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Oração ao Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus

Senhor,
Tu que quiseste ficar presente no meio de nós
através da Tua Santa Eucaristia,
mistério do Teu Amor,
nós nos unimos a todos os que vêm Adorar-Te
em espírito e em verdade.

Rezando de dia ou de noite,
queremos oferecer a nossa presença
à Tua presença.
Concede que Te escutemos no silêncio,
Tu que queres Te revelar
ao íntimo do nosso coração.

Concede que nos entreguemos a Ti:
que do nosso coração se elevem
o louvor e a súplica, o oferecimento
da nossa vida na confiança.

Que o Teu Sagrado Coração,
fonte de toda a misericórdia,
firme os nossos corações na paz
e na alegria interiores, que ele fortaleça
a nossa fé, renove o nosso amor,
e sustente a nossa esperança.

Amém.

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Fazeis isto em memória de mim

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei:
que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue;
fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim
.
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice
anunciais a morte do Senhor, até que venha
.”
(1 Coríntios 11:23-26)

 

Celebrando a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a Igreja entende manifestar o próprio agradecimento a Deus Pai pelo dom do Seu Filho Jesus para a nossa salvação. Além do mais, através desta solenidade, os mesmos fiéis são convidados a refletir sobre o mistério da Eucaristia, mistério do qual participamos no Domingo, dia do Senhor, quando fazemos o memorial da sua morte e ressurreição.

A Igreja desde a antigüidade nos ensina que o nosso Batismo é finalizado na Eucaristia, isso quer dizer que a nossa vida cristã se realiza e, ao mesmo tempo se fortalece, só através da Eucaristia, pois é naquela circunstância que nos alimentamos do mesmo Cristo que recebemos no Espírito no dia do Batismo. A vida cristã é vida em Cristo, pois a humanidade gloriosa de Cristo deve resplandecer na sua Igreja. As leituras que ouvimos nos apresentam o sentido da vida de Jesus que deve ser também o nosso. Aquilo que Jesus é por natureza, nós conseguimos alcançá-lo no sacramento e pela graça de Deus. Por essa razão é importante aproveitar da solenidade para pararmos um momento e refletir sobre o mistério da Eucaristia no qual é contido também o mistério da nossa mesma existência.

Na noite em que foi entregue, O Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isso em memória de mim. Do mesmo modo depois da ceia tomou o cálice…” (1 Cor 11, 23s). O problema que devemos enfrentar é este: o que Jesus quis dizer com este gesto? O que significa este rito? Porque Jesus pediu de repeti-lo?

Aquilo que Jesus realizou, se olhado bem de perto, purificado de qualquer pré-compreensão, é um ato extremamente humano, carregado de humanidade, pois com este gesto do pão e do vinho Jesus desvenda de uma vez para todas o sentido da sua vida. Outro dado importante é que este gesto, esta revelação, Jesus realizou perante os seus discípulos, ou seja, os únicos que o tinham acompanhado desde o começo. Isso quer dizer que, para desvendarmos o mistério deste rito, precisamos ser discípulos de Jesus, ou seja, precisamos querer conhecê-lo, amá-lo, segui-lo. O mistério da Eucaristia se desvenda ao longo do caminho do discipulado: não é algo que se aprende com os instrumentos da pura razão, mas se desenrola ao longo da vida cristã. E esta necessidade de sermos discípulos também é percebida quando Ele diz: “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor“, pois mostra que somente aqueles que discernem o corpo do Senhor comem e bebem dignamente.

