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Oração para o Natal

Presépio

Hoje todo o mundo alegra-se pela vinda do Salvador à terra, na nossa pobre condição humana. Nós, como família e amigos , alegramo-nos e festejamos este extraordinário acontecimento.

<<Coloca-se o Menino Jesus no presépio.>>

O Verbo se fez carne e habitou entre nós! Jesus por nós nasceu! Jesus, vós que fostes criança como todos nós, concedei-nos nesta Noite Santíssima um coração de criança para que possamos ser sempre felizes, confiantes e cheios de ternura e afeto para com todos.

Abençoa Senhor neste Natal, as pessoas aqui presentes e a família de cada um de nós. Que dentro de nosso lar habite a confiança de tua mãe, Maria, o zelo de teu pai, José, e a inocência de teu rosto de criança.

Concede-nos a saúde da alma e do corpo, para que possamos cantar Teus louvores a cada dia deste novo ano. Que nossas portas estejam sempre abertas para Ti, nas visitas que nos fazes em tantos rostos sofridos. Dá-nos a alegria de Tua presença em nosso lar: o maior de todos os presentes possíveis. Ó vós, que sois Deus com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos.

Amém.

Todos: Pai nosso e Ave-Maria.

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Meu Verdadeiro Amor

« Quando acordo de manhã,
Tu estás lá.

Quando durmo à noite,
Tu estás ao meu lado.

Para que faça minhas tarefas da casa durante o dia,
Tu me dás a força.

Quando me sinto sozinha e rejeitada,
Tu tocas meu coração.

Quando eu estou triste ou me sinto doente,
Tu me consolas.

Quando eu desobedeço ou Te rejeito,
Tu me perdoas.

Quando eu me desvio de Teu lado,
Tu me guias.

Quando tenho necessidade de dividir meus pensamentos mais profundos,
Tu me escutas sempre.

Quando eu sou alegre e feliz,
Tu compartilhas minha alegria.

Quando eu estou perdida e nervosa,
Tu me consolas.

Quando eu Te chamo,
Tu me abraças.

Quando eu tenho fome e sede,
Tu me alimentas.

Quando eu tenho necessidade de algo material,
Tu provéns.

Jesus amigo

Como posso eu Te agradecer, quando jamais Te retribuirei parecido, meu Verdadeiro Amor, por tudo que Tu me dás? Bem que eu tento ser dedicada, eu falho miseravelmente cada dia. Meu desejo é que Tu estejas feliz vendo-me seguir Suas ordens todos os dias da minha vida. Pois minha constante troca conTigo e Sua escuta, nossa comunicação e nossa sinceridade me asseguram sempre um amanhã melhor.

Perdoa-me, Meu Bem-Amado, minha grande negligência, minha ira, minha falta de confiança e minha impaciência constante. Continue a me guiar, me encorajar, me ensinar, me proteger pois conto com Sua grande força. Eu hesito a tomar qualquer decisão sem Teu consentimento. Eu quero jamais ser separado de Ti, Meu Amor. Como Tu me tens hoje, permita-me permanecer junto de Ti para sempre, em Tua presença eternamente

Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á

… e qualquer que a perder por amor de Jesus,
salvá-la-á.”

Muitas pessoas quando ouvem ou lêem essa passagem (Marcos 8:35 , Lucas 9:24 , Mateus 16:25 ), ficam chocados ou não compreendem bem o que ela diz. Para ajudá-las no entendimento, colocarei trechos bíblicos que esclarecem.

Antes de mais nada, questiona-se como pode, aqueles que “procuram salvar a suas vida, perdê-la-ão“?   Primeiramente, como é possível “salvar nossa vida“?

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”
(João 3:17)

E,

Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”
(Romanos 10:9)

Pois, como Jesus nos disse:

Eu sou o caminho, e a verdade e a vida;
ninguém vem ao Pai, senão por mim
.”
(João 14:6)

E também:

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”
(João 14:23)

E por fim, Ele nos diz:

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará,
e sairá, e achará pastagens.”
(João 10:9)

Assim para salvar-nos devemos seguir ao Senhor, e para isso Ele nos diz…

Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo,
e tome cada dia a sua cruz, e siga-me
.”
(Lucas 9:23)

Assim todo aquele que quiser se salvar terá que renunciar a si próprio e tomar sobre si sua cruz. Daí, entendemos o porquê do “perdê-la-á“. Agora vamos compreender a segunda parte: “qualquer que a perder por amor de Jesus, salvá-la-á“.

Vamos lembrar o que Jesus nos diz em (João 11,25):

Eu sou a ressurreição e a vida;
quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá

E nos perguntamos: como pode estarmos mortos e ainda viver? E São Paulo nos responde em (Romanos 8:10):

E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.”

