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Pai Nosso das Almas

Um dia enquanto Santa Matilde comungava pelas Almas do Purgatório, Jesus apareceu-lhe e disse: Reza por Elas um Pai Nosso. E compreendeu Ela que devia fazê-lo do modo abaixo indicado. Depois de ter rezado, Ela viu que uma multidão de Almas subiam ao Céu.

Oferecimento

Pai Eterno; oferecemos-vos o precioso Sangue, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e tudo o que Ele fez e sofreu na terra, para as Santas Almas do Purgatório e para a conversão dos pecadores. Fazemos esta oferta por intermédio do Coração Imaculado de Maria transpassado pela espada sétupla com todas as Suas dores e Suas lágrimas, colocando-as nas chagas de Jesus. Ofertamos também estas Chagas, cada uma das Chagas para as Santas almas do Purgatório e para a conversão dos pecadores, para a reconciliação de todas as almas Sacerdotais da Igreja Católica e do mudo inteiro, tantas vezes a misericórdia Divina souber contar deve valer este oferecimento mesmo que já não nos lembremos dele. Amém

Pai Nosso que estais no céu

Eu vos peço, dignai-vos perdoar, Pai Eterno, as Almas do Purgatório, por não Vos terem amado, por não terem rendido o culto de adoração que a Vos é devido, a Vós Seu Pai, bom e misericordioso, por Vos terem afastado de Seus corações onde desejáveis habitar. Para suprir estas faltas, ofereço-Vos o amor e a honra que Vosso Filho Vos rendeu sobre a terra e a imensa satisfação com que pagou a divida de todos os Seus pecados. Amém!
– Senhor Jesus / Perdão e Misericórdia (10 x)

Santificado seja Vosso Nome

Eu Vos suplico, ó Eterno Pai, que perdoeis as Almas do Purgatório por não terem honrado dignamente Vosso divino nome, por terem-no raras vezes invocado com devoção, por terem-no muitas vezes tomado em vão, e pela Sua vida pouco edificante terem-se tornado indignas do nome de Cristo. Para satisfação deste pecado, ofereço-Vos a santidade de Vosso amado Filho que em Suas pregações e em todas as Suas obras honrou e glorificou o Vosso nome. Amém!
– Senhor Jesus / Perdão e misericórdia (10x)

Venha a nós o Vosso Reino Continuar lendo

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E não nos deixeis cair em tentação

Há pecadores que desejam obter o perdão de seus pecados; confessam-se e fazem penitência, mas não se aplicam como devem, para não recaírem no pecado. São inconseqüentes consigo mesmos, pois choram e se arrependem de seus pecados, para em seguida caírem novamente nos mesmos pecados e assim acumularem motivo para lágrimas futuras. A propósito disto, diz o Senhor em Isaías (1, 16): Lavai-vos, purificai-vos, tirai de diante de meus olhos a malignidade de vossos pensamentos; deixai de fazer o mal.

É por isso que Cristo, como dissemos, nos ensina, no pedido anterior, a implorar o perdão de nossos pecados e neste, a graça de evitar o pecado dizendo: e não nos deixeis cair em tentação, pois é verdadeiramente a tentação que nos induz ao pecado.

Neste pedido três questões atraem nossa atenção:

a) Que é a tentação?
b) Como e por quem o homem é tentado?
c) Como se livra da tentação?

a) Que é a tentação?

Tentar não quer dizer mais do que: por à prova. Assim, tentar o homem, é por à prova sua virtude. A tentação pode ser de duas maneiras, segundo as exigências da virtude humana. Uma, quanto à perfeição da obra e outra, que o homem se guarde de todo o mal. É o que diz o Salmista (Sl 34, 14): Evita o mal e faze o bem.

A virtude do homem será pois provação, tanto do ponto de vista da excelência de se agir, quanto do seu afastamento do mal.

Se sois provados para saber, se estais prontos para praticar o bem, como, por exemplo, jejuar, e estais efetivamente prontos para o bem, grande é a vossa virtude.

