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Glória, louvor e honra a Ti

São Teodulfo de Orleans (Zaragoza? 750 ‒ Angers, 821) foi um monge beneditino, proposto para bispo de Orleans pelo imperador Carlos Magno em 794.

Quando ainda vivia no mosteiro compôs o hino Gloria laus et honor” ‒ “Glória, louvor e honra a Ti”, que a liturgia católica canta no Domingo de Ramos.

Gloria, laus et honor tibi sit, Rex Christe, Redemptor:
Glória, louvor e honra a ti, ó Cristo Rei, Redentor,
Cui puerile decus prompsit Hosanna pium.
Para Ti o cortejo de crianças canta: “Hosanna”.

Israel es tu Rex, Davidis et inclyta proles: 
Tu és o Rei de Israel, Tu és o nobre filho de Davi
Nomine qui in Domini, Rex benedicte, venis.
E é em nome do Senhor, Ó rei bendito, que vens!

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Coetus in excelsis te laudat caelicus omnis,
O Coro Celeste inteiro louva-Te nas alturas
Et mortalis homo, et cuncta creata simul.
Bem como o homem mortal, e toda a criação.

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Plebs Hebraea tibi cum palmis obvia venit:
Com palmas o povo hebreu vêm ao teu encontro
cum prece, voto, hymnis, adsumus ecce tibi.
Com preces, votos, hinos, nós vimos também a ti!

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Hi tibi passuro solvebant munia laudis;
A ti que ias sofrer, pagavam-te com louvores;
Nos tibi regnanti pangimus ecce melos
A ti que agora reinas, cantamos os nossos cantos.

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

Hi placuere tibi, placeat devotio nostra:
Como outrora te agradaram, assim também te agrademos,
Rex bone, Rex clemens, cui bona cuncta placent.
Rei bom, ó Rei clemente, que em tudo bem se compraz!

Gloria, laus et honor …
Glória, louvor e honra …

O hino tem um caráter de louvor e, ao mesmo tempo, reflete certa tristeza no dia glorioso em que Nosso Senhor ingressa triunfalmente em Jerusalém para acabar sendo crucificado e assim redimir o gênero humano.

A entrada de Jesus em Jerusalém patenteia quanto o povo O apreciava incompletamente. Humildemente sentado num burrico, Ele atravessava aquele povo, impulsionando todos ao amor de Deus.

Em geral, as pinturas e gravuras O apresentam olhando pesaroso e quase severo para a multidão.

Para Ele, o interior das almas não oferecia segredo. Ele percebia a insuficiência e a precariedade daquela ovação. E tudo isso se constatou no momento de sua Paixão, onde poucos se mantiveram junto Dele.

Ouça a Homilia do Padre Paulo Ricardo para esse Domingo de Ramos clicando aqui ou leia a Homilia do Papa Bento XVI aqui, e entenderá o verdadeiro sentido deste domingo! 😉

«Em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de arbustos que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu vigor, prostremo-nos nós mesmos aos pés de Cristo, revestidos da sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele mesmo (…); sejamos como mantos estendidos a seus pés (…), para oferecermos ao vencedor da morte não já ramos de palmeira, mas os troféus da sua vitória. Agitando os ramos espirituais da alma, aclamemo-Lo todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas santas palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”»
(Santo André, Bispo de Creta)

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Semana Santa com as crianças

Para que as crianças bem pequenas possam aos poucos compreenderem o significado que tem o Domingo de Ramos, a Semana Santa e a Páscoa, nada melhor que colocá-las em atividades conectadas ao contexto como: colorir desenhos, cantar, assistir desenhos, entre outras atividades. Segue abaixo algumas opções! 🙂

Para colorir:

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Jogo dos 10 erros:

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Sempre é bom cantar!