E como viveremos?

E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.”
(Romanos 8:11)

E como saber se o Espírito que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em nós? Nesta direção, primeiramente, temos (1 João 4:2)

Nisto conhecereis o Espírito de Deus:
Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus

Segundo, temos em (Gálatas 5:16-17):

“… deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne.
Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.”

E por fim, em (Romanos 8:13)

Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.”

Mas quais são estas obras da carne? São Paulo novamente nos esclarece (Gálatas 5:19-21):

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes.
Dessas coisas vos previno, como já vos preveni:
os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus
! “

E mortificando as obras do corpo, teremos como fruto:

“… caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade,
brandura, temperança.”
(Gálatas 5:22-23)

E Jesus nos alerta:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”
(Mateus 7:21)

E,

Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta:
Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna;
e eu o ressuscitarei no último dia
.
(João 6:40)

E nisto esta a nossa esperança, que pela misericórdia de Deus viveremos …

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. ”
(Efésios 2:8-10)

Conversando com o Senhor – PARTE 2

Do bom governo nas coisas exteriores,
e como devemos recorrer a Deus nos perigos

SENHOR: Filho, com diligência deves procurar que em todo o lugar, ação ou ocupação exterior estejas interiormente livre e senhor de ti, e que estejam todas as coisas sujeitas a ti, e não tu a elas; que sejas tu senhor das tuas ações, e não servo e escravo comprado.

Com livre e verdadeiro hebreu, deves passar à sorte e liberdade de filhos de Deus, que desprezam as coisas presentes, contemplam as eternas, e vêem com o olho esquerdo as coisas do mundo, e com o direito as do Céu.

Estes não se deixam arrastar do apego às coisas temporais; mas servem-se delas conforme o fim para que foram ordenadas por Deus, e instituídas pelo supremo Artífice, que nada deixou sem ordem na sua criatura.

Se em todo o sucesso te não fundares na aparência exterior, nem considerares só com os olhos carnais o que vires e ouvires, mas em qualquer negócio entrares logo, com o Moisés no Tabernáculo, para pedires conselho ao Senhor, ouvirás muitas vezes a resposta divina, e voltarás instruído a respeito de muitas coisas presentes e futuras.

Sempre Moisés recorria ao Tabernáculo, para sair-se ds dúvidas e dificuldade, e valia-se da oração para triunfar dos perigos e maldades dos homens; assim tu deves retirar-te ao secreto do teu coração, pedindo com instância ao socorro divino.

Por isso Josué e os filhos de Israel foram enganados pelos Gaboanitas (cf. Js 9) porque não consultaram primeiro o Senhor; mas crendo muito de leve suas brandas palavras foram enganados por uma falsa piedade.

Fonte: Livro Imitação de Cristo.

Perseverai em oração,velando nela com ação de graças;
Tratai com sabedoria os que não são da comunidade,
aproveitando bem o momento.
Que vossa conversa seja sempre agradável, com uma pitada de sal,
de modo que saibais responder a cada um como convém.”
(Colossenses 4:2, 5-6)

Jesus é o Bom Pastor

Este quarto domingo da Páscoa é conhecido como domingo do Bom Pastor, pois nele se lê sempre um trecho do capítulo 10 de são João, onde Jesus se revela como o Bom Pastor. Mas, o que isso tem a ver com o tempo litúrgico que ora estamos vivendo? A resposta, curta e graciosa, encontra-se na antífona de comunhão que o missal romano traz: “Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!”  Aqui está tudo!

Eu sou o bom pastor” – disse Jesus. O adjetivo grego usado para “bom” significa mais que bom: é belo, perfeito, pleno, bom. Jesus é, portanto, o pastor por excelência, aquele pastor que o próprio Deus sempre foi. Pela boca de Ezequiel profeta, Deus tinha prometido que ele próprio apascentaria o seu rebanho: “Eu mesmo cuidarei do meu rebanho e o procurarei. Eu mesmo apascentarei o meu rebanho, eu mesmo lhe darei repouso” (34:11,15). Pois bem: Jesus apresenta-se como o próprio Deus pastor do seu povo!

Mas, por que ele é o belo, o perfeito, o pleno Pastor? Escutemo-lo: “O bom pastor dá a vida por suas ovelhas. É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. Ninguém tira a minha vida; eu a dou por mim mesmo! Tenho o poder de entregá-la e o poder de retomá-la novamente; esse é o preceito que recebi do meu Pai” (cf. Jo 10).

