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Vivo sem em mim viver

Segue abaixo um dos mais lindos poemas cristãos, escrito por Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja. A partir dele foram feitas belas canções como segue o video.

Vivo sem em mim viver

Vivo sem em mim viver
e tão alta vida espero
que morro por não morrer.

Vivo já fora de mim
depois que morro de amor,
porque vivo no Senhor,
que me quis só para Si:
dei meu coração a Ti
e pus nele o dizer
que morro por não morrer.

Esta divina prisão
do amor em que sempre vivo
fez de Deus o meu cativo
e livre meu coração.
Causa em mim tanta paixão
Deus meu prisioneiro ser,
que morro por não morrer.

Ai! Que longa é esta vida!
Quão duros estes desterros!
Este cárcere, estes ferros
em que a alma esta metida!
Só de esperar a saída
me causa tal padecer
que morro por não morrer.

Ai! Como a vida é amarga
sem o gozo do Senhor!
Do Pai tão doce é o amor,
e a esperada hora tão longa!
Tire-me Deus esta carga,
Este aço não vou poder,
que morro por não morrer.

Vivo com uma confiança:
qualquer hora hei de morrer,
pois morrendo hei de viver
me sustenta esta esperança. 

Morte que o viver alcança,
não tardes em me querer,
que morro por não morrer.

Mira como o amor é forte!
Vida, não sejas molesta:
veja que somente resta
eu perder-te, e achar o norte;
venha já, ò doce morte,
me matar sem se deter,
que morro por não morrer.

Lá no Alto segura eu viva
a vida que é verdadeira;
Nesta vida, tão ligeira,
não há gozo que me sirva.
Morte, não sejas esquiva,
vai matando o meu viver,
que morro por não morrer.

Ó vida, que posso eu dar
a meu Deus, que vive em mim,
a não ser perder-te a ti
e a Ele melhor gozar?
Morrendo o quero alcançar,
só Ele me basta ter,
que morro por não morrer.

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Vamos nos preparar para o dia do perdão de Assis

Ao meio dia do dia 01 de agosto, começará o “Perdão de Assis” , que se estenderá até o entardecer do dia 02 de agosto. Abaixo o relato do acontecido e as Indulgências da Porciúncula estendidas à humanidade inteira. Boa Leitura.

Certa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos. Jesus perguntou-lhe: “Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?

Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.

O que pedes Francisco, é um benefício muito grande”, disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”

No dia seguinte, bem cedinho, Francisco acompanhado de Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe: “Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento (naquela época, toda indulgência concedida a uma pessoa, estava ligada à obrigação dessa pessoa fazer uma oferta), a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?

Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos de seus pecados, em “estado de graça”, confessado e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia de seu batismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!”

Senhor, disse o “Poverello”, este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.

Ouvindo isto o Papa cheio de amor repetiu três vezes: “Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado algum desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá somente durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.

A “consagração” da Igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Em 9 de Julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4). Significa que, atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em “estado de graça”, visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.

Por outro lado, a Indulgência é “toties quoties“, quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quantas a pessoa desejar, isto é, em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1 de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto.

Escrito por:  Pe. Marcelo Tenório

Trechos do Diário de Santa Faustina – Parte I

O Diário da Irmã Faustina, escrito durante os últimos quatro anos de sua vida por expressa ordem de Nosso Senhor, tem a forma de um memorial em que a Autora vai anotando, sequencialmente e retrospectivamente, sobretudo os “toques” e contatos da sua alma com Deus.

Toda a sua vida se concentrava numa efetiva aspiração a uma união cada vez mais plena com Deus e à colaboração generosa com Jesus na obra da salvação das almas.

Segue abaixo trechos extraídos do Diário para que o leitor tome conhecimento de como essa obra é maravilhosa, pois nos faz recordar de uma verdade de fé, desde há séculos conhecida, mas bastante esquecida: o amor misericordioso de Deus para com o homem.

