Arquivo do mês: novembro 2012

Meu Verdadeiro Amor

« Quando acordo de manhã,
Tu estás lá.

Quando durmo à noite,
Tu estás ao meu lado.

Para que faça minhas tarefas da casa durante o dia,
Tu me dás a força.

Quando me sinto sozinha e rejeitada,
Tu tocas meu coração.

Quando eu estou triste ou me sinto doente,
Tu me consolas.

Quando eu desobedeço ou Te rejeito,
Tu me perdoas.

Quando eu me desvio de Teu lado,
Tu me guias.

Quando tenho necessidade de dividir meus pensamentos mais profundos,
Tu me escutas sempre.

Quando eu sou alegre e feliz,
Tu compartilhas minha alegria.

Quando eu estou perdida e nervosa,
Tu me consolas.

Quando eu Te chamo,
Tu me abraças.

Quando eu tenho fome e sede,
Tu me alimentas.

Quando eu tenho necessidade de algo material,
Tu provéns.

Jesus amigo

Como posso eu Te agradecer, quando jamais Te retribuirei parecido, meu Verdadeiro Amor, por tudo que Tu me dás? Bem que eu tento ser dedicada, eu falho miseravelmente cada dia. Meu desejo é que Tu estejas feliz vendo-me seguir Suas ordens todos os dias da minha vida. Pois minha constante troca conTigo e Sua escuta, nossa comunicação e nossa sinceridade me asseguram sempre um amanhã melhor.

Perdoa-me, Meu Bem-Amado, minha grande negligência, minha ira, minha falta de confiança e minha impaciência constante. Continue a me guiar, me encorajar, me ensinar, me proteger pois conto com Sua grande força. Eu hesito a tomar qualquer decisão sem Teu consentimento. Eu quero jamais ser separado de Ti, Meu Amor. Como Tu me tens hoje, permita-me permanecer junto de Ti para sempre, em Tua presença eternamente

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Breve mensagem de Santa Teresa de Lisieux

“Que hoje você tenha a paz interior.

Que você possa fazer confiança no poder superior de ser colocado exatamente lá onde você deve estar.

Que você não esqueça as possibilidades sem limites que nascem da fé.

Que você faça uso dos dons que recebeu, e faça fluir o amor que lhe foi dado.

Que você seja sereno para saber que és um filho de Deus.

Deixe essa presença penetrar seus ossos, e dar à alma a liberdade de cantar, dançar, adorar e amar.

Ela esta aí para cada um e cada uma dentre vós.”

Santa Teresa de Lisieux

O Combate Espiritual – Capítulo VII

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm;
todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”
(1 Coríntios 10:23)

Um bom uso dos poderes e primeiramente que se tenha a inteligência em guardar-se da ignorância e da curiosidade

Se a desconfiança de nós mesmos e a confiança em Deus são as nossas únicas armas neste Combate, então não somente não alcançaremos a vitória, como também cairemos em ruínas maiores. E é por isso que devemos a estas armas adicionar uma terceira que já mencionamos antes: o exercício de nossas faculdades. Este exercício se há de fazer principalmente com o entendimento e com a vontade.

Quanto ao entendimento, havemos de  guardá-lo de duas coisas que costumam o perverter. Uma é a ignorância, que o ofusca e o impede de conhecer seu próprio objeto: a verdade. E é com o exercício que o havemos de aclarar e apurar, para que possa bem ver e conhecer o que deve ser feito para afastar a alma das paixões desordenadas e orná-la com as santas virtudes.

Esta luz se pode alcançar de duas maneiras. A primeira e a mais importante é a oração: rogando ao Espírito Santo que ilumine nossos corações. Ele não nos recusará sua luz sagrada se procurarmos a Deus sinceramente, com desejo de fazer sua santa vontade, e se pusermos tudo, até o nosso juízo, aos pés de nossos confessores. A segunda é uma contínua aplicação do espírito a examinar às coisas cuidadosamente e de boa fé, para  julgá-las conforme os ensinamentos do Espírito Santo, e não de acordo com a lei do mundo, que apresentada pelos sentidos avalia apenas como parecem ser de fora.

Este exame devidamente feito nos convence de que o que o mundo corrompido ama, deseja e procura com tanta prontidão é nada mais que ilusão e mentira; que as honras e os prazeres da terra não são mais que vaidade e aflição do espírito; que as injúrias e as afrontas, de que o mundo nos carrega, produzem glória verdadeira, e as tribulações alegria; que o perdoar aos inimigos e amá-los constitui a verdadeira grandeza da alma e nossa maior semelhança com Deus; que vale mais desprezar o mundo que ser Rei dele; que obedecer de boa vontade, por amor de Deus, às criaturas mais vis é coisa mais grandiosa e generosa  que a dominação exercida sobre os maiores Príncipes;  que havemos de prezar mais o humilde conhecimento de nós mesmos que a superioridade de todas as ciências; e que o vencer e mortificar os próprios apetites, por menores que sejam, merece maior louvor e estimação que o conquistar muitas cidades, vencer com armas na mão exércitos poderosos, fazer milagres e ressuscitar mortos.

