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Mãezinha do Céu

Tão singela e profunda essa pequena oração…

Mãezinha do céu, eu não sei rezar
Eu só sei dizer eu quero te amar
Azul é seu manto, branco é seu véu
(bis) Mãezinha eu quero te ver lá no céu

Mãezinha do céu, mãe do puro amor
Jesus é teu filho, eu também o sou
Mãezinha do céu, vou te consagrar
Minha inocência, guarda-a sem cessar

A Imaculada Conceição

Ineffabilis Deus (Latim para “Deus Inefável”) é o nome de uma Constituição Apostólica escrita pelo Papa Pio IX. Este documento define ex cathedra o dogma da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Constitui um dos poucos casos de definição em que é feito uso do dogma católico da infalibilidade papal. O decreto de promulgação é datado de 8 de dezembro de 1854, dia da Festa da Imaculada Conceição de Maria.

O decreto examina a história da opinião, na tradição cristã, fixando as suas raízes na antiqüíssima festa da Concepção de Maria, como sendo uma data de grande significado nas igrejas orientais e ocidentais. Apoia-se também na aprovação dos bispos católicos do mundo inteiro, a quem foram pedidas , em 1849, a sua opinião sobre matéria.

A declaração dogmática é expressada da seguinte forma:
…”A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.” (Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.)

O decreto também exprime que a Conceição Imaculada de Maria não era uma necessidade lógica em nenhum sentido, mas decorre de presente ou graça divina a Maria pelo fato de vir a ser a Mãe de Deus.

Mesmo ja decretada a Imaculada concepção de Nossa Senhora pelo Papa Pio IX, vemos em Lourdes (França), em uma das aparições de Maria a santa Bernadete, a  confirmação dada diretamente pela Nossa Mãe; como descreve o Papa Pio XI:

“O que em Roma, pelo seu magistério infalível, o sumo pontífice definia, a Virgem Imaculada Mãe de Deus, a bendita entre as mulheres, quis, ao que parece, confïrmá-lo por sua boca, quando pouco depois se manifestou por uma célebre aparição na gruta de Massabielle”. Certamente, a palavra infalível do pontífice romano, intérprete autêntico da verdade revelada, não necessitava de nenhuma confirmação celeste para se impor à fé dos fiéis. Mas com que emoção e com que gratidão o povo cristão e seus pastores não recolheram dos lábios de Bernardete essa resposta vinda do céu:
Eu sou a Imaculada Conceição“!

Oremos hoje, nesse dia tão especial, a mais antiga oração a Nossa Senhora (encontrada em um papiro no Egito, século III):

“À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!”.

E oremos também a linda oração de S. Bernardo ( Lembrai-vos):

Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido a vossa proteção, implorando o vosso auxílio, e reclamando o vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado, pois, com igual confiança, ó Virgem das virgens, como à Mãe recorro e de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés; não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus, mas dignai-vos de as ouvir propícia e me alcançar o que vos rogo. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.

Saudação do anjo

Ave, cheia de Graça

Na Antiguidade, considerava-se um acontecimento muito grande que os anjos a- parecessem aos homens, que tinham por inestimável honra prestar-lhes reve- rência. Por isso também, em louvor de Abraão se escreveu que hospedou anjos em casa, e lhes manifestou reverência (Gn 18:2). Mas nunca se ouviu dizer que um anjo houvesse reverenciado um ser humano até que um Anjo saudou a Bem-aventurada Virgem Maria dizendo reverentemente: “Ave“.

Que na Antiguidade o anjo não tivesse reverenciado o homem, mas sim o con- trário, explica-se pelo fato de que o anjo superava o homem em três aspectos:

  • Primeiro, pela dignidade da sua natureza, que é puramente espiritual, con- forme diz o Salmo: “dos ventos fazes os Teus mensageiros“(Sl 103: 4). O homem, porém, é de natureza corruptível, como reconhecia Abraão: “falarei ao meu Senhor, ainda que eu seja pó e cinza“(Gn 18:27). Não era conveniente, portanto, que a criatura puramente espiritual e in- corruptível demonstrasse reverência àquela que é corruptível, a saber, o homem.
  • Segundo, por sua familiaridade com Deus, pois, sendo seu auxiliar, o anjo Lhe é íntimo, conforme se lê em (Daniel 7:10) : “milhares de milhares O servem, inumeráveis são os que assistem diante d’Ele“. Po- rém, pelo pecado, o homem se fez como que estranho e exilado de Deus, como o confessava o Salmista: “fugi para longe e permaneci no de- serto” (Sl 54:8). Era conveniente, portanto, que o anjo, que é próximo e familiar ao Rei, fosse reverenciado pelo homem.
  • Terceiro, o anjo era superior por causa da plenitude do esplendor da graça divina. Com efeito, os anjos participam da luz divina na suma plenitude, conforme se lê no livro de (Jó 25:3) : “porventura têm número as su- as milícias? E sobre quem é que não se levanta a sua luz? ” . Eis porque os anjos sempre aparecem revestidos de luz. Os homens, porém, fazem-no num grau muito menor e com certa obscuridade.

