O que é ter fé em Deus?

«Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim
não fique nas trevas
(Jo 12, 46)

Amar a DeusPensando nesta passagem da Bíblia nos vem a seguinte pergunta: o que é crer em Jesus? O que é ter fé em Deus?

Lendo um livro chamado “Introdução ao estudo de Santo Agostinho” passei por um capítulo que falava sobre a relação entre fé e razão, e lá, encontrei uma importante observação sobre o que é ter fé em Deus… segue o trecho transcrito abaixo (com algumas citações da bíblia):

“Tomada em sua essência, a fé agostiniana é simultaneamente adesão do espírito à verdade sobrenatural e abandono humilde do homem em sua totalidade à graça do Cristo. Ademais, como as duas coisas poderiam se separar? A adesão do espírito à superioridade de Deus supõe a humildade; e a humildade por sua vez, uma confiança em Deus que é, em si mesma, um ato de amor e de caridade. Se tomamos, portanto, a vida espiritual em sua complexidade concreta, aquele que adere a Deus pela fé não submete simplesmente seu espírito a fórmulas; ele curva sua alma e todo o seu ser à autoridade de Cristo, que nos dá o exemplo de sabedoria e nos confere os meios de chegar à ela. Assim entendida, inicialmente, a fé tanto é purificadora como iluminadora; […]

Por isso, o pensamento humano deve também encontrar-se profundamente transformado. A recompensa que ele recebe da fé é precisamente a inteligência. Ele não a receberia se a fé fosse somente uma simples aceitação da autoridade divina, por assim dizer, uma submissão bruta do espírito. E nesse caso, crer é somente acreditar em Deus; o que é preciso, além disso, é querer fazer a vontade de Deus, e é por isso que as Escrituras não nos ordenam somente acreditar em Deus, mas também ter fé em Deus.

«Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?
Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta:
Que creiais naquele que ele enviou.
»
(João 6:28-29)

Sem dúvida, para ter fé Nele, é preciso, antes, acreditar Nele, mas aquele que acredita Nele não necessariamente crê Nele, pois até os demônios acreditam em Deus mas não tem fé em Deus; […]

«Crês que há um só Deus. Fazes bem.
Também os demônios creem e tremem.»
(Tiago 2:19)

«Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus!»
(Marcos 3:11)

O que é, portanto, ter fé em Deus? É, ao acreditar Nele, amá-lo, gostar Dele com ternura, ter comunhão com Ele através do amor, incorporar-se aos seus membros.

«Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.»
(João 14:23-24)

«Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros,
e não buscando a honra que vem só de Deus?»

(João 5:44)

«Tende muito cuidado de pôr em prática os mandamentos e as leis que vos prescreveu Moisés, servo do Senhor: amar o Senhor, vosso Deus, andar em todos os seus caminhos, guardar os seus mandamentos e unir-vos a ele, servindo de todo o vosso coração e de toda a vossa alma
(Josué 22:5)

Eis a fé que Deus exige de nós e que, depois de tê-la exigido, só a encontra em nós porque a doou a nós para, em seguida, poder encontrá-la em nós.

«Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre vós.
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia
(João 6:43-44)

Logo, não é qualquer fé a que Deus reivindica, mas, segundo a palavra do apóstolo: a fé que opera através da caridade.

«Quanto a nós, é espiritualmente,da fé, que aguardamos a justiça esperada.
Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale em Cristo Jesus,
mas sim a fé que opera pela caridade

(Gálatas 5:5-6)

Se esta fé encontra-se em nós, ela nos dará a inteligência, pois nos dá-la é de sua natureza.”

«porque o Senhor é quem dá a sabedoria, e de sua boca é que procedem a ciência e a prudência. Ele reserva para os retos a salvação e é um escudo para os que caminham com integridade; protege as sendas da retidão e guarda o caminho de seus fiéis. Então compreenderás a justiça e a equidade, a retidão e todos os caminhos que conduzem ao bem
(Provérbios 2:6-9)

Jesus

Para complementar essa reflexão sobre a fé em Deus segue abaixo trechos da Encíclica Lumen Fidei do Papa Francisco I:

“Antes da sua paixão, o Senhor assegurava a Pedro: «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça» (Lc 22, 32). Depois pediu-lhe para «confirmar os irmãos» na mesma fé. Consciente da tarefa confiada ao Sucessor de Pedro, Bento XVI quis proclamar este Ano da Fé, um tempo de graça que nos tem ajudado a sentir a grande alegria de crer, a reavivar a percepção da amplitude de horizontes que a fé descerra, para a confessar na sua unidade e integridade, fiéis à memória do Senhor, sustentados pela sua presença e pela ação do Espírito Santo. A convicção duma fé que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e na força da sua graça, animava a missão dos primeiros
cristãos.”