Trechos do Diário de Santa Faustina – Parte I

O Diário da Irmã Faustina, escrito durante os últimos quatro anos de sua vida por expressa ordem de Nosso Senhor, tem a forma de um memorial em que a Autora vai anotando, sequencialmente e retrospectivamente, sobretudo os “toques” e contatos da sua alma com Deus.

Toda a sua vida se concentrava numa efetiva aspiração a uma união cada vez mais plena com Deus e à colaboração generosa com Jesus na obra da salvação das almas.

Segue abaixo trechos extraídos do Diário para que o leitor tome conhecimento de como essa obra é maravilhosa, pois nos faz recordar de uma verdade de fé, desde há séculos conhecida, mas bastante esquecida: o amor misericordioso de Deus para com o homem.

A Vossa Santa Vontade é a vida da minha alma.”
(Caderno I, pág. 3)

“Deus encheu a minha alma de luz interior e de um melhor conhecimento d’Ele como sumo bem e suma beleza. Compreendi quanto Deus me amava. É eterno o Seu amor para comigo.”
(Caderno I, pág. 5)

Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da Guarda não se afastava de mim nem por um momento. E perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior sofrimento delas era a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas do Purgatório. As almas chamam a Maria “Estrela do Mar”. Ela lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saímos pela porta dessa prisão de sofrimento. [Ouvi então uma voz interior] que me dizia: A Minha misericórdia não deseja isto, mas a justiça o exige. A partir desse momento, me encontro mais unida às almas sofredoras.”
(Caderno I, pág. 7)

A Irmã deve ter sempre uma grande confiança; Deus é sempre Pai, mesmo na provação.”
(Caderno I, pág. 10)

Uma vez ouvi estas palavras: Vai falar com a Superiora e pede que te permita fazer diariamente uma hora de adoração, durante nove dias; nessa adoração, procura unir a tua oração à de Minha Mãe. Reza de coração em união com Maria e, também, procura durante esse tempo fazer a Via-sacra.”
(Caderno I, pág. 13)

Oh! Se desde o início tivesse tido um diretor espiritual, não teria desperdiçado tantas graças divinas. Um confessor pode ajudar muito à alma, mas pode também estragar muita coisa. Oh! Quanto os confessores devem dar atenção à ação da graça de Deus nas almas de seus penitentes; isso é muito importante. Pelas graças concedidas à alma pode-se conhecer o grau da sua intimidade com Deus.”
(Caderno I; pág. 13)

(Em uma visão do purgatório) “Jesus disse: Basta uma só coisa. Tu descerás à Terra e sofrerás muito, mas não por muito tempo, e cumprirás a Minha vontade e os Meus desejos; um fiel servo Meu te ajudarás a cumpri-los. Agora reclina sua cabeça sobre o Meu peito, sobre o Meu coração, e tira dele força e vigor para todos os sofrimentos, porque em nenhum lugar encontrarás alívio, ajuda ou consolo. Deves saber que sofrerás muito, muitíssimo  mas não te assustes com isso: Eu estou contigo.”
(Caderno I, pág. 14)

Nossa Senhora que me ensinou a amar a Deus interiormente e em tudo cumprir a Sua santa vontade. Sois alegria, ó Maria , porque por Vós Deus desceu à Terra e ao meu coração.”
(Caderno I, pág. 15)

Os sofrimentos e as contrariedades no começo de minha vida religiosa me assustavam e me tiravam a coragem. Era por isso que rezava sem cessar para que Nosso Senhor me fortalecesse e me desse a força do Seu Santo Espírito, a fim de que eu pudesse cumprir em tudo a Sua santa vontade, porque desde o início conhecia e reconheço a minha fraqueza. Sei bem o que sou por mim mesma, por isso Jesus desvendou aos olhos da minha alma todo o abismo da miséria que eu sou, e por isso compreendo bem que tudo que há  de bom na minha alma é unicamente a Sua santa graça. Esse reconhecimento da minha miséria me permite ao mesmo tempo conhecer o abismo da Vossa misericórdia  Na minha vida interior olho com um dos olhos para o abismo da minha miséria e maldade e com outro, para o abismo da Vossa misericórdia, ó Meu Deus.”
(Caderno I, pág. 22)

