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Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração

Li que Deus é amor (1Jo 4,16) e não que Ele é honra ou dignidade. Não é que Deus não queira ser honrado, visto que disse: «Se Eu sou Pai, onde está a honra que me é devida?» (Ml 1,6). Fala aqui como Pai. Mas, se Se mostrasse como esposo, penso que mudaria o Seu discurso para: «Se Eu sou Esposo, onde está o amor que Me é devido?» (Ef 5,23) Pois já anteriormente tinha dito: «Se Eu sou Senhor, onde está o respeito por Mim?». Ele pede pois para ser respeitado como Senhor, honrado como Pai, amado como Esposo.

Desses três sentimentos, qual é o mais valioso? O amor, sem dúvida. Pois sem amor o respeito é árduo e a honra fica sem retribuição. O temor é servil enquanto o amor não o vem validar, e uma honra que não é inspirada no amor não é uma honra, é adulação. Claro que só a Deus são devidas a honra e a glória, mas Deus só as aceita temperadas com o mel do amor.

O amor é auto-suficiente, agrada por si mesmo, é o seu próprio mérito e a sua recompensa. O amor não quer outra causa, outro fruto, senão ele próprio. O seu verdadeiro fruto é ser. Amo porque amo. Amo para amar. De todos os movimentos da alma, de todos os seus sentimentos e afetos, o amor é o único que permite à criatura responder ao seu Criador, senão de igual para igual, pelo menos de semelhante para semelhante (cf Gn 1,26-27).

Fonte:  Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, nº 83, de São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja.

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Fazeis isto em memória de mim

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei:
que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue;
fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim
.
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice
anunciais a morte do Senhor, até que venha
.”
(1 Coríntios 11:23-26)

 

Celebrando a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a Igreja entende manifestar o próprio agradecimento a Deus Pai pelo dom do Seu Filho Jesus para a nossa salvação. Além do mais, através desta solenidade, os mesmos fiéis são convidados a refletir sobre o mistério da Eucaristia, mistério do qual participamos no Domingo, dia do Senhor, quando fazemos o memorial da sua morte e ressurreição.

A Igreja desde a antigüidade nos ensina que o nosso Batismo é finalizado na Eucaristia, isso quer dizer que a nossa vida cristã se realiza e, ao mesmo tempo se fortalece, só através da Eucaristia, pois é naquela circunstância que nos alimentamos do mesmo Cristo que recebemos no Espírito no dia do Batismo. A vida cristã é vida em Cristo, pois a humanidade gloriosa de Cristo deve resplandecer na sua Igreja. As leituras que ouvimos nos apresentam o sentido da vida de Jesus que deve ser também o nosso. Aquilo que Jesus é por natureza, nós conseguimos alcançá-lo no sacramento e pela graça de Deus. Por essa razão é importante aproveitar da solenidade para pararmos um momento e refletir sobre o mistério da Eucaristia no qual é contido também o mistério da nossa mesma existência.

Na noite em que foi entregue, O Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isso em memória de mim. Do mesmo modo depois da ceia tomou o cálice…” (1 Cor 11, 23s). O problema que devemos enfrentar é este: o que Jesus quis dizer com este gesto? O que significa este rito? Porque Jesus pediu de repeti-lo?

Aquilo que Jesus realizou, se olhado bem de perto, purificado de qualquer pré-compreensão, é um ato extremamente humano, carregado de humanidade, pois com este gesto do pão e do vinho Jesus desvenda de uma vez para todas o sentido da sua vida. Outro dado importante é que este gesto, esta revelação, Jesus realizou perante os seus discípulos, ou seja, os únicos que o tinham acompanhado desde o começo. Isso quer dizer que, para desvendarmos o mistério deste rito, precisamos ser discípulos de Jesus, ou seja, precisamos querer conhecê-lo, amá-lo, segui-lo. O mistério da Eucaristia se desvenda ao longo do caminho do discipulado: não é algo que se aprende com os instrumentos da pura razão, mas se desenrola ao longo da vida cristã. E esta necessidade de sermos discípulos também é percebida quando Ele diz: “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor“, pois mostra que somente aqueles que discernem o corpo do Senhor comem e bebem dignamente.