“Nas Atas dos Mártires, lemos este diálogo entre o prefeito romano Rústico e o cristão Hierax: «Onde estão os teus pais?» — perguntava o juiz ao mártir; este respondeu: «O nosso verdadeiro pai é Cristo, e nossa mãe a fé n’Ele». Para aqueles cristãos, a fé, enquanto encontro com o Deus vivo que Se manifestou em Cristo, era uma «mãe», porque os fazia vir à luz, gerava neles a vida divina, uma nova experiência, uma visão luminosa da existência, pela qual estavam prontos a dar testemunho público até ao fim.”

“A fé cristã é fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo. «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16). A fé identifica, no amor de Deus manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e o seu destino último.”

“A plenitude a que Jesus leva a fé possui outro aspecto decisivo: na fé, Cristo não é apenas Aquele em quem acreditamos, a maior manifestação do amor de Deus, mas é também Aquele a quem nos unimos para poder acreditar. A fé não só olha para Jesus, mas olha também a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver.”

“«Cremos em» Jesus, quando O acolhemos pessoalmente na nossa vida e nos confiamos a Ele, aderindo a Ele no amor e seguindo-O ao longo do caminho (cf. Jo 2, 11; 6, 47; 12, 44).”

“A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como resume São Paulo: «Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus.» (Ef 2, 8)”

“Por meio da sua encarnação, com a sua vinda entre nós, Jesus tocou-nos e, através dos sacramentos, ainda hoje nos toca; desta forma, transformando o nosso coração, permitiu-nos — e permite-nos — reconhecê-Lo e confessá-Lo como Filho de Deus. Pela fé, podemos tocá-Lo e receber a força da sua graça. Santo Agostinho, comentando a passagem da hemorroíssa que toca Jesus para ser curada (cf. Lc 8, 45-46), afirma: «Tocar com o coração, isto é crer».”

«Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus
(Efésios 3:17-19)

«Todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.»
(Gálatas 3:26)

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A vontade de Deus

Jesus

A vida humilde, a fidelidade inabalável,
a modéstia nas palavras, a justiça nas ações,
a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes;
o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas;
o manter a paz com os irmãos;
o amar a Deus de todo o coração;
o amá-Lo por ser Pai;
o temê-Lo por ser Deus;
o nada absolutamente antepor a Cristo,
pois também Ele não antepôs coisa alguma a nós;
o aderir inseparavelmente à Sua caridade;
o estar ao pé de Sua cruz com coragem e confiança,
quando se tratar de luta por Seu Nome e Sua honra,
o mostrar firmeza ao confessá-Lo por palavras,
e, no interrogatório, o manter a confiança Naquele por quem combatemos,
e, na morte, o conservar a paciência que nos coroará,
tudo isto é querer ser co-herdeiro de Cristo,
é cumprir o preceito de Deus,
é realizar a vontade do Pai.”

(São Cipriano, bispo de Cartago, século III)

Como preparar-se para a morte

Aqueles que se preocupam com a salvação da própria alma, que sabem que essa vida na terra é apenas um caminho, uma passagem e que a verdadeira vida, somente será vivida na eternidade junto de Deus, têm um medo: de que a morte os encontre despreparados. Como estar atento para que isso não ocorra? Como preparar-se para a morte?

Para ajudar concretamente nessa preparação, apresento abaixo um vídeo recente do Padre Paulo Ricardo e em seguida alguns textos e orações dos santos sobre a questão.

Não há motivos para temer a morte

«O Reino de Deus está próximo» (Lc 21,31). O Reino de Deus, irmãos muito queridos, aproxima-se agora. Com o fim do mundo, anuncia-se já a recompensa da vida, a felicidade da salvação eterna, a segurança perpétua e a alegria do paraíso que outrora perdemos. E já as realidades do céu se sucedem às realidades humanas, as grandes às pequenas, as eternas às temporais. Haverá lugar à inquietação, à apreensão pelo futuro? […]

Com efeito, está escrito que «o justo viverá da fé» (Rm 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, porque não vos alegrareis então ao ser chamados para Ele […], uma vez que estais certos da promessa de Deus e destinados a estar com Cristo? Tomai o exemplo de Simeão, o justo: ele foi verdadeiramente justo e observou fielmente os mandamentos de Deus. Uma inspiração divina tinha-lhe dado a conhecer que não morreria sem primeiro ter visto a Cristo. Assim, quando Cristo, ainda criança, veio ao Templo com Sua mãe, apercebeu-se, iluminado pelo Espírito Santo, de que o Salvador tinha nascido, como lhe tinha sido predito; e, à vista d’Ele, compreendeu que a sua morte estava iminente.

