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O verdadeiro amor na familia

Passam-se os anos e constata-se que mais e mais o verdadeiro amor que constroi  a família está sumindo, e as pessoas vivendo paixões egoístas, e ainda dizendo estar amando. Para refletir sobre isso, apresento abaixo um texto escrito por Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, da CNBB; e depois trechos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio escrita por João Paulo II que fala sobre a função da família cristã no mundo de hoje.

Numa sociedade que o individualismo tem uma grande força, as realizações, interesses, prazeres e desejos pessoais vêm antes das relações familiares. A família é vista como estorvo, pois exige sacrifícios, e é jogada fora. A família precisa vencer este egoísmo e crescer no amor.

O grande desafio da família é crescer no verdadeiro amor e para isso é preciso olhar para o modelo da Santíssima Trindade e para Jesus, porque ali se encontra o amor em sua perfeição mais elevada.

E qual é a característica do amor na Santíssima Trindade? Na Santíssima Trindade uma Pessoa se doa totalmente a Outra. O Pai se doa ao Filho e o Filho se doa ao Pai e o dom entre eles é o Espírito Santo.

E por outro lado qual é a característica de Jesus? É o amor que se doa. Ele ama com a paixão de um homem por uma mulher num amor de doação. Assim Ele ama a Igreja, dando Sua vida por ela. A Eucarístia e a Cruz são o ponto alto disso.

Assim, o grande desafio é não ficar numa vivência de amor precária, primitiva, vulnerável, uma maneira de amar típica de um adolescente que diz “eu gosto dessa pessoa e a quero para mim”. A maneira mais madura de amar que vem do exemplo de Jesus é aquela que diz “eu gosto daquela pessoa e estou disposto a doar a minha vida para a felicidade e o bem dela”.

Para enfrentar este desafio é necessário ter consciência do que é a relação com Cristo, entender o Sacramento do Matrimônio e entender o valor do sacrifício em benefício do outro. Aconselho os casais a participar de movimentos voltados para a família, pois a troca de experiência com outras famílias pode ajudar a entender os desafios do cotidiano e como lidar com as situações específicas de cada família.

A comunhão de amor entre Deus e os homens, conteúdo fundamental da Revelação e da experiência de fé de Israel, encontra uma sua significativa expressão na aliança nupcial, que se instaura entre o homem e a mulher.

É por isto que a palavra central da Revelação, «Deus ama o seu povo», é também pronunciada através das palavras vivas e concretas com que o homem e a mulher se declaram o seu amor conjugal. O seu vínculo de amor torna-se a imagem e o símbolo da Aliança que une Deus e o seu povo. E o mesmo pecado, que pode ferir o pacto conjugal, torna-se imagem da infidelidade do povo para com o seu Deus: a idolatria é prostituição, a infidelidade é adultério, a desobediência à lei é abandono do amor nupcial para com o Senhor. Mas a infidelidade de Israel não destrói a fidelidade eterna do Senhor e, portanto, o amor sempre fiel de Deus põe-se como exemplar das relações do amor fiel que devem existir entre os esposos.

A comunhão entre Deus e os homens encontra o seu definitivo cumprimento em Jesus Cristo, o Esposo que ama e se doa como Salvador da humanidade, unindo-a a Si como seu corpo.

Ele revela a verdade originária do matrimônio, a verdade do «princípio» e, libertando o homem da dureza do seu coração, torna-o capaz de a realizar inteiramente.

Esta revelação chega à sua definitiva plenitude no dom do amor que o Verbo de Deus faz à humanidade, assumindo a natureza humana, e no sacrifício que Jesus Cristo faz de si mesmo sobre a cruz pela sua Esposa, a Igreja. Neste sacrifício descobre-se inteiramente aquele desígnio que Deus imprimiu na humanidade do homem e da mulher, desde a sua criação; o matrimônio dos batizados torna-se assim o símbolo real da Nova e Eterna Aliança, decretada no Sangue de Cristo. O Espírito, que o Senhor infunde, doa um coração novo e torna o homem e a mulher capazes de se amarem, como Cristo nos amou. O amor conjugal atinge aquela plenitude para a qual está interiormente ordenado: a caridade conjugal, que é o modo próprio e específico com que os esposos participam e são chamados a viver a mesma caridade de Cristo que se doa sobre a Cruz.

