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Proferir palavras duras

 Não haja contendas entre vocês, ou se as houver, terminem-nas depressa para que a ira não chegue até o ódio e de uma palha se faça uma viga , convertendo-se a alma em homicida; pois assim se lê: “O que odeia seu irmão é homicida“.

Aquele que ofender alguém com injúria, ultraje ou acusando-o de alguma falta, procure remediar o quanto antes o mal que provocou e aquele que foi ofendido perdoe-o logo, sem vacilar. Porém se tiverem-se ofendido mutuamente, devem se perdoar a ofensa , porque, do contrário, a sua recitação do Pai Nosso se transforma numa mentira. No mais, quanto mais frequentes forem suas orações, com tanta maior sinceridade devem fazê-las. Contudo, é muito melhor alguém que, mesmo, deixando-se levar pela ira, se apressa a pedir perdão àquela a quem ofendeu, que o outro que demora em irar-se, mas opõe mais resistência em pedir perdão. Aquele que, pelo contrário, nunca quer pedir perdão ou não o pede de coração , em vão se encontra na casa religiosa, mesmo que dali não seja expulso. Portanto, abstenham-se de proferir palavras duras em excesso e, se alguma vez, elas deslizarem, não se envergonhem de aplicar o remédio saído da mesma boca que produziu a ferida.

No entanto, quando a necessidade da disciplina os obriga a empregar palavras duras ao corrigir os mais novos, se perceberem que foram excedidas no modo, não lhes é exigido pedir perdão aos ofendidos, pois não aconteça que, por ter uma excessiva humildade para com aqueles que devem ser obedientes, fique debilitada a autoridade de quem governa. Pelo contrário, peça-se perdão ao Senhor de todos, que conhece benevolência com que são amados inclusive aos quais talvez foram corrigidos além da medida. O amor entre vocês não deve ser carnal, mas espiritual.

FonteRegra de Santo Agostinho

Regra de Santo Agostinho é um conjunto de regras criadas por Santo Agostinho de Hipona que se refere à vida monástica de muitas comunidades e ordens religiosas católicas desde o século V até hoje. Os princípios essenciais da Regra de Santo Agostinho são: a pobreza, a castidade, a obediência, o desapego do mundo, a repartição do trabalho, o dever mútuo de superiores e irmãos, caridade fraterna, a oração, a abstinência comum e proporcional à força do indivíduo, o cuidado dos doentes, o silêncio, a leitura e a vida em fraternidade.

Vendo a fé daqueles homens, perdoou-lhe

E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro.
E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico:
Filho, perdoados estão os teus pecados
.”
(Marcos 2:3-6)

«Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’». Como é grande o Senhor! Por causa de uns, perdoa aos outros; de uns recebe a oração, a outros perdoa os pecados. Por que razão, ó homem, não poderá o teu semelhante interceder por ti, quando é um servo que do Senhor alcança e obtém, pela súplica insistente, a graça?

Quem julga, pois, que aprenda a perdoar; e quem estiver doente, a suplicar. E se não esperais o perdão imediato das faltas graves, recorrei a intercessores, recorrei à Igreja, que rezará por vós, e, em consideração a ela, o Senhor vos concederá o perdão que podia ter-vos recusado. Não negamos a realidade histórica da cura do paralítico, apenas queremos aqui realçar sobretudo a sua cura interior, por causa dos pecados que lhe foram perdoados. […]

O Senhor quer salvar os pecadores e demonstra a Sua divindade através do conhecimento que tem dos corações e dos prodígios das Suas acções: «Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer ‘Levanta-te, pega no teu catre e anda’?» E assim faz-lhes ver a imagem completa da Ressurreição, uma vez que, ao curar as feridas do corpo e da alma […], é o homem todo que fica curado.

Fonte: Homilia de Santo Ambrósio.

Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará,
e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte.
Há pecado para morte, e por esse não digo que ore
.”
(1 João 5:16)

Na aparição de Senhora em Lourdes a Bernadete, a Virgem pede insistentemente por Penitência:

 “Penitência! Penitência! Penitência! Reze pela conversão dos pecadores! “

Ódio ao pecado e não ao pecador

Não alimentes o ódio contra o pecador, porque todos somos culpados. Se, por amor a Deus, tiveres contra ele motivo de censura, lamenta-o. Porque lhe terias tu ódio? É o seu pecado que devemos odiar, e rezar por ele, se quiseres ser como Cristo, que, longe de Se indignar contra os pecadores, rezava por eles: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). […] Qual seria então a razão para odiares o pecador, tu que não passas de um homem? Seria por ele não estar à altura da tua virtude? Mas onde está a tua virtude se te falta a caridade?

Escrito por: Isaac, o Sírio (séc. VII), monge dos arredores de Mossul, santo das Igrejas Ortodoxas,  Sentenças 117, 118

Preparando-me para me confessar

A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más ações que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça.

O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo (Ez, 36, 26-27). A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos converti- dos» (Lm 5, 21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo. É ao descobrir a grandeza do amor de Deus que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado, e começa a ter receio de ofender a Deus pelo pecado e de estar separado d’Ele. O coração humano converte-se, ao olhar para Aquele a quem os nossos pecados trespassaram (Jo 19: 37, Zc 12: 10).

«Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo e compreendamos quanto Ele é precioso para o seu Pai, pois que, derramado para nossa salvação, proporcionou ao mundo inteiro a graça do arrependimento»
(São Clemente de Roma, Epistula ad Corinthios 7, 4: SC 167, 110)

O que fazer para receber o Sacramento do Perdão?

1. Preparar-me para a confissão

Para nos preparar para o sacramento da penitência, em geral começamos pelo exame de consciência, mas há algo a fazer antes. A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II enfatiza esse ponto. Devemos primeiro nos colocar diante da Pala- vra de Deus, lendo  passagens da Bíblia. A escuta da Palavra nos revela o amor de Deus e sua misericórdia como também quais são nossos pecados.  Infelizmen- te essa leitura é feita raramente fora das celebrações da comunidade.

Vejamos algumas leituras essenciais:

Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio. . . Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos.
(João 20:21-23)

Mesmo que os teus pecados sejam como escarlate,
ficarão brancos como neve.

(Isaías 1:18)

Não vim chamar os justos, mas os pecadores.
(Mateus 9:13)

Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes, ‘O que ligardes e desligardes na terra será ligado e desligado no céu’. Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo.
(S. João Crisóstomo, Tratado sobre os Sacerdotes, Liv. 3)

2. Fazer meu exame de consciência

É muito proveitoso fazer exame de consciência diário e também, com toda humildade, abrir-nos a que pessoas próximas de nós nos corrijam. “Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos condenados.” (1 Cor. 11, 31)

O exame se faz diante de Deus, escutando minha voz na consciência.

Há muitas maneiras diferentes para examinar minha consciência. Posso partir do texto das bem-aventuranças ou do texto do Evangelho. Nas celebrações pe- nitenciais, por vezes, os líderes oferecem um auto-exame centrado em um as- pecto da vida, nos relacionamentos com os outros e com Deus. Podemos ajudar as crianças a fazer o seu exame de consciência de suas vidas.

Em uma abordagem tradicional, é possível encontrar Continuar lendo