Muito alegre com essa perspectiva e agora seguro de ser em breve chamado para junto de Deus, tomou a criança nos braços e exclamou, bendizendo o Senhor: «Agora, Senhor, deixarás ir em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra, pois os meus olhos viram a Salvação». Demonstrava assim e testemunhava que a paz de Deus pertence aos que O servem, que gozam da doce quietude e da liberdade, quando, subtraídos aos tormentos do mundo, alcançam o refúgio e a segurança eternos. […] É somente então que a alma encontra a paz verdadeira, o repouso total, a segurança duradoura e perpétua.

Escrito por: São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir.

A MORTE DOS SERVOS DE S. JOSÉ É CALMA E SUAVE

Entre os apócrifos encontramos a “História de José o Carpinteiro” do século II, o qual foi escrito para o uso litúrgico dos judeus-cristãos. Neste faz-se uma narrativa colocando na boca do próprio Jesus, o qual teria contado aos apóstolos, reunidos no Monte das Oliveiras, toda a vida de José, inclusive a sua morte. O Dominicano Isidoro Isolani tornou-a conhecida através de sua obra “Summa de  donis S. Joseph”, publicada em 1522. A narrativa assim exprime: “Sentei-me na cabeceira de José e minha mãe sentou-se aos seus pés… Vieram Miguel e Gabriel ao meu pai José. Assim expirou com paciência e com alegria…”. Ainda neste relato Jesus faz uma promessa a quem praticar a devoção para com São José: “Eu abençoarei e ajudarei cada pessoa da Igreja dos justos que no dia de tua memória, Ó José, oferecer um sacrifício a Deus. E quem meditar sobre tua vida, sobre teus cansaços, sobre teu Trânsito deste mundo, quando este morrer, eu cancelarei do livro os seus pecados… Na casa onde houver uma lembrança de Ti, não entrará a  doença e nem a morte improvisamente“.

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Oração de São José ao saber, pelo anjo do Senhor, que sua morte seria em breve

Ó Deus, pai de toda misericórdia e Deus de toda carne, Senhor da minha alma, de meu corpo e do meu espírito! Se é que já se cumpriram todos os dias da vida que me deste neste mundo, rogo-te, Senhor Deus, que envies o arcanjo Micael para que fique do meu lado, até que minha desditada alma saia do corpo sem dor nem turbação. Porque a morte é para todos causa de dor e turbação, quer se trate de um homem, de um animal doméstico ou selvagem, ou ainda de um verme ou um pássaro.

Em uma palavra, é muito dolorosa para todas as criaturas que vivem sob o céu e que alentam um sopro de espírito para suportar o transe de ver sua alma separada do corpo. Agora, meu Senhor, faz com que o teu anjo fique do lado da minha alma e do meu corpo e que esta recíproca separação se consuma sem dor.

Não permitas que aquele anjo que me foi dado no dia em que saí de teu seio volte seu rosto irado para mim ao longo deste caminho que empreendi até vós, mas sim que ele se mostre amável e pacífico. Não permitas que aqueles cujas faces mudam dificultem a minha ida até vós. Não consintas que minha alma caia em mãos do cérbero e não me confundas em teu formidável tribunal. Não permitas que as ondas deste rio de fogo, nas quais serão envolvidas todas as almas antes de ver a glória de teu rosto, voltem-se furiosas contra mim.

Ó Deus, que julgais a todos na Verdade e na Justiça, oxalá tua misericórdia sirva-me agora de consolo, já que sois a fonte de todos os bens e a ti se deve toda a glória pela eternidade das eternidades!

Amém.

