Arquivo do mês: maio 2013

Como preparar-se para a morte

Aqueles que se preocupam com a salvação da própria alma, que sabem que essa vida na terra é apenas um caminho, uma passagem e que a verdadeira vida, somente será vivida na eternidade junto de Deus, têm um medo: de que a morte os encontre despreparados. Como estar atento para que isso não ocorra? Como preparar-se para a morte?

Para ajudar concretamente nessa preparação, apresento abaixo um vídeo recente do Padre Paulo Ricardo e em seguida alguns textos e orações dos santos sobre a questão.

Não há motivos para temer a morte

«O Reino de Deus está próximo» (Lc 21,31). O Reino de Deus, irmãos muito queridos, aproxima-se agora. Com o fim do mundo, anuncia-se já a recompensa da vida, a felicidade da salvação eterna, a segurança perpétua e a alegria do paraíso que outrora perdemos. E já as realidades do céu se sucedem às realidades humanas, as grandes às pequenas, as eternas às temporais. Haverá lugar à inquietação, à apreensão pelo futuro? […]

Com efeito, está escrito que «o justo viverá da fé» (Rm 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, porque não vos alegrareis então ao ser chamados para Ele […], uma vez que estais certos da promessa de Deus e destinados a estar com Cristo? Tomai o exemplo de Simeão, o justo: ele foi verdadeiramente justo e observou fielmente os mandamentos de Deus. Uma inspiração divina tinha-lhe dado a conhecer que não morreria sem primeiro ter visto a Cristo. Assim, quando Cristo, ainda criança, veio ao Templo com Sua mãe, apercebeu-se, iluminado pelo Espírito Santo, de que o Salvador tinha nascido, como lhe tinha sido predito; e, à vista d’Ele, compreendeu que a sua morte estava iminente.

Muito alegre com essa perspectiva e agora seguro de ser em breve chamado para junto de Deus, tomou a criança nos braços e exclamou, bendizendo o Senhor: «Agora, Senhor, deixarás ir em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra, pois os meus olhos viram a Salvação». Demonstrava assim e testemunhava que a paz de Deus pertence aos que O servem, que gozam da doce quietude e da liberdade, quando, subtraídos aos tormentos do mundo, alcançam o refúgio e a segurança eternos. […] É somente então que a alma encontra a paz verdadeira, o repouso total, a segurança duradoura e perpétua.

Escrito por: São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir.

A MORTE DOS SERVOS DE S. JOSÉ É CALMA E SUAVE

Entre os apócrifos encontramos a “História de José o Carpinteiro” do século II, o qual foi escrito para o uso litúrgico dos judeus-cristãos. Neste faz-se uma narrativa colocando na boca do próprio Jesus, o qual teria contado aos apóstolos, reunidos no Monte das Oliveiras, toda a vida de José, inclusive a sua morte. O Dominicano Isidoro Isolani tornou-a conhecida através de sua obra “Summa de  donis S. Joseph”, publicada em 1522. A narrativa assim exprime: “Sentei-me na cabeceira de José e minha mãe sentou-se aos seus pés… Vieram Miguel e Gabriel ao meu pai José. Assim expirou com paciência e com alegria…”. Ainda neste relato Jesus faz uma promessa a quem praticar a devoção para com São José: “Eu abençoarei e ajudarei cada pessoa da Igreja dos justos que no dia de tua memória, Ó José, oferecer um sacrifício a Deus. E quem meditar sobre tua vida, sobre teus cansaços, sobre teu Trânsito deste mundo, quando este morrer, eu cancelarei do livro os seus pecados… Na casa onde houver uma lembrança de Ti, não entrará a  doença e nem a morte improvisamente“.

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Oração de São José ao saber, pelo anjo do Senhor, que sua morte seria em breve

Ó Deus, pai de toda misericórdia e Deus de toda carne, Senhor da minha alma, de meu corpo e do meu espírito! Se é que já se cumpriram todos os dias da vida que me deste neste mundo, rogo-te, Senhor Deus, que envies o arcanjo Micael para que fique do meu lado, até que minha desditada alma saia do corpo sem dor nem turbação. Porque a morte é para todos causa de dor e turbação, quer se trate de um homem, de um animal doméstico ou selvagem, ou ainda de um verme ou um pássaro.