Em segundo lugar, é bom salientar que o gesto que Cristo realizou na ceia derradeira resume o sentido da sua vida. De fato, Jesus veio ao mundo para manifestar à humanidade toda, perdida no egoísmo, o sentido de uma vida no amor, uma vida que realiza aquela vocação originária, que Deus tinha entregue ao homem antes do pecado. Neste sentido, qualquer pecado é sempre algo que afeta a vocação ao amor. Jesus realizou a sua vida de amor entregando-se totalmente, doando-se sem poupar nada de si. O pensamento dele era só para as pessoas que estavam ao seu redor: nada para si, tudo para eles. A vida de Jesus foi uma vida totalmente partida, por assim dizer, para os seus. É isso que impressiona, folheando com amor as páginas do Evangelho. Quanto mais se doa, tanto mais Jesus cresce: nunca se esgota. Multidões de pessoas se aproximam a Ele cada uma querendo tirar o próprio proveito, e Jesus nunca fica vazio, mas sempre tem de sobra de tudo, de amor, de atenção. Jesus nunca se cansa de amar. O amor que Ele doa não depende do amor dos outros, daquilo que recebe em troca. A maneira de Jesus amar, que é o sentido autêntico do amor, é uma crítica radical e profunda da nossa maneira egoística de amar. Nós amamos com a pretensão humana de sermos correspondidos, pois a fonte do nosso amor está no outro.

Em Jesus a fonte do amor está em Deus, no Pai que Ele busca dia e noite. É este amor divino que Jesus derrama de mãos cheias na humanidade que encontra. Por isso não se machuca se não for correspondido, pois não é isso que procura, mas somente que alguém receba um pouco do amor divino, que alguém participe daquela superabundância de amor do qual Cristo mesmo vive e participa. Este amor desinteressado, cuja fonte está em Deus, critica na raíz os nossos amores demasiadamente interessados que, na realidade, são formas disfarçadas de egoísmo. Por isso ficamos machucados se não formos correspondidos; ficamos tristes e até deprimidos toda vez que o nosso amor, por assim dizer, é desatendido. Nessa altura poderíamos nos perguntar: como é possível viver no mundo amando a todos e a todas sem nos esgotar? Como é possível vivermos como se fossemos também nós como Cristo, uma fonte inesgotável de amor (cf. Jo 7:37-39)?

Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice estareis proclamando a morte do Senhor até que ele venha” (1 Cor 11, 26).

Parece impossível viver a nossa vocação ao amor, que é a forma como Jesus nos amou, sem nos esgotarmos. Precisamos de algo que possa derreter o egoísmo que está enraizado em nós. Precisamos de algo que possa preencher o nosso vazio, pois toda vez que amamos e não somos correspondidos, ficamos com um vazio terrível dentro de nós. Toda vez que percebemos que alguém está se aproximando de nós por puro interesse, isso provoca sentimentos extremamente negativos. Para que a nossa fonte de amor nunca se esgote  precisamos do Corpo de Cristo, do corpo do Filho de Deus que veio ao mundo esbanjando amor sem nunca se esgotar.

Na ceia derradeira Jesus não apenas nos convidou para celebrarmos um rito, mas para imitarmos a sua vida. “Fazeis isto em memória de mim”, não é apenas um comando que se refere à forma externa dos gestos que Ele realizou naquela circunstância, mas sobretudo ao sentido que aqueles gestos tinham. Jesus na ceia derradeira convidou os discípulos a continuar na história o mesmo jeito dele amar, ofereceu para eles o alimento que os sustentariam. Sem a Eucaristia ninguém consegue amar do jeito que Jesus amou. Por isso no domingo, quando nos aproximamos da mesa Eucarística, não estamos cumprindo um preceito ou uma obrigação, mas estamos tomando o único alimento que nos permite realizar a nossa vocação. Jesus nos convidou para comer, ou seja, num sentido espiritual, a interiorizar o seu corpo, ou seja, a sua pessoa, o seu jeito de ser, de viver, de amar. Jesus nos convidou a internalizar a sua mesma vida para que a pudéssemos doar aos outros.

Agradecemos a Deus de ter nos oferecido o Seu Filho Jesus, alimento espiritual da nossa vida, motivo da nossa alegria plena.

Escrito por: Pe. Paolo Cugini em Bíblia Interpretada.

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;”
(2 Coríntios 4:5-10)

Bebereis o Meu cálice

O Evangelho de hoje é extraordinário e de um valor imensurável. Se quisermos seguir ao Senhor,  podemos, devemos e iremos beber do Cálice de Jesus. E São Gregório Magno nos explica de que  formas isso pode acontecer.