Hosana hei hosana ha
Hosana hei hosana hei
Hosana ha (2x)

Ele é o santo é o filho de Maria
Ele é o Deus de Israel
Ele é o filho de Davi
Santo é o seu nome é o senhor Deus do universo
Gloria Deus de Israel
Nosso Rei e Salvador

Vamos a ele com as flores dos pinhais
Com os ramos de oliveira
Alegria e muita paz
Santo é o seu nome é o senhor Deus do universo
Gloria Deus de Israel
Nosso Rei e Salvador

Ele é o Cristo é o unificador
É hosana nas alturas
É hosana no amor
Santo é o seu nome é o senhor Deus do universo
Gloria Deus de Israel
Nosso Rei e Salvador

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Busque filmes relacionados, como esse:

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E não esqueça, reze junto com ela uma oração bem simples como a seguinte, para que ela já comece um relacionamento mais íntimo com Deus! 😉

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém

Papai do céu, dai-nos uma boa noite. Menino Jesus dai saúde à mamãe, ao papai, aos meus irmãozinhos, aos meus avós e a todos nós. Dai lugar no céu a … (dizer o nome de algum parente mais próximo que tenha falecido).

Com Deus me deito, com Deus me levanto,

Com a graça de Deus e o Espírito Santo.

Muito obrigado pelo dia de hoje Papai do Céu!

Amém!

Veja também aqui uma oração muito bonitinha! 🙂

Subir até Jerusalém com Jesus

Pueri Hebraeorum, portantes ramos olivarum,
Os jovens hebreus, levando ramos de oliveira,
obviaverunt Domino, clamantes et dicentes:
foram ao encontro do Senhor, clamando e dizendo:
Hosanna in excelsis!
Hosana nas alturas!

Canta assim a Antifona que acompanha a solene procissão com os ramos de oliveira e de palmeira neste Domingo, chamado precisamente dos Ramos e da Paixão do Senhor. Revivemos o que aconteceu naquele dia: eram muitos na multidão que exultava à volta de Jesus, que montado num jumento entrava em Jerusalém. Alguns fariseus gostariam que Jesus os fizesse calar, mas Ele respondeu-lhes que se eles se calassem, gritariam as pedras (cf. Lc 19, 39-40).

A Cruz está no centro da liturgia de hoje. Vós, com a vossa atenta e entusiasta participação nesta solene celebração, demonstrais que não vos envergonhais da Cruz. Não temeis a Cruz de Cristo. Ao contrário, sentis por ela amor e veneração, porque é o sinal do Redentor morto e ressuscitado por nós. Quem crê em Jesus crucificado e ressuscitado leva a Cruz como um triunfo, como prova evidente de que Deus é amor. Com a doação total de si, precisamente com a Cruz, o nosso Salvador venceu definitivamente o pecado e a morte. Por isso aclamamos com júbilo; “Glória e louvor a ti, ó Cristo, que com a tua Cruz redimiste o mundo!“.

Por nós, Cristo fez-Se obediente até à morte,  e morte de cruz.
Por isso Deus o exaltou  e lhe deu o nome que está acima de qualquer outro

(Fp 2 : 8-9).

Estas palavras do apóstolo Paulo exprimem a nossa fé: a fé da Igreja. Mas a fé em Cristo não é previsível. A leitura da sua Paixão põe-nos diante de Cristo, vivo na Igreja. O mistério pascal, que reviveremos nos dias da Semana Santa, é sempre atual. Nós somos hoje os contemporâneos do Senhor e, como o povo de Jerusalém, como os discípulos e as mulheres, somos chamados a decidir se queremos estar com Ele, se queremos fugir ou permanecer simples espectadores da sua morte.

Deparamos todos os anos, na Semana Santa, com o grande cenário no qual se decide o drama definitivo não só para uma geração, mas para toda a humanidade e para cada pessoa individualmente.