Deste modo Deus prova o homem, não porque Ele não conhece sua virtude, mas para que assim todos a fiquem conhecendo e o tenham como exemplo. Deste modo Deus tentou Abraão (Gn 22) e Jó. Por isso Deus envia tribulações aos justos; se suportam com paciência, sua virtude é manifesta e progridem na virtude. O Senhor vosso Deus vos tenta, para se fazer manifesto se o amais ou não, dizia Moisés aos Hebreus (Dt 13, 3): Portanto Deus tenta o homem, provocando-o a fazer o bem.

O segundo modo de tentar a virtude do homem é incitá-lo ao mal. E se o homem resiste fortemente e não consente, sua virtude é grande, mas se ele não resiste, onde está sua virtude?

Deus nunca tenta o homem deste modo, pois nos diz São Tiago (1, 13): Ninguém, quando é tentado, diga que Deus é que o tenta, pois Ele é incapaz de tentar para o mal. Mas quem tenta o homem é a própria carne, o diabo e o mundo.

b) Como e por quem é o homem tentado?

A carne tenta o homem de dois modos.

Primeiro, instigando o homem para o mal, pela procura dos gozos carnais, que são sempre ocasião de pecado. Quem permanece nos gozos carnais, negligencia as coisas espirituais. Diz-nos São Tiago: Cada um é tentado por sua própria concupiscência que o arrasta e seduz (Tg 1, 14).

Em segundo lugar, a carne nos Continuar lendo

Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores

Encontramos homens de grande sabedoria e força, mas quem confia em sua própria força não trabalha com sabedoria nem conduz até o final aquilo que se propusera fazer. Parecem ignorar que os conselhos dão força às reflexões. Como ensinam os Provérbios (20, 18).

Mas notemos que o Espírito Santo que dá a força, dá também o conselho; pois qualquer bom conselho relativo à salvação do homem só pode vir do Espírito Santo.

O conselho é necessário ao homem, quando este sofre tribulações, assim como o conselho do médico, quando se está doente. Quando um homem está espiritualmente doente pelo pecado, deve pedir conselho. E Daniel mostra que o conselho é necessário ao pecador, quando diz ao rei Nabucodonosor (Dn 4, 27): Segue, ó rei, o conselho que te dou, redime os teus pecados com esmolas.

O conselho de dar esmolas e ser misericordioso é excelente para apagar os pecados. Por isso o Espírito Santo ensina aos pecadores esta oração pedindo: Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores.

Além disso devemos verdadeiramente a Deus aquilo a que Ele tem direito e que nós lhe recusamos. Ora, o direito de Deus exige que façamos Sua vontade, preferindo-a à nossa vontade. Ofendemos, portanto, seu direito, quando preferimos nossa vontade à sua, e isto é o pecado. Assim os pecados são nossas dívidas para com Deus. E o Espírito Santo nos aconselha que peçamos a Deus o perdão de nossos pecados e por isso dizemos: Perdoai as nossas dívidas.

Sobre estas palavras podemos fazer três considerações:

a) Primeiro, por que fazemos este pedido?
b) Segundo, quando será realizado?
c) Terceiro, que devemos fazer para que Deus realize nosso pedido?

a) Da primeira, tiramos dois ensinamentos necessários ao homem, nesta vida.

Um, que o homem deve sempre temer a Deus e ser humilde. Há quem seja bastante presunçoso para dizer que podemos viver neste mundo de modo a evitar o pecado. Mas isto a ninguém foi dado, a não ser ao Cristo que possui o Espírito em toda a plenitude; e à Bem-aventurada Virgem, cheia de graça e imaculada, da qual dizia Santo Agostinho: «Desta (Virgem) não quero fazer a menor menção, quando falo do pecado». Mas a nenhum outro santo foi concedido não cair em pecado ou, ao menos, não incorrer em algum pecado venial. Diz, em sua Epístola, São João: Se dissermos que estamos sem pecado, nós mesmos nos enganamos, e não há verdade em nós. (I, 1,8).

E isto tudo é provado pelo próprio pedido. Firmamos, pois, que a todos, santos ou não, convém dizer o Pai Nosso, com o pedido: Perdoai as nossas dívidas. Portanto, cada homem se reconhece e se confessa pecador e indubitavelmente devedor. Se, pois, sois pecador, deveis temer e vos humilhar.