Em segundo lugar, é bom salientar que o gesto que Cristo realizou na ceia derradeira resume o sentido da sua vida. De fato, Jesus veio ao mundo para manifestar à humanidade toda, perdida no egoísmo, o sentido de uma vida no amor, uma vida que realiza aquela vocação originária, que Deus tinha entregue ao homem antes do pecado. Neste sentido, qualquer pecado é sempre algo que afeta a vocação ao amor. Jesus realizou a sua vida de amor entregando-se totalmente, doando-se sem poupar nada de si. O pensamento dele era só para as pessoas que estavam ao seu redor: nada para si, tudo para eles. A vida de Jesus foi uma vida totalmente partida, por assim dizer, para os seus. É isso que impressiona, folheando com amor as páginas do Evangelho. Quanto mais se doa, tanto mais Jesus cresce: nunca se esgota. Multidões de pessoas se aproximam a Ele cada uma querendo tirar o próprio proveito, e Jesus nunca fica vazio, mas sempre tem de sobra de tudo, de amor, de atenção. Jesus nunca se cansa de amar. O amor que Ele doa não depende do amor dos outros, daquilo que recebe em troca. A maneira de Jesus amar, que é o sentido autêntico do amor, é uma crítica radical e profunda da nossa maneira egoística de amar. Nós amamos com a pretensão humana de sermos correspondidos, pois a fonte do nosso amor está no outro.

Em Jesus a fonte do amor está em Deus, no Pai que Ele busca dia e noite. É este amor divino que Jesus derrama de mãos cheias na humanidade que encontra. Por isso não se machuca se não for correspondido, pois não é isso que procura, mas somente que alguém receba um pouco do amor divino, que alguém participe daquela superabundância de amor do qual Cristo mesmo vive e participa. Este amor desinteressado, cuja fonte está em Deus, critica na raíz os nossos amores demasiadamente interessados que, na realidade, são formas disfarçadas de egoísmo. Por isso ficamos machucados se não formos correspondidos; ficamos tristes e até deprimidos toda vez que o nosso amor, por assim dizer, é desatendido. Nessa altura poderíamos nos perguntar: como é possível viver no mundo amando a todos e a todas sem nos esgotar? Como é possível vivermos como se fossemos também nós como Cristo, uma fonte inesgotável de amor (cf. Jo 7:37-39)?

Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice estareis proclamando a morte do Senhor até que ele venha” (1 Cor 11, 26).

Parece impossível viver a nossa vocação ao amor, que é a forma como Jesus nos amou, sem nos esgotarmos. Precisamos de algo que possa derreter o egoísmo que está enraizado em nós. Precisamos de algo que possa preencher o nosso vazio, pois toda vez que amamos e não somos correspondidos, ficamos com um vazio terrível dentro de nós. Toda vez que percebemos que alguém está se aproximando de nós por puro interesse, isso provoca sentimentos extremamente negativos. Para que a nossa fonte de amor nunca se esgote  precisamos do Corpo de Cristo, do corpo do Filho de Deus que veio ao mundo esbanjando amor sem nunca se esgotar.

Na ceia derradeira Jesus não apenas nos convidou para celebrarmos um rito, mas para imitarmos a sua vida. “Fazeis isto em memória de mim”, não é apenas um comando que se refere à forma externa dos gestos que Ele realizou naquela circunstância, mas sobretudo ao sentido que aqueles gestos tinham. Jesus na ceia derradeira convidou os discípulos a continuar na história o mesmo jeito dele amar, ofereceu para eles o alimento que os sustentariam. Sem a Eucaristia ninguém consegue amar do jeito que Jesus amou. Por isso no domingo, quando nos aproximamos da mesa Eucarística, não estamos cumprindo um preceito ou uma obrigação, mas estamos tomando o único alimento que nos permite realizar a nossa vocação. Jesus nos convidou para comer, ou seja, num sentido espiritual, a interiorizar o seu corpo, ou seja, a sua pessoa, o seu jeito de ser, de viver, de amar. Jesus nos convidou a internalizar a sua mesma vida para que a pudéssemos doar aos outros.

Agradecemos a Deus de ter nos oferecido o Seu Filho Jesus, alimento espiritual da nossa vida, motivo da nossa alegria plena.

Escrito por: Pe. Paolo Cugini em Bíblia Interpretada.

