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Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á

… e qualquer que a perder por amor de Jesus,
salvá-la-á.”

Muitas pessoas quando ouvem ou lêem essa passagem (Marcos 8:35 , Lucas 9:24 , Mateus 16:25 ), ficam chocados ou não compreendem bem o que ela diz. Para ajudá-las no entendimento, colocarei trechos bíblicos que esclarecem.

Antes de mais nada, questiona-se como pode, aqueles que “procuram salvar a suas vida, perdê-la-ão“?   Primeiramente, como é possível “salvar nossa vida“?

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”
(João 3:17)

E,

Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”
(Romanos 10:9)

Pois, como Jesus nos disse:

Eu sou o caminho, e a verdade e a vida;
ninguém vem ao Pai, senão por mim
.”
(João 14:6)

E também:

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”
(João 14:23)

E por fim, Ele nos diz:

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará,
e sairá, e achará pastagens.”
(João 10:9)

Assim para salvar-nos devemos seguir ao Senhor, e para isso Ele nos diz…

Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo,
e tome cada dia a sua cruz, e siga-me
.”
(Lucas 9:23)

Assim todo aquele que quiser se salvar terá que renunciar a si próprio e tomar sobre si sua cruz. Daí, entendemos o porquê do “perdê-la-á“. Agora vamos compreender a segunda parte: “qualquer que a perder por amor de Jesus, salvá-la-á“.

Vamos lembrar o que Jesus nos diz em (João 11,25):

Eu sou a ressurreição e a vida;
quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá

E nos perguntamos: como pode estarmos mortos e ainda viver? E São Paulo nos responde em (Romanos 8:10):

E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.”

E como viveremos?

E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.”
(Romanos 8:11)

E como saber se o Espírito que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em nós? Nesta direção, primeiramente, temos (1 João 4:2)

Nisto conhecereis o Espírito de Deus:
Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus

Segundo, temos em (Gálatas 5:16-17):

“… deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne.
Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.”

E por fim, em (Romanos 8:13)

Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.”

Mas quais são estas obras da carne? São Paulo novamente nos esclarece (Gálatas 5:19-21):

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes.
Dessas coisas vos previno, como já vos preveni:
os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus
! “

E mortificando as obras do corpo, teremos como fruto:

“… caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade,
brandura, temperança.”
(Gálatas 5:22-23)

E Jesus nos alerta:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”
(Mateus 7:21)

E,

Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta:
Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna;
e eu o ressuscitarei no último dia
.
(João 6:40)

E nisto esta a nossa esperança, que pela misericórdia de Deus viveremos …

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. ”
(Efésios 2:8-10)

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O banquete do Senhor

Isaías nos convida à alegria de uma festa que reduz os encontros humanos a algo de pouca monta (Isaías 25:6-10). A imagem que fazemos do céu está muito aquém do que o profeta nos mostra: um banquete inigualável. Também Jesus alude à mesma imagem com a parábola da festa nupcial, símbolo da alegria por excelência e do encontro de amigos para celebrar a vida. Um problema, todavia, se apresenta na possibilidade da recusa do convite.

Em nosso mundo, marcado pela pressa e pelo estresse de tantos afazeres, corremos o grande perigo de trocarmos o essencial pelo urgente, o absoluto pelo relativo e isso em todos os níveis. Muitos há que, em detrimento do tempo devido à família, aos filhos, ao diálogo necessário entre pais e filhos, fazem do trabalho, tão importante e urgente, e cada vez mais exigente, algo essencial e único em suas vidas. Daí resultam filhos sem diálogo com os pais; idosos que nunca são procurados pelos filhos nem mesmo por um telefonema ou que só são lembrados no dia dos pais, ou das mães; isso sem falar nos amigos.

O mesmo pode acontecer com a própria saúde. O médico e o próprio corpo dão sinais: é preciso cuidar da saúde, abandonar um vício prejudicial, reordenar atividades, mas vai-se deixando para depois, sob o risco de consequências imprevisíveis. Na vida espiritual ocorre o mesmo: precisamos de tempo para a oração, crescer na fé através de boas leituras, mas a TV, as conversas fúteis acerca da vida alheia, ou mesmo certas leituras que contradizem nossa fé, mas que estão na crista da onda, não deixam espaço livre na nossa agenda…em relação à missa dominical se dá o mesmo. Somos todos convidados para o Banquete da Eucaristia, no entanto, quantas desculpas: aquela visita, o sol que convida à praia, a chuva que desanima, o jogo de futebol, a partida com os amigos, tudo serve de motivo para renunciar ao essencial: o encontro com Deus a cada domingo.

Guardar o domingo que é dia do convívio, do lazer, da família, e, sobretudo, de Deus, é fazer da Eucaristia o alimento que nos fortalece para viver dignamente neste mundo em nosso caminho rumo ao céu.

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

O Evangelho de hoje é sensacional ! Lendo ele, dentro de mim, sinto uma alegria enorme , e com o sensacional comentário de São Boaventura…fico sem palavras! Nosso Deus é um deus maravilhoso, que muuuito nos ama!

Quando Santo Agostinho questionou Santo Ambrósio: “Como encontrar a ver- dade em um homem?” A resposta de Santo Ambrósio foi: “Nenhuma pessoa encontra a verdade, mas é a verdade que encontra a pessoa; e a verdade é o encontro com Deus. E isso só é possível por Jesus!”.

Evangelho de hoje:

“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.» Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim.”

(João 14:1-6)

Comentário ao Evangelho do dia feito por  São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja (Itinerário da mente para Deus, VII, 1-2, 4, 6 ):

Aquele que volta propositada e completamente os olhos para Cristo ao vê-Lo pregado na cruz, com fé, esperança e caridade, devoção, admiração, regozijo, reconhecimento, elogio e júbilo, esse celebra a Páscoa com Ele, ou seja, põe-se a caminho para atravessar o Mar Vermelho graças à bengala da cruz (cf Ex 14,16). Ao deixar o Egipto, entra no deserto para aí provar o «maná escondido» (Ap 2, 17) e repousar com Cristo no túmulo, exteriormente como morto, mas experi- mentando – na medida em que os seus progressos lho permitem – o que foi dito na cruz ao malfeitor companheiro de Cristo: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (Lc 23,43). […]

Nesta travessia, se queremos ser perfeitos, importa abandonar toda a especula- ção intelectual. Qualquer ponta de desejo deve ser transportada e transformada em Deus. Eis o segredo dos segredos, que «ninguém conhece excepto aquele que o recebe» (Ap 2,17). […] Se procuras saber como é que isto se produz, interroga a graça e não o saber, a tua aspiração profunda e não o teu intelecto, o gemido da tua prece e não a tua paixão pela leitura. Interroga o Esposo e não o professor, Deus e não o homem.