Arquivo do mês: julho 2013

Vamos nos preparar para o dia do perdão de Assis

Ao meio dia do dia 01 de agosto, começará o “Perdão de Assis” , que se estenderá até o entardecer do dia 02 de agosto. Abaixo o relato do acontecido e as Indulgências da Porciúncula estendidas à humanidade inteira. Boa Leitura.

Certa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos. Jesus perguntou-lhe: “Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?

Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.

O que pedes Francisco, é um benefício muito grande”, disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”

No dia seguinte, bem cedinho, Francisco acompanhado de Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe: “Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento (naquela época, toda indulgência concedida a uma pessoa, estava ligada à obrigação dessa pessoa fazer uma oferta), a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?

Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos de seus pecados, em “estado de graça”, confessado e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia de seu batismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!”

Senhor, disse o “Poverello”, este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.

Ouvindo isto o Papa cheio de amor repetiu três vezes: “Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado algum desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá somente durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.

A “consagração” da Igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Em 9 de Julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4). Significa que, atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em “estado de graça”, visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.

Por outro lado, a Indulgência é “toties quoties“, quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quantas a pessoa desejar, isto é, em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1 de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto.

Escrito por:  Pe. Marcelo Tenório

O que é ter fé em Deus?

«Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim
não fique nas trevas
(Jo 12, 46)

Amar a DeusPensando nesta passagem da Bíblia nos vem a seguinte pergunta: o que é crer em Jesus? O que é ter fé em Deus?

Lendo um livro chamado “Introdução ao estudo de Santo Agostinho” passei por um capítulo que falava sobre a relação entre fé e razão, e lá, encontrei uma importante observação sobre o que é ter fé em Deus… segue o trecho transcrito abaixo (com algumas citações da bíblia):

“Tomada em sua essência, a fé agostiniana é simultaneamente adesão do espírito à verdade sobrenatural e abandono humilde do homem em sua totalidade à graça do Cristo. Ademais, como as duas coisas poderiam se separar? A adesão do espírito à superioridade de Deus supõe a humildade; e a humildade por sua vez, uma confiança em Deus que é, em si mesma, um ato de amor e de caridade. Se tomamos, portanto, a vida espiritual em sua complexidade concreta, aquele que adere a Deus pela fé não submete simplesmente seu espírito a fórmulas; ele curva sua alma e todo o seu ser à autoridade de Cristo, que nos dá o exemplo de sabedoria e nos confere os meios de chegar à ela. Assim entendida, inicialmente, a fé tanto é purificadora como iluminadora; […]

Por isso, o pensamento humano deve também encontrar-se profundamente transformado. A recompensa que ele recebe da fé é precisamente a inteligência. Ele não a receberia se a fé fosse somente uma simples aceitação da autoridade divina, por assim dizer, uma submissão bruta do espírito. E nesse caso, crer é somente acreditar em Deus; o que é preciso, além disso, é querer fazer a vontade de Deus, e é por isso que as Escrituras não nos ordenam somente acreditar em Deus, mas também ter fé em Deus.

«Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?
Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta:
Que creiais naquele que ele enviou.
»
(João 6:28-29)

Sem dúvida, para ter fé Nele, é preciso, antes, acreditar Nele, mas aquele que acredita Nele não necessariamente crê Nele, pois até os demônios acreditam em Deus mas não tem fé em Deus; […]

«Crês que há um só Deus. Fazes bem.
Também os demônios creem e tremem.»
(Tiago 2:19)

«Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus!»
(Marcos 3:11)

O que é, portanto, ter fé em Deus? É, ao acreditar Nele, amá-lo, gostar Dele com ternura, ter comunhão com Ele através do amor, incorporar-se aos seus membros.

«Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.»
(João 14:23-24)

«Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros,
e não buscando a honra que vem só de Deus?»