Em uma palavra, é muito dolorosa para todas as criaturas que vivem sob o céu e que alentam um sopro de espírito para suportar o transe de ver sua alma separada do corpo. Agora, meu Senhor, faz com que o teu anjo fique do lado da minha alma e do meu corpo e que esta recíproca separação se consuma sem dor.

Não permitas que aquele anjo que me foi dado no dia em que saí de teu seio volte seu rosto irado para mim ao longo deste caminho que empreendi até vós, mas sim que ele se mostre amável e pacífico. Não permitas que aqueles cujas faces mudam dificultem a minha ida até vós. Não consintas que minha alma caia em mãos do cérbero e não me confundas em teu formidável tribunal. Não permitas que as ondas deste rio de fogo, nas quais serão envolvidas todas as almas antes de ver a glória de teu rosto, voltem-se furiosas contra mim.

Ó Deus, que julgais a todos na Verdade e na Justiça, oxalá tua misericórdia sirva-me agora de consolo, já que sois a fonte de todos os bens e a ti se deve toda a glória pela eternidade das eternidades!

Amém.

Fonte: Livro Apócrifo da Bíblia sobre a vida de São José

Santa Teresa narra as circunstâncias que acompanhavam os últimos instantes das suas primeiras filhas, muito devotas a S. José. « Observei, disse ela, que ao momento do último respiro elas gozavam de grande paz e tranquilidade; a morte delas foi simili ao doce repouso da oração. Nada indicava que dentro delas tivesse agitação da tentação. Aquelas luzes divinas liberam o meu coração do timor da morte. Morrer, me parece agora, a coisa mais fácil para uma fiel devota de S. José».

* Oração a São José para pedir a graça da boa morte

São José, 
que morrestes nos braços de Jesus e Maria, 
meu amável protetor, 
socorrei-me em todas as necessidades 
e perigos da vida, 
mas principalmente na hora suprema, 
vindo suavizar minhas dores, 
enxugar minhas lágrimas, 
fechar suavemente meus olhos, 
enquanto pronunciar 
os dulcíssimos nomes: 
Jesus, Maria, José, 
salvai a minha alma.

Amém!

Mensagem do Senhor a Virgem Maria sobre a hora da morte

Maria

Minha caríssima filha, não é sem motivo que teu coração sentiu particular compaixão pelos que se acham em perigo de morte, desejando ajudá-los nessa hora. Realmente, conforme entendeste, naqueles momentos sofrem as almas incríveis e perigosos trabalhos por parte das ciladas do demônio, da própria natureza e dos objetos visíveis. Aquele instante é o termo do processo da vida que receberá a última sentença: de morte ou de vida eterna, de pena ou glória perpétua.

O Altíssimo, que te inspirou aquele desejo, quer aceitá-lo para que o executes. De minha parte, te confirmo o mesmo e te admoesto a colaborares com todo esforço possível para nos obedecer. Adverte, pois, amiga: quando Lúcifer e seus ministros das trevas reconhecem, pelos acidentes e causas naturais, que a pessoa está com perigosa e mortal enfermidade, imediatamente preparam toda sua malícia e astúcia, para investir contra o pobre e ignorante enfermo, e tentar derrubá-lo com diversas tentações. Como a esses inimigos está a terminar o prazo de perseguir a alma, querem suprir a falta de tempo pela violência da ira e maldade.

Os últimos combates

Para isto, reunem-se como lobos carniceiros, e examinam de novo o estado do enfermo: seu temperamento natural ou adquirido, suas inclinações, hábitos e costumes, e qual seu lado fraco por onde atacá-lo mais.

Aos que têm desordenado apego à vida, persuadem que o perigo não é tanto e impedem que outros o avisem. Aos que foram remissos e negligentes no uso dos sacramentos, reforçam-lhe a tibieza, sugerem-lhes maiores dificuldades e adiamentos, para que morram sem eles ou os recebam sem fruto e com más disposições. A outros, propõem sugestões de vergonha, para não abrirem suas consciências e declararem seus pecados. A estes, embaraçam e retardam, para não manifestarem seus compromissos e não desenredarem a consciência. Àqueles que amam a vaidade, lhes propõem ordenar, naquela última hora, muitas coisas vãs e soberbas, para serem cumpridas depois de sua moite. Aos avarentos e sensuais inclinam com muita força ao que cegamente amaram.

