas chegar ao auge da perfeição, deves fazer uma contínua violência a si mesma, para domar generosamente e aniquilar todas as más afeições de seu coração, mesmo as que lhe pareçam ser pequenas. É necessário preparar-se com toda a prontidão de ânimo para este Combate, porque  a coroa da vitória se dá  somente aos soldados de valor.

Considere que lutar contra si mesmo, tomando a si mesmo como um adversário, é o ponto de guerra mais rude a combater, e que se é alcançada  uma vitória, ela será a mais frutuosa e mais agradável aos olhos de Deus.

Porque se  tiverem coragem de meter debaixo dos pés e vencer todos os desordenados desejos, más inclinações e os menores movimentos da vontade, agradareis mais a Deus, e lhe fareis muito maior serviço do que lhe faríeis, se conservando ainda alguma delas, vos acoitásseis até correr sangue, e jejuásseis mais do que fizeram os antigos Ermitões e Anacoretas do deserto,  ou mesmo que se convertêsseis ao bem milhares e milhares de almas.

De fato, ainda que Deus estime e queira mais a conversão das almas que a mortificação de um pequeno apetite, permanece verdadeiro que vosso principal cuidado deve ser de querer e de fazer aquilo que Deus deseja  particularmente de vós. (vontade de Deus = sua santificação, cf. I Ts 4:3)

Ele sem dúvida estima muito mais que  ponhais cuidado e trabalheis em mortificar vossas paixões, que se faça a mais importantes das obras em aparência que realizaríeis com um coração dominado pela paixão.

Agora que sabes em que consiste a perfeição cristã e que para adquiri-la haveis de entrar em uma contínua e dura guerra contra si próprio, saibais que para isso tendes necessidade de se munir de quatro coisas, como de armas muito seguras e muito necessárias para a vitória, e assim ficar vencedora neste Combate Espiritual. Esta são:

  • Desconfiança de nós mesmos;
  • Confiança em Deus;
  •  O bom uso de nossas faculdades;
  • O exercício da oração.

Das quais tentaremos, com a graça de Deus, falar de maneira clara e sucinta, nos próximos capítulos.

Ao Soberano Capitão

Porque sempre agradaram e agradam muito à Vossa Divina Magestade os sacrifícios e ofertas, que lhe fazemos com pura intenção da vossa santa glória, os que vivemos nesta vida mortal, para vós ofereço e dedico este breve Tratado do Combate Espiritual, sem que me desanime ser ele coisa tão pequena, porque bem se sabe que vós sois aquele muito alto e poderoso Senhor, que vos deleitais nas coisas limitadas e humildes, e desprezais as vaidades e grandezas do mundo. E como poderia eu, sem fazer-me digno de culpa ou sem ferir-me, dedicá -lo a outro, que não fosseis vós, Rei do Céu e da Terra? Os documentos deste tratado saíram todos da vossa escola, e todos são doutrina vossa, havendo vós ensinado que:

Desconfiando de nós mesmos,

Confiemos em vós,

Combatamos e

Oremos.

Além disso, se todo o combate necessita de um chefe experiente, que guia a batalha e anime os soldados, que pelejam mais valentemente se militam debaixo de um capitão invencível. Não necessitará dele por ventura este Combate Espiritual? A vós logo escolhemos por nosso Capitão poderosíssimo Jesus, todos os que estamos resolutos a combater e a vencer qualquer inimigo, a vós digo, que haveis vencido o mundo e o demônio, fortalecendo com as chagas de vosso sacratíssimo corpo e com vossa morte à fragilidade de todos aqueles, que pelejaram, e hão de pelejar com valor. Quando eu dispunha, Senhor, este combate, sempre trazia na memória aquelas palavras: Non quòd sufficientes simus cogitare aliquid à nobis, quasi ex nobis. Sem vós e sem vossa assistência nem podemos ter um só pensamento, que seja bom, como poderemos combater contra tantos e poderosíssimos inimigos, e evitar os laços que nos armam escondidamente por nos fazer cair? Vosso é Senhor este combate por todas as razões, porque como dissemos, vossa é a doutrina e vosso são todos os soldados espirituais, e entre eles somos nós os clérigos regulares teatinos; pelos quais prostrados aos pés de vossa Altíssima Majestade vos pedimos que o aceiteis, movendo-nos sempre e animando-nos com a vossa graça atual a lutar mais generosamente, porque não duvidamos nada, que combatendo vós em nós, venceremos para glória vossa e de vossa santíssima Mãe, a Bem-aventurada Virgem Maria.