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;”
(2 Coríntios 4:5-10)

O verdadeiro amor na familia

Passam-se os anos e constata-se que mais e mais o verdadeiro amor que constroi  a família está sumindo, e as pessoas vivendo paixões egoístas, e ainda dizendo estar amando. Para refletir sobre isso, apresento abaixo um texto escrito por Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, da CNBB; e depois trechos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio escrita por João Paulo II que fala sobre a função da família cristã no mundo de hoje.

Numa sociedade que o individualismo tem uma grande força, as realizações, interesses, prazeres e desejos pessoais vêm antes das relações familiares. A família é vista como estorvo, pois exige sacrifícios, e é jogada fora. A família precisa vencer este egoísmo e crescer no amor.

O grande desafio da família é crescer no verdadeiro amor e para isso é preciso olhar para o modelo da Santíssima Trindade e para Jesus, porque ali se encontra o amor em sua perfeição mais elevada.

E qual é a característica do amor na Santíssima Trindade? Na Santíssima Trindade uma Pessoa se doa totalmente a Outra. O Pai se doa ao Filho e o Filho se doa ao Pai e o dom entre eles é o Espírito Santo.

E por outro lado qual é a característica de Jesus? É o amor que se doa. Ele ama com a paixão de um homem por uma mulher num amor de doação. Assim Ele ama a Igreja, dando Sua vida por ela. A Eucarístia e a Cruz são o ponto alto disso.

Assim, o grande desafio é não ficar numa vivência de amor precária, primitiva, vulnerável, uma maneira de amar típica de um adolescente que diz “eu gosto dessa pessoa e a quero para mim”. A maneira mais madura de amar que vem do exemplo de Jesus é aquela que diz “eu gosto daquela pessoa e estou disposto a doar a minha vida para a felicidade e o bem dela”.

Para enfrentar este desafio é necessário ter consciência do que é a relação com Cristo, entender o Sacramento do Matrimônio e entender o valor do sacrifício em benefício do outro. Aconselho os casais a participar de movimentos voltados para a família, pois a troca de experiência com outras famílias pode ajudar a entender os desafios do cotidiano e como lidar com as situações específicas de cada família.

A comunhão de amor entre Deus e os homens, conteúdo fundamental da Revelação e da experiência de fé de Israel, encontra uma sua significativa expressão na aliança nupcial, que se instaura entre o homem e a mulher.

É por isto que a palavra central da Revelação, «Deus ama o seu povo», é também pronunciada através das palavras vivas e concretas com que o homem e a mulher se declaram o seu amor conjugal. O seu vínculo de amor torna-se a imagem e o símbolo da Aliança que une Deus e o seu povo. E o mesmo pecado, que pode ferir o pacto conjugal, torna-se imagem da infidelidade do povo para com o seu Deus: a idolatria é prostituição, a infidelidade é adultério, a desobediência à lei é abandono do amor nupcial para com o Senhor. Mas a infidelidade de Israel não destrói a fidelidade eterna do Senhor e, portanto, o amor sempre fiel de Deus põe-se como exemplar das relações do amor fiel que devem existir entre os esposos.

A comunhão entre Deus e os homens encontra o seu definitivo cumprimento em Jesus Cristo, o Esposo que ama e se doa como Salvador da humanidade, unindo-a a Si como seu corpo.

Ele revela a verdade originária do matrimônio, a verdade do «princípio» e, libertando o homem da dureza do seu coração, torna-o capaz de a realizar inteiramente.

Esta revelação chega à sua definitiva plenitude no dom do amor que o Verbo de Deus faz à humanidade, assumindo a natureza humana, e no sacrifício que Jesus Cristo faz de si mesmo sobre a cruz pela sua Esposa, a Igreja. Neste sacrifício descobre-se inteiramente aquele desígnio que Deus imprimiu na humanidade do homem e da mulher, desde a sua criação; o matrimônio dos batizados torna-se assim o símbolo real da Nova e Eterna Aliança, decretada no Sangue de Cristo. O Espírito, que o Senhor infunde, doa um coração novo e torna o homem e a mulher capazes de se amarem, como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal, que é o modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a Cruz.

Acolhendo e meditando fielmente a Continuar lendo

Eu realmente amo a Deus?

“Como posso saber se realmente amo a Deus?” Como saber se meu amor não é fingido, hipócrita, fruto da conveniência ou um subproduto da religião?

