Arquivo do mês: outubro 2012

A nossa Fé

Caros irmãos e irmãs, hoje gostaria de refletir com vocês sobre uma questão fundamental: o que é a fé? Há ainda um sentido para a fé em um mundo em que a ciência e a técnica abriram horizontes até pouco tempo impensáveis? O que significa crer hoje? De fato, no nosso tempo é necessária uma renovada educação para a fé, que inclua um certo conhecimento das suas verdades e dos eventos da salvação, mas que sobretudo nasça de um verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo, de amá-lo, de confiar Nele, de modo que toda a vida seja envolvida.

Hoje, junto a tantos sinais do bem, cresce ao nosso redor também um certo deserto espiritual. Às vezes, tem-se a sensação, a partir de certos acontecimentos dos quais temos notícia todos os dias, que o mundo não vai para a construção de uma comunidade mais fraterna e mais pacífica; as mesmas ideias de progresso e de bem estar mostram também as suas sombras. Não obstante a grandeza das descobertas da ciência e dos sucessos da técnica, hoje o homem não parece tornar-se verdadeiramente livre, mais humano; permanecem tantas formas de exploração, de manipulação, de violência, de abusos, de injustiça…Um certo tipo de cultura, então, educou a mover-se somente no horizonte das coisas, do factível, a crer somente no que se vê e se toca com as próprias mãos. Por outro lado, porém, cresce também o número daqueles que se sentem desorientados e, na tentativa de ir além de uma visão somente horizontal da realidade, estão dispostos a crer em tudo e no seu contrário. Neste contexto, surgem algumas perguntas fundamentais, que são muito mais concretas do que parecem à primeira vista: que sentido tem viver? Há um futuro para o homem, para nós e para as novas gerações? Em que direção orientar as escolhas da nossa liberdade para um êxito bom e feliz da vida? O que nos espera além do limiar da morte?

Destas perguntas insuprimíveis, aparece como o mundo do planejamento, do cálculo exato e do experimento, em uma palavra o saber da ciência, embora importante para a vida do homem, sozinho não basta. Nós precisamos não somente do pão material, precisamos de amor, de significado e de esperança, de um fundamento seguro, de um terreno sólido que nos ajuda a viver com um senso autêntico também nas crises, na escuridão, nas dificuldades e nos problemas cotidianos. A nos dá propriamente isto: é um confiante confiar em um “Tu”, que é Deus, o qual me dá uma certeza diversa, mas não menos sólida daquela que me vem do cálculo exato ou da ciência. A fé não é um simples consentimento intelectual do homem e da verdade particular sobre Deus; é um ato com o qual confio livremente em um Deus que é Pai e me ama; é adesão a um “Tu” que me dá esperança e confiança. Certamente esta adesão a Deus não é privada de conteúdo: com essa sabemos que Deus mesmo se mostrou a nós em Cristo, fez ver a sua face e se fez realmente próximo a cada um de nós. Mais, Deus revelou que o seu amor pelo homem, por cada um de nós, é sem medida: na Cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem, nos mostra do modo mais luminoso a que ponto chega este amor, até a doação de si mesmo, até o sacrifício total. Com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até o fundo na nossa humanidade para trazê-la de volta a Ele, para elevá-la à sua altura.

  A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, diante do mal e da morte, mas é capaz de transformar cada forma de escravidão, dando a possibilidade da salvação.Ter fé é encontrar este “Tu”, Deus, que me apoia e me concede a promessa de um amor indestrutível que não só aspira à eternidade, mas a doa; é confiar em Deus com a atitude de uma criança, que sabe bem que todas as suas dificuldades, todos os seus problemas estão seguros no “Tu” da mãe. E esta possibilidade de salvação através da fé é um dom que Deus oferece a todos os homens. Penso que deveríamos meditar mais vezes – na nossa vida cotidiana, caracterizada por problemas e situações às vezes dramáticas – sobre o fato de que crer de forma cristã significa este abandonar-me com confiança ao sentido profundo que apoia a mim e ao mundo, aquele sentido que nós não somos capazes de dar, mas somente de receber como dom, e que é o fundamento sobre o qual podemos viver sem medo. E esta certeza libertadora e tranquilizante da fé, devemos ser capazes de anunciá-la com a palavra e de mostrá-la com a nossa vida de cristãos.