O mais humilde escravo remido com o vosso precioso sangue,

D. Lourenço Scupoli

Quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo.”
(Deuteronômio 20:1)

Mensagem a TODOS os cristãos: não temos a verdade, pertencemos a ela

Concluiu-se neste domingo no Centro Mariapolis de Castel Gandolfo, o tradicional seminário de verão europeu dos ex-alunos de Bento XVI, o chamado Ratzinger Schülerkreis, centralizado este ano no tema “Resultados e questões ecumênicas no diálogo com o luteranismo e o anglicanismo“.

Na missa, Papa Bento XVI fez sua homilia a partir da leitura do Deuteronômio, onde se lê que Israel, único dentre todos os povos, recebe de Deus a lei, lei que dá a verdadeira salvação. Trata-se de um dom do qual alegrar-se, não um fruto da própria genialidade que possa gerar triunfalismo, observou o Papa.

Desse modo, a Igreja, um Israel que se tornou universal, só pode alegrar-se pelo dom de Cristo, que é o núcleo essencial da Lei, Lei feita carne, Amor de Deus por nós. Recebemos a sabedoria que é verdade, sabemos viver e morrer, porque Cristo é a vida e a verdade. Não há espaço para nenhum triunfalismo, mas somente para a alegria e a gratidão pelo presente recebido, que não foi feito por nós.

O Papa ressaltou que, com o passar do tempo, costumes humanos foram acrescentados ao dom de Deus, escondendo a sabedoria dada por Ele. Esses acréscimos podem levar a Igreja ao chamado triunfalismo, a louvar a si mesma.

Desse modo, nesta fase, vemos somente aquilo que foi feito por nós, não mais encontramos a alegria da fé. Assim não mais ousamos dizer que Deus nos ensinou a verdade e nos ensinou o que é o homem.

Mas hoje – observou o Santo Padre –, os conceitos de verdade e intolerância estão quase fundidos entre si; desse modo, afirmar ter a verdade torna-se sinônimo de intolerância. E nós cristãos não mais ousamos crer ou falar em verdade.

De fato, é verdade, ponderou: ninguém pode dizer “Tenho a verdade”, porque somos nós que pertencemos à verdade que é algo vivo! Não a possuímos, é ela que nos segura; e permanecemos nela somente se nos deixamos conduzir e impelir por ela.

Creio que devemos aprender novamente este “não ter a verdade”, afirmou. Ninguém pode dizer “Tenho filhos”, porque não são um nosso pertence, são um presente, e são um dom de Deus e uma tarefa.

Do mesmo modo, também não podemos dizer “Tenho a verdade”, mas a verdade, que é o próprio Cristo, veio até nós, e na Eucaristia veio até mesmo dentro de nós para purificar-nos das nossas misérias, do nosso egoísmo que faz o cristianismo parecer apenas um sistema de costumes.

E assim devemos aprender novamente a fazer-nos conduzir pela verdade. E então por meio de nós a verdade poderá novamente brilhar para a salvação do mundo.

Bento XVI fez uma observação tomando como referência a Carta de São Tiago, onde convida a se colocar em prática a Palavra, não sendo somente ouvintes.

É uma exortação a não realçar a dimensão intelectual da fé e da Teologia, frisou. Muitas vezes, quando leio tantas coisas inteligentes, temo justamente isso: que a Teologia se torne uma questão de intelecto que não compenetra a nossa vida e que, portanto, não nos leva à verdade.

Portanto, é um convite justamente a nós, teólogos: não somente ouvir, mas deixar-se forjar pela verdade e deixar-se conduzir por ela, concluiu.