Fonte: Livro Apócrifo da Bíblia sobre a vida de São José

Santa Teresa narra as circunstâncias que acompanhavam os últimos instantes das suas primeiras filhas, muito devotas a S. José. « Observei, disse ela, que ao momento do último respiro elas gozavam de grande paz e tranquilidade; a morte delas foi simili ao doce repouso da oração. Nada indicava que dentro delas tivesse agitação da tentação. Aquelas luzes divinas liberam o meu coração do timor da morte. Morrer, me parece agora, a coisa mais fácil para uma fiel devota de S. José».

* Oração a São José para pedir a graça da boa morte

São José, 
que morrestes nos braços de Jesus e Maria, 
meu amável protetor, 
socorrei-me em todas as necessidades 
e perigos da vida, 
mas principalmente na hora suprema, 
vindo suavizar minhas dores, 
enxugar minhas lágrimas, 
fechar suavemente meus olhos, 
enquanto pronunciar 
os dulcíssimos nomes: 
Jesus, Maria, José, 
salvai a minha alma.

Amém!

Mensagem do Senhor a Virgem Maria sobre a hora da morte

Maria

Minha caríssima filha, não é sem motivo que teu coração sentiu particular compaixão pelos que se acham em perigo de morte, desejando ajudá-los nessa hora. Realmente, conforme entendeste, naqueles momentos sofrem as almas incríveis e perigosos trabalhos por parte das ciladas do demônio, da própria natureza e dos objetos visíveis. Aquele instante é o termo do processo da vida que receberá a última sentença: de morte ou de vida eterna, de pena ou glória perpétua.

O Altíssimo, que te inspirou aquele desejo, quer aceitá-lo para que o executes. De minha parte, te confirmo o mesmo e te admoesto a colaborares com todo esforço possível para nos obedecer. Adverte, pois, amiga: quando Lúcifer e seus ministros das trevas reconhecem, pelos acidentes e causas naturais, que a pessoa está com perigosa e mortal enfermidade, imediatamente preparam toda sua malícia e astúcia, para investir contra o pobre e ignorante enfermo, e tentar derrubá-lo com diversas tentações. Como a esses inimigos está a terminar o prazo de perseguir a alma, querem suprir a falta de tempo pela violência da ira e maldade.

Os últimos combates

Para isto, reunem-se como lobos carniceiros, e examinam de novo o estado do enfermo: seu temperamento natural ou adquirido, suas inclinações, hábitos e costumes, e qual seu lado fraco por onde atacá-lo mais.

Aos que têm desordenado apego à vida, persuadem que o perigo não é tanto e impedem que outros o avisem. Aos que foram remissos e negligentes no uso dos sacramentos, reforçam-lhe a tibieza, sugerem-lhes maiores dificuldades e adiamentos, para que morram sem eles ou os recebam sem fruto e com más disposições. A outros, propõem sugestões de vergonha, para não abrirem suas consciências e declararem seus pecados. A estes, embaraçam e retardam, para não manifestarem seus compromissos e não desenredarem a consciência. Àqueles que amam a vaidade, lhes propõem ordenar, naquela última hora, muitas coisas vãs e soberbas, para serem cumpridas depois de sua moite. Aos avarentos e sensuais inclinam com muita força ao que cegamente amaram.

De todos os maus hábitos e costumes, vale-se o cruel inimigo para arrastá-los atrás de objetos e assim lhes dificultar ou impossibilitar a salvação. Cada ato pecaminoso praticado durante a vida, e que contribui à aquisição de hábitos viciosos, constitui penhor e arma para o comum inimigo lhes fazer guerra naquela tremenda hora da morte.

Cada apetite satisfeito, abre-lhe o caminho para penetrar na fortaleza da alma. Uma vez dentro dela, lança-lhe seu depravado hálito e levanta densas trevas que são seu efeito. Tudo isto para que não acolham as divinas inspirações, não tenham verdadeira contrição de seus pecados e não façam reparação de sua má vida.

Desprezo dos meios de salvação

Geralmente fazem estes inimigos grande estrago naquela hora, sugerindo a ilusória esperança de que os enfermos ainda viverão, e com o tempo poderão executar o que, no momento, Deus lhes inspira por seus anjos. Com esta ilusão se enganam e perdem. Grande é também, naquela hora, o perigo dos que durante a vida desprezam o socorro dos santos sacramentos.

Este desprezo, muito ofensivo ao Senhor e aos santos, a divina justiça costuma castigar abandonando estas almas ao próprio conselho, pois não quiseram se aproveitar do remédio no tempo oportuno. Tendo-o desprezado, merecem, por justos juízos, serem desprezados na última hora, para a qual prorrogaram com louca ousadia, a busca da salvação eterna.