O outro ensinamento é que vivamos sempre na esperança. Ainda que sejamos pecadores, não devemos desesperar. O desespero nos leva a outros e mais graves pecados, como nos diz o Apóstolo (Ef 4, 19): Desesperando, entregaram-se à dissolução e a toda sorte de impurezas.

É, pois, muito útil que sempre esperemos. O homem, por mais pecador que seja, deve esperar sempre o perdão de Deus, se seu arrependimento é verdadeiro, se se converteu perfeitamente.

Ora, esta esperança se fortifica em nós, quando pedimos: Pai nosso, perdoai as nossas dívidas.

Os hereges Navatini negavam essa esperança, dizendo que aquele que peca, depois do batismo, não alcança a misericórdia. Ora, isto não é verdade, se é verdade o que Cristo diz (Mt 18,32): Perdoei-te a dívida toda, porque me pediste.

Assim, em qualquer dia em que pedirdes, podereis obter a misericórdia, se rogardes arrependidos por terdes pecado.

Se, portanto, por esse pedido, nasce o temor e a esperança e todo pecador contrito alcança a misericórdia, concluímos o quanto é necessário fazê-lo.

b) Quanto à segunda consideração, é preciso lembrar que, no pecado, são dois os elementos presentes: a culpa, pela qual se ofende a Deus, e o castigo devido pela ofensa.

Ora, a falta é remida pela contrição, se esta é acompanhada do propósito de se confessar e de satisfazê-la. Declara o Salmista (Sl 32, 5): Eu disse: confessarei ao Senhor contra minha injustiça; e tu me perdoaste a impiedade de meu pecado.

Como dissemos, se a contrição dos pecados, com o propósito de confessá-los, basta para obter sua remissão, o pecador não deve desesperar.

Mas alguém pode objetar: se a contrição do pecado redime a culpa, porque é necessário a confissão ao sacerdote?

A esta pergunta responderemos: Deus, pela contrição, redime o pecado, mudando o castigo eterno em castigo temporal; o pecador, contrito, fica submetido à pena temporal. Assim, se o pecador morre sem confissão, não por tê-la desprezado, mas porque a morte o surpreendeu, irá para o purgatório onde, segundo Santo Agostinho, sofrerá muitíssimo. No entanto, ao vos confessar, o sacerdote vos absolve da pena temporal pelo poder das chaves, ao qual vos submeteis na confissão; pois disse Cristo aos Apóstolos (Jo, 20:22-23): Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados e aos que os retiverdes, serão retidos. Assim, quando se confessa uma vez, alguma parte da pena é perdoada e do mesmo modo, quando se repete a confissão ou se confessa, tantas vezes, quanto necessário, será totalmente perdoada.

Os sucessores dos Apóstolos acharam um outro modo  Continuar lendo

O Pão Nosso de cada dia nos dai hoje

Muitas vezes, a grandeza da ciência e da sabedoria tornam o homem tímido, e então é preciso ter força no coração, para que o homem não desanime diante das necessidades.

 O Senhor, diz Isaías (40, 29), dá força aos cansados e vigor aos que são fracos. E Ezequiel (2, 2) também diz: Entrou em,mim o Espírito, e me firmou sobre os meus pés. O Espírito Santo, de um lado, dá força para impedir que o homem desfaleça com o medo de não ter o necessário, e por outro lado, para que o homem creia firmemente que Deus o proverá de tudo que precisar.

Assim o Espírito Santo, dispensador desta força, nos ensina a dizer: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. E o chamamos Espírito de força.

É preciso saber, que nos três pedidos precedentes do «Pai Nosso», pedimos bens espirituais, cuja possessão começa neste mundo, mas só será perfeita na vida eterna.

Com efeito, quando pedimos a santificação do nome de Deus, pedimos que reconheçamos Sua santidade; pedindo a vinda de Seu reino, pedimos alcançar a vida eterna; pedir para que a vontade de Deus seja feita é pedir que Deus cumpra Sua vontade em nós. Todos esses bens, parcialmente realizados neste mundo, só o serão perfeitamente, na vida eterna.

Também é necessário pedir a Deus alguns bens indispensáveis, cuja possessão perfeita é possível na vida presente. Por isso, o Espírito Santo nos ensina a pedir estes bens, necessários à vida presente e perfeitamente possuídos aqui em baixo.

