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Diante de nosso Deus

Exclamei, então: “Ai de mim, estou perdido! Sou um homem de lábios impuros, vivo entre um povo de lábios impuros, e, no entanto, meus olhos viram o rei, o SENHOR dos exércitos”.”
(Isaías 6:5)

Quando Isaías, um dos maiores profetas de Deus, teve uma visão do Senhor com seus anjos a adorá-lo ao redor do trono, ele compreendeu sua indignidade e seu pecado: “estou perdido!”. Ao confessar o pecado, Deus o tocou e purificou. A santidade de Deus permitiu que Isaías percebesse sua falta de santidade. Isso também o tornou íntegro.

O pecado arrebata pedaços da alma. Quando numeroso, nos torna uma pilha de peças quebradas. A santidade de Deus, no entanto, purifica-nos e ajuda a separar-nos do que não é santo. Existe uma correlação entre a santidade de Deus e nossa integridade. Portanto, quando estamos em sua presença, tornamo-nos mais íntegros. A santidade de Deus nos faz mais íntegros. Sempre que os grandes homens de fé, como Jó, Abraão e Moisés, tiveram um encontro próximo com Deus, viram as próprias faltas. Isso também acontece conosco.

Você talvez esteja pensando: “Por que preciso tomar mais consciência de minhas faltas? Já as conheço muito bem. Pensar sobre elas apenas me fará sentir ainda pior a respeito de mim mesmo”. Compreender a santidade de Deus, no entanto, não o fara sentir-se mal sobre si mesmo a ponto de levá-lo à depressão. Pelo contrário, o levará a sentir-se atraído pela santidade Dele; e, consequentemente, o levará à restauração. Vai convencê-lo em vez de condená-lo. Consiste na verdade; em  libertação.

A Bíblia nos diz: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4:16). Devemos ser certamente humildes ao levar nossa indignidade até o trono divino. Entretanto, podemos ter confiança porque sabemos que somos chamados e amados. Podemos ir a Deus em qualquer tempo, sabendo que ele nos quer ali e que nos limpará o coração e nos assemelhará mais a Ele.

Peça ao Senhor que o ajude a compreender a santidade divina. Reconheça depois sua própria falta dela e ore para que a essência de Deus entre em seu coração.

Fonte: A Bíblia da Mulher que Ora

A vontade de Deus

Observando  o que Jesus nos diz em (Marcos 3:35):

qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão,
e minha irmã, e minha mãe” ,

São Paulo nos alerta em (Efésios 5:17) :

não sejais insensatos, mas entendei qual seja
a vontade do Senhor
.” ,

e também (Mateus 7:21) :

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai,
que está nos céus
”  ,

concluímos que é de suma importância em nossa vida, sabermos qual é a vontade de Deus, para assim imitarmos a Jesus:

Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade,
mas a vontade daquele que me enviou
.”
(João 6:38)

E no versículo seguinte é esclarecida essa vontade:

E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.” (João 6:39)

Assim como em (1 Tessalonicenses 4:3-7 ):

Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus. Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.”

E seguindo a Sua vontade somos livres:

Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.”
(1 Pedro 2:15-16)

E Deus ouve exatamente a quem segue a Sua vontade:

Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas,
se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve
.”
(João 9:31)

E nós, como buscamos a santidade, pensamos exatamente como Santo Afonso de Ligório:

Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz.”

E de todo o coração o façamos…

Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;
(Efésios 6:6)

Mas como fazer para conhecer a vontade de Deus? São Paulo nos diz em Efésios:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito (consentimento) de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo; no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.
(Efésios 1:3-14)

E para nos mantermos na direção certa, temos as…

…orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.”
(Colossenses 4:12)

E para quem padece segundo a vontade de Deus:

“…os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.”
(1Pedro 4:19)

E confiantes estamos de que…

“…se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade,
ele nos ouve.

(1 João 5:14)

E que devemos operar a nossa Salvação com temor e tremor…

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”
(Filipenses 2:13)

Mas se, seguindo a vontade de Deus, cairmos no caminho, então precisamos lembrar da seguinte passagem:

E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
(2 Coríntios 12:7-9)

E por fim, para quem à vida mundana se acomoda, São Paulo adverte:

“…não sede conformados com este mundo,
mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável,
e perfeita vontade de Deus
.”
(Romanos 12:2)

Oremos (Hebreus 13:20-21):

Oh Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas,
nos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazermos a sua vontade,
operando em nós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus,
ao qual seja glória para todo o sempre.
Amém!

Saudação do anjo

Ave, cheia de Graça

Na Antiguidade, considerava-se um acontecimento muito grande que os anjos a- parecessem aos homens, que tinham por inestimável honra prestar-lhes reve- rência. Por isso também, em louvor de Abraão se escreveu que hospedou anjos em casa, e lhes manifestou reverência (Gn 18:2). Mas nunca se ouviu dizer que um anjo houvesse reverenciado um ser humano até que um Anjo saudou a Bem-aventurada Virgem Maria dizendo reverentemente: “Ave“.

Que na Antiguidade o anjo não tivesse reverenciado o homem, mas sim o con- trário, explica-se pelo fato de que o anjo superava o homem em três aspectos:

  • Primeiro, pela dignidade da sua natureza, que é puramente espiritual, con- forme diz o Salmo: “dos ventos fazes os Teus mensageiros“(Sl 103: 4). O homem, porém, é de natureza corruptível, como reconhecia Abraão: “falarei ao meu Senhor, ainda que eu seja pó e cinza“(Gn 18:27). Não era conveniente, portanto, que a criatura puramente espiritual e in- corruptível demonstrasse reverência àquela que é corruptível, a saber, o homem.
  • Segundo, por sua familiaridade com Deus, pois, sendo seu auxiliar, o anjo Lhe é íntimo, conforme se lê em (Daniel 7:10) : “milhares de milhares O servem, inumeráveis são os que assistem diante d’Ele“. Po- rém, pelo pecado, o homem se fez como que estranho e exilado de Deus, como o confessava o Salmista: “fugi para longe e permaneci no de- serto” (Sl 54:8). Era conveniente, portanto, que o anjo, que é próximo e familiar ao Rei, fosse reverenciado pelo homem.
  • Terceiro, o anjo era superior por causa da plenitude do esplendor da graça divina. Com efeito, os anjos participam da luz divina na suma plenitude, conforme se lê no livro de (Jó 25:3) : “porventura têm número as su- as milícias? E sobre quem é que não se levanta a sua luz? ” . Eis porque os anjos sempre aparecem revestidos de luz. Os homens, porém, fazem-no num grau muito menor e com certa obscuridade.

Não era conveniente, portanto, que os anjos prestassem reverência ao homem até que se encontrasse no gênero humano alguém que os superasse nesses três aspectos. Este foi o caso da Bem-aventurada Virgem Maria. Eis porque, para dar a entender que realmente lhe era superior, o Anjo quis manifestar-lhe reverên- cia, dizendo:”Ave“.

Fonte: Comentário à Ave Maria – Santo Tomás de Aquino

A desgraça do pecador

Grande é a malícia do pecador, mas também é a desgraça de quem o comete.

O pecado mortal rouba-nos a vida sobrenatural. Como a alma dá vida ao corpo, assim a graça dá vida a alma. E a razão por que o pecado grave é chamado mortal, visto destruir a vida da graça na alma. Como  a morte no corpo não  pode ser suspensa  a não ser por  milagre  da  mão  de Deus, assim também a morte da alma não pode ser impedida senão por milagre da bondade divina, quando ela é atingida pelo pecado. E verdade que Deus em sua misericór- dia, costuma restituir a vida da graça, perdoando a muitas almas aqui na terra. Isso dá-se, porém, só neste mundo e não no outro, pois sua providência estabeleceu como lei exercer misericórdia no tempo e não na eternida- de.

O pecado mortal ocasiona a perda de todos os merecimentos. Se tivesses adqui- rido méritos semelhantes a um São Paulo eremita que viveu 89 anos em uma gruta, ou aos de um São Francisco Xavier, que conquistou milhões de almas para Deus, ou a de um São Paulo apóstolo, que adquirira mais merecimentos, segun- do São Jerônimo, que os demais apóstolos juntos, tudo perderias cometen- do um só pecado mortal: “Não será lembrada nenhuma das obras de justiça por ele praticadas” (Ecli 18:24).

Pobres pecadores! Imaginam encontrar a felicidade cometendo pecados, mas só encontraram amargura e remorsos. “Em seus caminhos só há arrependimento e  infelicidade e não conhecem o caminho da paz“(Sl 13:3). Mas não procuram eles a paz?  Sim, mas “para os ímpios não há paz, diz o Senhor” (Is 48:22).

O temor do castigo divino acompanha sempre o pecado. Quando se tem como inimiga uma pessoa poderosa, não se pode comer nem dormir sossegado. Ora, como então poderá viver em paz quem se fez inimigo de Deus? “O temor é a recompensa dos que praticam o mal” (Sl 10:29). Oh! Quanto não treme um homem, que tem no coração um pecado mortal, Continuar lendo