A narração da Paixão põe em relevo a fidelidade de Cristo, em contraste com a infidelidade humana. No momento da prova, enquanto todos, também os discípulos e até Pedro, abandonam Jesus (cf. Mt 26, 56), Ele permanece fiel, disposto a derramar o sangue para cumprir plenamente a missão que o Pai lhe confiou. Permanece Maria ao seu lado, silenciosa e sofredora.

Caríssimos! Aprendei de Jesus e da sua e nossa Mãe. A verdadeira força do homem vê-se na fidelidade com que ele é capaz de dar testemunho da verdade, resistindo a lisonjas e ameaças, a incompreensões e chantagens, e até à perseguição dura e desumana. Eis o caminho pelo qual o nosso Redentor nos chama a segui-Lo.

Só se estiverdes dispostos a fazer isto, vos tornareis o que Jesus espera de vós, isto é, “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5, 13-14). A imagem do sal “recorda-nos que, mediante o batismo, toda a nossa existência foi profundamente transformada, porque foi “temperada” com a vida nova que vem de Cristo [cf Rm 6, 4]”.

Queridos, não percais o vosso sabor de cristãos, o sabor do Evangelho! Mantende-o vivo, meditando constantemente o mistério pascal: a Cruz seja a vossa escola de sabedoria. Não vos orgulheis de mais nada, a não ser desta sublime cátedra de verdade e de amor.

A liturgia convida-nos a subir até Jerusalém com Jesus aclamado pelos jovens hebreus. Daqui a pouco Ele “deverá sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia” (Lc 24, 46). São Paulo recordou-nos que Jesus “se despojou a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fil 2, 7) para nos obter a graça da filiação divina. É daqui que brota a verdadeira fonte da paz e da alegria para cada um de nós! Encontra-se aqui o segredo da alegria pascal, que nasce do sofrimento da Paixão.

Faço votos para que cada um de vós, queridos amigos, participe desta alegria. Aquele que escolhestes como Mestre não é um comerciante de ilusões, não é um poderoso deste mundo, nem um astuto e hábil pensador. Vós sabeis quem escolhestes seguir: é o Crucificado ressuscitado! Cristo morto por vós, Cristo ressuscitado por vós.

E a Igreja garante-vos que não ficareis desiludidos. De fato, mais ninguém a não ser Ele, vos pode dar aquele amor, aquela paz e aquela vida eterna pela qual o vosso coração aspira profundamente. Bem-aventurados sois vós, se fordes fiéis discípulos de Cristo! Bem-aventurados sereis vós se, em todas as ocasiões, estiverdes dispostos a testemunhar que este homem é verdadeiramente Filho de Deus! (cf. Mt 27, 54).

Maria, Mãe do Verbo encarnado, sempre pronta para interceder por todos os homens que vivem sobre a face da terra, vos oriente e vos acompanhe.

Trechos da Homilia do Bem-aventurado João Paulo II em 24 março de 2002.

Vivendo bem a Semana Santa

Começo esse post com um comentário maravilhoso em vídeo  do Prof. Felipe Aquino sobre a Semana Santa: veja AQUI!

Agora apresento um texto extraído do livro “Viver a Páscoa”, de Anselm Grün, que nos descreve tudo o que  viveremos durante esse Tempo da Paixão. Segue abaixo:

Com o DOMINGO DE RAMOS começa para nós a verdadeira celebração da morte e ressurreição de Jesus. Damos início à recordação do sofrimento de Jesus com uma procissão triunfal. Como no tempo de Jesus, que entrou em Je- rusalém celebrado como um rei, também nós entramos na igreja com ramos de palmeira.

Com a procissão de Ramos reconhecemos que é esse Jesus, que se dispõe a tri- lhar o calvário. Ele é o Messias que nos da liberdade e o rei que governa o mundo todo. Quando seguimos a Jesus como o verdadeiro rei e o louvamos com nossas canções, experimentamos nós mesmos o caminho para nossa dignidade de reis.


