Arquivo da tag: misericordia

Trechos do Diário de Santa Faustina – Parte I

O Diário da Irmã Faustina, escrito durante os últimos quatro anos de sua vida por expressa ordem de Nosso Senhor, tem a forma de um memorial em que a Autora vai anotando, sequencialmente e retrospectivamente, sobretudo os “toques” e contatos da sua alma com Deus.

Toda a sua vida se concentrava numa efetiva aspiração a uma união cada vez mais plena com Deus e à colaboração generosa com Jesus na obra da salvação das almas.

Segue abaixo trechos extraídos do Diário para que o leitor tome conhecimento de como essa obra é maravilhosa, pois nos faz recordar de uma verdade de fé, desde há séculos conhecida, mas bastante esquecida: o amor misericordioso de Deus para com o homem.

A Vossa Santa Vontade é a vida da minha alma.”
(Caderno I, pág. 3)

“Deus encheu a minha alma de luz interior e de um melhor conhecimento d’Ele como sumo bem e suma beleza. Compreendi quanto Deus me amava. É eterno o Seu amor para comigo.”
(Caderno I, pág. 5)

Vi o Anjo da Guarda que me mandou acompanhá-lo. Imediatamente encontrei-me num lugar enevoado, cheio de fogo, e, dentro deste, uma multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem resultado para si mesmas; apenas nós podemos ajudá-las. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da Guarda não se afastava de mim nem por um momento. E perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior sofrimento delas era a saudade de Deus. Vi Nossa Senhora que visitava as almas do Purgatório. As almas chamam a Maria “Estrela do Mar”. Ela lhes traz alívio. Queria conversar mais com elas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair. Saímos pela porta dessa prisão de sofrimento. [Ouvi então uma voz interior] que me dizia: A Minha misericórdia não deseja isto, mas a justiça o exige. A partir desse momento, me encontro mais unida às almas sofredoras.”
(Caderno I, pág. 7)

A Irmã deve ter sempre uma grande confiança; Deus é sempre Pai, mesmo na provação.”
(Caderno I, pág. 10)

Uma vez ouvi estas palavras: Vai falar com a Superiora e pede que te permita fazer diariamente uma hora de adoração, durante nove dias; nessa adoração, procura unir a tua oração à de Minha Mãe. Reza de coração em união com Maria e, também, procura durante esse tempo fazer a Via-sacra.”
(Caderno I, pág. 13)

Oh! Se desde o início tivesse tido um diretor espiritual, não teria desperdiçado tantas graças divinas. Um confessor pode ajudar muito à alma, mas pode também estragar muita coisa. Oh! Quanto os confessores devem dar atenção à ação da graça de Deus nas almas de seus penitentes; isso é muito importante. Pelas graças concedidas à alma pode-se conhecer o grau da sua intimidade com Deus.”
(Caderno I; pág. 13)

(Em uma visão do purgatório) “Jesus disse: Basta uma só coisa. Tu descerás à Terra e sofrerás muito, mas não por muito tempo, e cumprirás a Minha vontade e os Meus desejos; um fiel servo Meu te ajudarás a cumpri-los. Agora reclina sua cabeça sobre o Meu peito, sobre o Meu coração, e tira dele força e vigor para todos os sofrimentos, porque em nenhum lugar encontrarás alívio, ajuda ou consolo. Deves saber que sofrerás muito, muitíssimo  mas não te assustes com isso: Eu estou contigo.”
(Caderno I, pág. 14)

Nossa Senhora que me ensinou a amar a Deus interiormente e em tudo cumprir a Sua santa vontade. Sois alegria, ó Maria , porque por Vós Deus desceu à Terra e ao meu coração.”
(Caderno I, pág. 15)

Os sofrimentos e as contrariedades no começo de minha vida religiosa me assustavam e me tiravam a coragem. Era por isso que rezava sem cessar para que Nosso Senhor me fortalecesse e me desse a força do Seu Santo Espírito, a fim de que eu pudesse cumprir em tudo a Sua santa vontade, porque desde o início conhecia e reconheço a minha fraqueza. Sei bem o que sou por mim mesma, por isso Jesus desvendou aos olhos da minha alma todo o abismo da miséria que eu sou, e por isso compreendo bem que tudo que há  de bom na minha alma é unicamente a Sua santa graça. Esse reconhecimento da minha miséria me permite ao mesmo tempo conhecer o abismo da Vossa misericórdia  Na minha vida interior olho com um dos olhos para o abismo da minha miséria e maldade e com outro, para o abismo da Vossa misericórdia, ó Meu Deus.”
(Caderno I, pág. 22)

O sofrimento é uma grande graça. Pelo sofrimento, a alma assemelha-se ao Salvador; no sofrimento, cristaliza-se o amor. Quanto maior o sofrimento, tanto mais puro torna-se o amor.”
(Caderno I, pág. 23)