O sofrimento é uma grande graça. Pelo sofrimento, a alma assemelha-se ao Salvador; no sofrimento, cristaliza-se o amor. Quanto maior o sofrimento, tanto mais puro torna-se o amor.”
(Caderno I, pág. 23)

Ao final da Ladainha vi uma grande claridade e, no meio dela, Deus Pai. Entre essa claridade e a Terra, vi Jesus pregado na cruz e de tal maneira que Deus, querendo olhar para a Terra – tinha que olhar pelas Chagas de Jesus. E compreendi que, por Jesus, Deus abençoava a Terra.”
(Caderno I, pág. 24)

Ó tesouro inesgotável da pureza da intenção, que tornas todas as nossas ações perfeitas e tão agradáveis a Deus.”
(Caderno I, pág. 27)

Certo dia, queixava-me a Jesus por constituir um peso para as Irmãs (pois estava doente). Jesus respondeu-me: Não vives para ti mesma, mas para as almas. Dos teus sofrimentos terão proveito outras almas. O teu contínuo sofrimento lhes dará luz e forças para se conformarem a Minha vontade.”
(Caderno I, pág. 27)

Jesus, Verdade eterna, fortificai as minhas tênues forças. Vós, Senhor, tudo podeis. Sei que nada valem os meus esforços sem Vós. Ó Jesus, não Vos escondais de mim, porque sem Vós não posso viver. Ouvi as súplicas da minha alma! Não se esgotou, Senhor, a Vossa misericórdia  portanto tende compaixão da minha miséria. A Vossa misericórdia excede o entendimento dos Anjos e dos homens justos e, embora me pareça que não me ouvis, coloquei minha confiança no mar da Vossa misericórdia e sei que a minha esperança não será desiludida.”
(Caderno I, pág. 29)

Não me atrasarei em um só passo para Vós, ainda que espinhos firam os meus pés.”
(Caderno I, pág. 29)

Meu Jesus, guiai a minha mente, tomai plena posse de todo o meu ser, encerrai-me no fundo do Vosso Coração e defendei-me dos ataques do inimigo. Em Vós está a minha única esperança. Falai pelos meus lábios quando eu estiver com os poderosos e os sábios,  eu completa miséria, para que reconheçam que a causa é Vossa e de Vós procede.”
(Caderno I, pág. 32)

Ó Maria, minha doce Mãe

Ó Maria, Virgem Imaculada,
Cristal puro para o meu coração,
Tu és minha força, ó âncora firme,
Tu és o escudo e a proteção do coração fraco.

Ó Maria, Tu és pura e incomparável,
Virgem e Mãe ao mesmo tempo,
Tu és bela como o sol, sem mancha alguma,
Nada pode se comparar com a imagem da tua alma.

Tua beleza encantou o olhar do Três Vezes Santo,
Que desceu do Céu, abandonando o trono da sede eterna,
E assumiu o corpo e o sangue do teu coração,
Por nove meses ocultando-se no coração da Virgem.

Ó Mãe, Virgem, ninguém compreenderá
Que o Deus incomensurável se torne homem,
E apenas por Seu amor e Sua misericórdia insondável,
Por ti, ó Mãe, nos foi dado viver com Ele pelos séculos.

Ó Maria, Mãe virgem e Porta do Céu,
Por Ti nos veio a salvação,
E toda graça flui para nós por tuas mãos,
E apenas a fiel imitação de ti me santificará.

Ó Maria, Virgem – Lírio mais belo,
Teu coração foi o primeiro sacrário de Jesus na Terra,
E só porque a tua humildade foi a mais profunda,
Foste levada acima dos coros dos Anjos e dos Santos.

Ó Maria, minha doce Mãe, entrego-te minha alma,
Meu corpo e meu pobre coração,
Seja a guardiã da minha vida,
Especialmente na hora da morte, na última luta.

Fonte: Diário de Santa Faustina – Caderno I, página 76.

Oração de entrega ao Imaculado Coração de Maria

No dia 25 de Março de 1984, na Praça de S. Pedro, em união espiritual com todos os Bispos do mundo precedentemente convocados, o Beato João Paulo II fez a entrega dos homens e dos povos ao Imaculado Coração de Maria pela seguinte oração:

« ó Mãe dos homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos diretamente ao vosso Coração: Abraçai, com amor de Mãe e de Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.

De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade.

À vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus! Não desprezeis as súplicas que se elevam de nós que estamos na provação!.

Encontrando-nos hoje diante Vós, Mãe de Cristo, diante do vosso Imaculado Coração, desejamos, juntamente com toda a Igreja, unir-nos à consagração que, por nosso amor, o vosso Filho fez de Si mesmo ao Pai:

“Eu consagro-Me por eles, para eles serem também consagrados na verdade”
(Jo 17, 19)

Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Coração divino, tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação.