Ao nosso redor, porém, vemos cada dia que muitos permanecem indiferentes ou recusam-se a acolher este anúncio. No final do Evangelho de Marcos, hoje temos palavras duras do Ressuscitado que diz: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 16), perde a si mesmo. Gostaria de convidá-los a refletir sobre isso. A confiança na ação do Espírito Santo nos deve impulsionar sempre a ir e anunciar o Evangelho, ao corajoso testemunho da fé; mas para além da possibilidade de uma resposta positiva ao dom da fé, há também o risco de rejeição ao Evangelho, do não acolhimento ao nosso encontro vital com Cristo. Santo Agostinho já colocava este problema em seu comentário da parábola do semeador: “Nós falamos – dizia – lançamos a semente, espalhamos a semente. Existem aqueles que desprezam, aqueles que reprovarão, aquelas que zombam. Se nós temos medo deles, não temos mais nada a semear e no dia da ceifa ficaremos sem colheita. Por isso venha a semente da terra boa” (Discurso sobre a disciplina cristã, 13, 14: PL 40, 677-678). A recusa, portanto, não pode nos desencorajar. Como cristãos, somos testemunhas deste terreno fértil: a nossa fé, mesmo nas nossas limitações, mostra que existe a terra boa, onde a semente da Palavra de Deus produz frutos abundantes de justiça, de paz e de amor, de nova humanidade, de salvação. E toda a história da Igreja, com todos os problemas, demonstra também que existe a terra boa, existe a semente boa, e dá fruto.

Mas perguntamos: onde atinge o homem aquela abertura do coração e da mente para crer no Deus que se fez visível em Jesus Cristo morto e ressuscitado, para acolher a sua salvação, de forma que Ele e seu Evangelho sejam o guia e a luz da existência? Resposta: nós podemos crer em Deus porque Ele se aproxima de nós e nos toca, porque o Espírito Santo, dom do Ressuscitado, nos torna capazes de acolher o Deus vivo. A fé então é primeiramente um dom sobrenatural, um dom de Deus. O Concílio Vaticano II afirma: “Para que se possa fazer este ato de fé, é necessária a graça de Deus que previne e socorre, e são necessários os auxílios interiores do Espírito Santo, o qual mova o coração e o volte a Deus, abra os olhos da mente, e doe ‘a todos doçura para aceitar e acreditar na verdade’” (Cost. dogm. Dei Verbum, 5). Na base do nosso caminho de fé existe o Batismo, o Sacramento que nos doa o Espírito Santo, fazendo-nos tornar filhos de Deus em Cristo, e marca o ingresso na comunidade de fé, na Igreja: não se crê por si próprio, sem a vinda da graça do Espírito; e não se crê sozinho, mas junto aos irmãos. A partir do Batismo, então, cada crente é chamado a re-viver e fazer própria esta confissão de fé, junto aos irmãos.

A fé é dom de Deus, mas é também ato profundamente livre e humano. O Catecismo da Igreja Católica o diz com clareza: “É impossível crer sem a graça e os auxílios interiores do Espírito Santo. Não é, portanto, menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade e nem à inteligência do homem” (n. 154). Na verdade, as implica e as exalta, em uma aposta de vida que é como um êxodo, isso é, uma saída de si mesmo, de suas próprias seguranças, de seus próprios pensamentos, para confiar na ação de Deus que nos indica o seu caminho para conseguir a verdadeira liberdade, a nossa identidade humana, a alegria verdadeira do coração, a paz com todos. Crer é confiar com toda a liberdade e com alegria no plano providencial de Deus na história, como fez o patriarca Abramo, como fez Maria de Nazaré.