Naquele tempo, aproximou-se então de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu, com os seus filhos, e prostrou-se diante dele para lhe fazer um pedido.

«Que queres?» perguntou-lhe Ele.

Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à tua direita e o outro à tua esquerda, no teu Reino.»

Jesus retorquiu:
«Não sabeis o que pedis.
Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?»

Eles responderam: «Podemos.»

Jesus replicou-lhes: «Na verdade, bebereis o meu cálice; mas, o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não me pertence a mim concedê-lo:
é para quem meu Pai o tem reservado.»

Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos.
Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer se grande, seja o vosso servo; e quem, no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.»
(Mateus 20:20-28)

Homilia de São Gregório Magno:

Uma vez que hoje celebramos a festa dum mártir, irmãos, devemos preocupar-nos com a forma de paciência praticada por ele. Com efeito, se com a ajuda do Senhor nos esforçarmos por manter essa virtude, obteremos sem dúvida a palma do martírio ainda que vivamos na paz da Igreja. Porque há dois tipos de martírio: o primeiro consiste numa disposição do espírito; o segundo alia a essa disposição os atos da existência. Por isso, podemos ser mártires mesmo sem morrermos executados pelo gládio do carrasco. Morrer às mãos dos perseguidores é o martírio em ato, na sua forma visível; suportar as injúrias amando quem nos odeia é o martírio em espírito, na sua forma oculta.

Que haja dois tipos de martírio, um oculto, o outro público, a própria Verdade o comprova quando pergunta aos filhos de Zebedeu: «Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» E à sua asserção, «Podemos», o Senhor responde: «Na verdade, bebereis o Meu cálice.» Ora, que pode significar para nós este cálice senão os sofrimentos da Sua Paixão, da qual diz noutro sítio: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de Mim este cálice» (Mt 26,39)? Os filhos de Zebedeu, Tiago e João, não morreram os dois mártires, mas foi a ambos que o Senhor disse que haviam de beber esse cálice. De fato, se bem que não viesse a morrer mártir, João acabou por sê-lo todavia, já que os sofrimentos que não sentiu no corpo os sentiu na alma. Devemos então concluir do seu exemplo que nós próprios podemos ser mártires sem passar pela espada se conservarmos a paciência da alma.

Via Crúcis, Via Sacra ou Caminho da Cruz

Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.”
(Mt 16, 24)

Há mais de vinte séculos que a Igreja se reúne na noite de Sexta-feira Santa para recordar e reviver os acontecimentos da última etapa do caminho terreno do Filho de Deus. Hoje, como nos demais anos, a Igreja que está em Roma reuni-se, para seguir os passos de Jesus que, “carregando às costas a cruz, saiu para o lugar chamado Crânio, que em hebraico se diz Gólgota” (Jo 19, 17).

Encontramo-nos aqui animados pela convicção de que a via-sacra do Filho de Deus não foi um simples caminhar para o lugar do suplício. Acreditamos que cada passo do Condenado, cada gesto e palavra d’Ele, e tudo o mais que foi vivido e realizado por quantos tomaram parte neste drama, continua incessantemente a falar-nos. Cristo, mesmo no seu sofrimento e na sua morte, desvenda-nos a verdade acerca de Deus e do homem.

Queremos refletir intensamente no conteúdo daquele acontecimento, para que fique gravado, com uma força nova, nas nossas mentes e nos nossos corações e daí brote a graça duma autêntica participação.

Participar significa ter uma parte. E que significa ter uma parte na cruz de Cristo?

– Significa experimentar, no Espírito Santo, o amor que a cruz de Cristo encerra. Significa reconhecer, à luz desse amor, a própria cruz. Significa retomá-la aos próprios ombros e, por força sempre daquele amor, caminhar…

Caminhar pela vida fora, imitando Aquele que “suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está agora sentado à direita do trono de Deus” (Heb 12, 2).

Oremos:

Senhor Jesus Cristo,
enchei os nossos corações com a luz do vosso Espírito,
para que, acompanhando-Vos no vosso último caminho,
conheçamos o preço da nossa redenção
e nos tornemos dignos de participar
nos frutos da vossa paixão, morte e ressurreição.
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amen.