A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as nações; e supera todo o mal, que o espírito das trevas é capaz de despertar no coração do homem e na sua história e que, de fato, despertou nos nossos tempos.

Oh quão profundamente sentimos a necessidade de consagração pela humanidade e pelo mundo: pelo nosso mundo contemporâneo, em união com o próprio Cristo! Na realidade, a obra redentora de Cristo deve ser participada pelo mundo por meio da Igreja.

Bendita sejais acima de todas as criaturas Vós, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento Divino! Louvada sejais Vós, que estais inteiramente unida à consagração redentora do vosso Filho!

Mãe da Igreja! Iluminai o Povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade! Iluminai de modo especial os povos dos quais Vós esperais a nossa consagração e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagração de Cristo por toda a família humana do mundo contemporâneo.

Confiando-Vos, ó Mãe, o mundo, todos os homens e todos os povos, nós Vos confiamos também a própria consagração do mundo, depositando-a no vosso Coração materno.

Oh Imaculado Coração! Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal, que se enraíza tão facilmente nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a vida presente e parece fechar os caminhos do futuro!

Da fome e da guerra, livrai-nos!

Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável, e de toda a espécie de guerra, livrai-nos!

Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos!

Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos!

De todo o gênero de injustiça na vida social, nacional e internacional, livrai-nos!

Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos!

Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos!

Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos!

Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos!

Acolhei, ó Mãe de Cristo, este clamor carregado do sofrimento de todos os homens! Carregado do sofrimento de sociedades inteiras!

Ajudai-nos com a força do Espírito Santo a vencer todo o pecado: o pecado do homem e o “pecado do mundo”, enfim o pecado em todas as suas manifestações.

Que se revele uma vez mais, na história do mundo, a força salvífica infinita da Redenção: a força do Amor misericordioso! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no vosso Imaculado Coração, a luz da Esperança! »

Fonte: Mensagem de Fátima apresentada pelo Vaticano.

O Combate Espiritual – Capítulo VI

Espera no SENHOR, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração;
espera, pois, no SENHOR.”
(Salmos 27:14)

De alguns avisos úteis para adquirir a desconfiança em nós e a confiança em Deus

Como a força que nos faz triunfar sobre nossos inimigos nasce principalmente da desconfiança de nós mesmos e da confiança em Deus, vejamos alguns conselhos que nos ajudarão, através da graça, a adquirir estas virtudes.

Aprenda então e grave profundamente em sua alma esta verdade incontestável de que não há nem dons naturais ou adquiridos, nem graças gratuitas, nem conhecimento perfeito da Santa Escritura, nem constância no serviço a Deus, que possa nos fazer realizar a  Vontade de Deus se, por qualquer obra boa e aceita a seus olhos divinos que tenhamos de fazer, e por qualquer tentação que tenhamos de vencer, e por qualquer perigo de que tenhamos de fugir e por qualquer cruz que tenhamos de levar conforme a sua santa vontade, não se achar o nosso coração ajudado e levantado de uma particular mercê e graça de Deus.

É necessário então que, durante nossa vida, em todos os dias, em todas as horas e em todos os momentos, tenhamos esta verdade diante dos olhos. Deste modo, em nenhum caso e por nenhum pensamento, poderemos confiar em nós mesmos.

E no que toca a confiança em Deus, haveis de saber, que tão fácil coisa é para Deus vencer poucos inimigos como vencer muitos, e da mesma maneira os fracos e inexperientes, como os fortes e experientes. Assim, ainda que uma alma esteja carregada de pecados, ainda que tenha todos os vícios e imperfeições do mundo, ainda que seja mais imperfeita do que se pode imaginar, ainda que tenha procurado por todas as vias e exercícios deixar o pecado e viver cristãmente  mas não tenha conseguido realizar a menor das boas ações, pelo contrario, tenha seguido com maior violência a carreira do mal; contudo , nem por isso deve deixar de confiar em Deus, nem deve jamais largar as armas e exercícios espirituais, antes lutar sempre com generosidade, porque haveis de saber que neste Combate Espiritual, a vitória é prometida aos que perseveram na luta e colocam a confiança no Senhor (cf. 1 Co 15:58). Se Deus permite por vezes  que seus soldados sejam feridos, jamais Ele os abandona. (cf. Gn 28:15) Lutar, este é o segredo da vitória. (cf Tg 1:12) Um remédio esta pronto para cada ferida, e este remédio cura infalivelmente aqueles que buscam o Senhor e esperam seu resgate. O dia que eles menos esperarem, eles acharão seus inimigos estendidos aos seus pés.