A fé, então, é um consentimento com o qual a nossa mente e o nosso coração dizem o seu “sim” a Deus, confessando que Jesus é o Senhor.

E este “sim” transforma a vida, a abre ao caminho para uma plenitude de significado, a torna então nova, rica de alegria e de esperança confiável.

Caros amigos, o nosso tempo requer cristãos que foram apreendidos por Cristo, que cresçam na fé graças à familiaridade com a Sagrada Escritura e os Sacramentos. Pessoas que sejam quase um livro aberto que narra a experiência da vida nova no Espírito, a presença daquele Deus que nos sustenta no caminho e nos abre à vida que nunca terá fim. Obrigado.

Papa Bento XVI

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O Combate Espiritual – Capítulo V

Se é preciso gloriar-se, é de minhas fraquezas que me gloriarei!”
(II Coríntios 11,30)

De um erro de muitos, que tem a pusilanimidade por Virtude

É uma ilusão comum a muitos tomar como virtude o medo e a confusão que tomam conta da alma depois do pecado. Enganados pelo sentimento de dor que se mistura com a inquietação, estas pessoas não se apercebem que seus problemas nascem de um orgulho oculto e uma presunção tola. Elas confiam em suas próprias forças; e quando, pela experiência do erro, percebem que estas forças não lhes são suficientes, elas se perturbam e ficam surpresas com suas quedas, sendo para elas algo inesperado; e vendo derrubado o apoio frágil que lhes asseguravam, elas caem no desânimo e medo.

Não sucede assim ao humilde, o qual confiando só no seu Deus e nada presumindo  de si, em qualquer falta que ele cometa, ainda que lhe pese e esteja arrependido amargamente, ele não se inquieta nem se espanta, pois a tocha da verdade ilumina-o para que enxergue que tudo o que lhe sucedeu é proveniente de sua miséria e sua fraqueza.

O Combate Espiritual – Capítulo IV

Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo,
e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus
.”
(1 Coríntios 6:19-20)

Como se pode saber se temos desconfiança de si mesmo e a confiança em Deus

Parece às vezes ao servo presumido, que tem alcançada a desconfiança de si e a confiança em Deus, e em verdade não é bem assim. Apurareis esta verdade a partir do efeito que as quedas produzirão sobre vós.

Porque, se estas quedas vos inquietam e vos afligem, e se elas vos tiraram a esperança de jamais avançar na virtude, isto é um sinal de que não colocastes vossa confiança em Deus, mas em vós mesmos.

E se vossa tristeza é grande e vossa desesperança profunda, isto é uma marca de que haveis muita confiança em vós mesmos e muito pouca no Senhor. De fato,  o homem que em grande parte desconfia de si mesmo e confia em Deus, quando cai, não se espanta, nem se melancoliza, nem se aflige pois reconhece que lhe sucedeu o mal por causa da sua fraqueza e da sua pouca confiança em Deus. Ele encontra nesta queda ocasião de se desconfiar mais e mais de suas forças e contar plenamente com a ajuda do Senhor. Horrorizado com suas  faltas e paixões desregradas, e com grande, quieta e pacífica dor de ter ofendido a Deus, retoma o seu caminho com redobrada coragem e ardor na luta que ele sustentará até a morte contra os inimigos da salvação.

Quisera eu que essas coisas fossem bem consideradas por certas pessoas que, após uma queda, não podem nem querem sossegar; que aspirassem ir o mais cedo possível encontrar seu pai espiritual para que pudessem se descarregar da ansiedade e inquietação que, tão e somente, procede do seu amor próprio. Dele ouvirão que o melhor a se fazer é se aproximarem do tribunal da penitência para se purificarem de suas sujeiras, e depois irem clamar na Santa Comunhão as forças necessárias para não mais caírem no pecado.

