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A vontade de Deus

Jesus

A vida humilde, a fidelidade inabalável,
a modéstia nas palavras, a justiça nas ações,
a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes;
o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas;
o manter a paz com os irmãos;
o amar a Deus de todo o coração;
o amá-Lo por ser Pai;
o temê-Lo por ser Deus;
o nada absolutamente antepor a Cristo,
pois também Ele não antepôs coisa alguma a nós;
o aderir inseparavelmente à Sua caridade;
o estar ao pé de Sua cruz com coragem e confiança,
quando se tratar de luta por Seu Nome e Sua honra,
o mostrar firmeza ao confessá-Lo por palavras,
e, no interrogatório, o manter a confiança Naquele por quem combatemos,
e, na morte, o conservar a paciência que nos coroará,
tudo isto é querer ser co-herdeiro de Cristo,
é cumprir o preceito de Deus,
é realizar a vontade do Pai.”

(São Cipriano, bispo de Cartago, século III)

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Seja feita a Vossa Vontade assim na terra como no Céu

O Espírito Santo produz em vós um terceiro dom, chamado dom de Ciência.

O Espírito Santo não produz nos bons somente o dom do Temor e o dom da Piedade que, como vimos no post anterior do Pai Nosso, é um amor delicado por Deus. O Espírito Santo torna o homem sábio.

Davi pedia o dom da ciência no Salmo (119, 66), dizendo: Ensinai-me a bondade, a doutrina e a ciência. E é esta ciência do bem viver, que nos ensina o Espírito Santo.

Entre as disposições que contribuem para a ciência e a sabedoria do homem, a mais importante é aquela que faz com que o homem não se apóie em si mesmo. Não te estribes em tua prudência, recomenda o livro dos Provérbios (3, 5). Com efeito, os que confiam em seu próprio julgamento, a ponto de não se fiarem senão em si mesmos e não nos outros, são considerados como insensatos, e verdadeiramente o são. Declara o livro dos Provérbios (26, 12): Mais se deve esperar de um ignorante do que de um homem que é sábio a seus próprios olhos.

Um homem não confia em seu próprio julgamento se é humilde, pois, ensinam os Provérbios (11, 2): onde há humildade, aí há igualmente sabedoria. Os orgulhosos ao contrário, põem em si toda confiança.

Assim sendo, o Espírito Santo nos ensina, pelo dom de Ciência, a não fazer a nossa vontade, mas a vontade de Deus. E também quando pedimos a Deus, que Sua vontade se faça no céu, como na terra, manifesta-se O dom de Ciência.

Quando dizemos a Deus: Seja feita a vossa vontade, é como se fôssemos doentes que aceitam o remédio amargo, prescrito pelo médico. O doente não quer tal remédio, mas aceita a vontade do médico, do contrário, seguindo só sua vontade, seria um insensato. Da mesma maneira, não devemos pedir a Deus nada além do Seu querer, isto é, a realização de Sua vontade em nós.

O coração do homem é reto, quando está de acordo com a vontade divina, assim como fez o Cristo (Jo 6, 38): Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’ Aquele que me enviou.

Cristo, enquanto Deus, tem uma só vontade com o Pai, mas enquanto homem tem sua vontade distinta da vontade do Pai. Foi falando desta vontade que declarou: não faço a minha vontade, mas a de meu Pai. E por isso nos ensinou a rezar e a pedir: «seja feita a vossa vontade».

Mas qual é a razão de ser desta oração: «Seja feita a vossa vontade?»

Não se diz a Deus, no Salmo (135,6): Tudo quanto quis, fez? Se Deus faz tudo que quer no céu e na terra, porque diz Jesus: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu?

Para compreender a causa deste pedido é preciso saber que Deus quer para nós três coisas que realizamos nesta oração.

a) Em primeiro lugar, Deus quer que Continuar lendo

A vontade de Deus

Observando  o que Jesus nos diz em (Marcos 3:35):

qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão,
e minha irmã, e minha mãe” ,

São Paulo nos alerta em (Efésios 5:17) :

não sejais insensatos, mas entendei qual seja
a vontade do Senhor
.” ,

e também (Mateus 7:21) :

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai,
que está nos céus
”  ,

concluímos que é de suma importância em nossa vida, sabermos qual é a vontade de Deus, para assim imitarmos a Jesus:

Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade,
mas a vontade daquele que me enviou
.”
(João 6:38)

E no versículo seguinte é esclarecida essa vontade:

E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.” (João 6:39)

Assim como em (1 Tessalonicenses 4:3-7 ):

Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus. Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.”

E seguindo a Sua vontade somos livres:

Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus.”
(1 Pedro 2:15-16)

E Deus ouve exatamente a quem segue a Sua vontade:

Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas,
se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve
.”
(João 9:31)

E nós, como buscamos a santidade, pensamos exatamente como Santo Afonso de Ligório:

Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz.”

