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Curso de Bíblia – PARTE III

Muitas pessoas se surpreendem ao saber que a Bíblia utilizada pelos protestantes é diferente da Bíblia utilizada pelos católicos. Mas qual é a diferença?

No tempo de Jesus, o povo da Palestina falava o aramaico em casa, usava o he- braico na leitura da Bíblia, e o grego no comércio e na política. Quando os após- tolos saíram da Palestina para pregar o Evangelho aos outros povos, eles adota- ram uma tradução grega do Antigo Testamento, feita no Egito no século III an- tes de Cristo para os judeus imigrantes que já não entendiam o hebraico nem o aramaico. Esta tradução grega é chamada Septuaginta ou Setenta.

Fragmento de papiro da Septuaginta.

O catálogo sagrado começou a ser definido pela Igreja Católica em 393, durante o Concílio Regional de Hipona (África). Desde o séc. IV até o séc. XVI, a Bíblia era a mesma para todos os cristãos. A diferença ocorreu durante a Reforma Pro- testante, quando Martinho Lutero renegou 7 livros do antigo testamento  (To- bias,  Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, trechos de Daniel e Ester) e a carta de Tiago do Novo Testamento.

Lutero renegou tais livros porque eram fortemente contrários à sua doutrina. Por causa de uma das colunas de sua doutrina a “Sola Fide” ou Somente a fé, Lutero alterou o famoso versículo “Mas o justo viverá da fé” (Rm 1,17) para “Mas o justo viverá somente pela fé” e renegava a Carta de Tiago, que ensina que somente a fé não basta, é preciso as obras. Devido ao prestígio que a Carta de Tiago tinha, Lutero não obteve sucesso ao excluir tal livro. Quanto ao Antigo Testamento, os protestantes então revolveram ficar com o catálogo de- finido pelos Judeus da Palestina.

Este catálogo Judaico foi definido por volta de 100 DC na cidade de Jâmnia, e estes foram os critérios estabelecidos pelos judeus para formarem seu cânon bí- blico:

  • O livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel;
  • O livro teria que ser totalmente redigido em Hebraico;
  • O livro teria que ser redigido até o tempo de Esdras (458-428 AC);
  • O livro não poderia contradizer a Torah de Moisés (os 5 livros de Moisés).

Devido à enorme conversão de judeus ao cristianismo, principalmente os judeus de língua grega, é que os judeus que não aceitaram a Cristo, desenvolveram um judaísmo rabínico, isto é, um judaísmo ultra-nacionalista, para frear a conversão das comunidades judaicas ao cristianismo. Com este cânon bíblico, era proibida pelo menos a leitura de todo o Novo Testamento, que mostra fortemente o cum- primento da promessa do Messias na pessoa de Cristo.

Fragmento do papiro da Septuaginta - Livro de Daniel

Muitos dos originais hebraicos de alguns livros foram perdidos,existindo somen- te a versão grega na época da definição do cânon judaico. Isto significa que li- vros como Eclesiástico e Sabedoria, escritos por Salomão, não foram reconheci- dos  pelos judeus de Jâmnia, além de outros livros que foram escritos em ara- maico durante o domínio caldeu e persa. Recentemente os arqueólogos encon- traram em Qruman no Mar Morto, o original hebraico do livro Eclesiástico.

Estes livros do Antigo Testamento que não foram unanimente aceitos são cha- mados tecnicamente de deuterocanônicos.

Os protestantes entram então em grande contradição pois aceitam a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento e não aceitam a mesma auto- ridade para o Novo Testamento. Aceitam a autoridade da Igreja Católica para o Novo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Antigo Testamento.

Os apóstolos em suas pregações utilizavam a versão grega dos livros antigos, no- te que das 350 sitações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testa- mento, 300 também se referem aos livros deuterocanônicos.

Os livros apócrifos

São aqueles livros que foram escritos pelo povo de Deus, mas que não foram considerados pelo Magistério da Igreja como revelados pelo Espírito Santo, e portanto, não são canônicos, isto é, não fazem parte do cânon da Bíblia. As ra- zões que levaram a Igreja a não considerá-los como Palavra de Deus, é que mui- tos são fantasiosos sobre a pessoa de Jesus e outros personagens bíblicos, além de possuírem até heresias como o gnosticismo. Neles há algumas verdades histó- ricas, e isto faz a Igreja considerá-los importantes no estudo. Há livros apócrifos referentes ao Novo e ao Antigo Testamento.

Veja também as outras partes do Curso de Bíblia: Parte I e Parte II.
Fonte:
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Curso de Bíblia – PARTE II

No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras. A Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho.

CERÂMICA: conhecida como a arte mais antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas, nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses “tijolos”.

PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente às mar- gens do Rio Nilo, chegando até a altura de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita uma espécie de folha de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado ainda úmido. O papiro era ainda usado na fabricação de barcos e ces- tos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam no papiro. Tais folhas eram escritas só de um lado depois guardadas em rolos. Daí que veio a palavra BÍ- BLIA. A folha tirada do caule do papiro se chamava BIBLOS.

BIBLOS –>  Livro (plural de Biblos = BÍBLIA)
BÍBLIA –> os livros ou coleção de livros.