PRIMEIRA ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE

Tu és o rei dos judeus?” (Jo 18, 33).

– “A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas a minha realeza não é daqui” (Jo 18, 36).

Pilatos acrescentou:
Logo Tu és rei?

Jesus respondeu:
– “Tu o dizes! Eu sou rei! Para isso nasci e para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz“.

Pilatos replicou: “Que é a verdade?

Dito isto, o Procurador romano considerou encerrado o interrogatório. Foi ter com os judeus e comunicou-lhes: “Não acho n’Ele culpa alguma” (cf. Jo 18, 37-38). O drama de Pilatos está contido na pergunta: Que é a verdade? Não era uma pergunta filosófica sobre a natureza da verdade, mas uma pergunta existencial que dizia respeito à relação da própria pessoa com a verdade. Era uma tentativa de fugir à voz da consciência, que instava para que reconhecesse a verdade e a seguisse. O homem, que não se deixa guiar pela verdade, é capaz de sentenciar inclusivamente a condenação dum inocente.

Os acusadores intuem esta fragilidade de Pilatos e por isso não cedem. Com determinação, reclamam a morte de cruz. As meias-medidas, a que recorre Pilatos, não o ajudam. Não é suficiente a pena cruel da flagelação, infligida ao Acusado. Quando o Procurador apresenta à multidão Jesus flagelado e coroado de espinhos, usa uma frase que, no seu modo de ver, deveria quebrar a intransigência da praça. Apontando para Jesus, diz: “Ecce homo! Eis o homem!” Mas, a resposta foi: “Crucifica-O, crucifica-O!

Pilatos procura então fazê-los raciocinar: “Tomai-O vós e crucificai-O; eu não encontro n’Ele culpa alguma” (cf. Jo 19, 5-7).

Está cada vez mais convencido de que o Réu é inocente, mas isto não lhe basta para proferir uma sentença de absolvição. Os acusadores recorrem ao último argumento: “Se O libertares, não és amigo de César; todo aquele que se faz rei, é contra César” (Jo 19, 12).

A ameaça é clara. Pilatos, intuindo o perigo, cede definitivamente e profere a sentença, acompanhada do gesto teatral de lavar-se as mãos: “Estou inocente do sangue deste justo. Isso é convosco” (Mt 27, 24). E assim Jesus, o Filho de Deus vivo, o Redentor do mundo, foi condenado à morte de cruz.

Ao longo dos séculos, a negação da verdade gerou sofrimento e morte. São os inocentes que pagam o preço da hipocrisia humana. As meias-medidas não são suficientes. Nem basta lavar as mãos. A responsabilidade pelo sangue do justo permanece. Foi por isso que Jesus rezou, tão ardentemente, pelos seus discípulos de todos os tempos: “Pai, santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17, 17).

ORAÇÃO

Cristo, que aceitais uma condenação injusta,
concedei-nos, a nós e a todos os nossos contemporâneos,
a graça de sermos fiéis à verdade e não permitais que caia sobre nós
e sobre quantos hão-de vir depois de nós
o peso da responsabilidade pelo sofrimento dos inocentes.
Jesus, justo Juiz, a Vós a honra e a glória pelos séculos sem fim.
 Amen.

SEGUNDA ESTAÇÃO: JESUS RECEBE A CRUZ AOS OMBROS

Não era lícito condenar um cidadão romano à morte de cruz: era humilhante demais. No momento em que Jesus de Nazaré pegou na cruz para levá-la ao Calvário, a história da cruz conheceu uma inversão do seu valor: De sinal de morte infame e reservada à classe inferior dos homens, a cruz passa a ser uma chave; doravante, com a ajuda desta chave, o homem abrirá a porta das profundezas do mistério de Deus.

Por obra de Cristo, que aceita a cruz como instrumento do seu despojamento, os homens saberão que Deus é amor.

Amor sem limites: “Amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

Esta verdade sobre Deus foi revelada por meio da cruz. E não podia revelar-se de outro modo? Continuar lendo

Seja feita a Vossa Vontade assim na terra como no Céu

O Espírito Santo produz em vós um terceiro dom, chamado dom de Ciência.