Ao final da Ladainha vi uma grande claridade e, no meio dela, Deus Pai. Entre essa claridade e a Terra, vi Jesus pregado na cruz e de tal maneira que Deus, querendo olhar para a Terra – tinha que olhar pelas Chagas de Jesus. E compreendi que, por Jesus, Deus abençoava a Terra.”
(Caderno I, pág. 24)

Ó tesouro inesgotável da pureza da intenção, que tornas todas as nossas ações perfeitas e tão agradáveis a Deus.”
(Caderno I, pág. 27)

Certo dia, queixava-me a Jesus por constituir um peso para as Irmãs (pois estava doente). Jesus respondeu-me: Não vives para ti mesma, mas para as almas. Dos teus sofrimentos terão proveito outras almas. O teu contínuo sofrimento lhes dará luz e forças para se conformarem a Minha vontade.”
(Caderno I, pág. 27)

Jesus, Verdade eterna, fortificai as minhas tênues forças. Vós, Senhor, tudo podeis. Sei que nada valem os meus esforços sem Vós. Ó Jesus, não Vos escondais de mim, porque sem Vós não posso viver. Ouvi as súplicas da minha alma! Não se esgotou, Senhor, a Vossa misericórdia  portanto tende compaixão da minha miséria. A Vossa misericórdia excede o entendimento dos Anjos e dos homens justos e, embora me pareça que não me ouvis, coloquei minha confiança no mar da Vossa misericórdia e sei que a minha esperança não será desiludida.”
(Caderno I, pág. 29)

Não me atrasarei em um só passo para Vós, ainda que espinhos firam os meus pés.”
(Caderno I, pág. 29)

Meu Jesus, guiai a minha mente, tomai plena posse de todo o meu ser, encerrai-me no fundo do Vosso Coração e defendei-me dos ataques do inimigo. Em Vós está a minha única esperança. Falai pelos meus lábios quando eu estiver com os poderosos e os sábios,  eu completa miséria, para que reconheçam que a causa é Vossa e de Vós procede.”
(Caderno I, pág. 32)

O inferno existe!

No Resposta Católica desta semana no Site do Padre Paulo Ricardo foi apresentada a resposta referente a seguinte pergunta: “Não é Deus excessivamente severo ao condenar o homem?”. Inicialmente mostro o texto e o vídeo elaborado pelo Padre Paulo, e em seguida, um ótimo comentário escrito por Anderson no site, com relação ao mesmo assunto.

 

Por definição, o Inferno é um “estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados” (CIC 1033). Ora, a palavra auto-exclusão não deixa margem para qualquer dúvida: não é Deus quem condena o homem, mas o próprio homem. Mas, como isso ocorre? Para se compreender como o próprio homem pode renegar a comunhão com Deus é preciso entender que ele é totalmente, tragicamente livre. Tão livre que pode, no instante final, virar as costas para Deus.

Deus respeita a liberdade humana, como respeitou a liberdade dos anjos quando, liderados por Lúcifer disseram: “Não serviremos”. Tanto para eles quanto para os homens existe um caráter de irrevogabilidade nessa decisão, que é selada no momento último. Assim diz o Catecismo: “não existe arrependimento para eles (os anjos) depois da queda, como não existe para os homens após a morte” (392). Portanto, é o homem, no momento final, quem decide de que lado ficará e não Deus que o condena.

Enquanto o homem caminha sobre a Terra, tem todos os meios e as oportunidades para permanecer em comunhão com Deus. Ele próprio deixou um caminho seguro, claro, que são os Sacramentos, as Sagradas Escrituras, os Mandamentos e tantas outras vias. Deus oferece sua graça e seu amor infinito, porém, é o homem quem decide se aceita permanecer nesse amor e entrar em comunhão eterna com Ele ou se prefere permanecer com o coração endurecido, rejeitando por soberba e orgulho a mão estendida do Senhor.

Comentário: Acho interessante caro padre, que ninguém se choca diante da afirmação: “a pessoa humana é livre!” ao contrário todos fazem questão de defender a liberdade humana. Pois bem, dizer: “há a possibilidade de eu ir ao inferno”, é a afirmação mais suprema (e dramática até) da liberdade humana! Na verdade uma liberdade que deixa de ser liberdade, no momento que escolhe contra Deus e contra o bem, torna-se escrava. Mas somos “livres” para escolher de não sermos livres, de sermos escravos. Dizer “inferno” é dizer do imenso respeito de Deus por nossa capacidade de fazer escolhas, é afirmar a delicadeza divina que não nos impõe nada.

João Paulo II lamentou o quanto os pregadores atuais, perderam a coragem responsável de “ameaçar com o inferno“, ou seja, de lembrar-nos do quanto somos responsáveis perante nossas escolhas e suas consequência; de quanto é dramática e adulta a questão: “a quem você quer servir, afinal?”.