Nossa Senhora do Rosário

Hoje, dia de Nossa Senhora do Rosário, Padre Paulo Ricardo nos recordou  (assista vídeo ao fim do post) que para o católico que crê na intervenção do sobrenatural, o Rosário já se demonstrou historicamente como uma arma de eficácia extraordinária. Disso nos lembra o Santo Padre o Papa Leão XIII na encíclica Supremi Apostolatus Officio (01/09/1883). Seja contra a heresia, seja contra as armadas inimigas, Nossa Senhora do Rosário demonstrou-se grande Auxiliadora dos Cristãos e a Mãe que conduz seus filhos à Vitória.

Cito abaixo alguns trechos desta encíclica e dois links no qual poderão participar desse exército em oração e pedir o grande auxílio da Virgem através do Santo Rosário.

Desde quando tal forma de oração (santo Rosário) ensinada por S. Domingos, foi abraçada e devidamente praticada pelo povo cristão, de um lado começaram a revigorar-se a piedade, a fé e a concórdia, e, de outro, foram por toda parte quebradas as manobras e as insídias dos hereges. Além disto, muitíssimos errantes foram reconduzidos à trilha da salvação, e a loucura dos ímpios foi esmagada por aquelas armas que os católicos haviam empunhado para reprimir a violência. […]

Assim Urbano IV afirmou que “cada dia o povo cristão recebe novas graças por meio do Rosário“; Sixto IV proclamou que esta forma de oração “é oportuna, não só para promover a honra de Deus e da Virgem, mas também para afastar os perigos que o mundo nos prepara“; Leão X disse-a “instituída contra os heresiarcas e contra o serpear das heresias“; e Júlio III chamou-lhe “ornamento da Igreja de Roma“. Igualmente Pio V, falando desta oração, disse que, “ao difundir-se ela, os fiéis, inflamados por aquelas meditações e afervorados por aquelas preces, começaram de repente a transformar-se com outros homens; as trevas das heresias começaram dissipar-se, e mais clara começou a manifestar-se a luz da fé católica“. Finalmente, Gregório XIII declarou que “o Rosário foi instituído por S. Domingos para aplacar a ira de Deus e para obter a intercessão da bem-aventurada Virgem“. […]

O fato mais doloroso e mais triste de todos é que tantas almas, remidas pelo sangue de Cristo, como que arrebatadas pelo turbilhão desta época transviada, vão-se precipitando numa conduta sempre mais depravada, e se abismam na eterna ruína; por isto a necessidade do divino auxílio certamente não é menor hoje do que a que era sentida quando o grande Domingos, para curar as feridas da sociedade, introduziu a prática do Rosário mariano. Iluminado do alto, ele viu claramente que para os males do seu tempo não havia remédio mais eficaz do que reconduzir os homens a Cristo, que é “caminho, verdade e vida”, mediante a freqüente meditação da Redenção por Ele operada; e interpor junto a Deus a intercessão dessa Virgem a quem foi concedido “aniquilar todas as heresias”.”

O Combate Espiritual – Capítulo III

Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus
(2 Coríntios 3:3-5)

DA confiança em deus

Ainda que a própria desconfiança seja tão necessária neste Combate, como vimos; contudo, se só dela temos por defesa, seremos em breve forçados a nos pôr em fuga ou a nos tomar como vencidos e desarmados pelo inimigo. Daí vem que além da desconfiança de nós mesmos, necessitamos da total confiança em Deus, dele só e nele só esperarmos todo o bem, todo o socorro e as graças que asseguram a vitória. (cf. Sl 60:11-12 ; 2Co 1:9 )

Ponde vossa confiança no Senhor e estareis seguros;”
(2 Crônicas 20:20)

Como é verdade que de nós, que somos nada, não podemos prometer outra coisa além de misérias e ruínas, donde devemos desconfiar totalmente de nossas forças;  também é certo que o Senhor nos fará vencer nossos inimigos se, para alcançar seus santos auxílios,  fortalecermos o nosso coração de uma viva confiança Nele (cf. Ro 10:11 ; 1Pe 5:5-11). E nós temos quatro meios de alcançar esta virtude.