(João 5:44)

«Tende muito cuidado de pôr em prática os mandamentos e as leis que vos prescreveu Moisés, servo do Senhor: amar o Senhor, vosso Deus, andar em todos os seus caminhos, guardar os seus mandamentos e unir-vos a ele, servindo de todo o vosso coração e de toda a vossa alma
(Josué 22:5)

Eis a fé que Deus exige de nós e que, depois de tê-la exigido, só a encontra em nós porque a doou a nós para, em seguida, poder encontrá-la em nós.

«Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia
(João 6:43-44)

Logo, não é qualquer fé a que Deus reivindica, mas, segundo a palavra do apóstolo: a fé que opera através da caridade.

«Quanto a nós, é espiritualmente,da fé, que aguardamos a justiça esperada.
Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale em Cristo Jesus,
mas sim a fé que opera pela caridade

(Gálatas 5:5-6)

Se esta fé encontra-se em nós, ela nos dará a inteligência, pois nos dá-la é de sua natureza.”

«porque o Senhor é quem dá a sabedoria, e de sua boca é que procedem a ciência e a prudência. Ele reserva para os retos a salvação e é um escudo para os que caminham com integridade; protege as sendas da retidão e guarda o caminho de seus fiéis. Então compreenderás a justiça e a equidade, a retidão e todos os caminhos que conduzem ao bem
(Provérbios 2:6-9)

Jesus

Para complementar essa reflexão sobre a fé em Deus segue abaixo trechos da Encíclica Lumen Fidei do Papa Francisco I:

“Antes da sua paixão, o Senhor assegurava a Pedro: «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça» (Lc 22, 32). Depois pediu-lhe para «confirmar os irmãos» na mesma fé. Consciente da tarefa confiada ao Sucessor de Pedro, Bento XVI quis proclamar este Ano da Fé, um tempo de graça que nos tem ajudado a sentir a grande alegria de crer, a reavivar a percepção da amplitude de horizontes que a fé descerra, para a confessar na sua unidade e integridade, fiéis à memória do Senhor, sustentados pela sua presença e pela ação do Espírito Santo. A convicção duma fé que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e na força da sua graça, animava a missão dos primeiros
cristãos.”

“Nas Atas dos Mártires, lemos este diálogo entre o prefeito romano Rústico e o cristão Hierax: «Onde estão os teus pais?» — perguntava o juiz ao mártir; este respondeu: «O nosso verdadeiro pai é Cristo, e nossa mãe a fé n’Ele». Para aqueles cristãos, a fé, enquanto encontro com o Deus vivo que Se manifestou em Cristo, era uma «mãe», porque os fazia vir à luz, gerava neles a vida divina, uma nova experiência, uma visão luminosa da existência, pela qual estavam prontos a dar testemunho público até ao fim.”

“A fé cristã é fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16). A fé identifica, no amor de Deus manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e o seu destino último.”

“A plenitude a que Jesus leva a fé possui outro aspecto decisivo: na fé, Cristo não é apenas Aquele em quem acreditamos, a maior manifestação do amor de Deus, mas é também Aquele a quem nos unimos para poder acreditar. A fé não só olha para Jesus, mas olha também a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver.”

“«Cremos em» Jesus, quando O acolhemos pessoalmente na nossa vida e nos confiamos a Ele, aderindo a Ele no amor e seguindo-O ao longo do caminho (cf. Jo 2, 11; 6, 47; 12, 44).”

“A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como resume São Paulo: «Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus.» (Ef 2, 8)”

“Por meio da sua encarnação, com a sua vinda entre nós, Jesus tocou-nos e, através dos sacramentos, ainda hoje nos toca; desta forma, transformando o nosso coração, permitiu-nos — e permite-nos — reconhecê-Lo e confessá-Lo como Filho de Deus. Pela fé, podemos tocá-Lo e receber a força da sua graça. Santo Agostinho, comentando a passagem da hemorroíssa que toca Jesus para ser curada (cf. Lc 8, 45-46), afirma: «Tocar com o coração, isto é crer».”

«Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus
(Efésios 3:17-19)

«Todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.»
(Gálatas 3:26)