Acolhendo e meditando fielmente a Continuar lendo

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O tempo precioso

No final de um dia muito cansativo, Pedro chega em casa, e depois do jantar sen- ta no sofá para ver o noticiário. Sua filhinha de 5 anos, Patrícia,pergunta o quan- to ele ganha por hora.

Indignado com a pergunta e de modo grosseiro ele responde: “Que isso tem a ver com você menina, se nem sua mãe sabe quanto eu ganho?”.

Triste, ela sai de perto de seu pai, que arrependido lhe chama de volta e respon- de: “Papai está cansado hoje, me desculpe querida, eu devo receber uns dez re- ais por hora“. Em seguida, a menina pede: “Papai, o senhor me empresta um
real?”.

Pedro fica muito bravo com o pedido: “Trabalhei o dia todo, estou cansado, e a- gora você vem me pedir um real? Por isso queria saber o quanto eu ganho por hora. Vá para sua cama agora, você está de castigo“.

Chorando, Patrícia vai para seu quarto. Pedro fica com a consciência pesada, e antes de dormir passa no quarto de Patrícia para ver se ela está dormindo. Como ela ainda estava acordada, Pedro pede desculpas e tirando cinco reais do bolso, dá para a menina.

Patrícia contente, pega uma caixa que contém nove reais e diz para o papai:
Aqui estão nove reais e mais cinco, o senhor pode me vender uma hora do seu tempo? Eu pago mais.”

Pais, a que ponto chegamos, não é verdade?

Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor“.

Relacionamento: Pais e Filhos

As Escrituras dizem que muitos pecam por não conhecerem a verdade. Muitas vezes a verdade está diante de nossos olhos, mas estamos cegos e não consegui- mos enxergá-la. Muitas vezes nos pequenos detalhes temos errado, e assim, cria- do situações de tristeza, sem ao menos conseguirmos localizar esta falha para a sanarmos.

O pecado entrou no mundo através do relacionamento de Adão e Eva, ou seja, na primeira família formada por Deus. Por isso, ao meu coração veio um desejo muito forte de analisar, à luz da palavra de Deus, o relacionamento familiar entre pais e filhos. Talvez muitos possam compartilhar comigo desta descoberta, por- que, afinal, todos já fomos filhos e se ainda não somos, seremos pais.

Tudo tem início em um mandamento do Senhor, uma palavra deixada pelo Espí- rito Santo ao apóstolo Paulo que diz:

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e tua mãe – que é o primeiro mandamento com promessa – para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoquei à ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e instrução do Senhor”.
(Efésios 6:1-4)

Para completar estes mandamentos, lemos ainda no livro de Colossenses:

“Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, pois isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.”
(Colossenses 3:20-21)

Parece algo muito simples, mas que na maioria das vezes não acontece,principal- mente se não conhecemos a palavra claramente.  Quando o Senhor nos diz que devemos ser obedientes aos nossos pais, ele não diz que devemos somente obe- decer a todas as suas vontades, mas ele está dizendo que devemos obedecer nos- sos pais no Senhor, ou seja, a vontade dos pais deve ser a mesma de Deus, para que os filhos os possam obedecer. É a autoridade que vem de Deus, o amor que vem de Deus, que faz com que os filhos obedeçam aos pais, assim como nós obedecemos a Deus como nosso Pai celes- tial. Não é porque um pai é mais capaz do que o outro, e por isso seu filho o o- bedece. Não, de maneira nenhuma, pois tudo o que temos e somos pertence ao Senhor. Por isso é Deus quem nos capacita para fazermos nossos filhos nos obe- decerem. Sozinhos não podemos fazer isso, porque é o amor de Jesus que converte o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pa- is (Ml 4:6).