Poucos são os justos a quem no último combate, a antiga serpente não ataca com incrível sanha. Se aos grandes santos pretendem então derrubar, que podem esperar os viciosos, negligentes e cheios de pecados? Estes, que empregam toda a vida para desmerecer a graça e favor divino e não possuem as obras que os possam defender contra o inimigo?

Diz a Virgem Maria: Meu santo esposo José foi um dos que gozaram o privilégio de não ver nem sentir o demônio naquele transe. Quando os malignos tentaram se aproximar, sentiram que uma força poderosa os mantinha distantes, e foram pelos santos anjos, repelidos e precipitados no abismo. Ao se sentirem tão oprimidos e aterrados – a teu modo de entender – ficaram confusos, sobressaltados e aturdidos. Isto deu motivo para Lúcifer reunir no inferno uma junta ou conciliábulo, investigando se, por acaso, nele já se encontrava o Messias.

Tal vida, tal morte

Daqui compreenderás o grande perigo da morte, e quantas almas perecem naquela hora, quando começam a frutificar os méritos e os pecados.

Não te declaro os muitos que se condenam, para não morreres de pena, se tens verdadeiro amor ao Senhor. A regra geral, porém, é que à virtuosa vida segue-se boa morte; o resto é duvidoso, raro e contingente. O remédio e segurança é prevenir-se muito antes. Por isto, advirto-te que, ao veres a luz no amanhecer de cada dia, penses ser aquele o último de tua vida. E, como se de fato fosse, pois não sabes se o será, ordenes tua alma de modo a receber alegremente a morte, se ela vier. Não demores um instante em te arrependeres dos pecados, com propósito de os confessar se os tiveres, e emendar até a mínima imperfeição.

Não deixes em tua consciência falta alguma repreensível, sem te doeres e te lavares com o sangue de Cristo, meu Filho santíssimo. Põe-te no estado em que possas aparecer na presença do justo Juiz, que te examinará e julgará até o mínimo pensamento e movimento de tuas potências.

Orar pelos agonizantes

Para ajudares, como desejas, aos que estão naquele perigoso fim, em primeiro lugar aconselha a todos o mesmo que te advirto: cuidem da alma durante a vida e assim terão feliz morte. Além disso, rezarás nessa intenção todos os dias, sem falta.

Fervorosamente, suplica ao Todo-poderoso que aniquile os enganos do demônio, quebre os laços e ciladas que armam aos agonizantes, e sejam humilhados por sua destra divina.

Sabes que eu fazia tal oração pelos mortais, e quero que me imites nisso. Do mesmo modo te ordeno que, para mais ajudá-los, mandes aos demônios que deles se afastem e não os oprimam. Bem podes usar deste poder, mesmo que não estejas presente, pois o está o Senhor em cujo nome hás de subjugá-los, para maior honra e glória de Deus.

Fonte: Obra Mística Cidade de Deus de Madre Maria de Jesus (terceiro tomo, 5º livro, capítulo 15).

Para saber mais sobre a intercessão da Virgem Maria na hora da morte acesse aqui!

A paciência de Jesus

biblia2Ó meu Deus, suportai-me ainda um pouco – continuai comigo apesar de transviado, perverso e ingrato! Eu progrido bem devagar, mas estou realmente avançando na direção do céu. Eu Vos coloco antes de mim, vil pecador que sou, e estou realmente pensando com seriedade em salvar minha alma. Dai-me tempo para coligir meus pensamentos e fazer uma tentativa séria.

Protesto que deixarei de lado este langor e tibieza – irei chacoalhar este mau humor, desânimo e melancolia – irei me reanimar e, bem-disposto, caminharei em Vossa luz. Não terei outra esperança ou alegria além de Vós. Dai-me apenas a Vossa graça – encontrai-me com a Vossa graça, eu através de Vossa graça farei o que puder – sereis Vós a aperfeiçoá-la em mim. Então terei dias felizes em vossa presença, podendo ver e adorar as Vossas cinco Chagas Sagradas.

Escrito pelo Bem-aventurado Cardeal Newman

 «Como protestante, a minha religião parecia-me miserável, mas não a minha vida. E agora, como católico, a minha vida é miserável, mas não a minha religião».

Obrigado a ti, mulher!

obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade.

flores

Obrigado a ti, mulher-mãeque te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposaque unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmãque levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadoraempenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do «mistério», à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagradaque, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta «esponsal», que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulherpelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas.