A Vossa Santa Vontade é a vida da minha alma.”
(Caderno I, pág. 3)

“Deus encheu a minha alma de luz interior e de um melhor conhecimento d’Ele como sumo bem e suma beleza. Compreendi quanto Deus me amava. É eterno o Seu amor para comigo.”
(Caderno I, pág. 5)

Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da Guarda não se afastava de mim nem por um momento. E perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior sofrimento delas era a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas do Purgatório. As almas chamam a Maria “Estrela do Mar”. Ela lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saímos pela porta dessa prisão de sofrimento. [Ouvi então uma voz interior] que me dizia: A Minha misericórdia não deseja isto, mas a justiça o exige. A partir desse momento, me encontro mais unida às almas sofredoras.”
(Caderno I, pág. 7)

A Irmã deve ter sempre uma grande confiança; Deus é sempre Pai, mesmo na provação.”
(Caderno I, pág. 10)

Uma vez ouvi estas palavras: Vai falar com a Superiora e pede que te permita fazer diariamente uma hora de adoração, durante nove dias; nessa adoração, procura unir a tua oração à de Minha Mãe. Reza de coração em união com Maria e, também, procura durante esse tempo fazer a Via-sacra.”
(Caderno I, pág. 13)

Oh! Se desde o início tivesse tido um diretor espiritual, não teria desperdiçado tantas graças divinas. Um confessor pode ajudar muito à alma, mas pode também estragar muita coisa. Oh! Quanto os confessores devem dar atenção à ação da graça de Deus nas almas de seus penitentes; isso é muito importante. Pelas graças concedidas à alma pode-se conhecer o grau da sua intimidade com Deus.”
(Caderno I; pág. 13)

(Em uma visão do purgatório) “Jesus disse: Basta uma só coisa. Tu descerás à Terra e sofrerás muito, mas não por muito tempo, e cumprirás a Minha vontade e os Meus desejos; um fiel servo Meu te ajudarás a cumpri-los. Agora reclina sua cabeça sobre o Meu peito, sobre o Meu coração, e tira dele força e vigor para todos os sofrimentos, porque em nenhum lugar encontrarás alívio, ajuda ou consolo. Deves saber que sofrerás muito, muitíssimo  mas não te assustes com isso: Eu estou contigo.”
(Caderno I, pág. 14)

Nossa Senhora que me ensinou a amar a Deus interiormente e em tudo cumprir a Sua santa vontade. Sois alegria, ó Maria , porque por Vós Deus desceu à Terra e ao meu coração.”
(Caderno I, pág. 15)

Os sofrimentos e as contrariedades no começo de minha vida religiosa me assustavam e me tiravam a coragem. Era por isso que rezava sem cessar para que Nosso Senhor me fortalecesse e me desse a força do Seu Santo Espírito, a fim de que eu pudesse cumprir em tudo a Sua santa vontade, porque desde o início conhecia e reconheço a minha fraqueza. Sei bem o que sou por mim mesma, por isso Jesus desvendou aos olhos da minha alma todo o abismo da miséria que eu sou, e por isso compreendo bem que tudo que há  de bom na minha alma é unicamente a Sua santa graça. Esse reconhecimento da minha miséria me permite ao mesmo tempo conhecer o abismo da Vossa misericórdia  Na minha vida interior olho com um dos olhos para o abismo da minha miséria e maldade e com outro, para o abismo da Vossa misericórdia, ó Meu Deus.”
(Caderno I, pág. 22)

O sofrimento é uma grande graça. Pelo sofrimento, a alma assemelha-se ao Salvador; no sofrimento, cristaliza-se o amor. Quanto maior o sofrimento, tanto mais puro torna-se o amor.”
(Caderno I, pág. 23)

Ao final da Ladainha vi uma grande claridade e, no meio dela, Deus Pai. Entre essa claridade e a Terra, vi Jesus pregado na cruz e de tal maneira que Deus, querendo olhar para a Terra – tinha que olhar pelas Chagas de Jesus. E compreendi que, por Jesus, Deus abençoava a Terra.”
(Caderno I, pág. 24)