Somos todos reis e rainhas. Quando o sofrimento se abate sobre nós, precisamos sempre lembrar que a dignidade divina reside em nós. Jesus trilhou o caminho da humilhação, foi rebaixado ao extremo, mas jamais deixou de estar consciente de sua dignidade divina. Da mesma forma, também não podemos nos deixar des- truir pelo sofrimento. Nossa dor pode até mesmo nos fazer calar, como aconte- ceu com Jesus, e pode até lançar-nos na solidão e na tristeza. Mas não pode tirar de nós nossa dignidade.Por isso o triunfo de Jesus é celebrado no início da sema- na da Paixão: ao percorrer o calvário, Jesus chega ao triunfo,e ao mesmo acon- tecerá conosco quando precisarmos enfrentar o sofrimento.

Para muitos, os primeiros dias da Semana Santa são dias normais de trabalho. Mesmo assim, devemos nos esforçar por organizar essa semana de um jeito dife- rente. Em meu caso, faz parte de minha liturgia pessoal da Semana Santa ouvir com toda a calma a Paixão segundo São João e a Paixão segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach. E leio também comentários dos Evangelhos, para me aproximar do mistério da Paixão de Jesus. Percebo em mim mesmo ser impossí- vel esgotar o potencial de meditação que o sofrimento de Jesus tem em si. Sem- pre reaparece a pergunta: Qual o sentido da Paixão de Jesus? O que sig- nifica professarmos na liturgia que Cristo nos salvou por sua morte na cruz? Como devo compreender meu sofrimento em face da Pai- xão de Jesus, e como dar conta desse sofrimento.

QUINTA-FEIRA SANTA

O primeiro ponto alto da Semana Santa é a Quinta-Feira Santa. Com ela entra- mos no assim chamado triduum sacrum, ingressamos no mistério dos três dias sagrados. Celebramos a instituição da Eucaristia na última ceia. Jesus quis dar a nós um sinal visível para deixar claro seu amor até o fim. A Eucaristia é o lugar em que podemos experimentar a cada novo dia o mistério do amor de Jesus. Ao partir o pão e dá-lo aos discípulos, Jesus deixou clara sua maneira de entender a própria morte na cruz: como consumação de seu amor, como entrega de si mes- mo para nós. Ele também poderia ter escapado à prisão e ter fugido para outro país. Mas persistiu porque não quis abandonar seus discípulos , para os quais ha- via pregado o amor de Deus e o demonstrado concretamente, por suas ações. Com sua morte na cruz, Jesus mostrou-lhes que os amava até as últimas conse- qüências. Em cada Eucaristia participamos do amor de Jesus, que não fraquejou nem mesmo diante da morte.


Todo grande amor supera a morte. Como sinal de seu amor Jesus lavou os pés de seus discípulos. Esse antigo rito da tradição é cumprido pelo sacerdote na litur- gia da comunidade, para tornar visível o que Jesus fez por nós com sua morte na cruz. Ele se curvou até nós, rebaixou-se até a poeira da morte, lavou e curou nossos pés sujos e feridos.

SEXTA-FEIRA SANTA

Como a Sexta-Feira Santa é feriado, deveríamos aproveitá-la para dedicar-nos aos acontecimentos sagrados que celebramos na liturgia da tarde. Esse poderia ser um dia muito especial. Muitos o tomam como um dia de silêncio, permane- cem calados durante o café da manhã, e ouvem uma música que combine com a situação. Um café da manhã em silêncio une a família de um jeito diferente do que acontece com as conversas dos dias normais. Muitos jejuam durante a Sex- ta-Feira Santa. Comem apenas pão seco ou se limitam a tomar líquidos. Faz bem à alma afastar esse dia da rotina de sempre, cumprir nossos próprios rituais de Sexta-Feira Santa, enquanto indivíduo e enquanto família. Algumas famílias rezam juntas os Salmos ou meditam juntas sobre o calvário.