Ao mesmo tempo nos faz mostrar que é Deus que nos provê em nossas necessidades temporais, quando dizemos: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje».

Por estas palavras, Jesus nos ensina a evitar os cinco pecados que se comete habitualmente por um desejo imoderado das coisas temporais.

(1) O primeiro destes pecados é que o homem, insaciável, quanto às coisas que convêm a seu estado e a sua condição, e impelido por um desejo desregrado, pede bens que estão acima de sua condição. Age como um soldado que se queira vestir de oficial ou um clérigo, como um bispo.

Este vício desvia o homem das coisas espirituais, porque o prende excessivamente a coisas temporais.

O Senhor nos ensina a evitar tal pecado, mandando-nos pedir somente o pão, quer dizer, os bens necessários a cada um nesta vida, segundo a sua condição particular: sob o nome de «pão», estão compreendidos todos esses bens. O Senhor não nos ensinou a pedir coisas delicadas, variadas e exóticas, porém pão, sem o qual o homem não pode viver e que é o alimento comum a todos. O essencial da vida do homem, diz o Eclesiástico (29, 28), é a água e o pão. E o Apóstolo escreveu a Timóteo (1/6, 8): Tendo pois com que nos sustentar e com que nos cobrirmos, contentemo-nos com isso.

(2) Um segundo vício consiste em cometer-se injustiças e fraudes na aquisição dos bens temporais.

Este é um vício perigoso, porque é difícil restituir os bens roubados e, segundo Santo Agostinho, «tal pecado não é perdoado, se não restituímos o que foi roubado».

O Senhor nos ensina a evitar este vício, pedindo Continuar lendo

Seja feita a Vossa Vontade assim na terra como no Céu

O Espírito Santo produz em vós um terceiro dom, chamado dom de Ciência.

O Espírito Santo não produz nos bons somente o dom do Temor e o dom da Piedade que, como vimos no post anterior do Pai Nosso, é um amor delicado por Deus. O Espírito Santo torna o homem sábio.

Davi pedia o dom da ciência no Salmo (119, 66), dizendo: Ensinai-me a bondade, a doutrina e a ciência. E é esta ciência do bem viver, que nos ensina o Espírito Santo.

Entre as disposições que contribuem para a ciência e a sabedoria do homem, a mais importante é aquela que faz com que o homem não se apóie em si mesmo. Não te estribes em tua prudência, recomenda o livro dos Provérbios (3, 5). Com efeito, os que confiam em seu próprio julgamento, a ponto de não se fiarem senão em si mesmos e não nos outros, são considerados como insensatos, e verdadeiramente o são. Declara o livro dos Provérbios (26, 12): Mais se deve esperar de um ignorante do que de um homem que é sábio a seus próprios olhos.

Um homem não confia em seu próprio julgamento se é humilde, pois, ensinam os Provérbios (11, 2): onde há humildade, aí há igualmente sabedoria. Os orgulhosos ao contrário, põem em si toda confiança.

Assim sendo, o Espírito Santo nos ensina, pelo dom de Ciência, a não fazer a nossa vontade, mas a vontade de Deus. E também quando pedimos a Deus, que Sua vontade se faça no céu, como na terra, manifesta-se O dom de Ciência.

Quando dizemos a Deus: Seja feita a vossa vontade, é como se fôssemos doentes que aceitam o remédio amargo, prescrito pelo médico. O doente não quer tal remédio, mas aceita a vontade do médico, do contrário, seguindo só sua vontade, seria um insensato. Da mesma maneira, não devemos pedir a Deus nada além do Seu querer, isto é, a realização de Sua vontade em nós.

O coração do homem é reto, quando está de acordo com a vontade divina, assim como fez o Cristo (Jo 6, 38): Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’ Aquele que me enviou.

Cristo, enquanto Deus, tem uma só vontade com o Pai, mas enquanto homem tem sua vontade distinta da vontade do Pai. Foi falando desta vontade que declarou: não faço a minha vontade, mas a de meu Pai. E por isso nos ensinou a rezar e a pedir: «seja feita a vossa vontade».

