Arquivo da categoria: Músicas e Hinos

Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus

6  Cristo Jesus,
que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus,
7  mas aniquilou-Se a Si próprio
Assumindo a condição de servo,
tornou-Se semelhante aos homens.
Aparecendo como homem,
8 humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz.
9 Por isso Deus O exaltou e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes
10 para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem,no céu,na terra e nos abismos
11 e toda a língua proclame que
Jesus Cristo é o Senhor,
para glória de Deus Pai.
(Fl 2:6-11)

Na oração, abrimos a mente, o coração e a vontade ao Espírito Santo, para fazer entrar a nossa existência na mesma dinâmica de amor que viveu Jesus. Sendo Deus, despojou-Se da sua glória, para Se fazer homem como nós e, assim, nos elevar até Deus. Esta epopéia de amor é celebrada num dos hinos mais antigos da tradição cristã: o chamado “hino cristológico” (apresentado acima), que São Paulo nos deixou com esta exortação: “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus”. Foi pela sua amorosa obediência à vontade do Pai até à suprema humilhação da Cruz, que «Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que está acima de todos os nomes»: Jesus é Senhor. A sua encarnação e a sua cruz recordam-nos que a plena realização está na conformação da própria vontade humana com a do Pai do Céu. Para isso é necessário adotar uma escala de valores, cujo primado seja dado a Deus como o único tesouro pelo qual vale a pena gastar a própria vida.

A lógica humana, em vez, busca muitas vezes a autorrealização no poder, no domínio, nos meios potentes. O homem continua querendo construir com as próprias forças a torre de Babel para chegar à mesma altura de Deus, para ser como Deus.

A Encarnação e a Cruz nos recordam que a plena realização está no conformar a própria vontade humana àquela do Pai, no esvaziar-se do próprio egoísmo para encher-se do amor e da caridade de Deus e, assim, tornar-se realmente capaz de amar os outros.

Fonte: Trechos de uma audiência geral do Papa Bento XVI

Para saber um pouco mais sobre os Hinos Cristológicos Paulinos clique aqui!

Soneto a Cristo Crucificado

Não me move, meu Deus, para querer-Te
O céu que me tens prometido,
Nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-Te.

Tu me moves, Senhor, move-me ver-Te
Cravado em uma Cruz e escarnecido,
Move-me ver teu Corpo tão ferido,
Movem-me tuas afrontas e tua morte.

Move-me, enfim, o teu amor, e de tal maneira,
Que a não haver céu, ainda Te amara,
E a não haver inferno Te temera.

Nada tens que me dar porque Te queira,
Pois mesmo que eu não esperasse o que espero,
O mesmo que Te quero Te quereria.

São João de Ávila

(tradução do espanhol para português e os comentários seguintes extraídos da página Spe Deus)

Nunca o amor de Cristo crucificado havia atingido um tal grau de pureza e intensidade na sensibilidade da expressão poética (…) Este soneto esquece as recompensas e punições para suscitar um amor, que por ser verdadeiro, não necessita do castigo, mas nasce limpo e profundo da contemplação dolorosa do martírio com que Cristo redime o homem. Essa é a única razão eficaz que pode mover a afastar-se da ingratidão do ultraje, a quem vem para nos amar de modo tão excessivo. (…) As duas últimas estrofes (…) reforçam e convencem a amar a Cristo acima de qualquer outra consideração ilegítima e mesquinha.

O estilo é direto, energético, quase penitencial (…). Não é a beleza criativa da linguagem que define este soneto, mas a força de renunciar a tudo o que não seja amar a quem, por amor, deixou massacrar o Seu Corpo.

Pe. Angel Martin

Quinta-feira Santa

Depois de cantar esse especial hino de louvor escrito por Santo Tomas de Aquino, medite a passagem São João 17, onde Nosso Senhor numa oração ao Pai nos revela seu grande amor por nós.

Pange lingua gloriosi corporis mysterium, sanguinisque pretiosi,
Canta, ó língua, o mistério 
deste Corpo glorioso, e do Sangue precioso

quem in mundi pretium fructus ventris generosi, Rex effudit gentium.
derramado sobre o mundo, fruto de ventre fecundo, Rei de todas as nações

Nobis datus, nobis natus ex intacta Virgine et in mundo conversatus,
Foi-nos dado e nasceu para nós da Virgem pura e nesta terra, Ele desceu,

sparso verbi semine, sui moras incolatus miro clausit ordine.
semeou sua Palavra, cumprindo aqui o seu tempo, grande sinal nos deixou.

In supremae nocte cenae recum bens cum fratribus, observata lege plene
Na noite santa da Ceia, com os irmãos, reunido, observando todo o rito,

cibis in legalibus, cibum turbae duodenae se dat suis manibus.
daquilo que é prescrito, por suas mãos, em alimento, aos doze, se entregou.

Verbum caro, panem verum verbo carnem efficit, 
O Verbo encarnado torna pelo seu Verbo, pão e vinho,

fitque sanguis Christi merum, et si sensus deficit
no seu Corpo e no seu Sangue, para além do entendimento,

ad firmandum cor sincerum sola fides sufficit.
do sincero coração a fé é o suficiente.

Tantum ergo Sacramentum veneremur cernui;
Este grande sacramento, inclinados, adoremos;

et antiquum documentum novo cedat ritui;
os antigos manuscritos dão lugar a novo rito;

praestet fides supplementum sensuum defectui.
Sirva a fé de complemento na fraqueza dos sentidos.