PERGAMINHO: feito de couro curtido de carneiro. Começou a ser usado como “papel” na cidade de Pérgamo, pelo rei Éumens II 200 a.C. Pérgamo era uma importante cidade da Ásia Menor. Os egípcios, com inveja da grande importân- cia da biblioteca de Pérgamo, não quiseram mais vender papiro para os morado- res daquela cidade. Por isso, o rei de Pérgamo se viu obrigado a usar outro ma- terial para a escrita, que foi a pele de ovelha. O pergaminho se espalhou rapida- mente para outras regiões. Os pergaminhos, assim como as folhas de papiro, não eram “encadernados” num livro como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam “rolos”.

Como a Bíblia está dividida

A Bíblia divide-se em duas grandes partes: Antigo Testamento (AT) e Novo Testamento (NT). O centro da Bíblia é Jesus Cristo.

ANTIGO TESTAMENTO: é formado por 46 livros escritos antes de Cristo. To- do o Antigo Testamento foi escrito em hebraico ou aramaico, menos o Livro da Sabedoria, I e II Macabeus e trechos dos Livros de Daniel e de Ester, que fo- ram escritos em grego.

NOVO TESTAMENTO: formado por 27 livros que contam a vida de Jesus e a formação da Igreja. O Novo Testamento foi escrito em grego, menos o Evan- gelho de São Mateus que foi escrito em aramaico.

Portanto a Bíblia é formada por 73 livros. Sendo 46 Livros no AT + 27 Livros no NT. Na Bíblia a palavra TESTAMENTO tem o sentido de ALIANÇA –>ANTIGA ALIANÇA e NOVA ALIANÇA. Toda a Bíblia gira em torno da Aliança que Deus fez com seu povo. ALIANÇA é um contrato muito especial. Um pacto de amor entre as pessoas. Um compromisso de fidelidade entre Deus e os homens.

No Antigo Testamento essa Aliança foi selada com um sinal visível.Ex: Decálogo –> Dez Mandamentos. A Aliança foi gravada na pedra e selada com o sangue dos animais.

No Novo Testamento a Nova Aliança é gravada no Espírito e selada com o San- gue de Jesus. A Nova Aliança ao contrário da Antiga Aliança que era feita so- mente com o Povo de Israel, é uma Aliança Universal, aberta a todos os homens que aceitam a proposta da Salvação trazida por Jesus.

A Antiga Aliança é a promessa; a Nova é a sua realização. Cristo é a plena reali- zação da Antiga e Nova Aliança. Ele é o “Alfa” e o “Ômega” (Alfa e Ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego).

Significa que Jesus é o começo e fim de todas as coisas.

“Muitos Livros” num só Livro

A Bíblia é um livro de volume único, que reúne Continuar lendo

Curso de Bíblia – PARTE I

No geral, as pessoas quando estão começando uma aproximação com Deus, e querem saber mais sobre a Palavra, sentem-se confusas, e tem dificuldades em compreender como ler a Bíblia, em que ordem, qual escolher, como ela esta es- truturada, como foi escrita, como foram feitas suas traduções para o português, entre outras coisas.
Para poder ajudar meus irmãos, começo aqui uma série de posts, que de maneira simples, apresentarão as informações fundamentais a saber sobre a Bíblia. Uso como fonte um Curso de Bíblia da Diocese de Itabira, o Portal dos Capuchinhos e diversas versões da Bíblia (descreverei cada uma no último post).

As Sagradas Escrituras (Bíblia) podem dar-lhe a verdadeira sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo (2 Tm 3:15).

  • Introdução

Hoje qualquer pessoa tem acesso ao Livro mais famoso do mundo: a Bíblia Sa- grada. Ela já foi traduzida para todas as línguas (aproximadamente em 1685 idi- omas). A Bíblia foi escrita por partes e em diversas etapas. Começou a ser escri- ta, mais ou menos, pelo ano 1250 antes de Cristo (no tempo de Moisés) quando o faraó Ramsés II governava o Egito. A última parte da Bíblia foi escrita no final da vida do evangelista e apóstolo São João, por volta do ano 100 d.C. . Portanto, foram necessários 1350 anos para a Bíblia ser escrita. O Museu Britânico e a Bi- blioteca do Vaticano guardam as cópias mais antigas da Bíblia.

  • Bíblia, o Livro inspirado por Deus

A Sagrada Escritura é o conjunto dos livros escritos por inspiração divina, nos quais Deus se revela a si mesmo e nos dá a conhecer o mistério da sua vontade. Divide-se em duas grandes seções: Antigo Testamento, que contém a revelação feita por Deus antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo;  Novo Testamento, que contém a revelação feita diretamente por Jesus Cristo e trans-mitida pelos Apóstolos e outros autores sagrados.

O principal Autor da Bíblia é DEUS. Os escritores sagrados (homens) registra- ram suas experiências de fé e de vida, inspirados por Deus. Antes desses Livros serem registrados – TRADIÇÃO ESCRITA – tais experiências eram passadas oralmente de geração em geração – TRADIÇÃO ORAL.

Toda a Escritura é inspirada por Deus
e útil para ensinar e para convencer, para corrigir
e para educar na justiça, a fim de que o homem
de Deus seja perfeito e preparado para as boas obras.”
(2 Tm 3, 16-17)

HAGIÓGRAFO: é aquele que Continuar lendo