O ponto alto da Sexta-Feira Santa é a liturgia às 15 horas, a hora em que Jesus morreu. É uma celebração antiga e tradicional entre os católicos; não se trata de uma celebração eucarística, mas de uma liturgia marcada somente pela palavra, por cânticos e ritos. Ela começa com um longo silêncio, durante o qual o sacer- dote e os auxiliares permanecem deitados no chão. Com esse gesto inusitado, os celebrantes da liturgia expressam a idéia de que só conseguimos nos aproximar do mistério da morte de Jesus na cruz quando estamos em silêncio. Em seguida, o texto da Paixão segundo o Evangelho de São João é lido em voz alta ou canta- do. João descreve a Paixão de Jesus de maneira semelhante ao que fazem os si- nóticos: com a prisão, interrogatório pelos sacerdotes no Templo, interrogató- rio por Pilatos, flagelação e crucificação. Jesus, no entanto, percorre soberano essas estações de seu sofrimento. Desde o início João deixa claro quem é esse homem que os milicianos aprisionam. Diante dele caem por terra, e vêem-se o- brigados a prestar-lhe homenagem como rei verdadeiro. Pilatos tenta intimidar Jesus. Mas mesmo detendo o poder político, ele surge diante de Jesus como im- potente e fraco. Jesus menciona a razão de sua própria soberania: “Minha reale- za não é deste mundo” (Jô 18,36). A dignidade de Jesus não é deste mundo. Ele desceu do céu para a terra. O mundo não tem nenhum poder sobre ele, mesmo que por fora pareça ser assim.

Não ouvimos o relato da Paixão de Jesus para admirá-la, mas para meditar em Jesus Cristo sobre a superação do próprio sofrimento. Vivenciamos em nossa vi- da as mesmas estações de sofrimento que Jesus percorreu antes de nós. Somos presos, condenados, mal compreendidos, feridos, expulsos e por fim somos pre- gados na cruz de nossas próprias contradições. Lá avançaremos solitários pelos portões da morte adentro. Mas em tudo isso vale também para nós o fato de ter- mos em nós uma realeza que não é deste mundo, o fato de haver algo divino em nós, algo que não se submete a nenhum poder deste mundo. Isso nos dá a confi- ança de que seguiremos nosso caminho rumo à glória de Deus com liberdade e dignidade, ao lado de Jesus.

Depois das grandes preces nas quais a Igreja reza por todas as pessoas do mun- do, a veneração da cruz constitui o ponto alto da liturgia da Sexta-Feira Santa. Não se venera a cruz como símbolo de sofrimento, mas como ima- gem de nossa salvação. A cruz é sinal de que Cristo assumiu todas as contra- dições da condição humana e transformou-as por meio de seu amor, que ele de- monstrou ter por nós, até sua consumação na cruz. Nada mais em nós está ex- cluído desse amor de Deus. Tudo em nós foi tocado por esse amor, que fulgura de maneira mais clara por intermédio do Filho de Deus que pende na cruz. É por isso que, diante da cruz, proclamamos nossa alegria pelo amor de Jesus, cantan- do: “Veneramos vossa Cruz, ó Senhor, proclamamos e louvamos vossa ressurreição santíssima: pois vede, através do lenho da cruz a alegria chegou ao mundo“.

A cruz não quer oprimir, mas elevar; não quer ferir, mas curar; não quer sobre- carregar, mas tornar a carga mais leve. Na cruz vemos o mistério de nossa salva- ção e libertação.

SÁBADO DE ALELUIA

Para muitos, o Sábado de Aleluia é apenas um dia de faxina ou de preparação pa- ra a Páscoa. No entanto, esse dia sem liturgia tem um significado espiritual pró- prio. Jesus morreu por nós, e permaneceu três dias no sepulcro. Assim, também deveríamos nos dedicar com plena consciência ao teor espiritual desse dia. Isso acontece melhor em meio ao silêncio, quando nos posicionarmos quanto à ver- dade e à situação sepulcral de nós mesmos.