São palavras de intensidade inexaurível, essas! Jesus é o pastor perfeito porque é capaz de dar a vida pelas ovelhas: ele as conhece, ou seja, é íntimo delas, as ama, e está disposto a dar-se totalmente pelo rebanho, por nós! E, mesmo na dor, faz isso livremente, em obediência amorosa à vontade do Pai por nós! Por amor, morre pelo rebanho; por amor ressuscita para nos ressuscitar! Nós jamais poderemos compreender totalmente este mistério! Jesus diz que conhece suas ovelhas como o Pai o conhece e ele conhece o Pai! É impossível penetrar em tão grande mistério! Conhecer, na Bíblia, quer dizer, ter uma intimidade profunda, uma total comunhão de vida. A comunhão de vida entre o Pai e o Filho é total, é plena. Pois bem, Jesus diz que essa mesma comunhão ele tem com suas ovelhas. E é verdade! No batismo, deu-nos o seu Espírito Santo, que é sua própria vida de ressurreição; na eucaristia, dá-se totalmente a nós, morto e ressuscitado, pleno desse mesmo Espírito, como vida da nossa vida! De tal modo é a união, de tal grandeza é a comunhão, de tal profundidade é a intimidade, que ele está em nós e nós estamos mergulhados, enxertados e incorporados nele! De tal modo, que somos uma só coisa com ele, seja na vida seja na morte! De tal sorte ele nos deu o seu Espírito de Filho, que são João afirma na segunda leitura de hoje: “Somos chamados filhos de Deus. E nós o somos!” (1Jo 3: 1-2)

Compreendamos: somos filhos de verdade, não só figurativamente! Somos filhos porque temos em nós a mesma vida, o mesmo Espírito Santo que agora plenifica o Filho ressuscitado! E são João continua, provocante: “Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai!” Ou seja: se, para o mundo, nós somos apenas uns tolos, uns nada, se o mundo não consegue compreender essa maravilhosa realidade – que somos filhos de Deus – é porque também não experimentou, não conheceu que Deus é o Pai de Jesus, o Filho eterno, o Bom Pastor, que nos faz filhos como ele é o Filho único, agora tornado primogênito de muitos irmãos! Mas, a Palavra de Deus nos consola e anima: “Quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é!” Este é o destino da humanidade, este é o nosso destino: ser como Jesus ressuscitado, trazer sua imagem bendita, participar eternamente da sua glória! Para isso Deus nos criou desde o princípio! Não chegar a ser como Jesus ressuscitado, não ressuscitar com ele – nesta vida já pelos sacramentos, e na outra, na plenitude da glória – é frustrar-se. E isso vale para todo ser humano, pois “em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos!” Por isso mesmo, Jesus afirma hoje, pensando nos não-cristãos: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor!

Voltemos o nosso olhar para Aquele que foi entregue por nós e por nós ressuscitou. Olhemos seu lado aberto, suas mãos chagadas. Quanto nos ama, quanto se deu a nós! Agora, escutemo-lo dizer: “Eu sou o bom pastor! Eu conheço as minhas ovelhas! Eu dou a minha vida pelas ovelhas!Num mundo de tantas vozes, sigamos a voz de Jesus! Num mundo de tantas pastagens venenosas, deixemos que o Senhor nos conduza às pastagens verdadeiras, que nos dão vida plena e sacia nosso coração! Num mundo que nos tenta seduzir com tantos amores, amemos de todo coração Aquele que nos amou e por nós se entregou ao Pai!

Este domingo é também jornada mundial de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas. Peçamos ao Senhor, Bom Pastor, que dê à Igreja e ao mundo pastores segundo o seu coração, pastores que, nele e com ele, estejam dispostos a fazer da vida uma total entrega pelo rebanho; pastores que tenham sempre presente qual a única e imprescindível condição para pastorear o rebanho do Bom Pastor: “Simão, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21:15s). Eis a condição: amar o Pastor! Quem não é apaixonado por Jesus não pode ser pastor do seu rebanho! Não se trata de competência, de eficiência, de vedetismo ou brilhantismo; trata-se de amor! Se tu amas, então apascenta! Como dizia santo Agostinho, “apascentar é ofício de quem ama”.

Que o Senhor nos dê os pastores que sejam viva imagem dele; que Cristo nos faça verdadeiras ovelhas do seu rebanho.


Escrito por:
Dom Henrique Soares da Costa

Outras homilias leia:
Homilia Dominical

Clique na imagem abaixo para ouvir a homilia de Padre Paulo Ricardo.

Conversando com o Senhor – PARTE 1

Da pura e inteira renuncia de si mesmo,
para alcançar a liberdade de espírito

SENHOR: Filho, deixa-te a ti e achar-me-ás a mim. Está sem escolha e propriedade, e sempre ganharás, porque se te acrescenterá maior graça logo que te resignes e perseveres com firmeza.