Será quando faço o que é certo? Sim, talvez uma grande virtude moral possa ser a prova do meu amor por Deus. Contudo, o que dizer daquelas pessoas que fazem as coisas certas por motivos errados? Daqueles que não roubam, matam ou infringem leis porque tem medo de ir parar na prisão? Nem sempre aqueles que fazem o que é certo, o fazem pelas motivações corretas, de onde concluímos que não é fazendo coisas que demonstro que amo a Deus.

Será quando eu guardo os mandamentos? Pode ser. Jesus mesmo disse: “Se me amais, guardareis meus mandamentos”, logo, aquele que guarda os mandamentos pode estar amando a Deus. Porém, não devemos ignorar o fato de que no passado havia criaturas muito religiosas que guardavam muitos mandamentos, mas definitivamente não amavam a Deus, como por exemplo, os fariseus. E o que me impede de crer que mesmo hoje haja estas criaturas, que se camuflam na religião e fazem tudo que é certo, mas somente porque querem ser reconhecidos pelos demais? Por isso, guardar os mandamentos também não pode ser tomado como a “prova dos noves”.

Pode ser que medindo meu amor pelo meu irmão, encontre a resposta. Porém, devo admitir que amar os irmãos não é suficiente, e que é preciso aprender também a amar e a suportar quem é diferente de mim, pois se eu apenas cumprimentos os meus companheiros de fé, serei no máximo um fariseu melhorado.

Talvez se eu ajudar os  Continuar lendo

Amar os inimigos

Por que razão amar os nossos inimigos é de crucial importância nos Evangelhos?

No capítulo 6 do Evangelho de Lucas, depois das Bem-aventuranças, Jesus exorta longamente os seus discípulos a que respondam ao ódio com amor (Lucas 6,27-35; cf. Mateus 5,43-48).

Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam; Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses; E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir. E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto.
Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus. 
(Lucas 6:27-35)

Esta passagem ajuda-nos a compreender que o amor aos adversários é uma característica dos discípulos de Cristo.

As palavras de Jesus indicam duas maneiras de viver. A primeira é a dos que se comportam sem referência a Deus e à sua Palavra. Esses agem em relação aos outros em função da maneira como eles os tratam, a sua reação é de fato uma reação. Dividem o mundo em dois grupos, os amigos e os que o não são, e fazem prova de bondade só em relação aos que são bons para eles. A outra forma de viver não põe em primeiro lugar um grupo de homens, mas sim o próprio Deus. Deus, por seu lado, não reage de acordo com a maneira como o tratam; pelo contrário, «Ele é bom até para os ingratos e os maus» (Lucas 6,35).

Jesus chama assim a atenção para a característica essencial do Deus da Bíblia. Fonte transbordante de bondade, Deus não se deixa condicionar pela maldade de quem está à sua frente. Mesmo esquecido, mesmo injuriado, Deus continua fiel a si próprio, só pode amar.

Séculos antes da vinda de Jesus Cristo, um profeta explica que, diferentemente dos homens, Deus está sempre pronto a perdoar: «Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos.» (Isaías 55,7-8) O profeta Oseias, por seu lado, ouve o Senhor dizer-lhe: «Não desafogarei o furor da minha cólera… porque sou Deus e não um homem.» (Oseias 11,9) Numa palavra, o nosso Deus é misericordioso (Êxodo 34,6; Salmo 86,15; 116,5 etc.).

A grande novidade do Evangelho não é tanto o fato de que Deus é Fonte de bondade, mas que os homens podem e devem agir à imagem do seu Criador: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso!» (Lucas 6,36). Através da vinda do seu Filho até nós, esta Fonte de bondade está agora acessível. Tornamo-nos, por nosso lado, Continuar lendo

As recompensas da obediência

Ao receber sua conta de luz, você pode ter pelo menos quatro razões para não pagá-la :

  1. «Não tenho dinheiro suficiente. »
  2. « Não quero pagá-la. »
  3. « Não  sabia que tinha de fazê-lo. »
  4. « Esqueci. »

Qual desses argumentos você acha que a empresa de eletricidade aceitaria como aceitável para você não fazer o pagamento ?

Adivinhou ! Nenhum deles.

Qual dessas mesmas quatro razões Deus aceita como boa desculpa para você não viver em obediência ?

Acertou de novo ! Nenhuma.

Não importa se não nos parece possível cumprir seus desejos, se nos rebelamos abertamente, se não sabemos o certo a fazer ou se esquecemos de fazer o certo. O resultado ainda é o mesmo : trevas.

