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O que Deus exige de nós?

Unite-des-Chretiens-1Na próxima sexta-feira (18) começa no Hemisfério Norte a Semana de Oração para a Unidade Cristã de 2013 que terá como tema a pergunta “O que Deus exige de nós?” ; sendo feita uma profunda reflexão nos oito dias a partir da seguinte passagem:

Com que hei de aparecer diante do Senhor, inclinar-me diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos? Com bezerros de um ano? Desejará o Senhor milhares de carneiros, quantidades de torrentes de óleo? Sacrificarei meu primogênito pela rebeldia, o filho de minha carne pelo pecado que cometi? Foi-te dado a conhecer, ó homem, o que é bom, o que o Senhor exige de ti: nada mais que respeitar o direito, amar a fidelidade e aplicar-te a caminhar com teu Deus.”
( Miquéias 6:6-8 , Tradução Ecumênica de Bíblia (TEB))

Miquéias foi um dos doze profetas menores do Antigo Testamento que profetizou em Judá aproximadamente entre 737 e 690 aC . Ele veio de Moréshet, a sudoeste de Jerusalém, e profetizou durante os reinados de Iotam, Acaz e Ezequias em Judá (Miquéias 1,1). Viveu nas mesmas condições políticas, econômicas, morais e religiosas que seu contemporâneo Isaías e com ele testemunhou a destruição da Samaria e a invasão do Reino do Sul pelo rei da Assíria no ano 701 aC . Sua tristeza ao chorar sobre a situação trágica de seu povo marca o estilo de seu livro e sua ira se volta contra os líderes e sacerdotes que haviam traído o povo.

O livro de Miquéias pertence à tradição literária da Profecia. No coração de sua mensagem está o oráculo de julgamento. O livro se desenvolve em três seções, mostrando uma caminhada que começa com o julgamento em geral (capítulos 1-3), passa para a proclamação da salvação (capítulos 4-5) e vai até a palavra de julgamento e a celebração da salvação (capítulos 6-7). Na primeira parte, Miquéias critica duramente os que exercem a autoridade, tanto política como religiosa, porque abusam de seu poder e roubam o que é dos pobres: eles “arrancam a pele do meu povo” (3,2) e “proferem sentenças por gorjeta” (3,11). Na segunda parte do livro, Miquéias exorta o povo a caminhar em peregrinação para “a montanha da casa do Senhor… e Ele nos mostrará seus caminhos e andaremos por suas veredas” (4,2). O julgamento de Deus é revelado na terceira parte como algo acompanhado por um chamado a aguardar em esperança a salvação, com fé em Deus que “tira o pecado e passa por cima das rebeldias” (7,18). Essa esperança se concentra no Messias, que será a “paz” (5,4) e que virá de Belém (5,1) trazendo salvação “até os confins da terra” (5,3). Miquéias então chama todas as nações da terra para caminhar nessa peregrinação, Continuar lendo

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Semana de Oração para Unidade dos Cristãos 2012

Um vez por ano ao menos, numerosos cristãos tomam consciência que existem maneiras muito diversas de adorar a Deus.

A manifestação que desencadeia esta tomada de consciência tem o nome de Semana de oração pela Unidade dos Cristãos. Celebrada tradicionalmente de 18 a 25 de janeiro (no hemisfério norte) e em Pentecostes (no hemisfério sul), a semana de oração se integra à vida das paróquias do mundo inteiro: cultos ecumênicos especiais são organizados.

Para Igrejas e comunidades cristãs que vivem juntas a Semana de Oração foi providenciado um texto para a celebração ecumênica. Igrejas e comunidades cristãs podem também incorporar o material da Semana de Oração em suas próprias celebrações.

O material para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2012 foi preparado por um grupo de trabalho composto por representantes da Igreja Católica Romana, da Igreja Ortodoxa e dos Antigos Católicos e Igrejas Protestantes em atividade na Polônia.

A partir de amplas discussões de que participaram os representantes de vários círculos ecumênicos na Polônia, ficou decidido focalizar um tema que diz respeito ao poder transformador da fé em Cristo, particularmente no que se refere à nossa oração pela unidade visível da Igreja, o Corpo de Cristo. Isso foi baseado nas palavras de São Paulo aos coríntios, que se referem à natureza temporária da nossa vida presente (com todas as suas aparentes “vitórias” e “derrotas”) em comparação com o que recebemos através da vitória de Cristo pelo mistério pascal.

 Texto completo para 2012 (pdf). Ele apresenta não somente as passagens, reflexões e orações para essa semana, mas também uma orientação de como realizar um evento ecumênico. Para mais orientações no sentido do ecumenismo, acesse o Conselho Ecumênico das Igrejas (Internacional) – em inglês, francês ou espanhol.