Ó tesouro inesgotável da pureza da intenção, que tornas todas as nossas ações perfeitas e tão agradáveis a Deus.”
(Caderno I, pág. 27)

Certo dia, queixava-me a Jesus por constituir um peso para as Irmãs (pois estava doente). Jesus respondeu-me: Não vives para ti mesma, mas para as almas. Dos teus sofrimentos terão proveito outras almas. O teu contínuo sofrimento lhes dará luz e forças para se conformarem a Minha vontade.”
(Caderno I, pág. 27)

Jesus, Verdade eterna, fortificai as minhas tênues forças. Vós, Senhor, tudo podeis. Sei que nada valem os meus esforços sem Vós. Ó Jesus, não Vos escondais de mim, porque sem Vós não posso viver. Ouvi as súplicas da minha alma! Não se esgotou, Senhor, a Vossa misericórdia  portanto tende compaixão da minha miséria. A Vossa misericórdia excede o entendimento dos Anjos e dos homens justos e, embora me pareça que não me ouvis, coloquei minha confiança no mar da Vossa misericórdia e sei que a minha esperança não será desiludida.”
(Caderno I, pág. 29)

Não me atrasarei em um só passo para Vós, ainda que espinhos firam os meus pés.”
(Caderno I, pág. 29)

Meu Jesus, guiai a minha mente, tomai plena posse de todo o meu ser, encerrai-me no fundo do Vosso Coração e defendei-me dos ataques do inimigo. Em Vós está a minha única esperança. Falai pelos meus lábios quando eu estiver com os poderosos e os sábios,  eu completa miséria, para que reconheçam que a causa é Vossa e de Vós procede.”
(Caderno I, pág. 32)

São Francisco de Assis – Obediência, Pobreza e Castidade

Apresento abaixo o filme completo contando a história de São Francisco de Assis, e logo depois uma das orações do santo que consta no livro “Toutes les Prières de François de Assise” da editora Salvator.

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Oração para melhor realizar a vontade de Deus

Deus todo poderoso, eterno, justo e misericordioso, dai-nos, à nós miseráveis, em causa de Ti mesmo, de realizar o que sabemos que Vós quereis, e sempre querer o que for de Sua Vontade, a fim de que interiormente purificado, interiormente iluminado e abrasado pelo fogo do Espírito Santo, possamos seguir os traços de seu Filho Bem-Amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e, somente pela tua Graça, chegar a Ti, Altíssimo, que em Trinidade perfeita e em simples Unidade, vive e reina e és glorificado, Deus todo-poderoso, agora e sempre. Amém!


Com São José aprender a servir a Deus com humildade e sabedoria

Chamado a proteger o Redentor, «José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa» (Mt 1, 24).

Inspirando-se no Evangelho, os Padres da Igreja, desde os primeiros séculos, puseram em relevo que São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo.

João Paulo II apresenta em sua Exortação Apostólica Redemptoris Custos algumas reflexões sobre aquele a quem Deus «confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos», no intuito de que cresça em todos a devoção ao Patrono da Igreja universal e o amor ao Redentor, que ele serviu de maneira exemplar.

Segue abaixo trechos da Exortação Apostólica:

Desta forma, todo o povo cristão não só recorrerá a São José com maior fervor e invocará confiadamente o seu patrocínio, mas também terá sempre diante dos olhos o seu modo humilde e amadurecido de servir e de «participar» na economia da salvação.  Tenho para mim, efetivamente, que o fato de se considerar novamente a participação do Esposo de Maria no mistério divino permitirá à Igreja, na sua caminhada para o futuro juntamente com toda a humanidade, reencontrar continuamente a própria identidade, no âmbito deste desígnio redentor, que tem o seu fundamento no mistério da Incarnação.

Foi precisamente neste mistério que José de Nazaré «participou» como nenhuma outra pessoa humana, à excepção de Maria, a Mãe do Verbo Incarnado. Ele participou em tal mistério simultaneamente com Maria, envolvido na realidade do mesmo evento salvífico, e foi depositário do mesmo amor, em virtude do qual o eterno Pai «nos predestinou a sermos adoptados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo» (Ef 1, 5).