Não era conveniente, portanto, que os anjos prestassem reverência ao homem até que se encontrasse no gênero humano alguém que os superasse nesses três aspectos. Este foi o caso da Bem-aventurada Virgem Maria. Eis porque, para dar a entender que realmente lhe era superior, o Anjo quis manifestar-lhe reverên- cia, dizendo:”Ave“.

Fonte: Comentário à Ave Maria – Santo Tomás de Aquino

Rezar o Santo Rosário – contemplar Cristo com Maria

O Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), que ao sopro do Espíri- to de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e pro- fundidade, permanece uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a « fazer-se ao largo »(duc in altum) para reafirmar, melhor « gritar » Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, co- mo « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), como « o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização ».

O Rosário, de fato, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio. Nele ecoa a oração de Maria, o seu perene Magnificat pela obra da Encarnação redentora iniciada no seu ventre virginal. Com ele, o povo cristão freqüenta a es- cola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na  experiência  da  profundidade  do  seu amor.  Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor.

O motivo mais importante para propor com insistência a prática do Rosário resi- de no fato de este constituir um meio validíssimo para favorecer entre os crentes aquele compromisso de contemplação do mistério cristão, como verdadeira e própria pedagogia da santidade: «Há necessidade dum cristianismo que se desta- que principalmente pela arte da oração ». Enquanto que na cultura contem-porânea, mesmo entre tantas contradições, emerge uma nova exi- gência de espiritualidade, solicitada inclusive pela influência de ou- tras religiões, é extremamente urgente que as nossas comunidades cristãs se tornem « autênticas escolas de oração ».

O Rosário situa-se na melhor e mais garantida tradição da contemplação cristã. Desenvolvido no Ocidente, é oração tipicamente meditativa e corresponde, de certo modo, à « oração do coração » ou « oração de Jesus » germinada no húmus do Oriente cristão.

Como rezar o Santo Rosário?

Apresento abaixo de uma maneira simples e completa, essa maravilhosa oração que como nos dizia o Papa João Paulo II,  é o “compêndio da Bíblia”. Nele medi- tamos, em cada  mistério,  todas  as passagens  bíblicas: os Mistérios da Ale- gria (ou Gozosos- Anunciação do Anjo até o encontro do menino Jesus no Tem- plo), Mistérios da Luz (ou Luminosos – Batismo de Jesus até a Instituição da Eucaristia),  Mistérios da Dor (ou Dolorosos – Agonia de Jesus no horto até sua crucificação) e Mistérios da Glória (ou Gloriosos – Ressurreição de Jesus até à coroação de Nossa Senhora).

PRIMEIRO PASSO: Como rezar um terço.

1) Pode ser feito um oferecimento do Terço como o seguinte:

Divino Jesus, nós vos oferecemos este terço que vamos rezar, contemplando os mistérios da nossa Redenção. Concedei-nos pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem nos dirigimos, as virtudes para bem rezá-lo e a graça de ganharmos as indulgências desta santa devoção. Oferecemos particular- mente … (aqui colocam-se as intenções).

E também uma Oração preparatória como abaixo:

Vinde, Espírito Santo, enchei o meu coração e acendei  o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra. Conce-dei-nos que no mesmo Espírito saibamos o que é reto e gozemos sempre de suas consolações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade com o Espírito Santo.
Amém

2) O oração do terço inicia  na cruz que está na extremidade. Começamos fa- zendo o Sinal da Cruz (que é uma profissão de fé no mistério da Santíssima Trindade) e rezando a oração do Creio.

Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus  Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos  céus e está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos;  creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comu- nhãos dos santos, na remissão dos pecados, na Ressurreição da carne e  na vida eterna.
Amém.

3) Na conta seguinte (bolinha maior) reza-se a  Oração do Pai-nosso.

Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de ca- da dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Amém.

4) Nas três contas seguintes (bolinhas menores) rezam-se três Ave-Marias, sendo a primeira Ave-Maria em honra à Deus Pai que nos criou; a segun- da, em honra a Deus Filho que nos remiu e, a terceira, em honra a Deus Espírito Santo, que nos santifica.

Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mu- lheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, ro- gai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte.
Amém.

5) Na outra seguinte (bolinha maior), reza-se o Glória ao Pai.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre.
Amém!

6) Agora, sim,  iniciam-se os mistérios (o terço possui cinco mistérios, onde cada mistério é composto de um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Gloria ao Pai). Primeiramente se reza um Pai-nosso, onde cada bolinha menor representa uma Ave-Maria, e então um Gloria. Chegando-se na bolinha maior, onde contemplamos o Primeiro Mistério e assim esta completa a primeira deze- na; reza-se novamente o Pai-nosso, mais dez Ave- Marias e um Gloria e assim sucessivamente. Ao final de cada dezena, após o Mistério, reza-se uma ja- culatória (Ó meu Jesus).

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas pa- ra o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.

7) Terminamos com a oração Salve Rainha.

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericor- diosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém.

Apresentaremos agora todos os Mistérios a serem contemplados no terço, com uma breve reflexão de cada um a ser feita na oração.

MISTÉRIOS GOZOSOS (Natalidade e crescimento de Jesus):

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