Fonte:  Trecho da carta de João Paulo II às mulheres em 1995.

Em paz quanto ao futuro

Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti;
porque ele confia em ti.”
(Isaías 26:3)

Todos gostaríamos de experimentar a perfeita paz, mas, ao olhar o mundo, nossa vida e nosso futuro, é difícil imaginar que a paz que  experimentamos possa a vir a ser perfeita. Embora Deus nos prometa um futuro cheio de esperança e benção, Ele não virá automaticamente. Há coisas que nós devemos fazer. Uma delas é orar (Jr 29:11-13). Outra obedecer a Deus (Ap 14:12).

Sempre que orar e obedecer, estará investindo em seu futuro. Embora viva em um mundo onde sua vida pode mudar num instante e não tenha certeza de como será o amanhã, Deus é imutável. Você talvez não conheça os detalhes do porvir, mas pode estar certa de que Deus conhece e vai conduzi-la em segurança. De fato, a maneira de alcançar o futuro que Deus tem para você é andar junto do Senhor hoje.

futuro

Andar com Deus não significa ausência de obstáculos. Satanás os providenciará. Enquanto Deus planeja um bom futuro para você (sua santificação – 1Ts4:3), o diabo também está agindo (Ef 6:11 , Tg 4:7). A diferença é que o plano dele não é bom. Entretanto, se você estiver andando com Deus, vivendo em obediência e na Palavra, adorando só a Ele e orando sem cessar, o plano diabólico será frustrado.

Seu futuro está nas mãos de Deus. A única coisa de fato importante é o que Ele diz a respeito. Ele não quer que você se preocupe com seu futuro (Mt 6:34). Deseja que se ocupe Dele, porque Ele é o seu futuro (Lc 9:23). Lembre-se que você é filho de Deus e Ele o ama (1Jo 4:10). À medida que andar com o Senhor você se assemelhará cada vez mais a Ele (1Jo 3:1-3). Enquanto O contemplar, você será transformado “de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor (2Co 3:18). À medida que viver com Ele, o Senhor o levará de força em força.

Deus busca pessoas que se comprometam a viver conforme a vontade e propósitos Dele. Você é uma dessas pessoas. Oro para que esteja preparado e pronto quando Deus disser: “Esta é a hora“, e as portas da oportunidade se abram. Continue a agir corretamente e quando menos esperar receberá um chamado de Deus para realizar sua tarefa.

A paz perfeita pode ser uma realidade. Lembre-se: Deus “é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera (Ef 3:20). Ele tem mais para você do que  pode imaginar. E agora que “o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo” (Rm 15:13).

Mantenha-se concentrada em Deus. Como escreveu Isaías, Deus vai mantê-la em “perfeita paz” porque você confia Nele.

amor de Pai

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;”
(Hb 12:14)

Fonte: A Bíblia da Mulher que Ora de Stormie Omartian.

Tenho-Vos ofendido, Deus meu!

OrarEu, ruim e indigna criatura, me lanço a vossos pés, Deus meu, e, com o coração contrito e aflito, reconheço e confesso diante de Vós, Redentor de minha alma, que, desde o instante em que nasci até agora, tenho cometido inumeráveis negligências e pecados. Tenho-Vos ofendido, Deus meu! Pequei, Senhor! Porém, detesto os meus pecados e me arrependo do íntimo do coração. Por isso, prometo solenemente não mais pecar. Porém, se Vós, em vossa altíssima sabedoria, prevedes que posso novamente ofender-Vos e cair outra vez no vosso desagrado, de todo o coração Vos peço que me leveis agora desta vida, em vossa graça.

Oxalá a minha dor fosse tão grande que o propósito de não mais Vos ofender permanecesse sempre imutável! Porque Vos devo infinito agradecimento pela vossa divina bondade e porque mereceis que Vos ame sobre todas as coisas, arrependo-me de meus pecados, não tanto para livrar-me dos tormentos eternos que por eles mereci, nem para gozar das delícias do Céu, que tão inconsideradamente desprezei, como porque vos desagradam a Vós, Deus meu, que, por vossa bondade e infinitas perfeições, sois digno de infinito amor.

Oxalá todas as criaturas Vos mostrem, sem interrupção, amor, reverência e agradecimento. Amém.

Fonte: Resumo do ato de contrição que usava o Venerável Marcos de Aviano, religioso capuchinho.