Tema dessa Semana:

Nesta Semana de Oração somos convidados a entrar mais profundamente em nossa fé para que sejamos todos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo. As leituras bíblicas, comentários, preces e perguntas para reflexão são recursos que exploram diferentes aspectos do que isso significa para as vidas dos cristãos e sua unidade uns com os outros dentro do mundo de hoje e para esse mundo. Começamos contemplando o Cristo que serve e  nossa jornada nos leva à celebração final do reino de Cristo, por meio de sua cruz e ressurreição.

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES
PARA OS OITO DIAS

PRIMEIRO DIA

Tema: Transformados pelo Cristo Servidor

Texto: O Filho do Homem veio para servir (Cf Mc 10, 45)

Leituras:

Comentário:

A vinda do Messias e sua vitória foram realizadas através do serviço. Jesus quer que um espírito de serviço encha os corações de seus seguidores também. Ele ensina que a verdadeira grandeza consiste em servir a Deus e ao próximo. Cristo nos dá a coragem para descobrir que Ele é aquele para quem servir é reinar – como dizia um antigo provérbio cristão.

A profecia de Zacarias a respeito de um vitorioso e humilde rei se realizou em Jesus Cristo. Ele, o Rei da Paz, vem aos seus , a Jerusalém – a Cidade da Paz. Ele não a conquista com engodo ou violência, mas com delicadeza e humildade.

O salmo 131 descreve brevemente mas com eloqüência o estado de paz espiritual que é o fruto da humildade. A figura de uma mãe com seu filho é um sinal do terno amor de Deus e da confiança em Deus, à qual a comunidade inteira é chamada.

O apóstolo Paulo nos desafia a fazer uma sóbria e humilde avaliação de nós mesmos e a descobrir nossas habilidades. Tendo uma diversidade de dons, somos um só corpo de Cristo. Em nossas divisões cada uma de nossas tradições tem sido agraciada pelo Senhor com dons que somos chamados a colocar a serviço de outros.

Pois o Filho do Homem veio não para ser servido, mas para servir
e dar a vida em resgate pela multidão
.”
(Mc 10, 45).

Com seu serviço, Cristo redimiu nossa recusa a servir a Deus. Ele se tornou um exemplo para regenerar todas as relações entre as pessoas: aquele que quiser ser grande entre vós deve ser vosso servidor – esses são os novos padrões de grandeza e prioridade.

Na Carta aos Romanos, Paulo nos relembra que os diversos dons nos são dados para o serviço: profecia, ministério, ensino, exortação, doação,  liderança e compaixão. Em nossa diversidade somos sempre um único corpo de Cristo, e membros uns dos outros. O uso de nossos diversos dons no serviço comum à humanidade torna visível a nossa unidade em Cristo. A ação conjunta dos cristãos para o benefício da humanidade, para combater a pobreza e a ignorância, para defender os oprimidos, para se ocupar com a paz e a preservação da vida, para desenvolver a ciência, a cultura, a arte são uma expressão da prática do ecumenismo, de que a Igreja e o mundo tanto necessitam. A imitação do Cristo Servidor propicia eloqüente testemunho do evangelho, atingindo não só as mentes mas também os corações. Tal serviço comum é um sinal do Reino de Deus que vem chegando – o Reino do Cristo Servidor.

Oração:

Poderoso e eterno Deus, percorrendo a estrada real do serviço, teu filho nos conduz da arrogância da nossa desobediência à humildade de coração. Une-nos uns aos outros por teu Santo Espírito, para que através do serviço a nossos irmãos e irmãs, tua verdadeira face possa ser revelada. Assim nos dirigimos a ti, que vives e reinas para sempre. Amém.

Questões para refletir:

  1. Que oportunidades para o serviço ficam mais ameaçadas pelo orgulho e a arrogância?
  2. O que deve ser feito para garantir que todos os ministérios cristãos sejam melhores experiências de serviço?
  3. Em nossa comunidade, o que os cristãos de diferentes tradições podem fazer melhor juntos do que isoladamente para revelar o Cristo Servidor?

SEGUNDO DIA

Tema: Transformados na paciente espera pelo Senhor

Texto: Agora é assim que nos convém cumprir toda a justiça (Mt 3,1-5)

Leituras:

  • 1 Sm 1, 1-20 —  A confiança e a espera paciente de Haná
  • Sl 40 —  Paciente espera pelo Senhor
  • Hb 11, 32-34  — Graças à fé conquistaram reinos, praticaram a justiça
  • Mt 3, 13-17  —  Agora é assim que nos convém cumprir toda a justiça

Comentário:

A vitória é freqüentemente associada Continuar lendo

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Nesta semana (de 18 a 25 de janeiro) acontece, no hemisfério norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico. No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente preferem outras datas para celebrar a Semana de Oração como, por exemplo, ao redor de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja.

Logotipo do Conselho Mundial de Igrejas, uma comunidade mundial de 349 igrejas que buscam a unidade, o testemunho comum e o serviço.