Mas qual é a razão de ser desta oração: «Seja feita a vossa vontade?»

Não se diz a Deus, no Salmo (135,6): Tudo quanto quis, fez? Se Deus faz tudo que quer no céu e na terra, porque diz Jesus: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu?

Para compreender a causa deste pedido é preciso saber que Deus quer para nós três coisas que realizamos nesta oração.

a) Em primeiro lugar, Deus quer que Continuar lendo

Venha a Nós o Vosso Reino

Como foi dito nos posts anteriores referentes ao Pai Nosso (veja os links ao fim deste), o Espírito Santo nos faz amar, desejar e pedir retamente o que nos convém amar, desejar e pedir. Este Espírito produz em nós, primeiro, o temor que nos leva a procurar a santificação do nome de Deus, para, em seguida, nos dar o dom da piedade. A piedade é, propriamente, uma afeição terna e devotada por um pai e também por um homem caído na miséria.

Como Deus é nosso Pai, devemos não somente venerá-lo e temê-lo, mas também alimentarmos uma terna e delicada afeição por Ele. É esta afeição que nos faz pedir a vinda do reino de Deus. São Paulo declara em Tito, 2, 11-13: A graça de Deus apareceu a todos os homens, ensinando-nos que vivamos neste mundo sóbria, justa e piamente, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa de nosso grande Deus.

Mas podemos perguntar: Se o reino de Deus sempre existiu, porque pedimos a sua vinda?

Devemos responder a esta pergunta de três maneiras:

Primeiro: o reino de Deus, em sua forma acabada, supõe a perfeita submissão de todas as coisas a Deus. Um rei não será rei, efetivamente, antes de que todos os seus súditos lhe obedeçam.

Sem dúvida, Deus pelo que é e por sua natureza, é o Senhor do universo; e o Cristo, sendo Deus e sendo homem, tem, como Deus, o senhorio sobre todas as coisas. Diz Daniel (7, 14): No mais antigo dos dias foi lhe dado o poder, a honra e a realeza. É preciso que tudo lhe seja submetido. Mas isto ainda não é assim e se realizará no fim do mundo. Está escrito (1 Cor 15, 25): É necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. Eis porque pedimos: venha a nós o vosso reino.

Assim fazendo, pedimos três coisas, a saber:

— que os justos se convertam;
— que os pecadores sejam punidos;
— que a morte seja destruída.

Os homens são submetidos ao Cristo de duas maneiras: ou voluntariamente ou contra a vontade. A vontade de Deus, com efeito, possui tal eficácia, que não pode deixar de se realizar totalmente. E já que Deus quer que todas as coisas sejam submissas ao Cristo, é preciso necessariamente ou que o homem cumpra a vontade de Deus, submetendo-se a seus mandamentos — o que fazem os justos — ou que Deus realize sua vontade naqueles que lhe desobedecem, isto é, nos pecadores e nos seus inimigos, punindo-os. O que acontecerá, no fim do mundo, quando Ele colocará seus inimigos debaixo de seus pés (cf., Sl 110, 1). Por isso é dado aos santos pedirem a Deus a vinda de seu reino, com a total submissão de todos à sua realeza. Mas esse pedido faz tremer os pecadores, pois assim terão de se submeter aos suplícios requeridos pela vontade divina. Infelizes aqueles (pecadores) que desejam o dia do Senhor (Am 5, 18).

A vinda do reino de Deus, no fim dos tempos, será também a destruição da morte. O Cristo é a vida; ora, a morte — que é contrária à vida — não pode existir em seu reino, segundo a palavra (1 Cor 15,26): O último inimigo a ser destruído será a morte, o que quer dizer que na ressurreição, segundo São Paulo (Fp 3, 21), o Salvador transformará nosso corpo de miséria, e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso.

Segundo: o reino dos céus designa a glória do paraíso. Não há nisto nada de espantoso, pois o reino quer dizer, simplesmente, governo. Um governo atinge seu mais alto grau de excelência, quando nada se opõe à vontade de quem governa.