De todos os maus hábitos e costumes, vale-se o cruel inimigo para arrastá-los atrás de objetos e assim lhes dificultar ou impossibilitar a salvação. Cada ato pecaminoso praticado durante a vida, e que contribui à aquisição de hábitos viciosos, constitui penhor e arma para o comum inimigo lhes fazer guerra naquela tremenda hora da morte.

Cada apetite satisfeito, abre-lhe o caminho para penetrar na fortaleza da alma. Uma vez dentro dela, lança-lhe seu depravado hálito e levanta densas trevas que são seu efeito. Tudo isto para que não acolham as divinas inspirações, não tenham verdadeira contrição de seus pecados e não façam reparação de sua má vida.

Desprezo dos meios de salvação

Geralmente fazem estes inimigos grande estrago naquela hora, sugerindo a ilusória esperança de que os enfermos ainda viverão, e com o tempo poderão executar o que, no momento, Deus lhes inspira por seus anjos. Com esta ilusão se enganam e perdem. Grande é também, naquela hora, o perigo dos que durante a vida desprezam o socorro dos santos sacramentos.

Este desprezo, muito ofensivo ao Senhor e aos santos, a divina justiça costuma castigar abandonando estas almas ao próprio conselho, pois não quiseram se aproveitar do remédio no tempo oportuno. Tendo-o desprezado, merecem, por justos juízos, serem desprezados na última hora, para a qual prorrogaram com louca ousadia, a busca da salvação eterna.

Poucos são os justos a quem no último combate, a antiga serpente não ataca com incrível sanha. Se aos grandes santos pretendem então derrubar, que podem esperar os viciosos, negligentes e cheios de pecados? Estes, que empregam toda a vida para desmerecer a graça e favor divino e não possuem as obras que os possam defender contra o inimigo?

Diz a Virgem Maria: Meu santo esposo José foi um dos que gozaram o privilégio de não ver nem sentir o demônio naquele transe. Quando os malignos tentaram se aproximar, sentiram que uma força poderosa os mantinha distantes, e foram pelos santos anjos, repelidos e precipitados no abismo. Ao se sentirem tão oprimidos e aterrados – a teu modo de entender – ficaram confusos, sobressaltados e aturdidos. Isto deu motivo para Lúcifer reunir no inferno uma junta ou conciliábulo, investigando se, por acaso, nele já se encontrava o Messias.

Tal vida, tal morte

Daqui compreenderás o grande perigo da morte, e quantas almas perecem naquela hora, quando começam a frutificar os méritos e os pecados.

Não te declaro os muitos que se condenam, para não morreres de pena, se tens verdadeiro amor ao Senhor. A regra geral, porém, é que à virtuosa vida segue-se boa morte; o resto é duvidoso, raro e contingente. O remédio e segurança é prevenir-se muito antes. Por isto, advirto-te que, ao veres a luz no amanhecer de cada dia, penses ser aquele o último de tua vida. E, como se de fato fosse, pois não sabes se o será, ordenes tua alma de modo a receber alegremente a morte, se ela vier. Não demores um instante em te arrependeres dos pecados, com propósito de os confessar se os tiveres, e emendar até a mínima imperfeição.

Não deixes em tua consciência falta alguma repreensível, sem te doeres e te lavares com o sangue de Cristo, meu Filho santíssimo. Põe-te no estado em que possas aparecer na presença do justo Juiz, que te examinará e julgará até o mínimo pensamento e movimento de tuas potências.

Orar pelos agonizantes

Para ajudares, como desejas, aos que estão naquele perigoso fim, em primeiro lugar aconselha a todos o mesmo que te advirto: cuidem da alma durante a vida e assim terão feliz morte. Além disso, rezarás nessa intenção todos os dias, sem falta.

Fervorosamente, suplica ao Todo-poderoso que aniquile os enganos do demônio, quebre os laços e ciladas que armam aos agonizantes, e sejam humilhados por sua destra divina.

Sabes que eu fazia tal oração pelos mortais, e quero que me imites nisso. Do mesmo modo te ordeno que, para mais ajudá-los, mandes aos demônios que deles se afastem e não os oprimam. Bem podes usar deste poder, mesmo que não estejas presente, pois o está o Senhor em cujo nome hás de subjugá-los, para maior honra e glória de Deus.

Fonte: Obra Mística Cidade de Deus de Madre Maria de Jesus (terceiro tomo, 5º livro, capítulo 15).

Para saber mais sobre a intercessão da Virgem Maria na hora da morte acesse aqui!

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