E de todo o coração o façamos…

Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus;
(Efésios 6:6)

Mas como fazer para conhecer a vontade de Deus? São Paulo nos diz em Efésios:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito (consentimento) de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo; no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.
(Efésios 1:3-14)

E para nos mantermos na direção certa, temos as…

…orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.”
(Colossenses 4:12)

E para quem padece segundo a vontade de Deus:

“…os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem.”
(1Pedro 4:19)

E confiantes estamos de que…

“…se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade,
ele nos ouve.

(1 João 5:14)

E que devemos operar a nossa Salvação com temor e tremor…

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”
(Filipenses 2:13)

Mas se, seguindo a vontade de Deus, cairmos no caminho, então precisamos lembrar da seguinte passagem:

E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
(2 Coríntios 12:7-9)

E por fim, para quem à vida mundana se acomoda, São Paulo adverte:

“…não sede conformados com este mundo,
mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável,
e perfeita vontade de Deus
.”
(Romanos 12:2)

Oremos (Hebreus 13:20-21):

Oh Deus de paz, que pelo sangue da aliança eterna tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas,
nos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazermos a sua vontade,
operando em nós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus,
ao qual seja glória para todo o sempre.
Amém!

Todo homem pode ir a Cristo?

Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer;
e eu o ressuscitarei no último dia

(João 6:44)

E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim,
se por meu Pai não lhe for concedido

(João 6:65)

Estas palavras do Senhor Jesus cristo se opõem diretamente à expressão popu- lar de que cada pessoa ou aceita ou rejeita Jesus Cristo como Salvador. E estas palavras  simples  de  Cristo  são  tão ofensivas  aos homens hoje como o foram quando Ele as falou pela primeira vez. Para que não houvesse nenhum mal en- tendimento sobre o que queria dizer, repetiu tudo outra vez, mudando as pala- vras só o bastante para tornar claro o significado, e  enfatizar  a  escravidão  da vontade humana nas coisas espirituais. É verdade que cada homem pode rejeitar a Cristo, mas ninguém, a não ser aqueles que recebem fé po- dem aceitá-lO. E quem quiser olhar na língua original (grego) esperando que a expressão seja de algum modo mais suave vai ficar desapontado. O texto grego diz: “Ninguém é capaz de vir a mim, a não ser que o Pai que enviou o atraia”.

É triste ver crentes professos negando estas palavras tão claras de Jesus e se o- pondo e difamando homens por pregarem o que Jesus falou. Parece com o espí- rito daqueles que, ao ouvirem Jesus pronunciar estas palavras há tempos atrás, deram-lhe as costas e não andaram mais com Ele. Por outro lado aqueles que, como Pedro, apegaram à autoridade de Cristo e se apegaram a Ele, não devem abusar de Suas palavras nem tirar conclusões erradas delas. Que possamos pen- sar nelas hoje, de tal maneira que produzam humildade e gratidão de coração.

Já se fez um esforço para explicar estas palavras dizendo-se que Deus atrai todo mundo, mas que alguns não cedem nem vêm, ao passo que outros cedem e vêm. Se isto for verdade, então Deus realmente não atrai ninguém a Cristo, mas tenta simplesmente atrair. Não seria a atração do Pai a causa de alguém vir a Cristo, mas sim a própria boa vontade de alguém em vir. E, se os homens estão dispos- tos a vir a Cristo, não necessitam ser atraídos. O texto significa que ninguém está disposto a vir, a menos que seja atraído. O pecador fica longe por sua própria vontade: ele só vem através do poder do Pai de o atrair. Se Deus não pode atrair o pecador a Cristo, então quem pode? O pecador? O próprio pregador? Se dis- sermos isto é o mesmo que dizer que uma pessoa pode ficar suspendido no ar se- gurando os próprios cardarços.

A ESCRAVIDÃO DA VONTADE HUMANA NAS COISAS ESPIRITUAIS

A vontade humana é a capacidade ou órgão de ação e tem competência em as- suntos morais e naturais, mas está sujeita e presa a uma natureza corrupta e de- pravada nas coisas santas e espirituais. Negar isto e dizer que o homem é tão capaz de escolher a santidade quanto é de escolher o pecado, é negar a queda do homem e colocá-lo onde Adão estava antes de pecar e ca- ir. Vamos tentar entender este texto em atitude de oração e com muito cuidado. Jesus disse que nenhum homem podia vir a Ele, a menos que fosse atraído (trazi- do) pelo Pai.

1. Vir a Cristo é o mesmo que crer nEle. É o ato de vontade pelo qual o pe- cador depende de Cristo para a salvação. A ação física não é envolvida ! O pro- cesso é mental e espiritual. No versículo 35, “Vir a Cristo” é “crer em Cristo” são usados num mesmo sentido. Vir a Cristo envolve renunciar toda a confi- ança em si, confiando unicamente em Cristo como Salvador e Se- nhor.