Ora, a vontade de Deus é a salvação dos homens, pois Deus quer que todos os homens se salvem (cf. 1 Tm 2, 4). Esta vontade divina se realizara principalmente no paraíso, onde nada é contrário à salvação dos homens, pois o Senhor diz (Mt 13, 41): Os anjos lançarão fora de seu reino todos os escândalos. Neste mundo, ao contrário, abundam os obstáculos, para a salvação dos homens.

Quando, pois, pedimos a Deus: «venha a nós o vosso reino», rezamos para que, triunfando sobre esses obstáculos, sejamos participantes de seu reino e da glória do paraíso.

Três motivos tornam este reino extremamente desejável.

Primeiro, pela soberana justiça deste reino. Falando de seus habitantes, o Senhor diz a Isaías (60, 21) que todos são justos. Aqui, os maus estão misturados com os bons, mas lá não haverá nem maus nem pecadores.

Segundo, pela Continuar lendo

Santificado seja o Vosso Nome

Este é o primeiro pedido, no qual pedimos que o nome de Deus seja manifestado em nós e por nós proclamado. Ora, o nome de Deus é antes de tudo, admirável, porque em todas as criaturas opera obras maravilhosas. O Senhor declara no Evangelho (Mc 16,17): Em meu nome, expulsarão os demônios, falarão novas línguas, e se beberem algum veneno mortal, este não lhes fará mal algum.

Em segundo lugar, o nome de Deus é amável. «Não existe debaixo do céu, diz São Pedro (At 4, 12) nenhum outro nome, entre os que foram dados aos homens, que possa salvar-nos». E a salvação deve ser buscada por todos. Santo Inácio dá-nos o exemplo do quanto devemos amar o nome de Cristo. Quando o imperador Trajano exigiu que ele negasse o nome de Cristo, Santo Inácio respondeu: «Não podereis arrancá-lo de minha boca». O tirano ameaçou cortar-lhe a cabeça e assim tirar o nome de Cristo de seus lábios; replicou o bem-aventurado: «Não o arrancarás jamais de meu coração, pois é lá que está gravado, por isto não posso deixar de invocá-lo». Ouvindo estas palavras, Trajano, desejoso de verificar-lhes a exatidão, mandou cortar a cabeça do servidor de Deus e extrair-lhe o coração. E no coração encontrou gravado, com letras de ouro o nome de Cristo. O santo possuía este nome como um selo em seu coracão.

Em terceiro lugar, o nome de Deus é venerável. O Apóstolo afirma (Fp 2, 10): Que ao nome de Jesus se dobrem todo joelho no céu, na terra e nos infernos; no céu, no mundo dos anjos e bem-aventurados; na terra, tanto os homens, que querem a glória celeste, como os que, por temerem o castigo, buscam evitá-lo; nos infernos, no mundo dos danados, que estes se prostrem com temor diante de Jesus Cristo.

Em quarto lugar, o nome de Deus é inexprimível, no sentido de que nenhuma língua é capaz de exprimir toda a sua riqueza. Tenta-se, no entanto, explicá-la pelas criaturas. Assim, dá-se a Deus o nome de rochedo, por causa de sua firmeza. E notemos que se o Senhor deu a Simão, futuro fundamento da Igreja, o nome de Pedra (Mc 3, 16) foi precisamente porque sua fé, na divindade de Jesus, (cf. Mt 16, 18) devia fazê-lo participar de sua firmeza divina.

Designa-se Deus também pelo nome de fogo, em razão de sua virtude purificadora. Assim como o fogo purifica os metais, Deus purifica o coração dos pecadores. Assim está no Deuteronômio (4, 24): Vosso Deus é um fogo que consome.

Deus é também chamado luz, por causa de sua capacidade de iluminar. Como a luz ilumina as trevas, Deus ilumina as trevas do espírito. O Salmista, em sua oração, diz ao Senhor (18, 28): Meu Deus, iluminai as minhas trevas.

Pedimos então que este nome seja manifestado, conhecido e tido por santo.

A palavra santo tem três significações:

1) Primeiramente, santo que dizer firme, sólido, inabalável. Assim, todos os Bem-aventurados que habitam os céus são chamados santos, porque se tornaram, pela felicidade eterna, inabaláveis. Neste sentido não há santos neste mundo, porque os homens estão, aqui, em Continuar lendo