Continuando a leitura deste trecho da palavra vemos que Deus nos diz que deve- mos honrar pai e mãe, para que possamos viver bem e por muito tempo nesta terra. A palavra diz que a rebelião é como o pecado de feitiçaria (1Sm 15:23). En- tão vemos o quanto é importante a obediência, para que o pecado não encontre lugar em nossas vidas. Mais uma vez vemos a mão de Deus sobre nós, porque se honramos ao nosso Senhor, então somos perfeitamente capazes de honrarmos pai e mãe e tudo quanto o Senhor nos entregar. Porque assim como tudo lhe pertence e Ele nos tem entregado,também nos dá pai e mãe, que como uma benção de Deus, devem ser respeitados.

Bom, esta parte da lei de Deus a maioria das pessoas já conhece, porém, o que vem a seguir é muito revelador. A palavra diz ainda: E vós, pais, não provo- quei à ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e instrução do Senhor. Novamente aqui é destacada a necessidade do caminhar dos pais dian- te de Deus. Muitas vezes, como pais, desejamos que nossos filhos nos obedeçam a todo custo, e por isso, sem a sabedoria de Deus, podemos causar a ira. Como na ira não opera a justiça de Deus (Tg 1:20), é óbvio que o que é justo diante do Se- nhor (que é respeitar pai e mãe) não será cumprido nesta situação. A autoridade de Deus não vem do homem, da carne, mas do Espírito. Por isso para que os fi- lhos nos obedeçam não é necessário gritar, e usar de palavras rudes, mas tão so- mente é necessário o amor de Deus. Da mesma forma que Deus nos corrige, por- que nos ama (Hb 12:6), os pais também devem corrigir os seus filhos em amor.

A palavra ainda complementa explicando porque não devemos causar ira em nossos filhos dizendo: não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo. É muito claro que ninguém gosta de ser corrigido, mas existem mui- tas maneiras de ser corrigido, E ENSINADO, sem que o propósito se perca. Quando somos humilhados, insultados, naturalmente não conseguimos enxergar o nosso erro, porque a dor é tão grande que a nossa visão fica embaçada. Por is- so desta forma não há crescimento, e ainda por cima se perde o amor.

Por isso, como pais, não devemos irritar os nossos filhos com palavras sem sabe- doria, sem amor, para que eles não venham desanimar em prosseguir, pois o ca- minho é cheio de obstáculos mesmo, e desta forma estas vidas venham a se per- der por responsabilidade nossa.

É responsabilidade dos pais educarem seus filhos no Senhor, mas como é possí- vel fazermos isso se não conhecermos as leis de Deus? E como os filhos obedece- rão aos pais se estes não lhes ensinarem o que é certo perante o Senhor? A pala- vra de Deus diz que … não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos(2Cor 12:14). Por isso os pais não devem cobrar dos filhos o que eles mesmos não fazem,não conhecem e não ensinam, pois desta forma não haverá autoridade e sim ira.

Todos temos responsabilidades diante de Deus, e os filhos são uma herança que Ele nos dá, são uma benção, um presente, e como tal devem ser criados. Os fi- lhos foram enviados por Deus e para servirem a Ele é que os pais devem educá- los. A palavra diz Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (Mt 10:37). Esta é uma palavra que não devemos nos esquecer, e ela quer dizer que Deus deve estar acima de todas as coisas, no centro de todas as coisas, ser o objetivo de todas as coisas. Se tu- do não for direcionado por Deus, então nada prosperará. Não é um amor enorme por nossos pais, ou por nossos filhos, que vai fazê-los melhor, mas sim o amor de Deus por nós, e em nós, que fará toda a diferença.

Por isso tomemos para nós mais um ensinamento, e que esta palavra fique guardada em nossos corações:

“E tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração,
como ao Senhor, e não aos homens.”

(Cl 3:23)

Escrito por: Pra. Rebeka Pagliarini

Fonte: Comunidade Caminho