O Espírito Santo não produz nos bons somente o dom do Temor e o dom da Piedade que, como vimos no post anterior do Pai Nosso, é um amor delicado por Deus. O Espírito Santo torna o homem sábio.

Davi pedia o dom da ciência no Salmo (119, 66), dizendo: Ensinai-me a bondade, a doutrina e a ciência. E é esta ciência do bem viver, que nos ensina o Espírito Santo.

Entre as disposições que contribuem para a ciência e a sabedoria do homem, a mais importante é aquela que faz com que o homem não se apóie em si mesmo. Não te estribes em tua prudência, recomenda o livro dos Provérbios (3, 5). Com efeito, os que confiam em seu próprio julgamento, a ponto de não se fiarem senão em si mesmos e não nos outros, são considerados como insensatos, e verdadeiramente o são. Declara o livro dos Provérbios (26, 12): Mais se deve esperar de um ignorante do que de um homem que é sábio a seus próprios olhos.

Um homem não confia em seu próprio julgamento se é humilde, pois, ensinam os Provérbios (11, 2): onde há humildade, aí há igualmente sabedoria. Os orgulhosos ao contrário, põem em si toda confiança.

Assim sendo, o Espírito Santo nos ensina, pelo dom de Ciência, a não fazer a nossa vontade, mas a vontade de Deus. E também quando pedimos a Deus, que Sua vontade se faça no céu, como na terra, manifesta-se O dom de Ciência.

Quando dizemos a Deus: Seja feita a vossa vontade, é como se fôssemos doentes que aceitam o remédio amargo, prescrito pelo médico. O doente não quer tal remédio, mas aceita a vontade do médico, do contrário, seguindo só sua vontade, seria um insensato. Da mesma maneira, não devemos pedir a Deus nada além do Seu querer, isto é, a realização de Sua vontade em nós.

O coração do homem é reto, quando está de acordo com a vontade divina, assim como fez o Cristo (Jo 6, 38): Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’ Aquele que me enviou.

Cristo, enquanto Deus, tem uma só vontade com o Pai, mas enquanto homem tem sua vontade distinta da vontade do Pai. Foi falando desta vontade que declarou: não faço a minha vontade, mas a de meu Pai. E por isso nos ensinou a rezar e a pedir: «seja feita a vossa vontade».

Mas qual é a razão de ser desta oração: «Seja feita a vossa vontade?»

Não se diz a Deus, no Salmo (135,6): Tudo quanto quis, fez? Se Deus faz tudo que quer no céu e na terra, porque diz Jesus: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu?

Para compreender a causa deste pedido é preciso saber que Deus quer para nós três coisas que realizamos nesta oração.

a) Em primeiro lugar, Deus quer que Continuar lendo

O fim para o qual fomos criados

O ser humano é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus Nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma; e as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o ser humano, para que o ajudem a atingir o fim para que é criado. Donde se segue que ele deve usar das coisas tanto quanto o ajudam a atingir o seu fim, e deve privar-se delas tanto quanto o impedem.

Por isso é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre arbítrio, e não lhe está proibido; de tal maneira que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que enfermidade, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida breve, e assim por diante em tudo o mais; mas somente desejemos e escolhamos o que mais nos conduz ao fim para que somos criados.

Fonte: Princípio e fundamento(EE 23) extraído de Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola.

Para obter um roteiro básico dos exercícios espirituais inacianos diários e uma orientação acesse aqui!

Não peças coisa alguma a Deus, senão Deus mesmo. Ama-o, gratuitamente.” (Santo Agostinho)

Venha a Nós o Vosso Reino

Como foi dito nos posts anteriores referentes ao Pai Nosso (veja os links ao fim deste), o Espírito Santo nos faz amar, desejar e pedir retamente o que nos convém amar, desejar e pedir. Este Espírito produz em nós, primeiro, o temor que nos leva a procurar a santificação do nome de Deus, para, em seguida, nos dar o dom da piedade. A piedade é, propriamente, uma afeição terna e devotada por um pai e também por um homem caído na miséria.