«José, filho de David, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados».
(Mt 1, 20-21)

O mensageiro dirige-se a José como «esposo de Maria»; dirige-se a quem, a seu tempo, deverá pôr tal nome ao Filho que vai nascer da Virgem de Nazaré, desposada com ele. Dirige-se a José, portanto, confiando-lhe os encargos de um pai terreno em relação ao Filho de Maria.

«Despertando do sono, José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa» (Mt 1, 24). Ele recebeu-a com todo o mistério da sua maternidade ; recebeu-a com o Filho que havia de vir ao mundo, por obra do Espírito Santo: demonstrou deste modo uma disponibilidade de vontade, semelhante à disponibilidade de Maria, em ordem àquilo que Deus lhe pedia por meio do seu mensageiro.

Se Isabel disse da Mãe do Redentor: «Feliz daquela que acreditou», esta bem-aventurança pode, em certo sentido, ser referida também a José, porque, de modo análogo, ele respondeu afirmativamente à Palavra de Deus, quando esta lhe foi transmitida naquele momento decisivo. A bem da verdade, José não respondeu ao «anúncio» do anjo como Maria; mas «fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa». Isto que ele fez é puríssima «obediência da fé» (cf. Rom 1, 5; 16, 26; 2 Cor 10, 5-6).

«Aprouve a Deus — ensina o Concílio — na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, através de Cristo, Verbo Incarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2, 18; 2 Pdr 1, 4)».

O Salvador deu início à obra da salvação com esta união virginal e santa entre José e Maria, na qual se manifesta a sua vontade omnipotente de purificar e santificar a família, que é santuário do amor humano e berço da vida».

Quantos ensinamentos promanam disto, ainda hoje, para a família! Uma vez que «a essência e as funções da família se definem, em última análise, pelo amor» e que à família «é confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja sua Esposa», é na Sagrada Família, nesta originária «Igreja doméstica», que todas as famílias devem espelhar-se. Nela, efetivamente, «por um misterioso desígnio divino, viveu escondido durante longos anos o Filho de Deus: ela constitui, portanto, o protótipo e o exemplo de todas as famílias cristãs».

São José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele «coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos», e é verdadeiramente «ministro da salvação». A sua paternidade expressou-se concretamente «em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da Incarnação e à missão redentora com o mesmo inseparavelmente ligada; em ter usado da autoridade legal, que lhe competia em relação à Sagrada Família, para lhe fazer o dom total de si mesmo, da sua vida e do seu trabalho; e em ter convertido a sua vocação humana para o amor famíliar na sobre-humana oblação de si, do seu coração e de todas as capacidades, no amor que empregou ao serviço do Messias germinado na sua casa».

No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria, permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José – como já foi dito – não proferiu palavra alguma, aquando da sua «anunciação»: «fez como o anjo do Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da «caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram palavra alguma que ele tenha dito. Mas esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).

A aparente tensão entre a vida ativa e a vida contemplativa tem em José uma superação ideal, possível para quem possui a perfeição da caridade. Atendo-nos à conhecida distinção entre o amor da verdade (caritas veritatis) e as exigências do amor (necessitat caritatis), podemos dizer que José fez a experiência quer do amor da verdade, ou seja, do puro amor de contemplação da Verdade divina que irradiava da humanidade de Cristo, quer das exigências do amor, ou seja, do amor igualmente puro do serviço, requerido pela proteção e pelo desenvolvimento dessa mesma humanidade.

Como se diz na constituição do Concílio Vaticano II sobre a Divina Revelação, a atitude fundamental de toda a Igreja deve ser de «religiosa escuta da palavra de Deus»;  ou seja, de absoluta disponibilidade para se pôr fielmente ao serviço da vontade salvífica de Deus, revelada em Jesus. Logo no princípio da Redenção humana, nós encontramos o modelo da obediência encarnado, depois de Maria, precisamente em José, aquele que, se distingue pela execução fiel das ordens de Deus.