O primeiro meio: pedindo a Deus. (cf. Ro 8:26 ; 1Jo 5:14)

O segundo meio:  considerando e vendo com os olhos da fé a Onipotência e Sabedoria infinita de sua Divina Majestade, a quem nada é impossível  ou dificultoso; sendo sua bondade sem limitação, seu inefável amor disposto a dar-nos de hora em hora, de momento em momento, toda a ajuda que precisamos para viver a vida espiritual e superarmos a nós mesmos. E a única coisa que Ele nos pede é que nos joguemos com total confiança nos braços de sua misericórdia. (cf. 1Jo 4:16 ; 2Tm 1:7 ; Mt 19:26)

E como será possível que o nosso divino Pastor, que, por trinta e três anos, correu atrás da ovelha perdida com gritos tão fortes e por caminho tão trabalhoso e espinhoso, que nele derramou todo o seu sangue e perdeu até mesmo a vida;  agora que a ovelha corre atrás Dele com a obediência de seus santos mandamentos, ou pelo menos  com o desejo (ainda que às vezes fraco, mas sincero) de lhe obedecer, chamando-o e puxando por Ele; como será possível, digo, que Ele não a veja com aqueles seus olhos de vida? Não a ouça, e não a ponha sobre os seus ombros divinos, festejando-a com todos os seus vizinhos e com os Anjos de sua glória? (cf. Mt 15:24-25 ; Ez 34:16 ; Lc 15:4-6)

Que, se não deixa o nosso misericordioso Senhor de buscar com grande amor e cuidado, e de achar na Drama do Evangelho o pecador cego e mudo, como será possível que largue aquele, que como ovelha perdida, brada e grita ao seu Pastor. (cf. Jo 9:1-7 ; Lc 11:14)

E quem poderá crer, que Deus, o qual bate sem cessar a porta de nosso coração com o desejo imenso de entrar e de cear nele, comunicando-lhe largamente seus dons; pode se fazer de desentendido, surdo e não queira entrar a esse coração que se abre e implora a sua visita?

O terceiro meio de adquirir esta salutar confiança: recorrer com a memória às verdades da Sagrada Escritura, que em mil lugares nos mostra claramente, que não ficou jamais confundido quem confiou em Deus. (cf. Ro 10:11 ; Fp 1:20 ; 1Pe 2:6)

O quarto modo, que servirá juntamente para adquirir a desconfiança de nós mesmos e a confiança em Deus, é o seguinte: não formemos nenhum projeto e nem tomemos nenhuma resolução dos quais não tenhamos antes considerado nossa fraqueza; munidos então de uma sábia desconfiança de nós mesmos, viremos nosso olhar para o poder, a sabedoria e a bondade de Deus e, cheios de confiança Nele, tomemos a resolução de agir e de combater generosamente; com estas armas unidas a oração (como diremos mais tarde) vamos obrar e combater. (cf. 2Co 12:9 ; 2Co 13:4 ; Ro 6:19)

Se não guardamos esta ordem, corremos grande risco de nos enganarmos, mesmo quando tudo parece nos indicar que a confiança em Deus é o princípio de nossas ações. Porque é tão natural ao homem a presunção de si mesmo, e esta é tão sutil, que permeia o nosso entendimento em nosso coração e se mistura imperceptivelmente na desconfiança de nós mesmos e na confiança que temos em Deus.

Estejamos pois, o quanto possível  em guarda contra à presunção e,  para estabelecer nossas obras sobre essas duas virtudes opostas a esse vício, tomando cuidado de que a consideração de nossa fraqueza vá sempre adiante da consideração da Onipotência de Deus, e ambas estas precedam as nossas ações. (cf. 2Co 10:18 ; Pv 28:26 ; 1Jo 2: 16)