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Senso de valores

Sentada numa cafeteria de frente para o mar, observava os barcos à distância quando minha atenção foi capturada pela conversa da mesa ao lado, cujo volume era alto o bastante para qualquer um no lugar ouvir:

“Por que você demitiu o Henry?” — alguém perguntou.

“Porque ele não tinha senso de valores. Sempre que o procurava, estava tomando um cafezinho. Valorizava mais o seu cafezinho do que o emprego. Eu o adverti várias vezes, mas não teve jeito.”

A conversa mudou para outros assuntos, mas fiquei pensando no homem demitido por dar mais importância a uma xícara de café que ao seu emprego. Uma brisa suave soprava e os pequenos barcos à vela deslizavam sobre a água. Perguntei-me quantas pessoas também apenas deslizam sobre a superfície da vida, sem nenhum senso de valores, vivendo em torno de supérfluos e excluindo de suas existências as coisas que realmente contam, como fez o Henry.

Tive uma amiga que passou a vida trabalhando, dando duro e se escravizando para construir e decorar uma casinha na qual pudesse encontrar conforto quando se aposentasse. Mas, poucos meses depois de concluir seu projeto, foi acometida de uma doença e informada que não lhe restava muito tempo de vida. Durante uma visita, sentada ao lado de sua cama, ouvi-a dizer: “O tempo está se esgotando para mim! Gastei o pouco que tinha nas coisas que não têm o menor valor onde estou indo.” Ela adquirira um senso de valores, só que tarde demais. Que triste!

Gostaria que, às vezes, pudéssemos ver todos os acontecimentos da nossa vida ligados às consequências que geram, pois faria uma grande mudança em nós! Não buscaríamos desculpas pelo tempo que desperdiçamos em coisas de pouco valor e de pequena importância nem daríamos prioridade a trivialidades em detrimento ao eterno.

Escrito por: Virginia Brandt Berg (1886–1968), mãe do fundador da Família Internacional.

Não se deixe enganar

E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípu- los em particular, dizendo: Diz-nos, quando serão essas coisas, e que sinal have- rá da tua vinda e do fim do mundo? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acaute- lai-vos, que ninguém vos engane; Por que muitos virão em meu no- me, dizendo: Eu sou o Cristo e enganarão a muitos (Mt. 24:3-5).

Estamos vivendo uma época de grandes transformações e não pouca confusão no cenário ético, político, moral e social. Nosso tempo está caracterizado pelos grandes conflitos ideológicos na quebra de conceitos e princípios fundamentais da dignidade humana. As transformações chegam com a velocidade da luz, inva- dindo a nossa imaginação; as inovações tecnológicas são cada vez mais surpre- endentes. Quando estamos começando a nos acostumar com o MP3, eis que che- ga o MP4! O aparelho de celular que mal falava na década passada, agora se transformou em câmera digital, Palmtop e outras parafernálias a mais. É possí- vel visualizar o mundo na tela do computador, e a comunicação em tempo real com quem está do outro lado do planeta já não é mais coisa de ficção científica. Nossa civilização nunca experimentou tamanho progresso como agora. Os co- nhecimentos se acumulam e as experiências vão se tornando degraus que sobem cada vez mais alto, rumo ao futuro. Quanta euforia! Viva o desenvolvimento e a capacitação intelectual do ser humano! Mas nem tudo são flores.

Apesar do otimismo, do desenvolvimento tecnológico e da euforia provocada pelo avanço, alguns aspectos fundamentais da humanidade sofreram regressão. O homem moderno pode chegar à Lua, deixar lá suas pegadas, mas não conse- gue resolver seus conflitos pessoais. É um impotente diante dos desafios que assolam a alma. Muitos vultos históricos da humanidade têm Continuar lendo