2. Minha compreensão deste texto não contradiz ao ensinamento bíblico que diz que “todo aquele que crê” pode ser salvo. Quem me ouve pregar agora ou já me ouviu pregar antes, sabe que tenho enfatizado, e ainda faço, sobre a disposição e capacidade de Cristo de salvar cada alma que vem a Ele. As palavras de Jesus: “E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37), talvez se- jam mais citadas do que qualquer outra passagem na Bíblia.  O que fizemos no passado, fazemos no presente e ainda faremos no futuro é afirmar que ninguém virá a Cristo, a menos que seja atraído (trazido) pelo Pai, e que todos aqueles que forem atraídos pelo Pai virão.

Eis uma ilustração simples, análoga à que o próprio Cristo deu em Lucas 14:16- 23. Ofereço um jantar ás 20 horas e faço um convite geral a todos na comunida- de para que compareçam. Digo: “Quem quiser, pode vir”. Mas suponha que não tenha amigo nenhum na comunidade. Todos me odeiam, e portanto, o convite é completamente desprezado e rejeitado. Ninguém virá. Mas há pessoas educadas nessa rejeição, que dão várias desculpas. Um diz que tem que trabalhar na lavou- ra, outro diz que tem que fazer um teste com o carro novo que comprou e outro diz que acabou de casar e quer ficar em casa com a esposa. Será que não dá para eu entender que não vieram simplesmente porque não quiseram? Ninguém tra- balha na lavoura à noite; o do carro podia ir nele e o recém-casado podia trazer a esposa ! todos estavam convidados. Meu convite para “quem quiser? trouxe al- guém? Não! Ninguém apareceu, pois me odeiam e não tem comunhão comigo. É a mesma coisa com o convite de Deus para “quem quiser”. Ninguém virá. Na pa- rábola, representando a grande festa do Evangelho de Deus, cada um dá uma desculpa e ninguém aceita o convite. Em João 5:40. Cristo diz:”E não quereis vir a mim para terdes vida“. Esta passagem explica o “não pode” do meu texto. Não podem porque não querem. É a incapacidade da vontade do homem que por na- tureza é inimigo de Deus (Romanos 8:7), e a quem as coisas do Espírito de Deus são loucura (I Coríntios 2:14).

3. Todo homem tem a permissão de vir a Cristo, mas nenhum homem tem o po- der para vir a Cristo, se não for atraído pelo Pai. As palavras ter a permissão e ter o poder não são a mesma coisa. O dicionário explica: “Poder expressa capa- cidade quer física ou mental; permissão expressa a autorização ou aprovação. Quando um rapaz pergunta a uma moça se permite que a acompanha até a casa e ela responde “sim”, ela está simplesmente lhe dando permissão e não a capaci- dade ou força de andar ao lado dela. Se ele perguntar se tem a capacidade (força ou poder) de acompanhá-la até sua casa, provavelmente responderá: “Parece bastante forte para chegar até lá”. Eu posso perguntar; “Tenho a sua permissão para levantar este carro”? Você pode responder; “Sim tem a minha permissão”. Mas se eu perguntar; “Eu tenho o poder (força) para levantar este carro”? Você pode estar com dúvida que é possível que eu possa fazer isso.Um expressa a per- missão, outro a força (poder). Nosso texto não nega a permissão para que os ho- mens venham a Cristo, mas nega o poder deles de virem. Cada pecador que ouve o Evangelho tem permissão de vir a Cristo. De fato, tem até uma ordem para vir. Porém, sua incapacidade não é física nem na- tural,  é mental e espiritual. É a disposição arruinada e pecaminosa da mente e do coração que o torna incapaz.

4. As Escrituras fazem distinção entre Continuar lendo

A questão decisiva do Pai Nosso

Mesmo se nós realmente queremos que o reino de Deus venha sobre a terra, sa- bemos que somos incapazes de fazer isso acontecer. O único que fez o reino de Deus na terra, fazendo verdadeiramente a vontade do Pai , foi Jesus. No momen- to no qual pedimos: “Seja feita vossa vontade assim na terra como no céu” , de- vemos então contemplar Jesus e pedi-lo que nos faça ouvi-lo.  “Diga-me  como você fez, como você disse ‘sim’ a seu Pai. Diga-me como você conseguiu isto na terra quando você era um homem de carne e sangue no meio de contradições e dificuldades , de oposições e de todos os obstáculos” . Para descobrir como ele fez isso, percorremos o Evangelho, olhemos os momentos em que disse ‘sim’ ao seu Pai, este ‘sim’ não temos somente que dizer a Deus, mas realizar concreta- mente. Temos de encontrar o ‘sim’  de  Jesus, para que façamos igual, para que o reino de Deus venha sobre terra como no céu, para que Sua vontade seja feita. É a exigência proposta a cada um de nós.Queremos fazer a vontade do Pai? Se sim, sejamos verdadeiros cristãos! Liguemo-nos a Ele, apoiemo-nos Nele, en- tão podemos fazer a vontade do Pai. Aqui está a questão crucial do Pai Nosso.