Recordando que Deus confiou os inícios da nossa Redenção à guarda desvelada de São José, suplica-lhe: que lhe conceda colaborar fielmente na obra da salvação; e que lhe dê a mesma fidelidade e pureza de coração que animaram José no serviço do Verbo Incarnado; e, ainda, a graça de caminhar diante do mesmo Deus pelas vias da santidade e da justiça, amparados pelo exemplo e pela intercessão de São José.

«Afastai de nós, ó pai amantíssimo, esta peste de erros e de vícios…,
assisti-nos propício, do céu, nesta luta contra o poder das trevas …;
e assim como outrora livrastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim hoje defendei a santa Igreja de Deus das ciladas do inimigo
e de todas as adversidades»

Vendo a fé daqueles homens, perdoou-lhe

E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.
E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico:
Filho, perdoados estão os teus pecados
.”
(Marcos 2:3-6)

«Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’». Como é grande o Senhor! Por causa de uns, perdoa aos outros; de uns recebe a oração, a outros perdoa os pecados. Por que razão, ó homem, não poderá o teu semelhante interceder por ti, quando é um servo que do Senhor alcança e obtém, pela súplica insistente, a graça?

Quem julga, pois, que aprenda a perdoar; e quem estiver doente, a suplicar. E se não esperais o perdão imediato das faltas graves, recorrei a intercessores, recorrei à Igreja, que rezará por vós, e, em consideração a ela, o Senhor vos concederá o perdão que podia ter-vos recusado. Não negamos a realidade histórica da cura do paralítico, apenas queremos aqui realçar sobretudo a sua cura interior, por causa dos pecados que lhe foram perdoados. […]

O Senhor quer salvar os pecadores e demonstra a Sua divindade através do conhecimento que tem dos corações e dos prodígios das Suas acções: «Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer ‘Levanta-te, pega no teu catre e anda’?» E assim faz-lhes ver a imagem completa da Ressurreição, uma vez que, ao curar as feridas do corpo e da alma […], é o homem todo que fica curado.

Fonte: Homilia de Santo Ambrósio.

Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará,
e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte.
Há pecado para morte, e por esse não digo que ore
.”
(1 João 5:16)

Na aparição de Senhora em Lourdes a Bernadete, a Virgem pede insistentemente por Penitência:

 “Penitência! Penitência! Penitência! Reze pela conversão dos pecadores! “

Orar sempre, sem desfalecer

Feliz o homem que conhece a própria fraqueza. Porque esse conhecimento é nele o fundamento, a raiz, o princípio de toda a bondade. […] Quando um homem se sente desprovido de socorro divino, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde. […] Tendo compreendido realmente isto, guarda a oração na sua alma como um tesouro. E, sendo a sua alegria tão grande, faz da oração uma ação de graças. […] Assim, guiado por este conhecimento e admirando a graça de Deus, eleva a voz e louva-O e glorifica-O, exprime a sua gratidão, nos píncaros do seu maravilhamento.

Aquele que conseguiu, verdadeiramente e não em imaginação, alcançar tais sinais e conhecer tal experiência, sabe do que estou a falar e que nada pode impedir isso. Mas que ele cesse de então em diante de desejar coisas vãs. Persevere em Deus, através da oração contínua, no temor de ser privado da abundância do socorro divino.

Todos estes bens são dados ao homem quando este reconhece a sua fraqueza. No seu grande anseio pelo socorro divino, aproxima-se de Deus, permanecendo em oração. E, quanto mais se aproxima de Deus com esta determinação, mais Deus o aproxima dos Seus dons e não lhe retira a Sua graça, devido à sua grande humildade. Pois tal homem é como a viúva que não cessa de pedir ao juiz que lhe faça justiça contra o seu adversário. Deus compassivo retém a Suas graças para que essa reserva incite o homem, que tanta precisão tem d’Ele, a aproximar-se d’Ele e a e a permanecer junto d’Aquele que é a fonte do seu bem.

Escrito por: Santo Isaac, o Sírio (sec. VII), Discursos ascéticos, 1ª série, §21