DISCÍPULO: Senhor, quantas vezes me resignarei e em que coisas me deixarei a mim?

SENHOR: Sempre e a toda a hora; tanto no pouco como no muito; nenhuma coisa excetuo, mas em todas te quero achar resignado. Como poderás ser meu e eu ser teu se não estiveres despojado de toda a própria vontade, interior e exteriormente?

Quanto mais depressa isto fizeres, tanto melhor te irá; e quanto mais pura e inteiramente, tanto mais me agradarás e muito mais granjearás.

Alguns há que se resignam, mas com alguma exceção, porque não confiam perfeitamente em mim; e por isso têm muito cuidado de si mesmos.

Outros ao princípio tudo oferecem; mas em os combatendo a tentação tornaram-se as suas comodidades, e por isso de nenhum modo aproveitam na virtude.

Estes nunca chegarão à verdadeira liberdade do coração puro nem lograrão a graça da minha suave familiaridade, se se não resignarem de todo, e fizerem primeiro um quotidiano sacrifício de si mesmo, sem o que não permanece, nem permanecerá a união, com quem se goza de mim.

Muitas vezes te hei dito e agora te torno a dizer: deixa-te, resigna-te e lograrás grande paz interior.

Da tudo por tudo, não busqueis coisa alguma, nem a tornes a pedir.

Está pura e firmemente em mim sem hesitar, e possuir-me-ás e serás livre no coração, e não te escurecerão as trevas.

A isto te aplica, isto pede, isto deseja, para que te possas despojar de toda a propriedade, e seguir nu a Jesus nu: morrer para ti e viver para mim por toda a eternidade.

Então se dissiparão todas as vãs imaginações, pertubações e cuidados supérfluos.

Então se acabará também o temor demasiado, e o amor desordenado morrerá.

Fonte: Livro Imitação de Cristo.

Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo,
e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”
(Lucas 9:23)

Quão poucos os que amam a Cruz de Cristo

Tem Jesus agora muitos que amam o seu reino, mas poucos que levam a sua Cruz. Tem muitos que desejam a consolação, mas poucos que desejam a tribulação. Acha muitos companheiros para a mesa, poucos para abstinência. Todos querem gozar com Ele, poucos sofrer por Ele alguma coisa. Muitos seguem a Jesus até o partir do pão; poucos até o beber do cálice da sua Paixão. Muitos veneram os seus milagres; poucos seguem as ignomínias da Cruz. Muitos amam a Jesus enquanto lhes não tocam as adversidades. Muitos O louvam e bendizem, enquanto recebem d’Ele alguma consolação; se, porém, Jesus se oculta e por um pouco os deixa, logo ou sentidamente se queixam, ou demasiadamente desanimam.

Aqueles, porém, que amam a Jesus por causa de Jesus, e não por sua própria satisfação, tanto O louvam nas tribulações e angústias, como na maior consolação. E posto que nunca lhes fosse dada a consolação, sempre O louvariam e Lhe dariam graças.

Oh! Quanto pode o amor puro de Jesus, quando é sem mistura de interesse e amor-próprio! Não são porventura mercenários os que andam sempre em busca de consolações? Não se amam mais a si do que a Cristo os que estão sempre cuidando de seus cômodos e interesses? Onde se achará quem queira servir desinteressadamente a Deus?

É raro achar um homem tão espiritual que esteja desapegado de tudo. Pois o verdadeiro pobre em espírito e desprendido de toda criatura – quem o descobrirá? Tesouro precioso que é necessário buscar nos confins do mundo (Prov 31,10). Se o homem der toda a fortuna, não é nada. E se fizer grande penitência, ainda é pouco. Compreenda embora todas as ciências, ainda estão muito longe. E se tiver grande virtude de devoção ardente, muito ainda lhe falta, a saber: uma coisa que lhe é sumamente necessária. Que coisa será esta? Que, deixado tudo, se deixa a si mesmo e saia totalmente de si, sem reservar amor-próprio algum, e, depois de feito tudo que  soube fazer, reconheça que nada fez.

Não tenha em grande conta o pouco que nele possa ser avaliado por grande: antes, confesse sinceramente que é um servo inútil, como nos ensina a Verdade. Quando tiverdes cumprido tudo que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis (Lc 17,10). Então, sim, o homem poderá chamar-se verdadeiramente pobre de espírito e dizer com o profeta: Sou pobre e só neste mundo (Sl 25,16). Entretanto, ninguém é mais poderoso, ninguém mais livre que aquele que sabe deixar-se a si e a todas as coisas e colocar-se no último lugar.

Fonte: Livro Imitação de Cristo.