Não é justo fazermos escolhas erradas na vida e depois botar a culpa em Deus, dizendo que ele nos condenou, quando na verdade a escolha foi nossa. E é infantil revoltar-se contra a estrutura natural da realidade. Seria como um menino bobão que dissesse: “quero enfiar minha mão no fogo, mas não quero me queimar” ou “vou jogar essa taça de vidro para o alto, mas não vou pegá-la, mamãe virá em meu socorro, para impedir a consequência óbvia do meu gesto irresponsável, agarrando a taça antes que ela atinja o chão”. Nossa natureza (decaída) é tal que tendemos mesmo à isso. De fato, a principio, muitas vezes não há mesmo intenção perversa da nossa parte de ofender a Nosso Senhor. Mas ai de nós, se não nos abrirmos ao trabalho da graça divina em nós, ao poder libertador do Espírito Santo, através da disciplina espiritual (ascese). Caminharemos sim, sem dúvida para Continuar lendo

Sexo antes do casamento

No vídeo abaixo, o iluminado Padre Paulo Ricardo nos esclarece o porquê da castidade, como é possível mantê-la e como, em geral, nós cristãos fazemos para fugir do pecado.

Para viver a castidade é preciso que o cristão creia que é possível odiar o pecado e buscar a santidade.

A relação sexual fora do matrimônio é uma mentira, pois existe uma contraposição entre o que o corpo expressa e o que a alma experimenta: o corpo insinua uma entrega total; a alma revela a falta de compromisso entre as partes.

Aceitar que é possível, com a ajuda de Deus, sair do pecado e viver da miseri- córdia é o caminho para o cristão ser vencedor: não fazer do pecado um projeto de vida, eis o caminho para se aproximar da comunhão.

Odeie o seu pecado com seu coração e
viva da  misericórdia de Deus!

Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.
(Salmo 51: 10)

Deus é Misericórdia, mas também é Justiça

Da misericórdia de Deus muito se fala, mas pouco de Sua justiça. Abusa-se da misericórdia divina, para, assim, se continuar numa vida pecaminosa, apenas fazendo um propósito: Mais para o fim da vida farei uma confissão e Deus me perdoará. Mas, e se o fim da vida for amanhã…? O inferno está cheio de bons propósitos, disse um santo. É o próprio demônio que nos engana, incutindo-nos uma falsa idéia de misericórdia para ofendermos ainda mais a Deus e tornarmo-nos indignos de Seu perdão.

Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, Príncipe dos Moralistas, ad- verte-nos a respeito desse grande perigo para a nossa vida espiritual, num ser- mão no qual demonstra que abusar da misericórdia de Deus é desprezar sua bon- dade.

Abusar da Misericórdia de Deus é desprezar sua Bondade

Pode ser que haja no meio de vós, meus irmãos, alguém que se encontre com a alma carregada de pecados e que — longe de pensar em se livrar deles pela confi- ssão e penitência — não cessa de cometer novos pecados, se sobrecarregando ainda mais . Este, certamente, abusa da misericórdia divina; pois, a que fim nos- so Deus tão bom deixa que este pecador viva senão para que se converta e, por conseqüência, escape da desgraça de perder a alma?

Ele mereceu as severas censuras que o Apóstolo dirigiu ao povo judeu impeni- tente: “Porventura desprezas as riquezas da bondade, da paciência e da longami- nidade de Deus? Ignoras que Sua bondade te convida à penitência? Mas que na tua dureza e coração impenitente, acumulas para ti um tesouro de ira no dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus” (Rom II, 4-5).Eu quero vos afastar, meus irmãos, desse funesto abuso, e vos preservar da desgraça de cair na morte eterna do inferno. A esse propósito, chamo vossa atenção para a seguinte verda- de: Quando uma alma abusa da misericórdia divina, a misericórdia divina está bem próxima de a abandonar…

Misericórdia e justiça divinas: infinitas

Santo Agostinho observa que, para enganar os homens, o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança.Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que des- confiemos de Sua misericórdia. Entretanto, an- tes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos aos pecados, não nos impeça de satisfazer nossas paixões. …Essa misericórdia sobre a qual vós cantais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o de- mônio, obstinado em vos perder. Cuidado!, diz São João Crisóstomo, de dar ou- vidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…“Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei”. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas para o in- ferno! …

Nosso Senhor, aparecendo um dia a Santa Brígida, queixou-Se: “Eu sou justo e misericordioso, mas os pecadores não querem ver senão minha misericórdia” (Ego sum justus et misericors; peccatores tantum misericordem me existimant. – Rev. 1. I. c. 5). “Não duvideis, diz São Basílio, que Deus é mise- ricordioso, mas saibamos que Ele também é justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus”. Uma vez que Deus é justo, é im- possível que os ingratos escapem do castigo… Misericórida! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência di- vina.

Autor: Marcus Moreira Lassance Pimenta
Fonte: Veritatis Splendor