Este ano, o chamado à unidade, para as Igrejas do mundo inteiro, vem de Jerusalém, a Igreja mãe. Conscientes de suas próprias divisões e de sua própria necessidade de fazer mais pela unidade do corpo de Cristo, as Igrejas em Jerusalém fazem um apelo a todos cristãos para a redescoberta conjunta dos valores que mantinham unida a comunidade primitiva em Jerusalém, quando os “cristãos se uniam no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações” (At 2,42). Esse é o desafio que está diante de nós. Os cristãos de Jerusalém convocam seus irmãos e irmãs para fazer desta Semana de Oração uma ocasião de renovar o compromisso de trabalho por um genuíno ecumenismo, enraizado na experiência da Igreja dos primórdios.

Dentro desse tema, são apresentados quatro elementos que eram marcos da primeira comunidade cristã e que são essenciais à vida da comunidade cristã, onde quer que ela exista. Primeiramente, temos a palavra que era comunicada pelos apóstolos. Em segundo lugar, a comunhão fraterna (koinonia) era um sinal importante entre os primeiros fiéis sempre que se reuniam. Uma terceira marca da Igreja primitiva era a celebração da Eucaristia (a fração do pão), lembrando a Nova Aliança que Jesus realizou através de seu sofrimento, morte e ressurreição. O quarto aspecto é a atitude constante de oração. Esses quatro elementos são os pilares da vida da Igreja e de sua unidade.

Levando em conta essa flexibilidade no que diz respeito à data,estimulo vocês a compreender o material aqui apresentado como um convite para achar oportunidades ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tenham atingido e para orar juntos por aquela unidade plena que é desejo de Cristo.

Caminhada de fé nos temas dos oito dias:

1° Dia) A Igreja em Jerusalém

Apresenta-se as bases da Igreja mãe de Jerusalém, deixando clara sua continuidade com a Igreja de hoje pelo mundo inteiro. Relembramos a coragem da Igreja primitiva, que bravamente dava testemunho da verdade, assim como hoje necessitamos trabalhar pela justiça em Jerusalém e no resto do mundo.
Leituras propostas:
Joel 2, 21-22.28-29 (Derramarei meu Espírito sobre toda a carne.)
Salmo 46 (Deus está no meio da cidade)
Atos 2, 1-12 (Quando chegou a dia de Pentecostes)
João 14, 15-21 (É ele o Espírito da verdade)

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As Igrejas oram juntas pela unidade plena que é desejo de Cristo

Não é difícil perceber que a desunião entre as Igrejas cristãs é um escândalo que prejudica a própria pregação do evangelho. Quem vê, de fora, Igrejas em oposição, fica com a triste impressão de que estamos disputando espaço em vez promover o projeto de Jesus. A união faz a força – diz o provérbio bem conhecido. Na mesma proporção a desunião produz fraqueza. Igrejas unidas terão mais condição de promover a paz e a justiça. Estarão, com seu próprio comportamento, gritando ao mundo que a reconciliação, o perdão, a retificação de caminhos são sempre possíveis, quando há abertura para a graça. Mas, ainda que essa razão seja poderosa, temos outra ainda maior para buscar a unidade: Jesus pediu que os seus seguidores fossem um como ele e o Pai são um. Como ignorar tal desejo do Senhor? A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um momento especial para colocarmos nas mãos da Trindade nossos esforços e dificuldades no caminho da busca do relacionamento fraterno de Igrejas, superando séculos de uma história de enfrentamento mútuo.

Já o papa Leão XIII tinha pensado em fazer uma novena pela unidade, aproveitando a semana que vai do dia de Ascensão à festa de Pentecostes. Mais tarde a idéia foi muito divulgada por Lewis Thomas Wattson, um anglicano que se tornou católico romano. A proposta de data feita por Wattson era outra: de 18 de janeiro (festa da cátedra de S. Pedro em Roma) a 25 de janeiro (festa de S. Paulo); estariam assim representados nos dois apóstolos estilos diferentes de vivência cristã. Mas, de acordo com a mentalidade católica da época, pensava-se em unidade como retorno de todos os cristãos à Igreja com sede em Roma. Como era de se esperar, tal proposta não foi bem aceita por ortodoxos e evangélicos. Em 1926 o movimento Fé e Constituição, que mais tarde vai estar na origem da formação do Conselho Mundial de Igrejas, lançou um apelo para a realização de uma Semana de Oração pela Unidade, a ser feita nos dias que antecedem a festa de Pentecostes.

Um grande impulso veio também do sacerdote católico francês Paul Couturier a partir de 1935. Mas dessa vez a proposta mostrava uma abertura da parte católica: não se tratava de um retorno ao catolicismo, mas da reunião fraterna de Igrejas, cada uma com a sua identidade. Pe. Couturier dizia: “Que chegue a unidade do Reino de Deus, tal como Cristo a quer e pelos meios que ele quiser!” Essa atitude ficou mais fácil para os católicos depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), que reconheceu valores nos então chamados “irmãos separados” e em suas Igrejas, afirmando que a fé comum em Cristo é princípio de comunhão e assumindo a proposta ecumênica que respeita a identidade religiosa do outro.

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