Cristo desceu ao reino da morte, ao Hades, o reino das sombras. Posso imaginar como Jesus desce aos cantos tenebrosos de minha própria existência. O que ex- cluo da vida? Quais os lugares para os quais não gosto de olhar? Onde foi que tratei de recalcar alguma coisa, empurrar algo para as câmaras escuras de minha alma? Para onde me nego a olhar? O que pretendo esconder de mim mesmo, dos outros e de Deus? Jesus propõe-se descer exatamente a esses rincões da morte e da escuridão, para mexer em tudo o que há de escuro e rançoso em mim, tudo o que há de mortiço e entorpecido, e então despertar-me para a vida.

Os ícones da Igreja oriental sempre representam a ressurreição de Jesus com Cristo subindo do reino dos mortos, trazendo consigo os mortos pela mão. No dia de Sábado de Aleluia permito que Cristo desça até o meu reino dos mortos, para que tome todos os mortos pela mão, inclusive o que há de morto em mim mesmo, e nos reconduza à luz, a fim de despertar-nos para a vida.

Cristo esteve no sepulcro. Assim, o Sábado de Aleluia convida-me a olhar para minha própria situação sepulcral. O que me caberia enterrar? Que feridas em minha história de vida precisam ser enterradas de uma vez por todas? Quando sepulto todas as ofensas, paro de usá-las como armas para agredir as outras pes- soas. Não as carregarei mais em mim mesmo, como se fossem uma recriminação tácita aos que feriram em algum momento. Com isso, posso descartar minha má- goa, meus ressentimentos e minha irritação. Não preciso de mais nada disso co- mo pretexto para justificar minha recusa a olhar a vida de frente.

Pretendo sepultar também os sentimentos de culpa que consomem e dos quais não consigo me afastar. Preciso ter confiança em que Cristo também desceu ao meu sentimento de culpa e a todo martírio interno que imponho a mim mesmo, com auto-acusações; e desceu até aí para libertar-me. Quando paro de andar em círculos em torno de minha culpa, aí sim realmente posso despertar para a vida nova.

No Sábado de Aleluia desço até meu próprio sepulcro e imagino de que forma Cristo repousa lá, a fim de trazer tudo o que lá está para uma nova vida. Cristo desceu ao sepulcro de meu medo, minha resignação, minha autocompaixão e minha morbidez, a fim de salvar-me e transformar-me no mais fundo de minha alma. Para ressuscitar na Páscoa como uma pessoa salva e liberta, preciso ter a coragem de meditar acerca de meu sepulcro e de sepultar tudo o que me distan- cia da vida.

PÁSCOA

No dia da Páscoa celebramos não só a ressurreição de Jesus, mas também nossa própria ressurreição. A liturgia da noite de Páscoa começa com a escuridão. Ain- da permanecemos conscientemente na escuridão de nosso sepulcro. Sentamos juntos na igreja, com as luzes apagadas. Mas logo o diácono entra na igreja com o círio pascal – e a luz de uma única vela ilumina a escuridão. Essa luz é passada a- diante a cada um dos fiéis que trouxe sua vela para a celebração da Páscoa.

Muitos as terão enfeitados: os ornamentos são símbolos que representam vida e luz para cada uma das pessoas. E pouco depois, enquanto o diácono entoa o ma- ravilhoso cântico Exsultet, todos os fiéis continuam segurando suas velas já in- candescentes em meio à escuridão,para que tudo se torne mais claro em seus co- rações, para que o sol pascal também possa luzir em cada um deles e espantar to- da escuridão. A luz de Cristo quer irradiar-se por todos os cantos de nosso cora- ção, trazer o calor da vida para a frieza que possa haver dentro de nós, trazer vi- vacidade aonde haja desalento, confiança aonde haja medo.