Genitori, Genitoque laus et iubilatio,
Seja dado ao Pai e ao Filho, o louvor, o júbilo,

salus, honor, virtus quoque sit et benedictio:
saudação, honra, virtude assim como a bênção.

procedenti ab utroque compar sit laudatio.
Ao que de ambos procede demos o mesmo louvor.

Amen.
Amem.

Glória, louvor e honra a Ti

São Teodulfo de Orleans (Zaragoza? 750 ‒ Angers, 821) foi um monge beneditino, proposto para bispo de Orleans pelo imperador Carlos Magno em 794.

Quando ainda vivia no mosteiro compôs o hino Gloria laus et honor” ‒ “Glória, louvor e honra a Ti”, que a liturgia católica canta no Domingo de Ramos.

Gloria, laus et honor tibi sit, Rex Christe, Redemptor:
Glória, louvor e honra a ti, ó Cristo Rei, Redentor,
Cui puerile decus prompsit Hosanna pium.
Para Ti o cortejo de crianças canta: “Hosanna”.

Israel es tu Rex, Davidis et inclyta proles: 
Tu és o Rei de Israel, Tu és o nobre filho de Davi
Nomine qui in Domini, Rex benedicte, venis.
E é em nome do Senhor, Ó rei bendito, que vens!

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Coetus in excelsis te laudat caelicus omnis,
O Coro Celeste inteiro louva-Te nas alturas
Et mortalis homo, et cuncta creata simul.
Bem como o homem mortal, e toda a criação.

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Plebs Hebraea tibi cum palmis obvia venit:
Com palmas o povo hebreu vêm ao teu encontro
cum prece, voto, hymnis, adsumus ecce tibi.
Com preces, votos, hinos, nós vimos também a ti!

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Hi tibi passuro solvebant munia laudis;
A ti que ias sofrer, pagavam-te com louvores;
Nos tibi regnanti pangimus ecce melos
A ti que agora reinas, cantamos os nossos cantos.

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Hi placuere tibi, placeat devotio nostra:
Como outrora te agradaram, assim também te agrademos,
Rex bone, Rex clemens, cui bona cuncta placent.
Rei bom, ó Rei clemente, que em tudo bem se compraz!

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

O hino tem um caráter de louvor e, ao mesmo tempo, reflete certa tristeza no dia glorioso em que Nosso Senhor ingressa triunfalmente em Jerusalém para acabar sendo crucificado e assim redimir o gênero humano.

A entrada de Jesus em Jerusalém patenteia quanto o povo O apreciava incompletamente. Humildemente sentado num burrico, Ele atravessava aquele povo, impulsionando todos ao amor de Deus.

Em geral, as pinturas e gravuras O apresentam olhando pesaroso e quase severo para a multidão.

Para Ele, o interior das almas não oferecia segredo. Ele percebia a insuficiência e a precariedade daquela ovação. E tudo isso se constatou no momento de sua Paixão, onde poucos se mantiveram junto Dele.

Ouça a Homilia do Padre Paulo Ricardo para esse Domingo de Ramos clicando aqui ou leia a Homilia do Papa Bento XVI aqui, e entenderá o verdadeiro sentido deste domingo! 😉

«Em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de arbustos que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu vigor, prostremo-nos nós mesmos aos pés de Cristo, revestidos da sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele mesmo (…); sejamos como mantos estendidos a seus pés (…), para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira, mas os troféus da sua vitória. Agitando os ramos espirituais da alma, aclamemo-Lo todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”»
(Santo André, Bispo de Creta)

Mãezinha do Céu

Tão singela e profunda essa pequena oração…

Mãezinha do céu, eu não sei rezar
Eu só sei dizer eu quero te amar
Azul é seu manto, branco é seu véu
(bis) Mãezinha eu quero te ver lá no céu

Mãezinha do céu, mãe do puro amor
Jesus é teu filho, eu também o sou
Mãezinha do céu, vou te consagrar
Minha inocência, guarda-a sem cessar

Sinta o Espírito Santo em ti

Essa música é demais. Como descrever o quanto ela mexe dentro de nós. Se entregue e sinta… ela fará você sentir o amor que Deus tem por ti!

Glórias a Ti Senhor!!!

Antífonas do Ó

As Antífonas do Ó são sete antífonas especiais, cantadas no Tempo do Advento, especialmente de 17 a 23 de dezembro antes e depois do Magnificat, na hora canônica das Vésperas. São assim chamadas porque tem início com esse vocativo e foram compostas entre o século VII e o século VIII, sendo um compêndio de cristologia da antiga Igreja, um resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espítito do Advento e do Natal. Expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: «Vem, não tardes mais!». Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento.

A reforma litúrgica pós Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao Papa Gregório Magno (+604). Ela os valorizou ainda mais com aclamação ao Evangelho da Missa, além de conservá-los como antífonas do Magnificat. Cada antífona é composta de uma invocação, ligada a um símbolo do Messias, e de uma súplica, introduzida pelo verbo “vir”.

O texto das antífonas do ó

Die 17 Decembris
Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodisti,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiae

17 de dezembro
Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo
atingindo de uma a outra extremidade
e tudo dispondo com força e suavidade:
Vinde ensinar-nos o caminho da prudência

Die 18 Decembris
Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento

18 de dezembro
Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moises na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Vinde resgatar-nos pelo poder do Vosso braço.

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