Como Deus é nosso Pai, devemos não somente venerá-lo e temê-lo, mas também alimentarmos uma terna e delicada afeição por Ele. É esta afeição que nos faz pedir a vinda do reino de Deus. São Paulo declara em Tito, 2, 11-13: A graça de Deus apareceu a todos os homens, ensinando-nos que vivamos neste mundo sóbria, justa e piamente, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa de nosso grande Deus.

Mas podemos perguntar: Se o reino de Deus sempre existiu, porque pedimos a sua vinda?

Devemos responder a esta pergunta de três maneiras:

Primeiro: o reino de Deus, em sua forma acabada, supõe a perfeita submissão de todas as coisas a Deus. Um rei não será rei, efetivamente, antes de que todos os seus súditos lhe obedeçam.

Sem dúvida, Deus pelo que é e por sua natureza, é o Senhor do universo; e o Cristo, sendo Deus e sendo homem, tem, como Deus, o senhorio sobre todas as coisas. Diz Daniel (7, 14): No mais antigo dos dias foi lhe dado o poder, a honra e a realeza. É preciso que tudo lhe seja submetido. Mas isto ainda não é assim e se realizará no fim do mundo. Está escrito (1 Cor 15, 25): É necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. Eis porque pedimos: venha a nós o vosso reino.

Assim fazendo, pedimos três coisas, a saber:

— que os justos se convertam;
— que os pecadores sejam punidos;
— que a morte seja destruída.

Os homens são submetidos ao Cristo de duas maneiras: ou voluntariamente ou contra a vontade. A vontade de Deus, com efeito, possui tal eficácia, que não pode deixar de se realizar totalmente. E já que Deus quer que todas as coisas sejam submissas ao Cristo, é preciso necessariamente ou que o homem cumpra a vontade de Deus, submetendo-se a seus mandamentos — o que fazem os justos — ou que Deus realize sua vontade naqueles que lhe desobedecem, isto é, nos pecadores e nos seus inimigos, punindo-os. O que acontecerá, no fim do mundo, quando Ele colocará seus inimigos debaixo de seus pés (cf., Sl 110, 1). Por isso é dado aos santos pedirem a Deus a vinda de seu reino, com a total submissão de todos à sua realeza. Mas esse pedido faz tremer os pecadores, pois assim terão de se submeter aos suplícios requeridos pela vontade divina. Infelizes aqueles (pecadores) que desejam o dia do Senhor (Am 5, 18).

A vinda do reino de Deus, no fim dos tempos, será também a destruição da morte. O Cristo é a vida; ora, a morte — que é contrária à vida — não pode existir em seu reino, segundo a palavra (1 Cor 15,26): O último inimigo a ser destruído será a morte, o que quer dizer que na ressurreição, segundo São Paulo (Fp 3, 21), o Salvador transformará nosso corpo de miséria, e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso.

Segundo: o reino dos céus designa a glória do paraíso. Não há nisto nada de espantoso, pois o reino quer dizer, simplesmente, governo. Um governo atinge seu mais alto grau de excelência, quando nada se opõe à vontade de quem governa.

Ora, a vontade de Deus é a salvação dos homens, pois Deus quer que todos os homens se salvem (cf. 1 Tm 2, 4). Esta vontade divina se realizara principalmente no paraíso, onde nada é contrário à salvação dos homens, pois o Senhor diz (Mt 13, 41): Os anjos lançarão fora de seu reino todos os escândalos. Neste mundo, ao contrário, abundam os obstáculos, para a salvação dos homens.

Quando, pois, pedimos a Deus: «venha a nós o vosso reino», rezamos para que, triunfando sobre esses obstáculos, sejamos participantes de seu reino e da glória do paraíso.

Três motivos tornam este reino extremamente desejável.

Primeiro, pela soberana justiça deste reino. Falando de seus habitantes, o Senhor diz a Isaías (60, 21) que todos são justos. Aqui, os maus estão misturados com os bons, mas lá não haverá nem maus nem pecadores.

Segundo, pela Continuar lendo