O Aleluia! Faz parte da festa da Páscoa. Depois de quarenta dias de Quaresma o Aleluia! Ressoa pela primeira vez na noite de sábado para domingo. Para nos ha- bituarmos ao som alegre dos cânticos de Páscoa, cantamos o Aleluia! Três vezes, um tom mais alto a cada vez; assim, ele chega cada vez mais fundo ao coração e afasta toda a tristeza de lá.A ressurreição precisa ser exaltada com cantos. Preci- sa ganhar expressão. Não basta apenas crer nela com a cabeça. O corpo quer res- suscitar. E ele o faz cantando. Por meio do canto cresce em nós o amor por aqui- lo que exaltamos. No Aleluia! Pascal projetamo-nos com nosso canto para den- tro do milagre do amor, do amor que é mais forte que a morte. Mas só poderei sentir de fato a alegria pela ressurreição de Jesus e por minha própria ressurrei- ção quando cantar de coração. Aí, a pessoa inteira tem de se transformar no cân- tico que entoa. Só assim sentirá o amor que o Ressuscitado pretende despertar em cada um. Ao cantar, surge diante de nossos olhos uma imagem do que exalta- mos com nosso canto. Com o canto temos a noção de que o Ressuscitado está no meio de nós e nos concede participar da amplitude e liberdade de sua ressurrei- ção.

A Páscoa é a festa da vida. Celebramos a superação da morte pela vida. Cristo derrotou a morte. A vida é mais forte que a morte. Já não se pode matar a vida. E cabe agora celebrá-la.Essa comemoração da vida acontece na refeição festiva da Eucaristia. E no momento em que desejamos “Feliz Páscoa” uns aos outros.A no- va vida também pede um novo convívio.

Celebramos a Páscoa durante cinqüenta dias. Nosso dia-a-dia é o teste para ver se comemoramos a Páscoa somente com um sentimento de euforia, ou se a res- surreição acontece de fato em meio a nossa vida. Nós tratamos de nos inserir na vida da ressurreição. Aprendemos a levantar sempre, mesmo quando alguma coisa dá errado no  trabalho,  quando  surgem  conflitos  nos  relacionamentos, quan- do fracassamos e nos decepcionamos com nós mesmos. Ressurreição quer dizer levantar-se sempre de novo, não ficar no chão quando levamos um tombo. E ressurreição significa que creio estar acompanhado do Ressuscitado enquanto caminho.

Cristo ressurge sempre em minha vida, apontando novos caminhos. Ele vem até mim para mostrar-me que a ressurreição transforma em êxito o que parecia per- dido, o que estava morto renasce, e a escuridão torna-se luz. A fé na ressurreição cura as mágoas de minha vida e ensina-me a erguer-me e prosseguir em direção à verdadeira vida, à vida que Deus concebeu para mim.A ressurreição quer me en- sinar desde já, no aqui e agora, o que a vida é. Ela me traz a promesa de que esta vida também ultrapassa o limiar da morte, renova em mim a certeza de que não se pode acabar com a vida, porque com a morte e ressurreição de Jesus o amor derrotou a morte, para todo o sempre.

Entenda o que representa o Domingo de Ramos

A Semana Santa começa no domingo chamado de Ramos porque celebra a entra- da de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho – o símbolo da humilda- de – e aclamado pelo povo simples que o aplaudia como “Aquele que vem em nome do Senhor”.

Esse povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia há poucos dias e estava maravilhado. Ele tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos Pro- fetas; mas esse povo tinha se enganado no tipo de Messias que ele era. Pensavam que fosse um Messias político, libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.

Para deixar claro a este povo que ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande libertador do pecado, a raiz de todos os males, então,Ele entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho; expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo!

Dessa forma o Domingo de Ramos é o início da Semana que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosa- na nas alturas“.

Os Ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja, defensores da fé ca- tólica, especialmente nestes tempos difíceis em que ela é desvalorizada e espe- zinhada.

Os Ramos sagrados que levamos para Continuar lendo