Quando não vivemos como Ele nos pede, sacrificamos grande parte da luz que poderíamos desfrutar. Não experimentamos o grau de proteção, orientação e respostas à oração que de outro modo sentiríamos. Perdemos certas bênçãos quando não estamos dispostos a fazer o que vem antes.

Quando obedecemos a Deus, somos protegidos. Noé foi chamado para construir a arca porque Deus disse : « …porque te hei visto justo » (Gn 7 :1). Foi basica- mente a retidão de Noé que o salvou e a sua família da destruição. Podemos aca- bar nos lugares mais esplendorosos, lugares em que não pensaríamos em ir por nos mesmos, simplesmente porque Deus vê que desejamos viver de acordo com a vontade Dele. Quando O amamos o suficiente para obedecer ao que nos pede, permanecemos sob Sua proteção.

Quando obedecemos a Deus, podemos ser guiados por Ele.

Há caminhos certos e caminhos errados. Não podemos confundi-los. Se obede- cermos a Deus, Ele nos dará a luz da Sua revelação e nos conduzirá aonde preci- samos ir.

Quando  obedecemos a Deus, encontramos repostas para as orações. Se você acha que não tem obtido respostas a suas orações, peça a Deus que lhe mostre se você negligenciou a obediência em alguma área de sua vida.  A Bíblia diz que «qualquer coisa que lhe pedirmos, Dele a receberemos, porque guardamos os Seus mandamentos e fazemos o que é agradável à sua vista » (1Jo 3 :22). Há uma correlação direta entre obediência e oração respondida.

Deus não pretende ser ditador, apenas quer nos mostrar como a vida funciona melhor. Esta nos dizendo : « Se você fizer isto, eu faço aquilo ». Independente- mente da área em que Ele nos pede obediência, podemos ter certeza de que Ele esta tentando nos ensinar algo para nosso benefício.

Peça a Deus que lhe mostre se existem alguns passos de obediência que deseja que você dê. Ele vai lhe dizer. Você pode estar certo disso. Quando você chegar a ponto de confiar Nele tão completamante que obedecerá tudo o que Ele disser, vai descobrir que a obediência não é assim tão difícil, mas um privilégio. Você obedecerá a Deus porque o ama e porque as recompensas são maravilhosas. Obedecerá porque não quer que nada se interponha entre você e Deus. Obedece- rá porque esta disposta a pagar qualquer preço para que sua luz não seja apaga- da.

Ame e respeite sua esposa, como Cristo ama a sua Igreja!

O que deves dizer a tua mulher?
Diz-lhe com muita ternura: «Escolhi-te, amo-te e prefiro-te à minha própria vi- da. A existência presente nada é; por essa razão, as minhas orações, as minhas recomendações e todas as minhas ações destinam-se a fazer que nos seja dado passar esta vida de tal maneira, que voltemos a reunir-nos na vida futura sem qualquer receio de separação. O tempo que vivemos é breve e frágil. Se nos for dado agradar a Deus durante esta vida, estaremos para sempre com Cristo e um com o outro, numa felicidade sem limites. O teu amor arrebata-me mais que tudo, e não conhecerei infelicidade tão insuportável como a de estar separado de ti. Mesmo que tivesse de perder tudo, de ser pobre que nem um mendigo, de passar pelos maiores perigos e de sofrer fosse o que fosse, tudo isso me seria su- portável desde que o teu afeto por mim não diminuísse. Só com base neste amor desejo ter filhos

E convém que adeques o teu comportamento às palavras. […] Mostra à tua mu- lher que aprecias viver com ela e que, por causa dela, preferes estar em casa que na rua. Prefere-a a todos os teus amigos, e mesmo aos filhos que ela te deu; e que estes sejam amados por ti por causa dela. […]

Fazei as vossas orações em comum. Ide à igreja e, ao regressar a casa, contai um ao outro o que foi dito e o que foi lido. […] Aprendei a temer a Deus, e tudo o res- to decorrerá daqui, e a vossa casa encher-se-á de inúmeros bens. Aspiremos aos bens incorruptíveis, que os outros não nos faltarão. Procurai primeiro o Reino de Deus, e o resto ser-vos-á dado por acréscimo, diz-nos o evangelho (Mt 6, 33).

Homilia de São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia,
depois Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja.