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Conversando com o Senhor – PARTE 4

Como se deve cada um haver e falar nas coisas que deseja

mulher rezando

SENHOR: Filho, diz assim em todas as coisas: Senhor, se vos agradar faça-se isto em vosso nome.
Senhor, se vos parecer que me é conveniente e proveitoso, concedei-me isto para que dele use para vossa honra; mas se vedes que me será nocivo, e não aproveita para a salvação da minha alma, tirai de mim tal desejo, porque nem todo o desejo procede do Espírito Santo, ainda que nos pareça justo e santo. 

Dificultoso é julgar com verdade se te move o espírito bom ou mau, a desejar isto ou aquilo, ou se te move a tua própria vontade.

Acham-se enganados no fim muitos que no princípio pareciam ser movidos pelo bom espírito.

Por isso deves sempre, com temor de Deus e humildade do coração, desejar e pedir tudo aquilo que se te representar digno de ser desejado; e particularmente me encomendarás tudo com inteira resignação, dizendo – Senhor, vós sabeis o que é melhor, fazei-me isto ou aquilo, como mais vos agradar; dai-me o que quiserdes, quanto e quando quiserdes.

Fazei comigo como vós sabeis, e como mais vos aprouver e for mais honra vossa.

Ponde-me onde quiserdes, e obrai livremente comigo em todas as coisas.

Estou na vossa mão, resolvei-me e virai-me ao redor.

Eis aqui o vosso servo disposto para tudo: porque não desejo viver para mim, mas  para vós.

Praza à divina misericórdia que eu sempre assim viva digna e perfeitamente.

Oração em que se pede a graça
para cumprir a vontade de Deus

Concedei-me, benigníssimo Jesus, a vossa graça para que esteja comigo, trabalhe comigo e persevere comigo até o fim.

Dai-me que sempre deseje e queira o que vos for mais aceite e agradável.

Vossa vontade seja a minha, e a minha seja sempre a vossa, e se conforme em tudo com ela.

Tenha eu convosco o mesmo querer, ou não querer; nem possa querer, ou não querer, senão o que vós quereis ou não quereis.

Dai-me a graça para que morra para tudo o que há no mundo, e que deseje ser desprezado e desconhecido nele por vosso amor.

Dai-me que, sobre tudo o que se pode desejar, em vós descanse, e sossegue em vós o meu coração: vós sois o único descanso; fora de vós tudo é desabrigo e desassossego.

Nesta paz, nisso mesmo, isto é, em vós único sumo e eterno bem, dormirei e descansarei.

Amém.

Fonte: Livro Imitação de Cristo.

Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” 
(João 12:25)

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Conversando com o Senhor – PARTE 3

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Da obediência do súdito humilde, a exemplo de Jesus Cristo

SENHOR: Filho, o que procura apartar-se da obediência, aparta-se também da graça; e o que deseja ter coisas próprias perde as comuns.

O que se não sujeita de boa vontade ao seu superior, mostra que a sua carne ainda lhe não obedece perfeitamente, mas muitas vezes resiste e murmura.

Aprende, pois, a sujeitar-te sem detença ao teu superior, se desejas sujeitar a tua carne, porque mais depressa se vencerá o inimigo exterior, se o homem interior não estiver desordenado.

Não há mais danoso nem pior inimigo para tua alma que tu mesmo, sem não estás conforme com o espírito.

É necessário que te armes com o verdadeiro desprezo de ti mesmo, se queres vencer a carne e o sangue.

Mas porque ainda te amas desordenadamente, por isso receias sujeitar-te de novo à vontade dos outros.

Ora que muito é que tu – que és pó e nada – te sujeites ao homem por amor de Deus, quando Eu, Onipotente e Altíssimo  que criei do nada todas as coisas, me sujeitei humildemente ao homem por teu amor?

Fiz-me o mais humilde e mais abatido, para vencer a tua soberba com a minha humildade.

Aprende a obedecer tu que és pó  aprende a humilhar-te, terra e barro, e até a prostrar-te aos pés de todos.

Aprende a vencer a tua vontade, e rende-te a toda a sujeição.

Abrasa-te de ira contra ti mesmo, nem consintas que exista em ti enfatuamento algum; mas mostra-te tão sujeito a apoucado que todos possam andar sobre a tua cabeça, e pisar-te como lama da rua.

Ó homem vão, de que te queixas?

Pecador miserável, em que podes contradizer os que te injuriam, tu que tantas vezes ofendeste a Deus e mereceste o inferno?

Mas perdoei-te, porque é preciosa a tua alma a meus olhos, para que conhecesses o meu amor e fosses sempre agradecido pelos meus benefícios  e para que continuamente tratasses da verdadeira sujeição e humildade, e levasses com paciência o teu próprio desprezo.

Fonte: Livro Imitação de Cristo.

E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.” 
(Marcos 10:44)

Imitação de Cristo

Imitação de Cristo é um livro cristão escrito por volta de 1390, universal- mente acolhido antes da Reforma e ainda muito usado por católicos e protes- tantes. Não se conhece o autor da Imitação: uns atribuem a Tomás de Kempis, outros ao abade Gerson; e esta divergência de opinião tem sido fonte de longas controvérsias, a nosso ver, inúteis. Mas não existe nada fútil para a curiosidade humana. Imensas pesquisas se fizeram para descobrir o nome de um pobre soli- tário do século XVIII. Que resultou de tanto esforço? O solitário continua des- conhecido, e a feliz obscuridade onde transcorreu sua vida protegeu-lhe a humil- dade contra nossa vã ciência. Mas, se há desacordo sobre o autor, todos concor- dam a respeito da obra: “a mais bela que saiu de mãos humanas, depois dos Evangelhos”. Em nenhum outro lugar se encontrará conhecimento mais profun- do do ser humano, de suas contradições, de suas fraquezas, dos movimentos mais secretos do seu coração. Não se limita, porém, o autor a nos mostrar nossas misérias: indica-nos e nos faz saborear os remédios. Esta é uma das característi- cas que distinguem os escritores ascéticos dos moralistas: estes só sabem sondar as feridas de nossa natureza, fazem-nos ter medo de nós próprios e debilitam a esperança, atribuindo tudo ao orgulho. Os primeiro, ao contrário, rebaixam-nos somente para nos reerguerem e, pondo no céu nosso ponto de apoio, ensinam- nos a contemplar, no seio mesmo de nossa impotência, a perfeição infinita para a qual os cristão somos chamados. A Imitação não contém somente reflexões pró- prias para tocar a alma: está também repleta de conselhos admiráveis para todas as circunstâncias; seja qual for o estado em que nos encontremos, jamais a lere- mos sem proveito.

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Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade

Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as pala- vras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida, se verda- deiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

Muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enle- vo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e sabo- rear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.

Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o tor- na agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a sa- ber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.

A Vaidade, na pintura, é sobretudo representada pela natureza morta, isto é, a reprodução de objetos ou animais mortos.Esta é uma obra de Antonio de Pereda (Espanha, 1611-1678), O Sonho do Cavaleiro.

Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só aten- der à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.

Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvi- dos de ouvir (Ecle 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: pois aqueles que satisfa- zem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a gra- ça de Deus.

Fonte: Livro “Imitação de Cristo”.

Sofrendo os defeitos dos outros

Aquilo que o homem não pode emendar em si mesmo ou nos demais, deve-o to- lerar com paciência, até que Deus disponha de outro modo. Considera que talvez seja melhor assim, para provar tua paciência, sem a qual não têm grande valor nossos méritos. Todavia, convém, nesses embaraços, pedir a Deus que te au- xilie, para que os possas levar com seriedade.
Se alguém, com uma ou duas advertências, não se emendar, não contendas com ele; mas encomenda tudo a Deus para que seja feita a sua vontade, e seja ele hon- rado em todos os seus servos, pois sabe tirar bem do mal. Procura sofrer com paciência   os  defeitos  e  quaisquer  imperfeições dos  outros, pois tens também mui- tas que os outros têm de aturar.


Se não te podes modificar como desejas, como pretendes ajeitar os outros à me- dida de teus desejos? Muito desejamos que os outros sejam perfeitos, e nem por isso emendamos as nossas faltas.
Queremos que os outros sejam corrigidos com rigor, e nós não queremos ser re- preendidos. Estranhamos a larga liberdade dos outros, e não queremos sofrer recusa alguma. Queremos que os outros sejam apertados por estatutos e não to- leramos nenhum constrangimento que nos coíba. Donde claramente se vê quão raras vezes tratamos o próximo como a nós mesmos. Se todos fossem perfeitos, que teríamos então de sofrer nós mesmos por amor de Deus?
Ora, Deus assim o dispôs para que aprendamos a carregar uns o fardo dos ou- tros; porque ninguém há sem defeito; ninguém sem carga; ninguém com força e juízo bastante para si; mas cumpre que uns aos outros nos suportemos, consolemos, auxiliemos, instruamos e aconselhemos. Quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade; pois as oca- siões não fazem o homem fraco, mas revelam o que ele é.

Fonte: livro Imitação de Cristo.

Como resistir às tentações?

Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações. Por isso lemos no livro de Jó (7,1): É um combate a vida do homem sobre a ter- ra. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigi- lância e a oração, para não dar azo às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1Pdr 5,8). Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos.

São, todavia, utilíssimas ao homem as tentações, posto que sejam molestas e gra- ves, porque nos humilham, purificam e instruem. Todos os santos passaram por muitas tribulações e tentações, e com elas aproveitaram; aqueles, porém, que não as puderam suportar foram reprovados e pereceram. Não há Ordem tão san- ta nem lugar tão retirado, em que não haja tentações e adversidades.

Nenhum homem está totalmente livre das tentações, enquanto vive, porque em nós mesmos está a causa donde procedem: a concupiscência em que nascemos. Mal acaba uma tentação ou tribulação, outra sobrevém, e sempre teremos que sofrer, porque perdemos o dom da primitiva feli- cidade. Muitos procuram fugir às tenta- ções, e outras piores encontram. Não bas- ta a fuga para vencê-las; é pela paciência e verdadeira humildade que nos torna- mos mais fortes que todos os nossos ini- migos. Pouco adianta quem somente evita as ocasiões exteriores, sem arrancar as raízes; antes lhe voltarão mais depressa as tentações, e se achará pior. Vencê-las-á melhor com o auxílio de Deus, a pouco e pouco com paciência e resigna- ção, que com importuna violência e esforço próprio. Toma a miúdo conselho na tentação e não sejas desabrido e áspero para o que é tentado, trata antes de o consolar, como desejas ser consolado.
O princípio de todas a más tentações é a inconstância do espírito e a pouca confiança em Deus; pois, assim como as ondas lançam de uma parte a outra o navio sem leme, assim as tentações combatem o homem descuidado e inconstan- te em seus propósitos. O ferro é provado pelo fogo, e o justo pela tentação. Igno- ramos muitas vezes o que podemos, mas a tentação manifesta o que somos. Todavia, devemos vigiar, principalmente no princípio da tentação; porque mais fácil nos será vencer o inimigo, quando não o deixarmos entrar na alma, en- frentando-o logo que bater no limiar. Por isso disse alguém:Resiste desde o prin- cípio, que vem tarde o remédio, quando cresceu o mal com a muita demora (Ovídio). Porque primeiro ocorre à mente um simples pensamento, donde nasce a importuna imaginação, depois o deleite, o movimento; e assim, pouco a pouco, entra de todo na alma o malvado inimigo. E quanto mais al- guém for indolente em lhe resistir, tanto mais fraco se tornará cada dia, e mais
forte o seu adversário. Continuar lendo

Imitação de Cristo

Livro presente na mesa de cabeceira de muitos santos, entre eles  Santo Inácio de Loyola , que o leu no tempo em que esteve numa gruta em Manresa, e o ajudou a conceber os Exercícios Espirituais Inacianos. Coloco abaixo um trecho do início do livro para mostrar quanto valiosa é a sua leitura para nós. Para baixar o livro completo, basta entrar aqui e escolher a versão que quiser. Boa…maravilhosa leitura para você!

Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imi- temos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito, encontrará nela um maná escondido. Su- cede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evan- gelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as pala- vras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida. Continuar lendo